Defesa & Geopolítica

Lula pode chegar a Israel diferente

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Claro que nos meios oficiais de Israel já se sabe tudo sobre a conversa do presidente Lula com a Secretária de Estado, Hillary Clinton. Ouvi israelenses falarem sobre Lula dizendo que jamais viram um chefe de governo com semelhante jogo de cintura.

Até a noite de quinta-feira, o programa da visita de Lula, que acontece em 14 de março, ainda estava sendo montado. Ele ficará um dia e meio em Israel, mesmo tempo que dedicará à Autoridade Palestina e à Jordânia. Dorme uma noite em Jerusalém, uma noite em Belém e uma noite em Amã, capital da Jordânia. A previsão é que somente em maio, portanto após um bom intervalo, visite o Irã.

Lula será pressionado quanto à questão do Irã, que implica questão vital para Israel. Soube-se, claro, que Lula disse a Hillary Clinton que a posição que adota decorre da Constituição brasileira. Mas Israel deve pedir o voto brasileiro quando for apresentada ao Conselho de Segurança proposta de sanções ao Irã. O voto brasileiro é da maior importância. Também se procura obter os votos da Turquia e do Líbano.

É possível que Israel apresente informações que Lula desconheça sobre o Irã, como as relações incestuosas que mantém com o Hezbollah e o Hamas e as ameaças decorrentes. dos mísseis que tem em seus arsenais. Optou-se por entender que, se comprovado que o Irã fabrica a bomba atômica, Lula poderá mudar de opinião.

Mas é bem possível que Lula chegue a Israel num contexto de transformações e uma atitude a favor da pacificação do Oriente Médio ganhe significado especial. O chefe do governo israelense, Bibi Netanyahu, aplaudiu a resolução dos 22 países da Liga Árabe na reunião do Cairo, aceitando sugestão americana de que as negociações de paz entre Israel e Palestina sejam imediatamente retomadas pelo sistema de proximidade. Mas por quatro meses: se não houver progresso, seja o que Deus quiser.

Na próxima semana chegam à região o vice-presidente americano, Joe Biden, e o enviado especial de Obama, George Michel. Bibi afirma “estar convencido de que a vinda de Biden contribuirá para avanço concreto do processo diplomático”.

Fonte: Nahun Sirotsky correspondente IG em Israel

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