Defesa & Geopolítica

Especialista diz que Irã não sabe se quer a bomba

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Deborah Giannini, do R7

Nem mesmo a liderança iraniana sabe ao certo o que fazer com a seu programa de enriquecimento de urânio – que, dependendo da porcentagem de enriquecimento, pode produzir energia elétrica ou uma bomba nuclear. A afirmação é do analista político Peter Hakim, presidente do centro de estudos e análises Diálogo Interamericano, em Washington. – É impossível saber as reais intenções do Irã. Na verdade, nem mesmo a liderança iraniana sabe o que vai fazer com o urânio enriquecido. O fato é que tanto orgulho em produzir urânio enriquecido a 20% sugere que eles querem ter a capacidade necessária para produzir armas nucleares. A tecnologia do Irã de desenvolver mísseis é outro indicador do desejo de alcançar a capacidade de produzir armas.

Ele afirma que, mesmo com a incerteza de que o Irã vai se tornar um país nuclear, há uma boa razão para estar preocupado. A repressão interna, o apoio ao terrorismo em outros países e a consistente violação das normas da ONU relativas a armamentos nucleares são algumas razões. Ele diz:

– O Irã não é um país totalmente confiável. Talvez nenhum país seja.

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, negou nesta sexta-feira (19) que o país tenha a intenção de produzir armamento atômico, anunciou a TV estatal.

Israel teme Irã nuclear

Um dos grandes temores da existência de armas nucleares em países do Oriente como Irã, Coreia do Norte e Paquistão, é que bombas caiam nas mãos de terroristas.

Guilherme Casarões, professor de relações internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco, especialista em Oriente Médio, afirma:

– O potencial de destruição do Irã ou da Coreia do Norte é muito limitado. Quem tem medo da Coreia do Norte é o Japão e a Coreia do Sul. No caso do Irã, quem tem medo é Israel.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, questiona o holocausto (extermínio de 6 milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945) e já expressou o desejo de “varrer Israel do mapa”.

Hakim diz que a ameaça nuclear parece maior hoje do que há 30 anos [época da Guerra Fria] porque os países que detêm a tecnologia de armas – Irã, Coreia do Norte e Paquistão – não têm sido “bons cidadãos” internacionais. Na verdade, eles estão entre os piores, na opinião de Peter Hakim:

– O fato é que não estamos diante do mesmo perigo que nós encarávamos durante a Guerra Fria, quando os Estados Unidos e a ex-União Soviética tinham centenas de armas apontadas entre si e prontas para serem lançadas a qualquer momento.

Ter uma bomba seria “interessantíssimo”

Para Hakim, o fato de programas nucleares estarem em voga hoje no Oriente – 30 anos depois da Guerra Fria, no Ocidente – faz parte de um processo econômico e tecnológico, que foi acelerado pela ajuda do cientista paquistanês A. J. Khan:

– A. J. Khan claramente acelerou o tempo de fabricação de armas nucleares ao fornecer ilegalmente técnica e segredos científicos para dezenas de países. Nos próximos anos, estou certo de que outros países também vão começar a desenvolver armas nucleares.

Na opinião de Casarões, a bomba atômica é a última fronteira que um país pode cruzar:

– Olhando-se para a defesa do próprio país é interessantíssimo ter uma bomba. O problema é a repercussão negativa que isso causa num mundo em que desde os anos 1970 tem se condenado o uso de armas nucleares.

Irã planeja construir duas novas usinas de enriquecimento de urânio

Sugestão: Konner

Fonte: R7

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