Defesa & Geopolítica

Nem terremotos se comparam ao poder destrutivo do homem

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Autor: Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

Lista de desastres naturais ao longo do tempo é interminável, mas só as guerras do século 20 provam que o homem é quem melhor desfere golpes fatais.

Desde os primórdios do tempo os homens atribuem aos seus deuses as ações da natureza. Pensam que tudo o que acontece é para recompensá-los ou puni-los.Por todo o mundo existem sinais da revolta da natureza. Ocorrem terremotos e tsunamis. A explosão do Vesúvio, no ano de 79 d.C, sepultou Pompeia, que até hoje é atração turística da Itália. Qual foi o pecado dos seus habitantes?

Os terremotos dão uma lista sem fim de tragédias. Na Antióquia, no território que hoje é a Síria, um tremor deixou 250 mil mortos em 526. Em 551, outro destruiu Beirute, no Líbano. Em 1556, a chinesa Saanxi perdeu 830 mil vidas no mais mortífero terremoto de que já se teve notícia.

Em 1643, o Chile perdeu um terço de seus habitantes. Em 1737, um tremor arrasou Calcutá, na Índia, com a morte de 300 mil habitantes. Em 1811, um fenômeno sísmico fez o Rio Mississipi correr ao contrário.
A insaciável fome das placas tectônicas continua durante os anos. Caracas, Venezuela, foi destruída em 1812. San Salvador, em 1854. Um terço de Tóquio, em 1923.

Em 2004, um tremor perto da costa da ilha de Sumatra, Índia, provocou um tsunami que afetou 13 países e deixou um saldo de 266 mil mortos. Em 2008, um terremoto em Sichuan, China, matou 80 mil. E o mais recente deles, o do Haiti, totaliza por enquanto mais de 212 mil mortos.
Mas, apesar de seus efeitos, terremoto algum se compara com a destruição e as mortes causadas pelo homem.

No século 20, na 1ª Guerra (1914-1918) morreram 15 milhões. A Guerra Civil da Rússia (1918-1921), a revolução comunista na fase de Lênin, o primeiro grande líder, matou 9 milhões –incluindo os que morreram de fome.

No período de Stalin (1924-1953), o maior líder da União Soviética, as estimativas de mortes vão de 20 milhões a 50 milhões. Pelos arquivos não se chegou a um número.

Segundo Zbigniew Brzezinski, polonês-americano que foi secretário de Estado dos EUA no governo de Jimmy Carter entre 1977 e 1981, Hitler, o ditador nazista, matou 25 milhões do total de 55 milhões da 2ª Guerra (1937-1945).

Em sua guerra civil (1945-1947), os chineses sacrificaram 2,5 milhões de irmãos. E, no regime de Mao Tse Tung (1945-1949), houve mais 40 milhões de mortes.

A divisão libanesa

Em 1922 o Líbano, então parte do Império Otomano, passou para administração da França que, em 1943, concedeu-lhe independência com uma Constituição que dividia o poder, desde a presidência até o funcionalismo, segundo etnias e religiões.

Em 1975, começou uma guerra civil que contou com disputas entre religiões e etnias, a participação de refugiados palestinos e a invasão de Israel.

Tudo isso num país de apenas 10 mil km², cerca de 4 milhões de habitantes e com representações de todas as religiões e etnias do Oriente Médio. O conflito durou até 1990, deixando uma estimativa de mortes que varia de 130 mil a 250 mil.

No final dos 15 anos de conflito, Beirute – uma joia em belezas naturais e em construções de todos os povos que por ela andaram em seus 5 mil anos de existência – havia sido em grande parte destruída.

Conhecida como a Paris do Oriente Médio e centro cultural com intensa vida moderna, bairros elegantes, mulheres sofisticadas e sistema financeiro similar ao da Suíça, Beirute estava arrasada.

Os libaneses recomeçaram a reconstruir assim que assinaram uma paz interna. Mas sinais do passado tinham sido severamente destruídos. Anos de trabalhos de restauração se seguiram. Os arqueólogos recuperaram preciosidades nas ruínas e lixo. Mas as perdas foram incomensuráveis.

Em 2006, ocorreu o que se chamou de Segunda Guerra do Líbano. Houve evidências do que se qualificou de “cegueira estratégica” dos políticos e planejadores que recusaram às forças israelenses uma vitória provável e possível. Não houve a tão buscada extinção da presença do grupo libanês xiita Hezbollah do sul do Líbano ou o aumento do poder de dissuasão de Israel.

O país não se preparara. Aparentemente imaginou que suas pressões dariam às forças armadas libanesas o monopólio do poder militar do país.

Como consequência do erro de cálculo, Israel passou a ser visto como fraco. Erro que paga até hoje. Concentrara o principal de sua operação na força aérea. O reduto moderníssimo do Hezbollah em Beirute foi bombardeado e em grande parte destruído.

Toda cidade sofreu com o atraso no programa de reconstrução. O poder político do Hezbollah cresceu. Aliado do Irã, especula-se que tenha sido armado com 40 mil poderosos mísseis capazes de atingir todos os cantos de Israel. Assim se afirma em Jerusalém.

Corre-se o mundo. Em milhares de anos e incontáveis terremotos, as forças da natureza não chegaram nem perto de competir com o poder de destruir do homem.

Fonte: Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

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