Defesa & Geopolítica

China adverte EUA para “grave impacto” da venda americana de armas a Taiwan

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Folha Online  —  O governo chinês advertiu os Estados Unidos de que o anúncio nesta sexta-feira de vendas de novas armas para Taiwan prejudicaria as relações China-EUA e teria um “sério impacto negativo” sobre a cooperação entre as duas grandes potências.

“O plano americano definitivamente enfraquecerá as relações entre China e Estados Unidos e terá um grave impacto negativo sobre as trocas comerciais e a cooperação em áreas importantes entre os dois países”, informa o texto com as declarações, publicado no site do Ministério das Relações Exteriores chinês.

As declarações foram feitas pelo vice-chanceler chinês He Yafei, que disse que seu governo está “fortemente indignado” com a venda americana de armas a Taiwan, que a China considera uma Província rebelde.

Mai cedo o Pentágono informou ao Congresso que, como esperado nos últimos dias, os EUA venderão a Taiwan mísseis Patriot, além de navios detectores de minas submarinas e helicópteros Black Hawk. O pacote tem um valor potencial de US$ 6,4 bilhões, e inclui equipamento de comunicações para os caças F-16 de Taiwan mas não novos aviões de caça, como queria o governo da ilha, segundo o Pentágono.

Os Estados Unidos também poderiam fornecer 12 avançados mísseis Harpoon, que podem ser usados em terra e em missões navais, além de dois navios caça-minas remodelados.

O anúncio se segue a críticas americanas a ataques cibernéticos chineses e à censura que levou a empresa Google a ameaçar sair do mercado chinês, bem como a litígios comerciais mais amplos e a o desconforto chinês com a reunião prevista entre o presidente Barack Obama e o líder exilado do Tibete, o dalai-lama.

Taiwan é o assunto mais sensível nas relações EUA-China, com potencial para colocar em choque duas potências cada vez mais ligadas em questões de segurança e economia. Muitos em Washington esperam que uma interrupção temporária em laços militares seja inevitável.

Taiwan e China separaram-se meio a uma guerra civil em 1949, e a China comunista vê Taiwan como parte do seu território e já ameaçou realizar um ataque se a ilha declarar formalmente sua independência.

A China promete habitualmente colocar Taiwan sob seu controle e tem mais de 1.000 mísseis balísticos direcionados para a ilha, mas o governo americano é obrigado por suas leis a garantir que a ilha seja capaz de responder às ameaças chinesas.

O pacote de venda de armas é um teste para a política do governo de Obama em relação à China, que os funcionários americanos dizem buscar um reforço na confiança entre os dois países, de modo a que as divergências inevitáveis por causa de Taiwan ou do Tibete não revertam os esforços para cooperar em impasses nucleares no Irã e na Coreia do Norte, e nas tentativas de lidar com as questões econômicas e as alterações climáticas.

Em visita à Europa, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, advertiu nesta sexta-feira que a China corre o risco de enfrentar isolamento diplomático e interrupção de seu abastecimento de energia se não ajudar a impedir o Irã de desenvolver armas nucleares.

Falando em Paris, ela disse que os EUA e outros países apoiam a aplicação de outras sanções das Nações Unidas ao Irã por seu programa nuclear e estão pressionando a China a apoiá-las.

Hillary disse entender a relutância chinesa a novas sanções ao Irã, seu terceiro maior fornecedor de petróleo, mas ressaltou que um Irã com armas nucleares iria desestabilizar o golfo Pérsico e colocar em perigo os carregamentos de petróleo que a China recebe de países árabes da região.

A pressão pela questão iraniana no mesmo dia do anúncio da venda de armas ilustra a complexidade da relação entre as duas potências. Barack Obama, que tomou posse em janeiro, só se reuniu com líderes chineses em novembro, uma tentativa de assegurar a cooperação temas globais. Desde então, as tensões se acirraram, com críticas americanas aos controles estatais sobre a internet chinesa, e a China se preocupando com uma possível reunião no próximo mês entre Obama e o dalai-lama, líder espiritual budista que China acusa de defender a independência do Tibete.


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Fonte:  UOL

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