Defesa & Geopolítica

Lula vê sonho desfeito e critica Davos

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Ele admite ”diferenças” entre o que pensou e o que fez, além de dizer que o Fórum Econômico perdeu glamour

Leonencio Nossa e Sandra Hahn

Na última participação no Fórum Social Mundial em seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu disfarçar mudanças nítidas no discurso do início do mandato e as divergências que se acentuaram com setores da esquerda nos últimos anos. Em janeiro de 2003, nos primeiros dias no governo, afirmou no fórum que o ex-presidente Fernando Collor tinha perdido o mandato em 1992 por “roubalheira”, prometeu que os pobres não morreriam mais nas filas de hospital e avaliou que faria “o governo mais honesto que já houve na história deste país”. Na fala de ontem à noite, se mostrou mais cauteloso. “Sabemos que há diferenças fundamentais entre o que um governante sonhou a vida inteira e o que conseguiu realizar.”

Para afagar o público, disse que, depois de dez anos de sua criação, o evento de Porto Alegre continua “intacto”. Ao mesmo tempo fez críticas ao Fórum Econômico de Davos, onde estará amanhã. “Tenho consciência de que Davos não tem mais o glamour que eles achavam que tinha em 2003”, afirmou.

Cerca de 7 mil pessoas estiveram no Ginásio do Gigantinho para ouvir Lula. Muitos participantes, contudo, não esperaram o presidente terminar o discurso e deixaram o ginásio. Representantes do MST, uma das entidades promotoras do evento, nem sequer compareceram ao Gigantinho para ouvi-lo. Os sem-terra e representantes de partidos como PSTU optaram por boicotar a “festa” do presidente. Em conversas reservadas, muitos “radicais” observaram que o Lula que subiu no palco do ginásio é agora aliado do senador Fernando Collor (PTB-AL) no Congresso.

SEM BRILHO

Lula participou da primeira edição do Fórum em 2001, quando ainda não estava no poder. Como presidente, esteve nas edições de 2003 e 2005 em Porto Alegre e na do ano passado, em Belém. Com mais de 80% de aprovação nas pesquisas, o presidente reencontrou um Fórum Social Mundial sem o brilho de antes. Ainda assim, não perdeu a oportunidade de fazer campanha para os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Tarso Genro (Justiça) que disputam a Presidência e o governo do Rio Grande do Sul, respectivamente.

Um dos organizadores do Fórum, Oded Grajew, que já assessorou o presidente, avalia que o “grande pecado” do governo Lula foi o fato de não levar à frente a reforma política. Grajew não poupa nem mesmo os grupos que compõem o evento que se intitula como alternativa ao “capitalismo liberal”. “As organizações sociais não foram suficientemente fortes para promover a reforma política. Como Lula tinha prometido fazer a reforma, talvez elas tenham ficado acomodadas na promessa”, diz Grajew. “Não foram sábias para perceber as origens das coisas.” Grajew ressalta que as atenções da chamada esquerda foram diluídas em discussões menos relevantes.

NÚMEROS

Já o sociólogo Emir Sader observou que o Lula que voltou a Porto Alegre ontem dispõe de números importantes para apresentar, citando como exemplo o aumento do índice de empregados com carteira assinada e a recuperação econômica do País depois da crise financeira internacional. “O povo não pagou o preço da crise”, diz. Para o sociólogo, o governo melhorou com a saída do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em 2006. “O eixo do governo passou a ser a ministra Dilma.”

Em um dos poucos momentos de descontração, aliás, Lula chamou a ministra de “Dilminha”, lembrando da presença dela na Conferência do Clima, em Copenhague, em dezembro. A plateia presente reagiu positivamente, gritando o nome da pré-candidata do PT à Presidência. Um grupo chegou a adaptar um jingle de campanha de Lula: “Olê, olé, olá, Dilma, Dilma.”

Fonte: O Estado de São Paulo via CCOMSEX

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