Defesa & Geopolítica

EUA reagem a críticas “oportunistas” ao envio de milhares de soldados ao Haiti

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Sugestão e colaboração: Konner

Folha Online
Com Efe e France Presse

O governo dos Estados Unidos reagiu nesta quinta-feira às críticas por sua atuação no Haiti após o terremoto que devastou Porto Príncipe e cidades vizinhas na semana passada, alegando que são politicamente motivadas e não ajudam no esforço internacional para ajudar as vítimas.

O embaixador adjunto de Washington na ONU (Organização das Nações Unidas), Alejandro Wolff, disse à agência de notícias Efe que as declarações do presidente boliviano, Evo Morales –que chamou o envio de militares americanos como “desumano, selvagem e oportunista“– estão distantes da realidade.

Este tipo de declaração não têm nada a ver com a realidade e se deve mais à psicologia da pessoa que a diz. É retrógrado e não tem nada a ver com a situação atual


, afirmou o diplomata americano. Além disso, Wolff disse que ficaria

“encantado em falar de como os bolivianos estão ajudando o Haiti”.

O embaixador lembrou que o envio de soldados americanos ao Haiti responde às necessidades da população e do governo haitiano após o terremoto. Em uma entrevista coletiva anterior, Wolff lembrou que os militares americanos estão no Haiti “a pedido” do Governo desse país e ressaltou que os EUA já forneceram US$ 165 milhões para a ajuda humanitária.

O presidente da Bolívia anunciou na quarta-feira em La Paz que seu governo pediria às Nações Unidas uma reunião de emergência para

“repudiar e rejeitar a ocupação militar dos EUA”

no Haiti.

Em Caracas, o primeiro secretário Embaixada americana na Venezuela, John Caulfield, disse que os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, e da Nicarágua, Daniel Ortega, se “aproveitam” da devastação causada pelo terremoto no Haiti, para atacar politicamente o governo americano

“Há três países no mundo que se aproveitaram da situação para fazer críticas políticas, tais como Bolívia, Nicarágua e Venezuela”

, disse o diplomata.

“E os Estados Unidos, em vez de se concentrar nessas críticas, vai colaborar para prestar a maior assistência possível no menor período de tempo. O importante é ajudar os haitianos e não nos distrairmos com essas críticas políticas.”

Caufield disse que os EUA foram

“convidados pelo governo haitiano” e não chegaram “com outras intenções além de apoiar o governo do Haiti”.

“Temos de deixar as autoridades do Haiti e o seu presidente falarem pelo seu próprio país, e não aqueles de outras nações”,

disse o diplomata.
Os EUA mantêm atualmente cerca de 12.500 homens no Haiti e em navios na costa do país, e nesta quarta-feira anunciou o envio de 4.000 soldados adicionais.

Fonte:  Folha on line

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Análise: Apagões e desvalorização da moeda colocam Chávez à prova

BBC Brasil  —  As crises energética e econômica na Venezuela colocarão à prova a popularidade do presidente Hugo Chávez neste ano e podem levar a um resultado desfavorável na composição do novo Parlamento que será eleito em setembro, na opinião de analistas entrevistados pela BBC Brasil.

Chávez, que está no poder há 11 anos, iniciou 2010 anunciando duas controvertidas medidas de governo: a desvalorização da moeda nacional, o bolívar, e o racionamento de energia elétrica em todo o país.

As duas variáveis são negativas para a popularidade do presidente. Impactam o cotidiano e o bolso da população“, afirmou à BBC Brasil o economista Luis Vicente León, da consultoria Datanalisis.

Há uma semana, o governo venezuelano implementou um plano de racionamento de energia que prevê cortes no fornecimento em todo o país, em dias alternados, até o mês de maio.

O anúncio do apagão provocou reação imediata na população, levando Chávez a voltar atrás, ao admitir falhas na programação dos cortes de energia, seguido da suspensão do racionamento na capital, Caracas.

De acordo com o governo, a medida visa impedir o colapso no setor energético. O abastecimento da principal hidrelétrica do país foi severamente afetado pela seca provocada pelo fenômeno climático El Niño.

A oposição, por sua vez, responsabiliza o governo por faltas de investimentos no setor.

Custo político
Para Luis Vicente León, diferentemente do que costuma ocorrer na Venezuela, onde a popularidade do presidente é superior à aprovação de seu governo, a tendência tende a não se repetir nesta oportunidade.

Em ambos os casos, é muito difícil que o governo consiga construir bodes expiatórios que liberem o presidente do custo político dessas medidas“, afirmou.

No bairro de La Vega, na periferia de Caracas, a moradora Fany Rudy não responsabiliza diretamente ao presidente pelas dificuldades energéticas e econômicas. “A desvalorização eu nem entendo muito bem. Para quem é pobre, não muda muito, eu não tenho dólar”, disse Fany à BBC Brasil.

Desde 2003, o governo vinha mantendo a taxa oficial de câmbio estável de 2,15 bolívares por dólar. Pelo novo sistema cambial, implementado em 8 de janeiro, um dólar será correspondente a 2,6 bolívares para importações de produtos de primeira necessidade, como alimentos e medicamentos, e a 4,3 bolívares nas transações para a compra de produtos considerados não essenciais.

Em relação ao racionamento de energia, Fany disse compreender a necessidade de economizar eletricidade. “Não choveu, a represa secou e temos que economizar“, disse. Porém, esta moradora da periferia, que ganha a vida alugando máquinas de lavar roupa no bairro, argumenta, assim como a maioria dos moradores entrevistados pela BBC Brasil, que o governo poderia ter evitado a crise, criando fontes alternativas de energia.

Mas não adianta, o presidente fala, mas ninguém executa. Precisaríamos de uns quatro ou cinco Chávez no governo para construir o mundo que ele diz, mas não é bem assim“, disse.

Chávez quer implantar o socialismo, mas os funcionários não acreditam nisso e estão enriquecendo. Então o socialismo só vale para nós (população) e eles (ministros) continuam vivendo no capitalismo?“, questionou Fany.

A seu ver, aliada à crise energética, a ineficiência do governo no combate à violência e à corrupção podem minar a base de apoio do presidente venezuelano. “A água tanto bate até que fura. As pessoas vão se cansando“, acrescentou.

Novo modelo econômico
A desvalorização da moeda também duplicará o ingresso fiscal do governo, que vem prometendo injetar a receita no desenvolvimento do aparelho produtivo nacional, que foi duramente afetado pela onda de importações subsidiadas com o dólar cotado a 2,15 bolívares.

Na avaliação do economista e ex-ministro de Indústria Víctor Álvarez, esta é uma oportunidade para o governo modificar o modelo baseado na exportação do petróleo.

Para ele, mudanças no modelo econômico que levem à industrialização do país poderão diminuir o custo político de uma iminente manutenção da inflação e da perda de poder aquisitivo de grande parte da população.

Nesta semana, Chávez anunciou um reajuste do salário mínimo em 25%, patamar inferior às projeções de analistas econômicos, que previam que a inflação deverá manter a alta de 30% registrada no último ano.

O risco da queda popularidade do Chávez é o que obriga o governo a reagir. A medida tenta impedir males maiores“, afirma Alvarez à BBC Brasil.

A seu ver, o Executivo deve apostar na reativação da economia, apostando em investimentos na agricultura e indústria para reverter o cenário de crise.

É imprescindível que a desvalorização não fique como uma medida isolada para que seu efeito não se anule“, afirma Álvarez, ao acrescentar. “Se os setores produtivos crescerem e novos empregos estáveis forem gerados, isso potencializará a popularidade de Chávez“.

Fonte:UOL

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