Defesa & Geopolítica

A paz não é um bom negócio para os governos do Oriente Médio

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A questão é que a paz no Oriente Médio não é um bom negócio para todos. E há mais de 50 anos, ela é como as miragens no deserto que nunca são alcançadas por não existirem.

Não diria que o chefe do governo de Israel, Netanyahu, é pacifista. Mas ousou muito quando mandou suspender todas as atividades de novas obras na Cisjordânia ocupada por dez meses para testar seu adversário. Mas Abu Ma zen, que suspendeu negociações, exige paralisação definitiva de construções, inclusive na parte oriental de Jerusalém ocupada por Israel em 1967, para voltar a discutir os termos de uma paz.

Enquanto isto, a multidão de colonos judeus nas regiões ocupadas, cerca de 300 mil, saiu às ruas protestando. E rabinos mais ortodoxos decretaram que soldados não devem obedecer à ordem do governo. Ainda não se sabe como terminará esta confusão.

Abu Ma zen qualificou o gesto insuficiente. E, não se duvida de que um de seus motivos foi identificado por Clifford D. Mas da agencia de noticias americana Chips Howard. Abu Ma zen é do Fato e imagina um Estado palestino secular. Nada de adotar a Shariah, a lei religiosa que o Hamas – que domina a Faixa de Gaza – aplica em sua área e quer implantar no futuro Estado. Mas lembre-se que o Hamas já chamou Abu Ma zen de traidor por negociar com Israel e disse querer que ele desaparecesse do mapa, em parte escrita de seu programa e desejo do governo do Irã, seu suposto financiador. Qualquer que seja o acordo, a vida de Abu Ma Zen estará em jogo.

A Arábia Saudita é autora de um plano de paz que o mundo árabe aprovou, mas Israel só aceitou parcialmente. Contudo, ele não se empenha em realizá-lo. Os sauditas são wahabitas, seita ultraortodoxa, e o apoio do clero é fundamental. Sexta-feira é o sétimo dia da semana muçulmana. O dia em que o clero alimenta com sua retórica o ódio a Israel que é o inimigo ideal.

Arábia jamais será atacada por Israel nem fará guerra com eles. Os países são distantes. O ódio a Israel substitui preocupações de minorias por democracia que é confundida com os “infiéis”. Os príncipes “respeitam” a vontade da maioria. Este ódio ajuda a eternizar os sistemas totalitários regionais, justificam medidas de segurança. E a conhecida tática de inimigo externo. Um Oriente Médio instável é bom para os preços do petróleo.

A Escola xiita e o Hamas sunita, grupos supostamente financiados pelo Irã, têm as melhore relações, pois se justificam com a permanente ênfase na possibilidade de Israel atacar.

E hoje o jornal “Jerusalém Post” diz que Israel estima que logo terá que enfrentar ataques do Hamas com mísseis de longo alcance. E que Gaza se assenta em um sistema de túneis.

Preparados para novo confronto. Os subterrâneos garantem liberdade de movimentos ao Hamas como aconteceu na guerra do Vietnã. Gaza é no sul. Ao norte está o Hezbollah.

Obama aceitou o prêmio Nobel com um discurso prevendo confusões. Foi o primeiro na história do Prêmio a aceitá-lo discursando sobre a necessidade do uso da força para defender a paz.

Ser chefe de governo de Israel não é um dos melhores empregos do mundo.

Fonte:Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

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