Defesa & Geopolítica

Brasil pretende ajudar no processo de paz

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Visitas de presidentes da Autoridade Palestina, do Irã e de Israel exigem “tato” do Itamaraty para evitar embaraços

Isabel Fleck

Nas próximas três semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisará ter jogo de cintura para driblar possíveis embaraços que decorram da proximidade das visitas dos colegas de Israel, da Autoridade Palestina (AP) e do Irã ao Brasil. Isso porque será praticamente impossível à diplomacia brasileira dissociar os encontros(1) de Lula com os presidentes Shimon Peres, Mahmud Abbas e Mahmud Ahmadinejad, marcados para tratar de temas bilaterais. A grande movimentação por aqui, no entanto, é vista pelo Itamaraty como uma boa oportunidade de o país se tornar mais “protagonista” nas questões de Oriente Médio. Uma contribuição ao processo de paz, no fim do governo Lula, poderia ajudar a alavancar a projeção internacional já obtida pelo Brasil.

Durante a posse do novo secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Antônio Patriota, no último dia 27, o chanceler, Celso Amorim, disse ao corpo diplomático que “é preciso que as pessoas saibam que o Brasil é chamado a exercer muitas funções”. “Uma parte da opinião pública interpreta certas atitudes e acha que há um excesso de protagonismo, mas a visão de fora é ao contrário”, afirmou Amorim. “Conversando com a Clara Ant (assessora especial do presidente Lula), na Presidência, ela me disse que, no Oriente Médio, o protagonismo do Brasil poderia ser até maior do que é”, destacou.

Em visita ao Brasil, em julho, o ministro de Assuntos Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, um dos principais atores da negociação, disse crer que o país seria lembrado “por gerações” se contribuísse “com recursos, soldados ou dinheiro para ajudar a estabilizar o Oriente Médio”. Entre especialistas, as opiniões sobre um possível papel do Brasil nas conversas de paz se dividem. Para o especialista norte-americano Ray Walser, da Fundação Heritage, “se o Brasil aspira um dia conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança, ele precisa se envolver na busca de uma solução pacífica para palestinos e israelenses”. O professor da Universidade de São Paulo (USP) Samuel Feldberg, entretanto, considera que “o Brasil tem muita lição de casa a fazer”. “O Itamaraty ainda não resolveu o problema em que se meteu em Honduras, e nem vai conseguir resolver a questão entre israelenses e palestinos.”

Segundo Feldberg, é preciso notar que as visitas de Peres e Abbas não têm tanto peso. “Não vejo valor concreto para essas visitas ou qualquer possibilidade de o Brasil contribuir para um avanço nas negociações, uma vez que o presidente Peres não tem nenhuma ingerência nesse processo, e o presidente Abbas está bastante enfraquecido”, considera. O professor do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB) Virgílio Arraes acredita que “o Brasil não deveria se oferecer nem para o Oriente Médio nem para outra região, a não ser que seja solicitado”. “O Brasil não é uma potência militar, não é um país que venha ofertando nova forma de pensamento político ou econômico”, diz Arraes.

Polêmico

Para Arraes, a visita que atrairá os holofotes será a do iraniano Mahmud Ahmadinejad, principalmente pela natureza polêmica do líder. “Onde quer que o Ahmadinejad vá, traz consigo a polêmica. Mas isso não afeta diretamente o Brasil. É uma situação diplomática comum”, avalia. Feldberg discorda: “O país nada tem a ganhar quando faz um convite para receber uma liderança como essa”.

Agenda movimentada

O presidente israelense chega depois de amanhã ao Brasil para uma viagem de seis dias por Brasília, São Paulo e Rio. Na capital, se encontrará com o presidente Lula, o presidente do Senado, José Sarney, e o vice-governador do DF, Paulo Octávio. A visita de Ahmadinejad será dia 23. O presidente palestino, Mahmud Abbas, deve vir na segunda quinzena do mês.

Fonte: Resenha CCOMSEX

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