Defesa & Geopolítica

VEÍCULO BLINDADO ANFÍBIO DE ALTA VELOCIDADE PARA A INFANTARIA DA MARINHA RUSSA

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As unidades de infantaria naval da Rússia ainda estão presas em veículos de transporte blindados da era soviética que são lentos e cada vez mais vulneráveis.

Resultado de imagem para JOSEPH TREVITHICK the driveJOSEPH TREVITHICKMAY 11, 2018

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Tradução e adaptação- E.M.Pinto

O maior produtor de carros de combate da Rússia, o Ural Vagonzavod, desenvolveu um conceito para um novo veículo blindado anfíbio, chamado de BMMP. O Novo veículo se destina às unidades de infantaria naval daquele país. O projeto modular seria um complemento naval para outros recentes desenvolvimentos da arma blindada russa, que inclui o carro de combate T-14 e o veículo de combate de infantaria Kurganets-25 e chega em meio aos planos do Kremlin para novos navios de assalto anfíbio.

No início de maio de 2018, uma apresentação em powerpoint em língua russa foi publicada online detalhando o conceito de BMMP. A OmskTransMash (OTM), uma subsidiária da UralVagonZavod (UVZ), é supostamente responsável pelo desenvolvimento do veículo. O briefing não está mais disponível na fonte original, mas o Archive.org tratou de espelhar pela rede mundial de computadores uma parte significativa do documento.

A nota da UVZ diz que a Rússia precisa substituir seus veículos anfíbios “inferiores” para acompanhar o desenvolvimento dosm outros países, citando especificamente o veículo de combate expedicionário (EFV) dos Estados Unidos, o ZBD 2000 chinês e o Arisgator italiano como exemplos de desenvolvimentos avançados.

Atualmente, as unidades de infantaria naval russas dependem principalmente de veículos blindados de transporte de pessoal BTR-80 e BTR-82AM para mobilidade e suporte de fogo. A UVZ notou que estes dois veículos apresentam problemas operacionais em areia fofa ou neve quando atingem a terra.

A infantaria naval russa também possui carros de tração de artilharia autopropulsada, mas esses veículos exigem que os navios de desembarque e embarcações os levem diretamente para a praia expondo-os ao fogo inimigo.

Renderização do Veículo de infantaria sem as lagartas.

O brief também menciona os veículos de combate de infantaria BMP-3F, que tem modificações adicionais para melhorar seu desempenho na água especificamente para operações anfíbias, onde ele tem que nadar de navios para a praia. Embora continue sendo outra opção em potencial e esteja em serviço na Indonésia, a Rússia não comprou nenhum desses veículos.

O novo BMMP usaria um chassi comum que oferecesse boa mobilidade em terra combinada com jatos de água para impulsionar o veículo em altas velocidades na água. Quando entrar na água, a tripulação estende uma superfície plana na proa retrátil e desdobraria uma lâmina na traseira para melhorar a manobrabilidade. Toda a manobra leva apenas 40 segundos para estender ou retrair esses componentes, de acordo com um relatório da Jane’s.

Atualmente, o chinês ZBD 2000 é o único veículo em serviço ativo em qualquer lugar do mundo que usa um método de propulsão semelhante, combinado com um projeto de casco otimizado para operações anfíbias. Depois que os fuzileiros navais dos Estados Unidos abandonaram o programa EFV em 2011 devido a atrasos e custos excedentes, o serviço mudou de rumo e começou a buscar um novo veículo anfíbio com rodas e atualizações para os tipos de série AAV7 existentes.

 

Vídeo: O Veículo chinês ZBD 2000 em ação.


 

O ímpeto subjacente para veículos como o ZBD 2000 e o EFV é a crescente gama de defesas em terra, particularmente mísseis de cruzeiro anti-navio e mísseis terra-ar, junto com seus sensores associados. Em qualquer futura operação anfíbia, os navios terão de desdobrar forças cada vez mais longe da praia, a fim de melhor defenderem-se e apoiarem elementos de superfície e ar dessas armas ou evitarem seu alcance.

Ao mesmo tempo, então, isso significa que veículos anfíbios e embarcações de desembarque terão mais a viajar e veículos mais lentos seriam inerentemente mais vulneráveis ​​durante aquela viagem, se eles puderem até mesmo fazer isso.

A UVZ declarou que o BMMP seria capaz de atingir velocidades de mais de 72 km/h em terra e mais de 32 km/h na água. Uma vez em terra, poderá transportar 10 tropas até quase 160 km. Os veículos seriam capazes de operar em praticamente qualquer clima, incluindo as condições do Ártico a temperaturas abaixo de -45 ºC.

Possível família de veículos derivados do BMMP base.

O projeto da UZV seria mais lento no mar do que o ZBD 2000, porém mais rápido em terra. Mais importante, seria quase quatro vezes mais rápido que os BTR-80, 82 e BMP-3F na água com uma velocidade máxima comparável depois de atingir a praia.

No entanto, não está claro se esse desempenho é representativo do novo projeto russo em todas as diferentes configurações possíveis. O briefing também sugere que o UZV pode estar considerando também vários modelos para o veículo.

O conceito de arte mostra desenhos com cinco e seis rodas de cada lado. A RussiaDefence.com observou que isso poderia indicar planos para usar pelo menos alguns componentes do chassi do veículo de combate de infantaria transportado pelo ar BMP-4M em produção ou ainda, do mais novo veículo blindado o Kurganets-25.

Isso faria sentido, já que um número significativo de componentes comuns, incluindo os já disponíveis, ajudaria a reduzir o risco de desenvolvimento e os custos de produção. Também poderia simplificar alguns requisitos de logística, treinamento e manutenção, tornando o sistema mais barato para sustentar em geral.

Num dos slides do Briefing, apresenta-se este infográfico demonstrando o sistema de armas e tipos de munições, bem como os possíveis alvos de cada um dos sistemas de armas

A principal variante do veículo de combate de infantaria do BMMP, bem como as versões de veículos de comando e de reconhecimento, teria uma tripulação de três pessoas e usaria uma torre comum não tripulada, de acordo com a UVZ.

Chamado de Kinzhal (não deve ser confundido com o novo míssil) este sistema de armas parece similar à torre Baikal do AU-220M e parece usar o mesmo canhão automático de 57mm. Também possui uma metralhadora coaxial de 7,62 mm e numerosos sistemas de observação, que provavelmente incluem ampliação de imagem e capacidade de visão noturna para identificar e engajar alvos em distâncias maiores e à noite.

A UVZ também afirma que o veículo como um todo terá controle de fogo digital e outros sistemas de missão. Ela alega ainda que o sistema de armas pode disparar uma variedade de munições de detonação de pontos e proximidade que podem envolver veículos e tropas no solo, veículos não tripulados e helicópteros de baixa altitude no ar, além de pequenas embarcações perto da costa.

Outro slide apresentava as variadas configurações de arma da torre do veículo.

O sistema também é capaz de disparar um míssil anti-carro guiado, supostamente capaz de atacar alvos a mais de 14 quilômetros de distância. O briefing sugere que várias outras torres tripuladas e não tripuladas também funcionariam no BMMP. Estes podem incluir o sistema de armas encontrado na BMP-3, que tem um canhão de 100mm e um canhão automático de 30mm, e um projeto do Centro Científico e Técnico Impulse-2 armado com um canhão de 30mm e seis mísseis guiados anti-carro.

Os BMMP sem torre podem executar tarefas mais especializadas, como guerra eletrônica ou transporte de morteiros e outras equipes de armas pesadas. A UVZ afirma que a plataforma pode até ser capaz de transportar uma torre maior com um canhão 125mm ou um sistema de defesa antiaérea mais específico.

O briefing afirma que a OTM poderia terminar o desenvolvimento inicial do veículo até o final de 2019 e ter protótipos prontos entre 2020 e 2022. A produção em série do veículo final começaria em 2023.

Modelo em escala do provável navio de assalto anfíbio classe Lavina.

Este cronograma estaria de acordo com os objetivos da Rússia de possuir novos navios de assalto anfíbios da classe Lavina antes de 2025. O Centro de Pesquisa Estadual de Krylov em São Petersburgo diz que esses navios deslocarão aproximadamente 24.000 toneladas e poderão transportar até 50 carros de combate principais (MBT) bem como, outros veículos blindados e até 500 fuzileiros navais.

No momento, o Projeto 11770 ou o Projeto 02510 do navio desembarque teriam que transportar esses veículos para terra. Adicionar os BMMP à força poderia permitir que os navios desdobravam forças mais rapidamente e o fariam a partir de uma distância mais segura no mar.

O projeto Lavina é um substituto para os planos russos de comprar navios franceses da classe Mistral. Esse acordo entrou em colapso depois que a Rússia anexou ilegalmente a região da Crimeia na Ucrânia em 2014.

Os BMMP também podem ajudar a expandir as capacidades dos navios de desembarque menores da Rússia. Combinados com esses navios, sua velocidade pode melhorar a capacidade dos militares russos de realizar missões anfíbias de alcance mais curto em vias navegáveis ​​restritas, como o Mar Báltico ou o Mar Negro, bem como para operações mais limitadas em regiões remotas, como o Ártico.

Mas, como é o caso de muitos dos planos de desenvolvimento e de aquisição militar da Rússia, não está claro se o país poderá pagar pelos “Lavinas” ou um número substancial de BMMP no futuro próximo. Como resultado de sanções internacionais devido à intervenção do Kremlin na Ucrânia e seu apoio ao ditador sírio Bashar Al Assad, entre outras disputas internacionais, a economia do país se contraiu e também seu orçamento de defesa.

Apenas quando se trata de desenvolvimento de veículos blindados, os BMMP competiriam por recursos limitados contra uma série de outros novos desenvolvimentos, incluindo o MBT T-14, o veículo de combate de infantaria pesada T-15, o veículo de combate BMPT Terminator e o Kurganets-25 veículo de combate de infantaria, entre outros.

Veículo de combate e apoio de fogo BMPT Terminator.

O Programa de Armamentos do Estado da Rússia de 2015 traçava originalmente planos para ter cerca de 2.300 T-14 em serviço até 2020. Atualmente, realidade é outra, a verdadeira produção em massa desses veículos sequer deverá começar até 2020.

Isso nem mesmo leva em conta uma enxurrada de outros projetos caros de alta prioridade, incluindo o jato de combate de quinta geração Su-57, o bombardeiro Tu-160M2, o avião de alerta antecipado aerotransportado A-100 e qualquer um de uma série de armas estratégicas avançadas.

A Rússia já cancelou um novo projeto de míssil balístico para concentrar esses recursos em veículos hipersônicos movidos a turbina. A infantaria naval da Rússia já tem sido historicamente preterida na lista quando se trata de receber novos equipamentos.

É possível que o Kremlin possa reduzir ainda mais o custo do BMMP, oferecendo-o a compradores estrangeiros. Não está claro quantos outros países têm necessidade em um veículo anfíbio tão avançado e se interessariam por um sistema projetado pela Rússia.

Um cliente potencial óbvio seria o Egito. Além de formar laços crescentes com a Rússia nos últimos anos, o Egito herdou os navios da classe Mistral depois que a França cancelou o pedido do Kremlin. Outros países também estão expandindo suas frotas anfíbias e capacidades associadas, mas eles podem ser mais propensos a recorrer a fontes americanas ou européias para veículos blindados para acompanhá-los.

Tudo dito, parece provável que o OTM irá prosseguir com o desenvolvimento básico do BMMP, mas quantos veículos reais ele construirá e quantas variantes ainda precisam ser vistas.

Correção: Enquanto o briefing UralVagonZavod menciona o BMP-3F entre os veículos atualmente disponíveis para as unidades de infantaria naval da Rússia, o Kremlin na verdade não adquiriu nenhum deles para suas próprias forças.

 

Fonte: The Drive

 

One Comment

  1. BLUE EYES, NA RESISTÊNCIA says:

    Esse sim, seria um tipo de veículo ideal para o Brasil desenvolver um projeto próprio…

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