Defesa & Geopolítica

TECNOLOGIA: Míssil de cruzeiro paquistanês lançado de debaixo d’água voa com perfeição, mas só com metade do alcance do seu similar disparado de terra

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9 de janeiro de 2017: em pleno Índico o míssil Babur-3 ganha os céus

Por Roberto Lopes

 

 

A Marinha do Paquistão disparou com sucesso, nesta segunda-feira (09.01), “desde uma plataforma móvil submarina”, o míssil de cruzeiro Babur-3, da classe SLCM (Submarine Launched Cruise Missile).

O evento, que teve lugar em uma área não identificada do Oceano Índico, catapultou o Paquistão ao seleto grupo de nações apto a realizar ataques nucleares a partir de lançadores terrestres, aéreos e submarinos.

Um comunicado do serviço oficial de notícias paquistanês ISPR (Inter Services Public Relations) revelou, nesta terça-feira (09.01), que o Babur-3 alçou voo (foto) com um raio de ação de 450 km – a metade do alcance do Babur-2, disparado a 14 de dezembro último de um sítio em terra – e atingiu seu alvo com precisão.

As informações oficiais não deixam claro se o míssil foi lançado por meio de um dos tubos lança-torpedos de um submarino diesel-elétrico convencional que se encontrava submerso, ou se ele partiu de um pontão colocado alguns metros abaixo da superfície das ondas (como a Marinha da Coreia do Norte costuma fazer nos seus lançamentos de mísseis “disparados de submarinos”).

Dissuasão – A experiência com o SLCM corresponde aos diferentes esforços que os paquistaneses vêm fazendo no sentido de se equiparem com sistemas de dissuasão.

Na verdade esperava-se que, antes do míssil, as autoridades do Paquistão declarassem pronto o sistema de AIP (Propulsão Independente do Ar) tipo Hangor, que vem sendo desenvolvido já há algum tempo.

Supunha-se, igualmente, que a Marinha Paquistanesa fosse usar um dos submarinos chineses que encomendou no ano passado, para fazer o disparo do Babur-3, mas parece que os chefes navais locais optaram por exibir a sua qualificação para o disparo de mísseis de cruzeiro usando os meios de que dispõem atualmente.

O Babur-3 é capaz de transportar diferentes payloads (cargas pagas) e emprestará às Forças Armadas Paquistanesas uma verossímil “Capacidade de (assestar o) Segundo Golpe” (Credible Second Strike Capability), o que importa dizer um confiável poderio de deterrência.

Informações que circulam extraoficialmente em Islamabad dão conta de que se o Babur-3 foi efetivamente disparado de um submersível, ele partiu de um navio Tipo Agosta 90B, classe Khalid – de procedência francesa –, e que seu alcance limitado pode estar ligado ao fato de o míssil ter tido seu comprimento encurtado, para caber nos tubos lança-torpedos do navio.

Submarino paquistanês “Hamza”, da classe francesa Agosta 90B

Analistas indianos dizem ser plausível que os dois lançadores triplos de mísseis que serão instalados no convés de ré do quarto patrulheiro porta-mísseis classe Azmat da Marinha Paquistanesa, tenham sido projetados para disparar o Babur-3.

Patrulheiro porta-mísseis classe Azmat; os lançadores à ré foram preparados para disparar os mísseis chineses C-802

China – De qualquer forma, os disparos dos mísseis de cruzeiros paquistaneses podem ter sido uma resposta ao fato de, nas últimas semanas, a Índia vir fazendo experimentos com os seus mísseis balísticos Agni IV e V, aptos a alcançar diferentes alvos no vasto território chinês. A China é a mais importante aliada do Paquistão.

Na quarta-feira passada (04.01), o editorial do jornal estatal chinês Global Times afirmou que a “Índia tem quebrado todos os limites impostos pela ONU ao desenvolvimento de armas nucleares e mísseis balísticos de longo alcance”.

One Comment

  1. luiz anselmo pias perlin says:

    Estranho a ONU querer impor limites a quem luta para se igualar aos superiores e não imponhe limites aos superiores sera que é medo ou pura senvergonhice.

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