Defesa & Geopolítica

TECNOLOGIA: Corveta compacta americana reduz ainda mais as chances de mercado do patrulheiro francês classe L’Adroit

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Acima, concepção artística da Swift 75; abaixo a conhecida “L’Adroit”

Por Roberto Lopes

 

 

A Marinha do Paquistão encomendou duas corvetas Tipo Swift, de 75 m de comprimento, ao estaleiro Swiftships, sediado no estado americano da Luisiana.

A compra prevê que, no ano de 2020, o cliente possa exercer opção de aquisição de mais dois barcos dessa classe (quase nas mesmas condições comerciais das primeiras).

As informações, atribuídas ao CEO da Swiftships Shipbuilders, Shehraze Shah, foram publicadas no site do grupo editorial alemão Mönch.

Na edição de agosto da Marine News Magazine, o executivo contou que sua empresa “montou parceria com a Lockheed Martin para oferecer esses navios de 1.500 a 2.000 toneladas ao cliente”.

Segundo ele, as corvetas estarão equipadas com o Sistema de Gerenciamento de Combate da Lockheed Martin, e a expectativa é de que o Paquistão as empregue nas Forças-Tarefas Combinadas (Combined Task Force) 150/151, que patrulham, rotineiramente, as águas do Golfo Pérsico e do Oceano Índico, juntamente com navios de outras marinhas.

O projeto da Swift de 75m (foto) é o de uma plataforma multiuso concebida para abordar ameaças convencionais à Segurança, e também conflitos assimétricos.

De acordo com Bilal Khan, editor do portal de notícias paquistanês Quwa.com (Força.com), caso seja fabricada em alumínio naval, a embarcação terá um deslocamento inferior a mil toneladas, e uma velocidade expressiva, superior a 30 nós; fabricada em aço a embarcação deslocará 1.640 toneladas.

De acordo com a Marine News, observadores independentes dos Estados Unidos preveem que ela vá reduzir drasticamente a fatia de mercado do navio-patrulha oceânico francês L’Adroit (P725) – visto abaixo –, que o Naval Group (ex-DCNS) vem, há anos, tentando vender a diversas marinhas (África do Sul, Egito e Uruguai entre elas) – e, nesse momento, oferece à Armada Argentina.

Para permitir que seus leitores tirem as próprias conclusões, a coluna INSIDER publica um breve comparativo das características técnicas das duas classes:

Comprimento:

Swift – 75 m;

L’Adroit – 87 m;

Bôca máxima:

Swift – 9,8 m;

L’Adroit – 11 m;  

Velocidade máxima:

Swift – 25 nós;

L’Adroit – 21 nós

Tripulação:

Swift – 60 militares entre tripulantes e comandos anfíbios;

L’Adroit – 30 tripulantes e até 29 militares de forças especiais;

Raio de Ação:

Swift – A uma velocidade de 15 nós, a corveta tem autonomia de 4,000 milhas náuticas (7.408 km), sendo capaz de operar em condições marítimas até Mar 6 (mar agitado, de grandes vagas, cristas espumosas brancas e borrifos; ondas com alturas que variam entre 1,5 m e 2,5 m)

L’Adroit – À velocidade de 12 nós, o patrulheiro francês é capaz de cobrir rotas de até 8.000 milhas náuticas (14.800 km);

Tempo de permanência em missão

Swift – 25 dias;

L’Adroit – 30 dias;

Armamento:

Swift – 01 canhão principal (de proa) de 76 mm, dois canhões de tiro rápido de 30 mm, tripés Mk16 para metralhadoras .50, mísseis anti-navio e de Defesa Aérea, além de dois lançadores tipo Mk93 de iscas metálicas.

L’Adroit – O barco é oferecido, em sua versão básica, com 1 canhão de 20 mm e 2 metralhadoras pesadas; mas pode receber mísseis anti-navio e de Defesa Aérea;

Equipamentos adicionais:

Swift – botes de casco semirrígido para missões de operações especiais (SOF) e operações VBSS (visita, bordo, busca e apreensão);

L’Adroit – 02 botes de casco semirrígido de 9 m de comprimento;

Manobra de desova de um bote semirrígido

Destacamento Aéreo:

Swift – convoo à ré com hangar para abrigar um helicóptero, além de ser capaz de operar veículos aéreos não tripulados tipo ScanEagle (também em serviço na Marinha Paquistanesa);

L’Adroit – convoo à ré com hangar para abrigar um helicóptero de 5 toneladas; caso essa estrutura seja reforçada, o navio pode operar com um helicóptero de até 10 toneladas; também transporta um veículo aéreo não tripulado tipo Schiebel Camcopter S-100;

 

China – O Naval Group promove o modelo L’Adroit como apropriado para cumprir missões de salvaguarda da vida humana no mar, repressão à pesca predatória e prevenção à contaminação marinha, mas a Agência Paquistanesa de Segurança Marítima (PMSA) já anunciou que, na Zona Econômica Exclusiva sob sua jurisdição,  tais tarefas estão reservadas aos seis novos navios de patrulha marítima encomendados à indústria naval da China – dois de 1.500 toneladas e quatro de 600 toneladas.

A Swiftships já vendeu à Força Naval do Paquistão botes a motor de 11 m de comprimento da classe SOC-R, para missões especiais.

Eles têm velocidade máxima no patamar dos 50 nós (a plena carga), transportam entre 6 e 14 militares e podem cumprir rotas de até 200 milhas náuticas (370,4 km).

Dotados de um canhão de tiro rápido de 30 mm ou de duas metralhadoras Mk90, calibre 50, montadas sobre tripés Mk16, os SOC-R vem sendo empenhados em missões de interceptação das embarcações que transportam guerrilheiros, e de outras suspeitas de envolvimento com o tráfico marítimo de entorpecentes.

Caso tenha o seu ritmo de deslocamento limitado a 35 nós, o barco pode percorrer trajetórias maiores que 200 milhas.

O SOC-R pode operar em condições de até o Sea State 2 (Mar 2, tipo Aragem), e, segundo seu fabricante, é capaz de sobreviver ao Sea State 4 (Mar 4, Moderado).

 

O conteúdo deste artigo é de total responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do site.

8 Comments

  1. Há muito tempo os EUA perderam a mão para fabricar navios do porte de fragata ou menores, basta ver os LCS. Por isso não confio nesses “swifts”

  2. Comparação sem sentido…
    .
    A comparação cabível seria feita entre “L’Adroit” e os novos OPVs que o Paquistão vem construindo localmente, em parceria com a DAMEN.
    .
    Comparar “L’Adroit” com corveta?
    Mais um teleguiado mirando o Naval Group…

    • Roberto Lopes says:

      Bom dia, Bardini.
      Na verdade, a comparação faz todo o sentido e, além de ser válida, é, também, necessária.
      Ela vai na linha,
      1. Da aproximação cada vez maior entre os projetos de corvetas compactas e de OPVs. Lembre daquela matéria que comentamos aqui referente a uma corveta leve argelina, de menos de 700 toneladas, construída na Argélia com assessoria europeia (creio que Fincantieri);
      2. Do debate que existe hoje, no circuito da indústria naval militar, acerca de navios compactos que, bem armados, podem ser empregados, por sua economicidade, em missões originalmente atribuídas aos patrulheiros oceânicos (a corveta americana Swift, mesmo fabricada em aço, é 200 toneladas mais leve que o projeto de NaPaOc brasileiro, de 1.850 tons.);
      3. Quanto à questão da crítica ao navio L’Adroit, o que a matéria da MNM ressalta é o fiasco completo da OPV de 90 (87)m do Naval Group, que além de ter suscitado muitos questionamentos por seu design “revolucionário”, é um navio caríssimo (como quase tudo que a ex-DCNS faz).
      Mas eu não sei se os franceses, devido à pressão política que podem exercer, não acabarão vendendo mesmo esse modelo aos argentinos. Precisaremos esperar para ver.
      Boa sexta.

      • Na minha opinião, comparar o “L’Adroit” com esse navio Americano não faz muito sentido.
        .
        Creio que o “L’Adroit” surgiu mirando uma concorrência em especifico: BATSIMAR.
        .
        Só que os franceses não estão com dinheiro sobrando para tocar este programa (algo amplamente atacado em blogs franceses), quem pode levar a melhor é a CMN, vendendo mais navios derivados do “Patrouilleur Léger Guyanais”. Seria um tapa buraco de baixo custo para os franceses, mas um tiro no pé, por ser um navio menos capaz e sem capacidade de operar aeronave.
        .
        Como o Naval Group tem o projeto do OPV pronto, eles oferecem, nas condições deles…
        Compra quem quer ou quem não tem outra opção melhor.
        .
        Preço de equipamento francês?
        Isso quem tem que se preocupar é quem vai pagar a conta. Mas mesmo sendo caro, ainda sim, eles arranjam quem compre.
        Estão errados? Não acho. Queria um dia ver o Brasil fazendo o mesmo… Mas me prece que é sonhar alto demais.

  3. Alejandro Perez says:

    E o valor???

  4. Alejandro Perez says:

    Participacao zero no mercado…nem os franceses compraram e, pelo visto, os argentinos vao buscar outras opcoes.

    O L Adroit esteve aqui em Montevidéu na mesma data da visita de Hollande e nao convenceu.
    Bonito, mas muito frágil.

    • Roberto Lopes says:

      Bom dia, Alejandro.
      Os principais questionamentos sobre a L’Adroit dizem respeito (a) à distância extretamente curta entre o convés principal e a linha d’água, (b) às dúvidas em relação à estabilidade do navio em mar alto (ou águas não-protegidas), e (c) a vulnerabilidade da superestrutura aos ataques armados do inimigo, dado que o patrulheiro é oferecido sem armamento antiaéreo de curta distância eficiente (CIWS).
      O custo da corveta americana Swift não foi revelado. Vou tentar apurar.
      Bom fim de semana.

  5. Javier E. Bonilla says:

    O Adroit nao so nao convenceu aquí no Uruguai, mas os jornalistas foram- exceto os das páginas sociais chamados a último momento para constar- impedidos de visitar o navio e até pressionados pela embaixada francesa da época a moderar as suas críticas….
    O objetivo da visita do Hollande foi mesmo vender Adroit e/ou algum navio usado francês (069?), além de sondar Uruguai para enviar tropas de paz a Mali ou Rep. Centroafricana, acenando com um acordo UE-Mercosul que jamais a França vai assinar de boa vontade deixando entrar os nossos produtos agropecuários

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