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Plano Brasil/Relações Brasil Versus OCDE/Análise: “Ingresso do Brasil pode levar até cinco anos, diz Diretor de Assuntos Jurídicos da OCDE, mas que fique claro, não por culpa do Brasil!”

NOTA DO PLANO BRASIL, por Gérsio Mutti: Plano Brasil/Relações Brasil Versus OCDE/Análise: “Ingresso do Brasil pode levar até cinco anos, diz Diretor de Assuntos Jurídicos da OCDE, mas que fique claro, não por culpa do Brasil!”

Fonte da matéria em questão: [PDF]Clipping-Notícias/Câmara dos Deputados (https://www2.camara.leg.br/atividade…/18-06-2019…/file), Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, Clipping-Notícias, 18/06/2019, Sumário Notícias, Senado Notícias: Valor Econômico, Brasil, Página A2, Terça-Feira, 18/Junho/2019 (https://www.valor.com.br/brasil/6310591/ingresso-do-brasil-pode-levar-ate-cinco-anos-dizdiretor-da-ocde) … Ingresso do Brasil pode levar até cinco anosdiz diretor da OCDE ………………………………… 5.

Em destaque na capa do jornal Valor Econômico de Terça-Feira, 8/Junho/2019: “A entrada do Brasil na OCDE permanece em compasso de espera, mas não por culpa do Governo Brasileiro. Segundo o Diretor de Assuntos Jurídicos da OCDE, Nicola Bonucci, os 36 países membros têm dificuldades para chegara um consenso sobre quais candidaturas priorizar, assim como sobre o calendário das adesões. Mas ele está otimista com relação ao pedido brasileiro.”

 Ingresso do Brasil pode levar até cinco anos, diz diretor da OCDE

 Por Gabriel Vasconcelos | Do Rio

Valor Econômico, Brasil, Página A2, Terça-Feira, 18/Junho/2019

A entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) permanece em compasso de espera, mas não por culpa do governo brasileiro. Segundo afirmou ao Valor o diretor de assuntos jurídicos da organização, o ítalo-francês Nicola Bonucci, os 36 países membros têm dificuldade para definir quais candidaturas priorizar, assim como sobre o calendário das adesões. Na OCDE, toda decisão tem de ser tomada por consenso.

Mas o principal responsável pelos processos de adequação à organização se diz otimista com relação ao pedido brasileiro: “Tenho muita dificuldade de imaginar um cenário em que o Brasil fique de fora das novas adesões.” Bonucci afirma, porém, que o tempo mínimo do processo de adesão não será menor do que três anos e, no caso do Brasil, pelo tamanho da economia, pode levar até cinco anos, o que impediria o governo Bolsonaro de colher os frutos políticos da integração.

Em visita ao Brasil para o Congresso Mundial de Câmaras de Comércio, realizado na semana passada, no Rio, Bonucci disse que o tempo de adequação brasileira aos termos da OCDE pode ser abreviado, em caso de aprovação, porque o governo Bolsonaro promove uma série de reformas coerentes com a cartilha da organização.

“Algo muito importante em curso, e que costuma tomar muito tempo, é o ajuste ao código de liberalização da economia em matéria de movimentação de capitais”, afirma. “O Brasil tem todas as cartas [para entrar na OCDE]. Faz parte da convenção anticorrupção da organização e o que se passou neste país nos últimos dois ou três anos atesta que há um trabalho sendo feito nesse sentido”, opina.

Além do Brasil, cinco países apresentaram candidaturas à OCDE, dois latino-americanos (Argentina e Peru) e três europeus (Romênia, Bulgária e Croácia). Bonucci diz que ainda não há uma escolha e que um grupo “importante” de membros defende o escalonamento das adesões, de modo que diferentes blocos de países sejam aceitos com uma diferença de meses.

Uma reunião do conselho da OCDE, que reúne embaixadores, está prevista para esta semana. A ideia, segundo Bonucci, é avançar nas discussões para começar tratativas prévias, mesmo que a formalização dos primeiros processos de adesão possa vir somente em um horizonte de seis meses ou mais.

O grupo de países céticos ao ingresso simultâneo de novos sócios argumenta que esse processo pode sobrecarregar a administração da OCDE. Bonucci discorda. “No passado recente, entre 2007 e 2010, abrimos processos de adesão para cinco países ao mesmo tempo. Então podemos fazer”, diz. Ele faz referência aos casos de Chile, Israel, Eslovênia, Estônia e Rússia. Destes, só processo da Rússia não foi à frente em razão da invasão na região da Crimeia, em 2014, abrindo conflito com a Ucrânia.

Com relação à articulação dos apoios, o dirigente é evasivo. Não é segredo que os membros da União Europeia fazem forte lobby para que todos os seus membros integrem a OCDE e, por isso, exigem uma entrada pareada dos países que apoia com outros, apoiados pelos EUA, como são os casos de Brasil e Argentina.

Quanto à articulação em torno do pedido brasileiro, o diretor da OCDE afirma que a conjuntura mudou desde que Washington formalizou seu apoio ao Brasil em reunião do conselho no último 23 de maio. Até então a posição americana era lida como dúbia nos bastidores da organização. Além disso, o país contaria, desde o início, com o apoio do Japão, voz importante no processo decisório fora do eixo EUA-UE. “O Japão é muito favorável à candidatura brasileira e isso é um elemento importante”, afirma. “Nenhum país fez objeção oficial a entrada do Brasil”, diz ele, para sugerir, em seguida, que alguns condicionam seu aval a outras adesões.

Com relação às inclinações políticas do governo Bolsonaro, como o desejo expresso de alinhamento externo com os EUA, Bonucci se mostrou indiferente. Disse que, desde 1961, quando a OCDE foi criada, os países-membros tiveram governo das mais variadas orientações e que a agenda econômica sempre teria pautado as relações de forma pragmática. “Na economia do mundo atual, a ideologia encontra seu limite muito cedo. Há escolhas que funcionam, e outras que simplesmente não andam”, afirma. “Claro que é melhor uma troca comercial bilateral a não ter acordo nenhum, mas a OCDE prefere [acordos] multilaterais.

” Questionado, ainda, sobre políticas ligadas ao ambiente, o dirigente afirmou que o governo brasileiro terá de se ajustar e que as ameaças de saída do Acordo de Paris, por exemplo, poderiam, sim, levar a atritos com países-membros que votam pela adesão. Ele afirma, no entanto, que as instruções jurídicas da OCDE nesse campo, em sua maioria das décadas de 1980 e 1990, tratam mais de temas como o tratamento de dejetos e produtos químicos, em voga à época.

 

Fonte: Valor Econômico via Câmara dos Deputados 

 

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Plano Brasil/ IISS-2018: Gastos Militares por Países/Análise: “Gastos Militares dos BRICS em função dos respectivos PIBs/2018. EUA puxam crescimento global de gastos militares, e salários e mais regalias fazem do Serviço Militar Americano uma boa carreira”

NOTA DO PLANO BRASIL, por Gérsio Mutti: Plano Brasil/ IISS-2018 (The International Institute for Strategic Studies 2018 – https://www.iiss.org/blogs/military-balance/2019/02/european-nato-defence-spending-up ): “Gastos Militares dos BRICS em função dos respectivos PIBs/2018. EUA puxam crescimento global de gastos militares, e salários e mais regalias fazem do Serviço Militar Americano uma boa carreira”.

 

2016:

 

Gastos militares em % do PIB – Países selecionados/Ano de referência: 2016 – BRICS – Fonte Banco Mundial – Databank – Military expenditure (% of GDP): “O Brasil é um dos Países dos BRICS que menos recursos aplica em Defesa” (https://www.defesa.gov.br/arquivos/ensino_e_pesquisa/defesa_academia/cedn/xvii_cedn/os_projetos_estrategicos_das_forcas_armadas_em_face_do_orcamento_da_defesa.pdf ).

2017:

 

Segundo o SIPRI/2017 (Stockholm International Peace Research Institute 2017), “o Brasil desembolsou US$ 29,3 bilhões de dólares, em 2017 – 6,3% a mais do que em 2016” (Deutsche Welle (DW), 02/Fevereiro/2018 –https://www.dw.com/pt-br/brasil-registra-maior-aumento-de-gastos-militares-desde-2010/a-43612204 ).

 

2018:

 

Em 28 de fevereiro de 2019, o IBGE divulgou o resultado anual do Produto Interno Bruto brasileiro referente ao ano de 2018. De acordo com o IBGE (https://www.suapesquisa.com/economia/pib_brasil_2018.htm ), o PIB brasileiro apresentou crescimento de 1,1% no ano. Foi o segundo ano consecutivo que o PIB brasileiro apresentou crescimento. Em valores correntes o PIB brasileiro fechou 2018 em R$ 6,8 trilhões (US$ 1,8 trilhão – cotação do dólar em 28/02/19 a R$ 3,76). Como o gasto militar em 2018 foi de 1,51% em relação ao PIB/2018 que foi de US$ 1,8 trilhão, segundo o Governo Brasileiro, este gasto militar vem a ser um valor da ordem de US$ 27,18 bilhões de dólares; portanto em relação ao PIB/2017 houve um “contingenciamento” de US$ 2,12 bilhões de dólares (US$ 29,3 bilhões de dólares, PIB/2017 – US$ 27,18 bilhões de dólares, PIB/2018 = US$ 2,12 bilhões de dólares), embora o Brasil tenha crescido 1,1% no ano de 2018 segundo o IBGE.

Por sua vez, segundo o infográfico da Folha de São Paulo, os Países na Região da América Latina e Caribe, tiveram os seus gastos militares em relação aos respectivos PIBs/2018 na ordem de 2,0%.

 

“Em 2018, os EUA seguem como líderes incontestes no campo militar. Alocaram em 2018 US$ 643 bilhões para defesa contra US$ 734 bilhões dos próximos 15 maiores países no campo, e US$ 310 bilhões do resto do mundo.” Igor Gielow (Folha de São Paulo, Mundo, Página A10, Domingo, 3/Março/2019 – https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/03/estados-unidos-puxam-crescimento-global-de-gastos-militares.shtml ). Segundo a análise da organização inglesa IISS/2018 (The International Institute for Strategic Studies – https://www.iiss.org/blogs/military-balance/2019/02/european-nato-defence-spending-up ), o Brasil (País), “com a quinta maior área geográfica do mundo”, e estando classificado entre as 10 primeiras economias do mundo, encontra-se na 11ª posição com um gasto militar anual da ordem de US$ 28 bilhões de dólares, conforme disposto no presente infográfico da Folha de São Paulo (FSP), a saber:

1) EUA – US$ 643,3 bilhões de dólares (*);

2) China – US$ 168,2 bilhões de dólares;

3) Arábia Saudita – US$ 82,9 bilhões de dólares;

4) Rússia – US$ 63,1 bilhões de dólares;

5) Índia – US$ 57,9 bilhões de dólares;

6) Reino unido – US$ 56,1 bilhões de dólares;

7) França – US$ 53,2 bilhões de dólares;

8) Japão – US$ 47,3 bilhões de dólares;

9) Alemanha – US$ 45,7 bilhões de dólares;

10) Coréia do Sul – US$ 39,2 bilhões de dólares;

11) Brasil – US$ 28,0 bilhões de dólares (**);

12) Austrália – US$ 26,6 bilhões de dólares;

13) Itália – US$ 24,9 bilhões de dólares;

14) Israel – US$ 21,6 bilhões de dólares (***); e

15) Iraque – US$ 19,6 bilhões de dólares

(*) O pacto do orçamento de 2018 nos EUA: ganham militares e banqueiros (América Latina em Movimento, 08/Fevereiro/2018 – https://www.alainet.org/pt/articulo/190927 ):

 

Ao termo do ano anterior, foram incluídas provisões orçamentárias para gastos nos EUA de até US$ 700 bilhões em 2018. Com isso, se retornará a patamar de gastos militares observado em 2012.

As prioridades para os gastos militares no orçamento de 2018 são:

  1. Elevar a prontidão do sistemas de armas norte-americano: conjunto de programas de capacitação e mobilização de pessoal em situações de pronta-resposta;

  1. Preencher lacunas em capacidade e letalidade das forças armadas: aumentar a capacidade dos EUA em responderem a ameaças aos interesses norte-americanos no mundo. Significa aumento na capacidade de ataque norte-americana, reafirmando-se a histórica filosofia de retaliação total;

  1. Reforma em como as encomendas públicas serão realizadas: prevê aumento no poder decisório discricionário do Departamento de Estado;

  1. Aumentar a confiança de militares e suas famílias: elevando-se benefícios previdenciários e soldo; e

  1. Apoiar operações internacionais especiais (Overseas Contingency Operations): Foco na operação Freedom’s Sentinel (OFS) no Afeganistão, Operação Inherent Resolve (OIR) no Iraque e na Síria, maiores esforços no apoio a aliados europeus e luta global contra o terrorismo. Neste quesito estão previstos boa parte dos gastos incrementais em 2018.

Para continuar lendo, acesse o link (https://www.alainet.org/pt/articulo/190927 ).”

(**) O gasto militar do Brasil, segundo a IISS/2018, foi de US$ 28 bilhões de dólares. Na realidade o gasto militar no que diz respeito ao Brasil foi ainda menor, ou seja, US$ 27.18 bilhões de dólares (1.51% PIB/2018). Os 15 Países acima listados dizem respeito às “Grandes Potência Militares segundo a IISS/2018”.

(***) Israel recebeu uma promoção em 2014 e passou a ser designado “Grande “Parceiro Estratégico” dos EUA”, um degrau acima do status de Grande Aliado Extra-OTAN dos EUA (Major NON-NATO Ally of USA)”. Assim a ajuda substancial bancada pelo contribuinte americano faz a diferença e muito no gasto da máquina militar em relação ao PIB de Israel.

Congresso dos EUA aprova US$ 700 bilhões para orçamento de defesa (do ano de 2018). Orçamento prevê a compra de 90 caça F35, dezenas de helicópteros, tanques, blindados e 14 navios e submarinos. Congresso também aumentou em 2,4% o salário dos militares. A Ucrânia receberá US$ 350 milhões em ajuda para segurança e “Israel cerca de US$ 705 milhões para seus sistemas de defesa antimísseis” (Agence France-Presse (AFP) via G1, 17/Novembro/2017 – https://g1.globo.com/mundo/noticia/congresso-dos-eua-aprova-us-700-bilhoes-para-orcamento-de-defesa.ghtml ).

No cômputo geral, segundo o IISS/2018, agora considerando os Países com os maiores gastos militares em relação aos seus respectivos PIB nacionais, teremos os seguintes 15 Países, a saber: 

1) Omã – 11% do PIB Nacional;

2) Arábia Saudita – 10,8 % do PIB Nacional;

3) Afeganistão – 10,1% do PIB Nacional;

4) Iraque – 7,5% do PIB Nacional;

5) Israel – 5,9 % do PIB Nacional;

6) Argélia – 5,3% do PIB Nacional;

7) Jordânia – 4,7% do PIB Nacional;

8) Irã – 4,6% do PIB Nacional;

9) Kuwait – 4,3% do PIB Nacional;

10) Mali – 4,1% do PIB Nacional;

11) Armênia – 4,0% do PIB Nacional;

12) Rússia – 4,0% do PIB Nacional;

13) Trinidad e Tobago – 4,0% do PIB Nacional;

14) Camboja – 3,9% do PIB Nacional; e

15) Bahrein – 3,8% do PIB Nacional

Gastos Militares em função dos respectivos PIBs/2018 dos Países que compõem o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, e África do Sul):

 

  1. a) 4º lugar: Brasil – US$ 27,18 bilhões de dólares (1,51% do PIB/2018) [Brasil PIB/2018 – US$ 1,80 trilhões de dólares (https://www.suapesquisa.com/economia/pib_brasil_2018.htm)];

  1. b) 2º lugar: Rússia – US$ 63,1 bilhões de dólares (4,0% do PIB/2018) [Rússia PIB/2018 – US$ 1,58 trilhões de dólares (https://pt.portal.com/analise-os-mercados/russia/economia)];

  1. c) 3º lugar: Índia – US$ 57,9 bilhões de dólares (2,15% do PIB/2018) [Índia PIB/2018 – US$ 2,69 trilhões de dólares (https://pt.portal.com/analise-os-mercados/india/economia)];

  1. d) 1º lugar: China – US$ 168,2 bilhões de dólares (1,27% do PIB/2018) [China PIB/2018 – US$ 13,20 trilhões de dólares (https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/01/21/economia-da-china-cresce-66-em-2018.ghtml)]; e

  1. e) 5º lugar: África do Sul – US$ 7,5 bilhões de dólares (mantendo para o ano de 2018 (?) o gasto da máquina militar em relação ao PIB/2016 na ordem de 1% –https://www.indexmundi.com/map/?v=132&l=pt) [África do Sul PIB/2018 (?) – PIB/2017: US$ 757,30 bilhões de dólares (https://www.indexmundi.com/g/aspx?c=sf&v=65&l=pt )].

Matéria do UOL via Poder Naval (PN) datada de 22/Janeiro/2018 diz o seguinte: Orçamento limitado por teto pode deixar Forças Armadas mais obsoletas e preocupa militares (https://www.forte.jor.br/2018/01/22/orcamento-limitado-por-teto-pode-deixar-forcas-armadas-mais-obsoletas-e-preocupa-militares/ ): “O orçamento limitado pelo teto de gastos públicos até 2037 e as demandas reprimidas podem ampliar a obsolescência das Forças Armadas, afirma o Ministério da Defesa no sumário executivo do documento “Cenário de Defesa 2020-2039”, ao qual o UOL obteve acesso. A reportagem também ouviu Oficiais das Forças, que demonstram preocupação com a contenção de recursos.

Orçamento (militar) crescente, mas insuficiente: Nos últimos cinco anos, segundo dados do portal Siga Brasil, do Senado Federal, o orçamento do Ministério da Defesa aumentou, embora às vezes apenas na proporção do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, e não na medida desejada pela pasta.” Luciana Amaral (UOL)

Luciana Amaral (UOL) também explicita o seguinte fato: “As demandas reprimidas por décadas, bem como a limitação orçamentária impostas pelo Novo Regime (Fiscal) ampliarão a obsolescência e inviabilizarão a configuração das atuais Forças Armadas em padrões de potência militar de médio porte (como França, Reino Unido, Alemanha, por exemplos). Como consequência das restrições orçamentárias, haverá necessidade de as Forças Armadas priorizarem atividades e capacidades”, afirma o documento.

Tudo indica que em breve nas “Relações Brasil e Estados Unidos da América (https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/03/brasil-pode-virar-grande-aliado-extra-otan-dos-eua-em-visita-de-bolsonaro.shtml ), o Brasil usufruirá a condição de “Grande Aliado Extra-OTAN dos EUA (Major NON-NATO Ally of USA)”.

Segundo a Wikipédia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Aliado_importante_extra-OTAN ), o que vem a ser “Grande Aliado Extra-OTAN dos EUA (Major NON-NATO Ally of USA): “A condição de aliado Extra-OTAN foi criada em 1989, na seção 2350a, por meio da Emenda Nunn, adicionada ao Título 10 (que trata das Forças Armadas dos Estados Unidos) do Código dos Estados Unidos pelo Congresso dos Estados Unidos. São estipulados acordos de cooperação em pesquisa e desenvolvimento que poderiam ser aprovados com os aliados Extra-OTAN de acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, com a anuência do chefe da pasta. Os primeiros Países a receberem a designação foram AustráliaCoreia do SulEgitoIsrael e Japão. Tal condição não inclui automaticamente um pacto de defesa mútua com os Estados Unidos, mas confere uma variedade de vantagens militares e financeiras que de outra forma não poderiam ser adquiridos por esses Países assim designados. Hoje, 17 Países se encontram nessa condição (https://pt.wikipedia.org/wiki/Aliado_importante_extra-OTAN ). Com a adesão do Brasil, o País passará a ser o 18º da lista de membros integrantes associados.

Igualmente, segue matéria de autoria de Igor Gielow (Folha de São Paulo, Mundo, Página A10, Domingo, 3/Março/2019 – https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/03/estados-unidos-puxam-crescimento-global-de-gastos-militares.shtml ): Estados Unidos puxam crescimento global de gastos militares. Alta sob Trump em 2018 gera dilatação de gastos bélicos de países como Rússia:

“Donald Trump retira os Estados Unidos de um importante tratado de redução de armas. Acusado de violar o acordo, Vladimir Putin anuncia estar pronto para apontar novos e perigosos mísseis contra seus inimigos.

Índia e Paquistão, potências nucleares, enfrentam-se nos céus da Caxemira. Chineses transformam ilhotas em bases militares e investem em aviões sofisticados.

Ucrânia prevê gastar o que não tem para conter atividades da Rússia em seu território. Até na morosa América do Sul o Brasil é obrigado a negar que vá ajudar militarmente norte-americanos e colombianos a derrubar a ditadura da Venezuela.

O noticiário de 2019 confirma uma tendência na dinâmica das atividades militares no mundo: a volta da perspectiva do conflito entre Estados nacionais, algo que vinha em declínio com o fim da Guerra Fria e a ascensão dos conflitos irregulares como a guerra contra o terror.

Publicado pelo respeitado Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla inglesa), o “Balanço Militar 2019” coloca em números essa perspectiva de um mundo mais perigoso.

Referência na quantificação de gastos militares e avaliação do estado de Forças Armadas, a publicação mostra que em 2018 os EUA iniciaram uma alta expressiva na despesa bélica, puxando consigo países da aliança que lidera na Europa, a Otan.

Isso é resultado da chegada de Trump ao poder em 2017 e a publicação, em janeiro do ano passado, da sua nova Estratégia de Defesa Nacional, na qual propõe que os inimigos a serem combatidos são a China e a Rússia, e não grupos obscuros terroristas escondidos em cavernas.

Com efeito, se em 2016 o gasto com defesa de EUA e Canadá contabilizado pelo IISS caiu quase 2%, ele sobe quase 4% em 2018. A reversão ocorre também na Europa e no bloco Rússia/Eurásia, dominado pelo país de Putin —que havia reduzido os gastos após um pico de 16% de aumento em 2015.

Os EUA seguem como líderes incontestes no campo militar. Alocaram em 2018 US$ 643 bilhões para defesa —contra US$ 734 bilhões dos próximos 15 maiores países no campo, e US$ 310 bilhões do resto do mundo.

É o único país capaz de projetar força de forma coordenada em várias frentes, com seus 11 grupos de porta-aviões. É imbatível em mobilidade: tem 530 aviões-tanque para reabastecer sua frota mundo afora, contra 68 dos próximos cinco países na categoria de potência: Rússia, China, França e Reino Unido, companheiros de Conselho de Segurança da ONU, além da Índia.

 Apesar de ter sido bem recebida pelos militares, a estratégia de Trump esbarrou na imprevisibilidade do presidente, que determinou retiradas de tropas do Afeganistão e da Síria sem consultar seu secretário de Defesa, Jim Mattis —que deixou o posto.

Ele foi substituído por Patrick Shanahan, um ex-executivo da Boeing entusiasta do programa de militarização do espaço defendido por Trump, não por acaso um campo em que sua ex-empregadora investe.

Apesar de toda a capacidade instalada, anos de desgaste em guerras no Iraque e Afeganistão cobraram um preço no planejamento, conforme a própria estratégia publicada por Trump admite. Seus rivais estratégicos melhoraram sua posição para desafiar Washington.

A China tem as maiores Forças Armadas do mundo: 2 milhões de militares —​algo até natural dada a demografia do país. Isso em si não significaria tanto não fosse a grande variedade de equipamentos e, como ressalta o IISS, o acelerado programa de modernização visando tornar o país a potência dominante no oeste do Pacífico.

Não por acaso, o turbulento Oriente Médio viu em 2018 a menor atividade de porta-aviões no golfo Pérsico na história recente, enquanto o Pacífico recebeu a visita de dois desses gigantes.

A ditadura comunista chinesa está militarizando dois conjuntos de ilhotas e atóis no mar do Sul da China, que considera suas águas territoriais. Isso é contestado pelos EUA, e não são poucos os analistas que preveem a região como um campo de batalha naval futuro.

Pequim ganhou relevância estratégica nas três últimas décadas, mas Moscou é ainda a grande rival de Washington. Putin aproveitou-se, mais do que qualquer outro líder, da fraqueza relativa dos EUA pós-2001.

A anexação da Crimeia em 2014 e a intervenção que salvou a ditadura de Bashar al-Assad na Síria em 2015 foram pontos altos desse desafio.

A relação com a Ucrânia é mais um exemplo do embate entre entes nacionais. Além de ter patrocinado o plebiscito que reintegrou a Crimeia à Rússia, o governo Putin fomenta o separatismo pró-russo no leste do país.

Com isso, buscando a reeleição, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, promete elevar seus gastos militares para a casa dos 5% do PIB —embora apenas uma virtualmente impossível adesão à Otan pudesse de fato lhe dar garantias.

Os russos têm reformulado doutrina e ampliado o investimento em formas modernas de combate, como a guerra cibernética.

Mas é na dissuasão nuclear que mora sua força: além de ter um arsenal comparável ao dos EUA, o que garantiria vários apocalipses caso tudo fosse usado, o Kremlin avançou muito em novas tecnologias de mísseis.

Naturalmente, assim como no caso chinês, há diversas fraquezas militares e principalmente econômicas que são escamoteadas pelos números brutos.

Porém, com um gasto militar na casa dos 4% do PIB e o quarto maior investimento nominal do mundo, a Rússia tem ainda muitos anos de protagonismo pela frente.

Os países do Oriente Médio e do Norte da África registraram uma queda brutal na variação de investimento — 12% a menos do que em 2017.

É uma área de conflito, contudo, então registra campeões no gasto militar em proporção do PIB: Omã e Arábia Saudita, com 11% cada um, lideram a lista. Israel despende enormes 5,9% —os Estados Unidos, que são a maior economia do mundo, gastam 3,14%.

O Brasil, de acordo com o IISS, gastou em 2018 1,4% de seu PIB com defesa (1,51% segundo o governo), mas 89% do valor vão para pagamento de pessoal e inativos.

Ainda assim, tem uma força militar grande para manter: 334.500 uniformizados, e incorporou um importante meio à sua frota naval, o porta-helicópteros britânico Ocean, rebatizado Atlântico.

A América Latina e o Caribe, indica o IISS, também seguiram a tendência puxada por Trump e tiveram um aumento de quase 2% no seu investimento militar em 2018.

Mas isso não reflete a situação venezuelana, pois o país do ditador Nicolás Maduro não tem números auditáveis pelo IISS. O que se sabe é sobre a boa capacidade de defesa aérea do país, a melhor do continente e um problema para os adversários.”

Outrossim, segue matéria da Revista Época via Montedo.com, 6/Dezembro/2018 (https://www.montedo.com.br/2018/12/06/nos-eua-salarios-e-regalias-fazem-do-servico-militar-uma-boa-carreira/ ): Nos EUA, salários e regalias fazem do serviço militar uma boa carreira:

 

“O salário é só o início da remuneração dos militares americanos. Há uma série de regalias pagas, segundo reportagem do site CNNmoney. O site diz que o soldo mínimo pago a um soldado com quatro meses de serviço é de US$ 13.809,60 anuais (cerca de R$ 47 mil) e o de um general – posto mais alto – pode chegar a US$ 153.950,40 anuais (R$ 523 mil, ou aproximadamente R$ 43.500 por mês). Mas um soldado que recebe pagamento mínimo – considerado um baixo salário – já começa a carreira com muitos outros benefícios.

Os homens e mulheres de uniformes, como são conhecidos nos Estados Unidos, recebem ajuda para vestuário, comida e moradia. O auxílio varia de acordo com o local onde o militar serve, o posto ocupado e a existência de dependentes.

Algumas dessas ajudas, como a de subsistência, são atualmente mais baixas para militares que ocupam postos mais altos e recebem pagamento maior. O auxílio moradia é ajustado de acordo com o posto e com a existência de pelo menos um dependente. A quantia não aumenta de acordo com o número de dependentes.

No Exército, a ajuda para compra de roupas é de US$ 284,40 (R$ 966) para homens e US$ 342,50 (R$ 1.164) para mulheres. Um soldado típico tem de apresentar duas fardas “Classe A” (equivalente a ternos de executivos de negócios) e ao menos quatro uniformes de batalha – dois para o verão e outros dois para o inverno. Esses uniformes custam, respectivamente, US$ 180 (R$ 612) e US$ 55 (R$ 187) cada.

A ajuda de subsistência – US$ 167,20 (R$ 568) ao mês para oficiais e US$ 262,50 (R$ 892) para recrutas, ou um pouco menos se o governo fornecer refeições onde o militar está servindo- serve para minimizar os custos com alimentação.

Por último existe um pagamento de incentivo, que é um dinheiro extra para aqueles que se destacarem em serviço ou em missões muito duras. Uma missão em submarinos da Marinha pode dar ao militar mais de US$ 425 (R$ 1.445) por mês, dependendo do posto ocupado e do tempo de serviço.

Por exemplo: um capitão da Força Aérea casado que serve há pelo menos oito anos e trabalha na base de Wright-Patterson, em Dayton, Ohio, chega a ter um salário anual de US$ 48.841,20 (R$ 166 mil). Se a ajuda de moradia for de US$ 845 (R$ 2.873) por mês e a de subsistência, de US$ 1.996,44 (R$ 6.787), os vencimentos podem atingir US$ 60.997 (R$ 207 mil) por ano. Como parte desse dinheiro não é tributada, o salário total desse oficial será de US$ 64.622,64 anuais (R$ 219 mil).

De acordo com o Departamento de Defesa, um fuzileiro naval solteiro que sirva no acampamento de Pendleton, em San Diego, Califórnia, há pelo menos quatro anos leva para casa um total de US$ 32.434,80 (R$ 110 mil) por ano. O salário é equivalente ao de um mecânico de automóveis trabalhando na mesma região.

Como os civis, os militares recebem aumento de salário. Entretanto, diferentemente dos sem uniformes, os membros das Forças Armadas não têm seus vencimentos ampliados apenas por méritos. Promoções são dadas por destaque em combate, mas aumentos simples acontecem por tempo de serviço.

‘’Para o mérito, nós entregamos medalhas’’, diz Catherine Fergunson, porta-voz do Departamento de Defesa.

O aumento mínimo de salário – 4,1% ao ano em 2003 – é dado por uma lei que afirma que os vencimentos têm de ser equivalentes a um terço do percentual dado ao setor privado. Em 2001, os militares receberam o maior aumento em 20 anos: cerca de 6,9%.”

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Economia Geopolítica Traduções-Plano Brasil

OS PRINCIPAIS RISCOS DO EURASIA GROUP PARA 2019

 

  Ian Bremmer e Cliff Kupchan revelam os dez principais riscos para 2019. 

Autor- Ian e Cliff

Fonte: Eurasia Group

Esta é a previsão anual do Grupo Eurasia sobre os riscos políticos que provavelmente acontecerão ao longo do ano. O relatório deste ano foi publicado em 7 de janeiro de 2019.  Em resumo disponibilizamos os principais tópicos levantados pelo relatório, para ler o conteúdo completo em inglês, Clique aqui para ler o relatório completo Top_Risks_2019_Report.

Segundo o relatório:

O ambiente geopolítico é o mais perigoso das últimas décadas … Os mercados estão cada vez mais voláteis, mas resilientes, apresentando progresso e saltos para trás. O que há errado neste cenário? 

Nada ainda. Os ciclos geopolíticos são lentos. Demoram muito tempo para construir uma ordem geopolítica; os governos mudam de rumo através do funcionamento de instituições complexas, políticas de coalizão, ciclos eleitorais, freios e contrapesos. Instituições multilaterais levam décadas para construir e ganham ímpeto lentamente. Normas e valores precisam se desenvolver, ser aceitos e moldarem instituições e a sociedades ao longo do tempo. Uma vez no lugar, eles são pegajosos. E assim, salvo a má sorte (leia-se: uma crise repentina e imprevista), levam anos, até décadas, para derrubar uma ordem geopolítica. Esse processo de erosão está em andamento em todo o mundo hoje.
Claro, 2019 pode vir a ser o ano em que o mundo desmorona. Os riscos  criados por maus atores infligindo danos que, em seguida, criam um ciclo de crescimento são maiores do que foram em qualquer momento desde o lançamos o Eurasia Group em 1998. Um ciberataque russo fica fora de controle. O Irã e a Arábia Saudita (ou Israel) desencadeiam uma guerra no Oriente Médio. Os chineses e os americanos entram em uma guerra comercial que causa de uma recessão profunda, culpam uns aos outros e retaliações se espalham pelo espaço cinético. Existem outros riscos de escala similar. Mas, por enquanto, todos esses eventos permanecem de baixa probabilidade.
Mais provavelmente, e apesar das manchetes cada vez mais preocupantes, 2019 está prestes a ser um ano razoavelmente bom. Mesmo, ousamos dizê-lo, não um ano particularmente politicamente arriscado. Mas estamos nos preparando para problemas no caminho. Grandes problemas. E esse é o nosso maior risco.
 

  1. MAS SEMENTE

Os perigos geopolíticos que tomam forma ao redor do mundo darão frutos nos próximos anos.

  1. EUA-CHINA

Algo fundamental foi rompido na relação entre Washington e Pequim que não pode ser restabelecida, independentemente do que acontece com seus laços econômicos.

  1. LUVAS CIBERNÉTICAS DESLIGADAS

Os hackers se tornaram mais sofisticados, as sociedades tornaram-se altamente dependentes dos serviços digitais e os esforços para chegar a um acordo sobre as regras básicas do conflito cibernético não chegaram a lugar nenhum.

  1. POPULISMO EUROPEU

2019 mostrará que os populistas e os movimentos de protesto estão mais fortes do que nunca.

  1. OS EUA EM CASA

Enquanto as probabilidades de que Trump sofra impeachment e seja afastado do cargo permaneçam extremamente baixas, a volatilidade política será excepcionalmente alta.

  1. INOVAÇÃO INVERNO

Estamos caminhando para um inverno de inovação global – uma redução impulsionada politicamente no capital financeiro e humano disponível para impulsionar a próxima geração de tecnologias emergentes.

  1. COALIZAÇÃO DO DESWILLING

A ordem global liderada pelos EUA tem estado em erosão há algumas décadas, mas agora estamos vendo as fileiras crescentes de uma coalizão de líderes mundiais pouco dispostos a defender a ordem liberal global, com alguns até inclinados a derrubá-la.

  1. MÉXICO

O novo presidente do país, Andres Manuel López Obrador, inicia seu mandato com um grau de poder e controle sobre o sistema político não visto no México desde o início dos anos 90 e os fatores de risco domésticos são grandes.

  1. UCRÂNIA

O confronto de novembro no estreito de Kerch foi uma prova das tensões que se aproximavam. Putin continua a ver a Ucrânia como vital para a esfera de influência da Rússia.

  1. NIGÉRIA

A Nigéria enfrenta sua eleição mais disputada desde a transição para a democracia em 1999.

* BREXIT

Por que o asterisco? Porque três anos após a votação, quase todos os resultados do Brexit continuam possíveis.

RED HERRINGS

O novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, pode ser nacionalista, mas as instituições do país não permitirão qualquer centralização perigosa do poder. O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman fez muitos inimigos, mas nem ele nem o reino enfrentam sérios riscos em 2019. A necessidade do Irã de suportar as sanções dos EUA protegendo as relações com a Europa limitará sua agressividade. A suspeita e a concorrência restringirão a cooperação da Rússia e da China.

CONCLUSÃO

Já se passaram 21 anos desde que começamos o Eurasia Group e passamos juntos pela nossa participação nas mudanças globais. Tomando um momento para olhar para trás, lembramo-nos de nosso começo modesto, pessoalmente e como organização, e de quanto é um privilégio ter seu apoio.

Obrigado por fazer parte da nossa comunidade. Agradecemos e desejamos a você apenas o melhor para 2019.

 

Clique aqui para ler o relatório completo Top_Risks_2019_Report

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Defesa Tecnologia Traduções-Plano Brasil

Mais um processo de falência apresentado contra PJSC "Kuznetsov"

Tradução e adaptação-E.M.Pinto

A CJSC “Abrasive plant” Resolit “” exigiu a falência da PJSC “Kuznetsov”. Uma reivindicação correspondente apareceu no site do Tribunal Arbitral da Região Samara. A quantidade de reclamações não é divulgada e a declaração de reivindicação ainda não foi aceita.Em 2017, a Energopromresurs, Ltd., tentou falir a empresa Kuznetsov, mas o tribunal de arbitragem recusou-se a aceitar o pedido.

Agora, o tribunal também considera dezenas de reclamações contra a unidade de Samara sobre o desempenho indevido das obrigações nos contratos de fornecimento. A PJSC “Kuznetsov” foi registrada em 1994 em Samara. A organização é especializada na produção de motores de aeronaves. De acordo com os dados da SPARK-Interfax, os proprietários da empresa são a sociedade anônima United Engine Building Corporation, a estatal Rostek e a Federal Property Management Agency.

 

Fonte: kommersant

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Estados Unidos Geopolitica INFOPLANO Rússia

Infográfico Plano Brasil: Comparativo estratégico entre Estados Unidos & Rússia

Tito Lívio Barcellos Pereira

No dia 16 de julho, foi realizada uma reunião de cúpula na cidade de Helsinki, a capital da Finlândia, entre o presidente norte-americano Donald Trump e seu homólogo russo, Vladimir Putin.

Interesses divergentes e outras questões geopolíticas e estratégicas estiveram presentes nas pautas de discussão desses líderes políticos, tais como, a Guerra na Síria e Ucrânia. mas também foram discutidas as acusações de interferência do governo russo nas eleições norte-americanas de 2016, da qual se denuncia que Moscou teria supostamente favorecido a candidatura de Donald Trump.

Nesses tempos de “Guerra Fria requentada”, como apontam muitos analistas, o Plano Brasil se propõe a apresentar no gráfico abaixo um pequeno comparativo estratégico mostrando a assimetria existente entre duas das principais potências militares e econômicas da atualidade.

 

Clique na imagem para vê-la em melhor resolução


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Negócios e serviços Tecnologia

Boeing e Embraer anunciam criação de nova empresa avaliada em US$ 4,75 bilhões

Fabricante norte-americana de aeronaves deve pagar US$ 3,8 bilhões pelos 80% do novo negócio, que reúne toda a aviação comercial da Embraer; brasileira deterá os 20% restantes.


Por Taís Laporta e Luísa Melo, G1

 

Combinação de fotos com as marcas da Boeing e da Embraer. As marcas anunciaram nesta quinta (5) a criação de nova empresa avaliada em US$ 4,75 bilhões (Foto: Denis Balibouse/Reuters; Roosevelt Cassio/Reuters)

Combinação de fotos com as marcas da Boeing e da Embraer. As marcas anunciaram nesta quinta (5) a criação de nova empresa avaliada em US$ 4,75 bilhões (Foto: Denis Balibouse/Reuters; Roosevelt Cassio/Reuters)

As operações e serviços de aviação comercial da Embraer foram avaliados em US$ 4,75 bilhões. A Boeing, maior fabricante de aeronaves do mundo, deve pagar US$ 3,8 bilhões pelos 80% da joint venture.

Joint venture é uma empresa criada a partir dos recursos de duas companhias que se unem e dividem seus resultados (lucros e prejuízos).

Procurado, o Planalto informou ao G1 que não se manifestaria sobre o negócio.

Em 2017, a área de aviação comercial da Embraer respondeu por 57,6% da receita líquida da companhia, com US$ 10,7 bilhões de um total de US$ 18,7 bilhões.

Novo negócio de aviação comercial
Participação das companhias na nova empresa, em US$ bilhões
Boeing: 3,8Embraer: 0,95
Fonte: IBGE

A parceria deve entrar nos resultados financeiros da Boeing por ação no início de 2020 e deve gerar uma sinergia anual de custos estimada em cerca de US$ 150 milhões, sem considerar impostos, até o 3º ano.

“O acordo não-vinculante propõe a formação de uma joint venture que contempla os negócios e serviços de aviação comercial da Embraer, estrategicamente alinhada com as operações de desenvolvimento comercial, produção, marketing e serviços de suporte da Boeing”, dizem as empresas em comunicado.

Aviação militar e executiva

A Embraer também esclareceu por comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que as demais divisões da companhia, incluindo defesa e jatos executivos, não serão separadas para nova sociedade e seguirão sendo desenvolvidas pela Embraer.

Negócio na área de defesa

Além da joint venture, as empresas também irão criar outro negócio para novos mercados e aplicações para produtos e serviços de defesa, em especial o avião multimissão KC-390, a partir de oportunidades identificadas em conjunto.

“Os investimentos conjuntos na comercialização global do KC-390, assim como uma série de acordos específicos nas áreas de engenharia, pesquisa e desenvolvimento e cadeia de suprimentos, ampliarão os benefícios mútuos e aumentarão ainda mais a competitividade da Boeing e da Embraer”, disse em comunicado o vice-presidente executivo Financeiro e de Relações com Investidores da Embraer, Nelson Salgado.

As duas empresas mantêm um centro de pesquisas conjunto sobre biocombustíveis para aviação em São José dos Campos desde 2015.

É o segundo grande acordo do setor aéreo em 9 meses. Em outubro do ano passado, a Airbus comprou metade do programa de aviões de médio alcance da Bombardier.

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Conflitos Defesa Geopolítica

Por que a Alemanha, grande potência europeia, tem Exército com equipamentos obsoletos e insuficientes

soldados alemães em exercício militarDireito de imagemAFP
Image captionBundeswehr carece de armamentos e efetivo

Quando, em 2014, um grupo de militares alemães se apresentou para um exercício militar conjunto da Otan (aliança militar ocidental), na Noruega, armados somente com pedaços de madeira, os exércitos dos outros países ficaram espantados.

Os soldados da Bundeswehr, como é conhecido o Exército alemão, se juntavam naquela ocasião aos demais militares da Força de Reação Rápida da Otan, criada para responder à intervenção russa nos conflitos que levaram à independência da Crimeia da Ucrânia.

Como a Alemanha não contava com fuzis suficientes para todo o seu efetivo, os tacos de madeira pintados de preto foram a solução.

A Alemanha é a quarta maior economia do mundo e é reconhecido como o país mais poderoso e influente da União Europeia. No entanto…

“Suas capacidades militares de modo algum são equiparáveis ao seu peso econômico ou diplomático”, destaca Jonathan Marcus, analista da BBC especializado em segurança e defesa.

“O Exército alemão foi aniquilado nos últimos anos e grande parte de seus equipamentos estão obsoletos ou mal conservados”, diz.

Em várias oportunidades, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se queixou de que os membros europeus da Otan não têm investido o suficiente em defesa. Embora os Estados-membros tenham se comprometido em 2014 a investir 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa, a Alemanha só mobilizou 1,2% para este setor, muito abaixo do destinado por outras grandes potências da Europa Ocidental, como Reino Unido (2,14%) e França (1,79%).

Donald Trump e Angela MerkelDireito de imagemAFP
Image captionDonald Trump e Angela Merkel têm visões divergentes sobre gastos militares

Ante a pujança da economia alemã, diz Marcus, críticos alegam que o país “não está gastando o suficiente em defesa e que sua contribuição não é proporcional a suas possibilidades”.

Berlim contesta dizendo que investimento em cooperação internacional é mais eficaz para prevenir conflitos do que o dinheiro gasto em programas de armamento.

Se por um lado Trump quer que a Alemanha e outros países europeus aumentem seu gasto militar, a ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, já manifestou “preocupação” pela redução do aporte de recursos dos Estados Unidos a organismos internacionais, como as Nações Unidas.

Fiel à tradição de não aderir a ações militares que não contem com o respaldo da ONU, a Alemanha não participou da recente ofensiva conjunta de Estados Unidos, França e Reino Unido na Síria em resposta ao suposto uso de armas químicas por parte das tropas leais ao presidente Bashar al-Assad.

Ursula von der Leyen ao lado do marido militarDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, prometeu incrementar o orçamento do exército

Dependência

Jufy Dempsey, editora do centro de análise Strategic Europe, explicou à BBC que a segurança da Alemanha “depende fortemente dos Estados Unidos, da França e da Otan”.

Em maio de 2017, a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, afirmou que “os tempos em que poderíamos depender totalmente dos outros estão acabando”. Mas nada indica que a capacidade técnica e armamentista da Bundeswehr tenha melhorado nos últimos anos.

Karl-Heinz Kamp, presidente da Academia Federal para Política e Segurança – um organismo governamental que se dedica à capacitação de agentes públicos da Alemanha – afirma que investimentos estão sendo feitos, embora tenham passado despercebidos.

“Nos últimos anos, temos incrementado o orçamento da Defesa, mas isso não foi notado porque o PIB está crescendo ainda mais rapidamente. Por isso, temos nos afastado do famoso objetivo de 2% da Otan, em vez de nos aproximarmos”, diz à BBC. Segundo Kamp, o gasto com a Defesa cresceu em termos absolutos, mas o PIB aumentou ainda mais, afastando o país da meta.

“O governo planeja investir muito mais em defesa, chegando a um percentual de 1,5% do PIB em 2021.”

A meta de 2% ficaria para 2024, segundo Kamp. Mas ele admite que a situação das Forças Armadas alemãs ainda é precária. “Estão corretas todas as notícias sobre submarinos que não navegam e tanques que não disparam.”

De acordo com um informe de fevereiro baseado em entrevistas com os próprios militares, os seis submarinos 212A da Marinha alemã estão fora de serviço. Essa é também a situação de 244 carros de combate.

A frota de aviões de transporte A400M sofre com manutenção deficiente, e a escassez de aeronaves atrasa, com frequência, o traslado das tropas.

Mas os problemas não afetam apenas os armamentos mais sofisticados. Faltam bens de uso cotidiano das tropas, como roupa de proteção, óculos de visão noturna e peças de reposição para automóveis.

O representante das Forças Armadas no Parlamento alemão, Hans-Peter Bartels, atribui esses problemas aos “25 anos de cortes no orçamento” da Defesa. Já Kamp afirma que o fim da Guerra Fria e a sensação de que um conflito seria improvável levaram, a partir de 1990, a que quase todos os países europeus se “descuidassem” de suas Forças Armadas.

“Conduzimos o carro sem manutenção, óleo, nem reposições, e agora está acontecendo o que acontece com todos os carros velhos”, resume.

avião de combateDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionÉ frequente que o transporte de efetivos atrase por falta de combustível ou reposição de peças

Dempsey, por sua vez, aponta que o problema não é só de dinheiro, mas também de gestão. “Há uma grave falta de planejamento”, critica.

“Comparado com outros exércitos, grande parte dos recursos vai para custeio de pessoal em vez de para a renovação e treinamento das equipes.”

A ministra Von der Leyen prometeu, em fevereiro, que o novo governo de coalizão manteria o aumento no orçamento da Bundeswehr. Ela advertiu, porém, que serão necessários anos para corrigir as deficiências.

submarino alemãoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNenhum dos submarinos 212A está em operação

Receio de militarização

O baixo investimento no Exército alemão tem razão de ser. Jonathan Marcus acredita que a situação atual “reflita o legado da Segunda Guerra Mundial e dos anos de nazismo, assim como um forte consenso na política interna de receio ao militarismo”.

Dempsey afirma que, em um país ainda marcado pela dolorosa lembrança de Adolf Hitler e do Terceiro Reich, “não agrada à classe política falar sobre Forças Armadas”.

Segundo a especialista, após a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a unificação alemã, houve uma grande replanejamento militar.

“Basicamente se reduziu o tamanho (das Forças Armadas), quando foram suprimidos o Exército da República Democrática Alemã, o Estado oriental aliado com a União Soviética e o bloco comunista dos anos da Guerra Fria.”

A reduzida Bundeswehr se envolveu em poucas atividades até os ataques de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas de Nova York (EUA). Após esse episódio, as forças alemãs passaram a ser empregadas sob a bandeira da Otan em missões de manutenção da paz e de estabilização que incluíram combates em lugares como Afeganistão e Kosovo.

Soldados alemãesDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO exército alemão não chega a gastar 2% do PIB, como é esperado dos membros da Otan

Algumas das missões foram alvo de polêmica. Em setembro de 2009, dezenas de civis morreram em Kunduz, no Afeganistão, após o lançamento de bombas de caça F-15 norte-americano sob instruções de um oficial de inteligência alemão que havia alertado sobre a presença de guerrilheiros talebãs naquela área.

O incidente gerou protestos do governo afegão e culminou com a demissão do então ministro da Defesa alemão, Franz Josef Jung.

O desafio russo

Como outros países da Europa, a Alemanha passou, nos últimos anos, a ver a Rússia de Vladimir Putin como uma potencial ameaça.

A Conferência de Segurança de Munique, em 2014, marcou uma mudança de tom. Passou a prevalecer a retórica de que a Alemanha precisa ter um poderio militar compatível com sua importância e seu peso político e econômico no cenário internacional.

Depois disso, Berlim impulsionou a assinatura, pela União Europeia, da Cooperação Estruturada Permanente em Defesa. Os Estados Unidos encaram essa proposta com receio, já que o acordo é visto como o embrião de um exército comum no velho continente que poderia, eventualmente, entrar em contradição com a Otan.

Mas muitos dizem que os esforços alemães em aparelhar suas Forças Armadas têm sido mais lentos que o esperado. Dampsey argumenta que o poder bélico de “dissuasão da Alemanha ainda é fraco”. Para ela, a maior garantia do país europeu a uma eventual invasão russa continua a ser o artigo 5 do Tradado da Aliança Atlântica, que diz que todos os países-membros devem responder solidariamente a um eventual ataque contra qualquer um deles.

soldados alemães em exercício militarDireito de imagemAFP
Image captionApós o ataque de 11 de setembro, a Otan passou a se envolver em mais missões militares

Venda de armas

A escassez de equipamentos da Bundeswehr contrasta com o dinamismo da indústria armamentista do país, que foi o quarto maior exportador mundial de armas em 2017, segundo dados do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo.

Empresas como a Hekler & Koch, cujo fuzil G36 é um dos mais usados por Forças Armadas de diferentes países, figuram na lista dos maiores fabricantes mundiais.

Após anos de críticas e protestos de ativistas, a Hekler & Koch anunciou em 2017 que deixaria de vender seus produtos em países em conflito e que pratiquem violações sistemáticas dos direitos humanos.

soldado na crimeiaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA anexação da Crimeia despertou na Alemanha a preocupação com o estado de suas Forças Armadas

Fonte: BBC Brasil

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Brasil Geopolítica

Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Paraguai abandonam Unasul

A metade das nações integrantes do bloco anti-estadunidense criado há uma década decidem suspender sua participação

Os presidentes de Argentina e Brasil em um encontro recente.
Os presidentes de Argentina e Brasil em um encontro recente. REUTERS

A metade dos países pertencentes à Unasul, o bloco sul-americano criado em 2008 pelo presidente venezuelano Hugo Chávez para contrapor o domínio dos Estados Unidos na região, decidiu suspender sua participação, afirmou um funcionário brasileiro à Reuters na sexta-feira.

Funcionários das outras quatro nações confirmaram a decisão de suspender as atividades da organização que ficou paralisada pelas divergências durante um ano e meio. Os governos de centro-direita que assumiram o poder em vários países da região nos últimos anos melhoraram suas relações com Washington nos últimos anos.

A Unasul foi criada há 10 anos quando o populismo esquerdista defendido pelo falecido líder venezuelano era mais forte na América do Sul. Chávez e outros líderes naquele momento se opuseram à proposta respaldada pelos Estados Unidos de uma Zona de Livre Comércio no continente americano e em seu lugar estabeleceram a Unasul, uma união econômica e política que finalmente serviu para dar a essas nações presença internacional.

A iniciativa também foi uma tentativa de fugir da Organização de Estados Americanos (OEA), com sede em Washington, que os esquerdistas consideravam uma ferramenta para promover a política dos Estados Unidos na América Latina.

Os membros restantes da Unasul são Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai, Guiana e Suriname. “A Unasul trabalha por consenso, mas as diferenças entre os pontos de vista político e econômico de seus membros são tão grandes que já não é possível funcionar”, disse um diplomata peruano que pediu para não ser identificado, porque não tinha autorização para falar publicamente.

Fonte: El País

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América Latina Brasil Economia Geopolítica

Banco Mundial: Brasil e Argentina puxarão crescimento econômico da América Latina e Caribe em 2018

Gerardo Pesantez/Banco Mundial
Trabalhadores no Canal do Panamá, que está a ser aumentado.
Relatório semestral do economista-chefe para a região também discute os benefícios de reorganizar as contas fiscais; gastos ineficientes e improdutivos devem se tornar o foco das reformas.

O Banco Mundial divulgou esta semana, em Washington, que o Brasil e a Argentina devem puxar o crescimento econômico da América Latina e do Caribe neste ano. A previsão para o Brasil é de 2,4% em 2018 e de 2,5% em 2019. A Argentina deverá expandir 2,7% e 2,8%, respectivamente.

Em seu relatório semestral, o economista-chefe para a América Latina e o Caribe, Carlos Végh, estima que a região deve crescer 1,8% em 2018 e 2,3% em 2019. Em 2017, a expansão foi de 1,1%.

Ambiente positivo

Por trás desses números, está um ambiente externo positivo, que inclui aumentos nos preços das commodities e crescimento nos Estados Unidos e na China. No entanto, muitos países apresentam uma situação fiscal delicada após anos de pouco crescimento.

Trinta e um dos 32 países da América Latina e Caribe registraram déficit fiscal em 2017. Além disso, a dívida pública da região é de 57,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

O estudo defende que, nesta fase de retomada, é importante fortalecer as contas fiscais para promover um crescimento inclusivo e de longo prazo. Reorganizar as contas também ajuda a manter conquistas das últimas décadas, como inflação baixa, redução da pobreza e da desigualdade.

Reformas

Segundo o relatório, gastos ineficientes e improdutivos devem se tornar o foco das reformas. Esses ajustes também devem ser graduais e não se concentrar em cortar o investimento público ou as transferências sociais.

Entre os países que já começaram esse movimento, estão Argentina, Colômbia, El Salvador, Equador, México, Panamá e Uruguai.

O lançamento do estudo ocorreu em meio às reuniões de primavera do Banco Mundial com o Fundo Monetário Internacional, que vão até domingo.

 

Apresentação: Mariana Ceratti, de Washington, para a ONU News

*Reportagem do Banco Mundial Brasil

Fonte: UN NEWS

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Conflitos Geopolítica

Como a crise na economia tem afetado as Forças Armadas, cada vez mais atuantes na segurança pública

Direito de imagem AFP
Image caption Estudo do Instituto de Pesquisa pela Paz Internacional de Estocolmo mostra queda nos investimentos militares no Brasil de 2014 a 2016

Representantes do governo federal têm apontado a intervenção federal na segurança do Rio, por meio das Forças Armadas, com uma oportunidade para melhorar as polícias locais, afetadas por falta de recursos e investimentos.

No entanto, ainda que em escala distinta, a própria Defesa tem sido afetada nos últimos anos pela queda de arrecadação e cortes de gastos – uma combinação que, no contexto de crise econômica iniciada em 2014 no Brasil, tem sido a regra no setor público do país.

Foi a partir daquele ano que, segundo dados do Instituto de Pesquisa pela Paz Internacional de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês), também começou a cair o volume de gastos militares no Brasil. Em 2014, eles somaram US$ 25,2 bilhões, passando para US$ 24,6 bilhões em 2015 e US$ 22,8 bilhões em 2016 (queda de 9,5% de 2014 a 2016).

Os valores consideram a inflação no período e refletem, segundo relatório mundial divulgado pelo instituto, uma “economia mergulhada em recessão”. A situação fez com que o Brasil caísse do 12º lugar no ranking de países com maiores gastos militares no mundo em 2015 para o 13º no ano seguinte.

A próxima edição do relatório, incluindo números para 2017, deve ser divulgada pelo centro de pesquisas em junho. Mas dados do SIGA Brasil, sistema do Senado que reúne informações sobre o orçamento público federal, indicam que ele poderá exibir uma leve melhora no setor.

Ainda que não adote a mesma metodologia considerada pelo Sipri, o SIGA mostra que houve um aumento no orçamento do Ministério da Defesa, responsável pela Forças Armadas, no ano passado – as despesas executadas pela pasta passaram de R$ 98,5 bilhões em 2016 para R$ 108,5 bilhões em 2017 (já considerada a inflação no período).

Ainda assim, segundo especialistas no setor militar, a crise econômica ainda tem efeitos muito evidentes na área – como o atraso no cumprimento de programas da Estratégia Nacional de Defesa, um documento de 2008 que estabelece os principais objetivos para as Forças Armadas do país.

O documento pode inclusive ser visto como uma herança da primeira década dos anos 2000, marcada por um cenário econômico favorável e investimentos militares que levariam a uma renovação substancial do armamento – com dimensão vista anteriormente apenas na década de 1970, segundo Diego Lopes da Silva, mestre em segurança internacional e colaborador do Sipri.

“Hoje, o orçamento para as Forças Armadas está bem mais baixo do que os nosso projetos demandam”, aponta Silva. “Os programas de produção de armamentos têm sofrido atrasos e repasses bem inferiores ao necessário.”

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Image caption Diferente da bonança da primeira década dos anos 2000, desde 2014 cenário é de restrições orçamentárias para as Forças Armadas

Programas estratégicos afetados por cortes

O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), por exemplo, é definido pelo Exército como um de seus programas estratégicos e prevê um sistema de monitoramento de 17 mil quilômetros de fronteiras por meio da tecnologia.

Segundo um relatório de gestão do Ministério da Defesa entregue ao Tribunal de Contas da União (TCU) em 2017, o projeto “vem sendo executado com um ritmo consideravelmente menor do que o previsto” devido a fatores como restrições orçamentárias e “ineditismo do projeto”. A finalização da implantação de um projeto de piloto, que deveria acontecer em 2016, deverá ficar para 2018.

Se a princípio o projeto deveria ter recebido R$ 1 bilhão por ano, por 11 anos, o valor médio anual pago pelo governo federal de 2013 a 2017 foi muito menor: R$ 220,9 milhões.

Em agosto de 2017, o general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, afirmou que o contigenciamento de verbas compromete o Sisfron.

“De uma maneira geral, muitos dos causadores do problema de segurança pública nas grandes cidades passam pelas fronteiras”, afirmou Villas Bôas ao jornal O Estado de S. Paulo. “É essencial mantermos as fronteiras sob vigilância.”

Outro programa estratégico do Exército afetado é o Guarani, que visa renovar a frota de veículos blindados da força. Inicialmente, o ano de conclusão previsto era 2031, mas já foi adiado para 2040. Segundo o relatório entregue ao TCU, o objetivo pode ser atingido, no entanto, somente em 2105.

“O projeto vem tendo o seu cronograma reajustado anualmente em razão da carência de recursos. Além disso, o contingenciamento de recursos também tem obrigado à reprogramação das metas anuais”, diz o documento.

Peso dos gastos com pessoal

“A área mais suscetível a cortes orçamentários é o setor de investimentos. Por isso, os programas de produção de armamentos têm sofrido atrasos e repasses bem inferiores ao necessário”, aponta Silva, destacando que a Defesa também é afetada, por tabela, por cortes na área de ciência e tecnologia, como nas universidades.

“Os gastos com pessoal são mais difíceis de reduzir porque isso envolve aspectos políticos que o Executivo prefere evitar”, opina.

De fato, dados do SIGA Brasil evidenciam a concentração de gastos do orçamento do Ministério da Defesa com pessoal, em detrimento dos investimentos. Em 2016, por exemplo, dos R$ 97 bilhões executados pela pasta, R$ 75 bilhões (77%) foram para pagamento de salários e afins e 8,1 bilhões (8,3%), aplicados em suas iniciativas.

Em 2017, de um total de R$ 107 bilhões, o gasto com pessoal consumiu R$ 82,4 bilhões (77%) e os investimentos, R$ 9,9 bilhões (9,2%).

Image caption Renovação da frota de veículos blindados tem tido constante renovação de metas para conclusão | Foto: Divulgação/Exército Brasileiro

Trata-se de um cenário comum também em outras áreas do governo. Como a BBC Brasil mostrou em 2017, a Defesa e o Meio Ambiente estão entre as pastas que mais gastam, proporcionalmente, com funcionários.

A remuneração dos militares se dá por meio dos chamados soldos, que são ainda acrescidos de gratificações e auxílios. Em 2016, após pressão da classe, os soldos foram reajustados em parcelas até 2019. Hoje, tais vencimentos vão de R$ 854 nas graduações mais baixas (como recrutas e soldados) a R$ 12,7 mil nos postos mais altos (Almirante de Esquadra, General de Exército e Tenente-Brigadeiro).

Representantes militares colocavam a mudança como um objetivo da classe – Raul Jungmann, hoje ministro da Segurança Pública, assumiu em 2016 como titular da Defesa afirmando que o aumento era uma “prioridade”.

‘No limite’

Os militares também já criticaram publicamente a queda de investimentos nas Forças Armadas.

Diante de contigenciamentos em 2017, Jungmann afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que as Forças Armadas estavam “no limite” e, caso a situação não fosse revertida, seria necessário adotar cortes de efetivo e unidades.

A BBC Brasil entrou em contato com o Ministério da Defesa para verificar se tais cortes de fato ocorreram, mas a pasta não respondeu a esse e a outros questionamentos da reportagem sobre os temas abordados nesta reportagem.

Segundo Roberto Caiafa, jornalista especializado em Defesa há mais de uma década, a redução de bases e adoção de carreiras temporárias está sendo capitaneada principalmente pela Força Aérea Brasileira (FAB).

Para além de programas estratégicos, porém, ele destaca que problemas orçamentários têm afetado até mesmo o dia a dia das tropas.

“Todo ano tem quartel fazendo meio expediente na sexta-feira para que haja economia no almoço. Que posição de liderança um país quer ter com soldado no quartel sem comida para comer?”, questiona o jornalista.

“Fora toda uma estrutura de alta tecnologia quase entrando em colapso. Para cada passo que você dá para frente, você volta dois ou três.”

Operações de segurança pública

Direito de imagem AFP
Image caption Desde 2010, Forças Armadas já participaram de mais de 40 operações de Garantia da Lei e Ordem (GLO)

Ao lado da rotina nos quartéis, cada vez mais as Forças Armadas têm atuado em ambiente novo: as ruas.

Isso é possível, por exemplo, por meio da Garantia da Lei e Ordem (GLO), um dispositivo previsto na legislação que permite o uso temporário e interno da Forças Armadas em caso da avaliação de que há riscos para a ordem pública. Desde 2010, já foram realizadas mais de 40 operações de GLO no país.

Segundo Arthur Trindade, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da Universidade de Brasília, em teoria o governo federal deveria repassar verbas para as Forças Armadas para custear tais operações. Mas não é o que tem acontecido na prática.

“O que vemos é que muitas vezes as Forças Armadas são empregadas e não recebem o repasse, ou recebem parcialmente o valor”, aponta Trindade. “Com isso, recursos anteriormente alocados para outras áreas precisam ser remanejados.”

Por outro lado, o especialista Diego Lopes da Silva vê no alinhamento político entre o governo e as Forças Armadas, demonstrado pela intervenção no Rio, um cenário favorável para que os militares barganhem por mais recursos.

“Creio que isso dependerá do andamento da intervenção. O risco é que as Forças Armadas vejam no aumento das atividades de policiamento uma ferramenta para conseguir orçamento. Isso se tornaria um incentivo perverso à oferta de efetivo para desempenho de atividades de segurança pública”, aponta o pesquisador.

“Isso impõe um dilema grande: como os gastos têm um limite definido, o que vai para área X, terá que sair de outra Y. Esse jogo de soma zero é complicado. Ou a Defesa fica com pouco orçamento e sofre cortes, ou teremos que tirar recursos de outras áreas, como educação e saúde.”

Sem dar detalhes, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já sinalizou em fevereiro que o governo federal poderá remanejar o orçamento, retirando verbas de outras áreas para destinar mais recursos às Forças Armadas pela atuação no Rio de Janeiro.

Há a expectativa de que tais manobras orçamentárias, com o objetivo de financiar a intervenção, sejam anunciadas pelo governo ainda nesta semana.

 

Fonte: BBC Brasil

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Protecionismo atual tem semelhanças com disputas que levaram a guerra mundial, diz historiador

Ilustração do mapa múndi construído sobre um canteiro de obrasDireito de imagemGETTY IMAGES

O protecionismo de medidas como a tarifa imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre importações de aço tem muitas semelhanças com o cenário de guerras comerciais que levaram, cem anos atrás, a conflitos militares como a Primeira Guerra Mundial.

A avaliação é do historiador americano Marc-William Palen, para quem essa perspectiva do passado é fundamental para entender o que pode acontecer com o mundo a partir das políticas de Trump e de outras manifestações de protecionismo no mundo, como o Brexit, a saída do Reino Unido na União Europeia.

Enquanto os impactos econômicos das disputas entre os EUA, a China, o Canadá e até o Brasil têm dominado as atenções no caso das tarifas americanas, Palen defende que não se deve deixar de lado uma análise sobre os efeitos geopolíticos desse tipo de protecionismo.

“Guerras comerciais e o protecionismo transformam amigos e vizinhos em inimigos”, afirma ele em entrevista à BBC Brasil.

Marc-William Palen
Image captionMarc-William Palen é professor de universidade britânica | Foto: Divulgação

Professor na Universidade de Exeter, na Inglaterra, o historiador passou as últimas semanas publicando artigos para criticar as tarifas anunciadas por Trump e refutar a sua declaração de que “guerras comerciais são fáceis de vencer”. “Certamente podemos ver as semelhanças com um século atrás na criação de tensões entre Estados. Tensões que não existiam antes dessas políticas protecionistas”, diz.

Segundo ele, um grande erro é ignorar o quanto as economias são conectadas no mundo atual. “Não há vencedores em guerras comerciais.”

Codiretor do Global Economics and History Forum (Fórum de Economia e História Global, em tradução literal), em Londres, Palen é especialista na intersecção entre o imperialismo do Reino Unido e dos Estados Unidos do século 19 à globalização dos dias atuais.

Ele também autor do livro “The ‘Conspiracy’ of Free Trade: The Anglo-American Struggle over Empire and Economic Globalisation, 1846-1896” (“A conspiração do livre mercado: a luta anglo-americana por império e globalização econômica, 1846-1896”), lançado em 2016 pela Cambridge University Press.

Segundo o historiador, o retorno ao protecionismo, assim como a ascensão de políticas contra imigração, são “um retorno ao status quo que havia antes da Segunda Guerra Mundial”, uma reação populista à crise financeira global, e se manifesta de forma semelhante em vários países do mundo, e que pode levar a uma desintegração sem precedentes da ordem econômica global.

Leia a entrevista abaixo.

Trabalhador da indústria do açoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionTarifa de Trump para importação de aço alimentou debate sobre protecionismo

BBC Brasil – O senhor argumenta que, cem anos atrás, o protecionismo levou a conflitos internacionais que geraram a Primeira Guerra Mundial. A situação atual é comparável ao que houve então?

Marc-William Palen – É muito difícil prever o futuro, mas há muitas semelhanças ostensivas entre os dois períodos. Um dos aspectos mais marcantes é a dimensão geopolítica do protecionismo, que acaba sendo muito deixada de lado. Tendemos a enfocar como as medidas vão afetar consumidores, que também é importante, mas não é o único ponto em questão.

Quem pensaria, dois anos atrás, que haveria animosidade entre os EUA e o Canadá, que por décadas era o maior aliado e parceiro comercial dos americanos. É impressionante que agora haja este clima de disputas sobre tarifas sobre aço, tentativas de acabar com o Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio, na sigla em inglês), o que está gerando grandes tensões entre vizinhos.

Certamente podemos ver as semelhanças com um século atrás nessa criação de tensões entre Estados. Tensões que não existiam antes dessas políticas protecionistas.

BBC Brasil – Que tipo de problemas geopolíticos o protecionismo pode gerar?

Palen – O foco principal da análise atualmente está sendo a forma como as tarifas vão afetar a economia doméstica, se vai gerar empregos, se vai afetar a Bolsa, como vai mudar os preços de carros… Tudo isso é importante, mas também é importante lembrar que essas tarifas, essas guerras fiscais, vão muito além da esfera doméstica.

Isso é algo que minha pesquisa vê claramente na virada do século 19 para o século 20, quando a ordem econômica global era muito protecionista. Meu estudo mostra que essas guerras comerciais e o protecionismo transformavam amigos e vizinhos em inimigos. Essas guerras econômicas têm a tendência de formar as bases geopolíticas para conflitos militares.

Ainda é muito cedo para saber se isso vai ser ressuscitado no futuro próximo, mas, ao olhar para as relações entre os EUA e o Canadá ao longo do último ano, vemos claramente a mudança de tom da relação amigável à animosidade.

Donald TrumpDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNa semana passada, Trump, anunciou uma taxa de 25% sobre as importações de aço

BBC Brasil – Que tipo de escalada de confrontos o protecionismo gerou no passado?

Palen – Um exemplo que analisei foi exatamente a relação entre Canadá e os EUA em meados do século 19. EUA e Canadá tinham uma relação de reciprocidade comercial. Depois da Guerra Civil, o Partido Republicano colocou uma série de barreiras comerciais nesta relação, o que gerou tensão.

O que tento fazer com minha pesquisa é mostrar que há esta tendência de ver o protecionismo como sendo uma anomalia dentro da história de defesa do livre mercado do Partido Republicano dos EUA. Mas isso realmente não existia até Ronald Reagan nos anos 1980. Na maioria da história do Partido Republicano, ele foi amplamente o partido do protecionismo.

O Canadá frequentemente era o alvo de leis protecionistas, o que levou à escalada de disputas entre os dois países, o que quase gerou confrontos militares. A escalada chegou a um ponto em que, nos anos 1920, o Canadá tinha planos de invasão dos EUA e vice-versa. Felizmente esse conflito militar nunca chegou a acontecer, mas as chances de conflito foram muito altas.

BBC Brasil – O que criou a atual onda de políticas protecionistas no mundo? Pode ser ainda reflexo da crise financeira internacional?

Palen – É difícil ver uma resposta clara para esta pergunta. O protecionismo não apareceu de repente, e fez parte consistentemente da campanha que levou Trump à Presidência, com o argumento de colocar “os Estados Unidos em primeiro lugar” (“America First”).

Trump sempre deixou claro que acha que a globalização e o livre mercado são palavrões – chegando a chamar “livre mercado” de “mercado estúpido”. O argumento dele é que é importante proteger e gerar empregos em alguns setores nos EUA. No caso atual é a indústria do aço e do alumínio. Ele está levando adiante suas promessas de campanha. Só acho que as repercussões dessas decisões não foram muito bem pensadas.

A primeira-ministra britânica, Theresa MayDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNegociar o Brexit é o principal desafio de Theresa May no Reino Unido

BBC Brasil – O Brasil acabou pressionado por essas decisões, já que é um dos principais mercados de onde os EUA importam aço.

Palen – O aspecto brasileiro dessa questão é muito problemático. O Brasil é um parceiro importante, é o segunda maior fonte de importações de aço dos EUA. E, ironicamente, o Brasil também é um grande importador de carvão americano, que é usado na indústria do aço, que é vendido aos EUA. Então o protecionismo americano, que afeta o Brasil, pode acabar tendo efeitos sobre a produção de carvão, que também é uma área de interesse e proteção de Trump.

BBC Brasil – Canadá e Brasil são os dois países mais afetados pela tarifa sobre o aço, mas a retórica de Trump em disputas comerciais sempre esteve voltada contra a China. O que houve, neste caso? Ele simplesmente errou o alvo, ou realmente queria atingir parceiros como Canadá e Brasil?

Palen – É difícil entender a justificativa dele para isso. O argumento de defesa nacional não faz sentido quando ele fala sobre a China. A forma como o governo Trump está tentando explicar a medida não está muito clara. É difícil saber o quanto ele realmente pensava na China quando decidiu tomar essa medida, mas de fato os países parceiros são os maiores afetados, não a China.

BBC Brasil – Em uma situação assim, considerando os EUA como a economia mais forte em uma disputa comercial, o que um país mais pobre como o Brasil pode fazer para reagir a tarifas em uma guerra comercial deste tipo?

Palen – É difícil saber. O governo Trump pode oferecer vantagens a países parceiros em troca de outras vantagens na relação. O Brasil sempre pode apelar à OMC (Organização Mundial do Comércio), o que pode ter algum efeito. A ironia é que os EUA foram os grandes responsáveis pelo que se tornaria a OMC, e agora vão passar a ser pressionados por ela. É difícil saber como Trump vai tratar a relação com o Brasil.

Prédio da Comissão Europeia em BruxelasDireito de imagemREUTERS
Image captionMovimentos nacionalistas – e protecionistas – são críticos à União Europeia

BBC Brasil – Trump disse que guerras comerciais são fáceis de serem vencidas. O que acha disso?

Palen – A resposta imediata que qualquer historiador e economista daria sobre isso seria que não há vencedores em guerras comerciais, apesar do que Trump falou. É provável que haja alguns setores que vão sair ganhando no curto prazo, como os produtores de aço nos EUA no caso atual, que terão mais lucro. Mas a história sugere que vai haver muito mais perdedores, especialmente entre os consumidores, no longo prazo.

Todos os países envolvidos em guerras comerciais, e mesmo os que estão fora dessas disputas, já que vivemos em uma economia integrada globalmente, vão sair perdendo. É difícil achar que isso não vai afetar a economia global como um todo. E as populações mais pobres vão acabar sendo as mais afetadas, com aumento de preços de alimentos.

BBC Brasil – O que Trump e os EUA têm a ganhar com este tipo de política protecionista?

Palen – Isso tem um apelo emocional com seus eleitores. Isso ficou claro durante sua campanha presidencial, e é um apelo emocional e populista a eleitores que se acham abandonados pela economia global. Os EUA já foram a grande nação industrial e defensora do livre mercado internacional, mas as coisas mudaram.

Não me surpreenderia se ele achasse que está fazendo isso para defender seus eleitores. O problema é que o setor produtor de aço, especificamente, é uma parcela muito pequena dos EUA, e ajudar este grupo temporariamente vai ter efeitos muito mais amplos em toda a população dos EUA.

BBC Brasil – Falamos bastante dos EUA, mas o Brexit e a eleição francesa também foram pontos de debate sobre protecionismo, com uma escalada de políticas contra a globalização. Esses fenômenos estão conectados de alguma forma?

Palen – Sim. Não se trata de um fenômeno apenas dos EUA. Precisamos ver essas questões sob uma perspectiva histórica mais ampla, e não achar que é uma anomalia populista contra o livre mercado. O sistema econômico global nos últimos 200 anos foi quase todo dominado pelo protecionismo. O movimento pelo livre mercado que se desenvolveu depois da Segunda Guerra Mundial é a exceção à regra.

Neste sentido, o retorno mundial a políticas econômicas nacionalistas e políticas anti-imigração são um retorno ao status quo que havia antes da Segunda Guerra Mundial. Vemos isso claramente no Brexit, com o Reino Unido alegando que vai defender o retorno do livre mercado internacionalmente enquanto rompe com a União Europeia. Isso enquanto está reagindo para limitar a imigração.

É uma reação populista à crise financeira global, e se manifesta de forma semelhante em vários países do mundo.

BBC Brasil – Você escreveu que estamos assistindo à desintegração da ordem econômica global. O que vem depois disso?

Palen – O problema é que não há um precedente histórico para o que está acontecendo agora.

Na forma como a ordem econômica global funcionou dos anos 1840 aos anos 1930, o Reino Unido era o país industrial mais poderoso e maior defensor do livre mercado. Enquanto isso, o resto do mundo resistia e usava políticas protecionistas. Foi somente nos anos 1930, quando todo o mundo se voltou ao nacionalismo, que o Reino Unido abandonou a defesa do livre mercado. Isso está fortemente ligado à crise internacional e à recessão. Depois disso, os EUA assumiram a hegemonia da defesa do livre mercado internacional desde a Segunda Guerra.

O que é interessante é que, no primeiro caso, o Reino Unido foi o último país a aceitar o protecionismo. Enquanto isso, agora são EUA e Reino Unido, os dois líderes e fundadores dessa ordem econômica internacional, os primeiros a se voltar contra esta ordem e abandonar o livre mercado. Isso é impressionante e sem precedentes.

Por isso não podemos saber com certeza o que pode acontecer. E é difícil achar que vai ser algo bom para o mundo.