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Itaguaí Construções Navais comemora dez anos com avanços no PROSUB

Próximo passo será a integração do submarino Humaitá

 

 

Rio de Janeiro, 21 de agosto de 2019 – A Itaguaí Construções Navais comemorou hoje, 21/08, os dez anos de criação da empresa, que é responsável por executar o PROSUB, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil. A data marca uma década da assinatura do estatuto da ICN, formada pelos sócios Naval Group e OEC (Odebrecht Engenharia e Construção). A comemoração ocorreu nas instalações do estaleiro, localizado em Itaguaí (RJ), com a presença dos dois mil integrantes, além de representantes da Marinha do Brasil e da ICN.

O PROSUB prevê a fabricação simultânea de quatros submarinos convencionais, os mais modernos do mundo nesta categoria, e do primeiro submarino com propulsão nuclear da América Latina, que alçará o Brasil ao grupo de apenas seis países que detêm essa tecnologia. Em outubro deste ano ocorrerá a integração do segundo submarino convencional, o Humaitá. Em dezembro de 2018, a primeira embarcação do programa, o submarino Riachuelo, foi lançado ao mar e iniciado os testes de comissionamento dos equipamentos.

Durante a solenidade de hoje, o presidente da ICN, André Portalis, enfatizou que o grande mérito do trabalho destes dez anos foi a capacitação técnica, a evolução contínua da empresa e o apoio da recebido da Marinha do Brasil:

 

– Somos orgulhosos do êxito alcançado, sobretudo, com a integração de equipes, com o programa de transferência de tecnologia e o estímulo permanente recebido da Marinha brasileira, da qual somos uma ferramenta industrial e é a nossa razão de existir. Nosso projeto já atingiu vários marcos importantes desde 2013, quando iniciamos a operação na fábrica da UFEM (Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas) até o lançamento do submarino Riachuelo, no final do ano passado.

A UFEM é o complexo fabril, com 45 edificações e 57 mil metros quadrados, construído para abrigar a fábrica de componentes dos submarinos do PROSUB. Além da área administrativa, a UFEM também é composta por um prédio principal, com diversas oficinas e o almoxarifado. A Unidade foi inaugurada em março de 2013.  

O engenheiro Pedro Moreira, diretor de contrato do Estaleiro e da Base Naval (EBN), espaço do complexo ICN onde os submarinos são construídos, e representante do sócio OEC, lembrou que a ICN se tornou um polo de desenvolvimento tecnológico do País.

– Os nossos integrantes desenvolveram competências técnicas que não estavam disponíveis. Esse é um dos grandes méritos do PROSUB para o desenvolvimento econômico do Brasil e reafirma a enorme capacidade da engenharia nacional.

O contra-almirante Celso Koga, gerente da Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear, lembrou como eram grandes os desafios de dez anos atrás:  

– Criar a ICN, uma empresa privada para construir os nossos submarinos, não se mostrava um projeto o simples. Mas a companhia se mostrou resiliente e capacitou sua mão de obra nas mais diferentes áreas. Estamos no caminho certo para alcançar nosso objetivo maior que é a construção do Álvaro Alberto, o primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.

Durante a cerimônia, o contra-almirante Paulo Demby, chefe de Relações Institucionais e Comunicação da Diretoria Geral Nuclear e Tecnológica da Marinha, lembrou que, além de estratégico para o País, o PROSUB estimulou o desenvolvimento de toda a região sul do Rio de Janeiro, onde está a ICN está instalada.

– Uma notória região deteriorada da Baía de Sepetiba se transformou em um moderno estaleiro, com espaços com tecnologia de ponta da indústria naval mundial, como o simulador e o ship lift (rampa de lançamento dos submarinos).   

 

Transferência de tecnologia

 

O PROSUB gerou o desenvolvimento de toda cadeia produtiva no País, a partir do programa de transferência de tecnologia militar entre a França e o Brasil, ajudando a impulsionar a indústria naval de defesa, a capacitar o mercado de trabalho nacional e a gerar milhares de empregos com alta especialização técnica. Mais de 100 empresas nacionais atuam como fornecedoras de tecnologia e produtos para o desenvolvimento dos submarinos e das obras. Cerca de 90% de todos os equipamentos usados no Estaleiro Base Naval são adquiridos de empresas instaladas no Brasil. As obras, sob responsabilidade da OEC, também estimularam o desenvolvimento de novos equipamentos, feitos sob medida para o desafio lançado pelo programa.

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Braço Forte Brasil

2ª BATERIA DE ARTILHARIA ANTIAÉREA INAUGURA SALA E SIMULADOR DO MÍSSIL DE BAIXA ALTURA TELECOMANDADO RBS 70

Sant’Ana do Livramento (RS) – Um dos eventos mais esperados pelos militares da 2ª Bateria de Artilharia Antiaérea (2ª Bia AAAe) e pela Comunidade da “Fronteira da Paz” tornou-se realidade no dia 31 de maio, com a Inauguração da Sala e Simulador do Míssil de Baixa Altura Telecomandado RBS 70.

O evento contou com as presenças do General de Brigada Amadeu Martins Marto, Comandante da Artilharia Divisionária da 3ª Divisão de Exército; e do General de Brigada Carlos Augusto Ramires Teixeira, Comandante da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada; além de autoridades civis e militares do Brasil e do Uruguai.

No primeiro momento, o Comandante da 2ª Bia AAAe, Major Andrei Daniel Ferraz Silva, ministrou uma palestra aos convidados sobre as potencialidades do novo material de emprego militar, o salto operacional da unidade e o Programa Estratégico do Exército Defesa Antiaérea.

Em seguida, o Major Ferraz, junto ao General Marto e ao General Ramires, realizaram o descerramento da Placa de Inauguração da Sala e Simulador do Míssil RBS 70, e foi realizada uma demonstração do novo equipamento da organização militar.

Encerrando o evento, os convidados prestigiaram a solenidade militar sobre o recebimento oficial do referido material. Em suas palavras, os oficiais-generais ressaltaram a importância do emprego da tecnologia e da capacitação dos recursos humanos da Unidade, bem como suas novas capacidades para cumprir suas missões de defesa antiaérea.

 

 

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Conflitos Economia Geopolítica

Plano Brasil/Relações Brasil Versus OCDE/Análise: “Ingresso do Brasil pode levar até cinco anos, diz Diretor de Assuntos Jurídicos da OCDE, mas que fique claro, não por culpa do Brasil!”

NOTA DO PLANO BRASIL, por Gérsio Mutti: Plano Brasil/Relações Brasil Versus OCDE/Análise: “Ingresso do Brasil pode levar até cinco anos, diz Diretor de Assuntos Jurídicos da OCDE, mas que fique claro, não por culpa do Brasil!”

Fonte da matéria em questão: [PDF]Clipping-Notícias/Câmara dos Deputados (https://www2.camara.leg.br/atividade…/18-06-2019…/file), Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, Clipping-Notícias, 18/06/2019, Sumário Notícias, Senado Notícias: Valor Econômico, Brasil, Página A2, Terça-Feira, 18/Junho/2019 (https://www.valor.com.br/brasil/6310591/ingresso-do-brasil-pode-levar-ate-cinco-anos-dizdiretor-da-ocde) … Ingresso do Brasil pode levar até cinco anosdiz diretor da OCDE ………………………………… 5.

Em destaque na capa do jornal Valor Econômico de Terça-Feira, 8/Junho/2019: “A entrada do Brasil na OCDE permanece em compasso de espera, mas não por culpa do Governo Brasileiro. Segundo o Diretor de Assuntos Jurídicos da OCDE, Nicola Bonucci, os 36 países membros têm dificuldades para chegara um consenso sobre quais candidaturas priorizar, assim como sobre o calendário das adesões. Mas ele está otimista com relação ao pedido brasileiro.”

 Ingresso do Brasil pode levar até cinco anos, diz diretor da OCDE

 Por Gabriel Vasconcelos | Do Rio

Valor Econômico, Brasil, Página A2, Terça-Feira, 18/Junho/2019

A entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) permanece em compasso de espera, mas não por culpa do governo brasileiro. Segundo afirmou ao Valor o diretor de assuntos jurídicos da organização, o ítalo-francês Nicola Bonucci, os 36 países membros têm dificuldade para definir quais candidaturas priorizar, assim como sobre o calendário das adesões. Na OCDE, toda decisão tem de ser tomada por consenso.

Mas o principal responsável pelos processos de adequação à organização se diz otimista com relação ao pedido brasileiro: “Tenho muita dificuldade de imaginar um cenário em que o Brasil fique de fora das novas adesões.” Bonucci afirma, porém, que o tempo mínimo do processo de adesão não será menor do que três anos e, no caso do Brasil, pelo tamanho da economia, pode levar até cinco anos, o que impediria o governo Bolsonaro de colher os frutos políticos da integração.

Em visita ao Brasil para o Congresso Mundial de Câmaras de Comércio, realizado na semana passada, no Rio, Bonucci disse que o tempo de adequação brasileira aos termos da OCDE pode ser abreviado, em caso de aprovação, porque o governo Bolsonaro promove uma série de reformas coerentes com a cartilha da organização.

“Algo muito importante em curso, e que costuma tomar muito tempo, é o ajuste ao código de liberalização da economia em matéria de movimentação de capitais”, afirma. “O Brasil tem todas as cartas [para entrar na OCDE]. Faz parte da convenção anticorrupção da organização e o que se passou neste país nos últimos dois ou três anos atesta que há um trabalho sendo feito nesse sentido”, opina.

Além do Brasil, cinco países apresentaram candidaturas à OCDE, dois latino-americanos (Argentina e Peru) e três europeus (Romênia, Bulgária e Croácia). Bonucci diz que ainda não há uma escolha e que um grupo “importante” de membros defende o escalonamento das adesões, de modo que diferentes blocos de países sejam aceitos com uma diferença de meses.

Uma reunião do conselho da OCDE, que reúne embaixadores, está prevista para esta semana. A ideia, segundo Bonucci, é avançar nas discussões para começar tratativas prévias, mesmo que a formalização dos primeiros processos de adesão possa vir somente em um horizonte de seis meses ou mais.

O grupo de países céticos ao ingresso simultâneo de novos sócios argumenta que esse processo pode sobrecarregar a administração da OCDE. Bonucci discorda. “No passado recente, entre 2007 e 2010, abrimos processos de adesão para cinco países ao mesmo tempo. Então podemos fazer”, diz. Ele faz referência aos casos de Chile, Israel, Eslovênia, Estônia e Rússia. Destes, só processo da Rússia não foi à frente em razão da invasão na região da Crimeia, em 2014, abrindo conflito com a Ucrânia.

Com relação à articulação dos apoios, o dirigente é evasivo. Não é segredo que os membros da União Europeia fazem forte lobby para que todos os seus membros integrem a OCDE e, por isso, exigem uma entrada pareada dos países que apoia com outros, apoiados pelos EUA, como são os casos de Brasil e Argentina.

Quanto à articulação em torno do pedido brasileiro, o diretor da OCDE afirma que a conjuntura mudou desde que Washington formalizou seu apoio ao Brasil em reunião do conselho no último 23 de maio. Até então a posição americana era lida como dúbia nos bastidores da organização. Além disso, o país contaria, desde o início, com o apoio do Japão, voz importante no processo decisório fora do eixo EUA-UE. “O Japão é muito favorável à candidatura brasileira e isso é um elemento importante”, afirma. “Nenhum país fez objeção oficial a entrada do Brasil”, diz ele, para sugerir, em seguida, que alguns condicionam seu aval a outras adesões.

Com relação às inclinações políticas do governo Bolsonaro, como o desejo expresso de alinhamento externo com os EUA, Bonucci se mostrou indiferente. Disse que, desde 1961, quando a OCDE foi criada, os países-membros tiveram governo das mais variadas orientações e que a agenda econômica sempre teria pautado as relações de forma pragmática. “Na economia do mundo atual, a ideologia encontra seu limite muito cedo. Há escolhas que funcionam, e outras que simplesmente não andam”, afirma. “Claro que é melhor uma troca comercial bilateral a não ter acordo nenhum, mas a OCDE prefere [acordos] multilaterais.

” Questionado, ainda, sobre políticas ligadas ao ambiente, o dirigente afirmou que o governo brasileiro terá de se ajustar e que as ameaças de saída do Acordo de Paris, por exemplo, poderiam, sim, levar a atritos com países-membros que votam pela adesão. Ele afirma, no entanto, que as instruções jurídicas da OCDE nesse campo, em sua maioria das décadas de 1980 e 1990, tratam mais de temas como o tratamento de dejetos e produtos químicos, em voga à época.

 

Fonte: Valor Econômico via Câmara dos Deputados 

 

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Plano Brasil/História do Brasil Colonial/Análise: “A Lei Colonial Portuguesa de 1570 em vigor no Brasil Colônia e as Forças Armadas”

NOTA DO PLANO BRASIL, por Gérsio Mutti: Plano Brasil/História do Brasil Colonial/Análise: “A Lei Colonial Portuguesa de 1570 em vigor no Brasil Colônia e as Forças Armadas”.

Imagem meramente ilustrativa

A Batalha dos Guararapes foi o primeiro confronto ocorrido entre o Exército da Holanda e os defensores do Império Português em dois dias seguidos, 18 e 19 de abril de 1648, no Morro dos Guararapes, Capitania de Pernambuco, em pleno Brasil Colonial. Assim, para ilustrar a presente dissertação do professor Manoel Rodrigues Ferreira sobre “A lei colonial de 1570 e as Forças Armadas” escolhi a reprodução óleo sobre tela “Batalha dos Guararapes” do pintor Victor Meirelles de Lima [(1832 – 1903) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Victor_Meirelles].

 

A lei colonial de 1570 e as Forças Armadas

Por Manoel Rodrigues Ferreira (*)

Portugal, ou mais propriamente a Monarquia Portuguesa, era formada de repúblicas das vilas e cidades. O órgão político-administrativo das repúblicas das vilas e cidades era a Câmara que compreendia os três poderes, legislativo, executivo e judiciário e seus membros (vereadores, juízes ordinários e procurador) que eram eleitos pelos respectivos moradores. Assim, era paradoxal que uma monarquia fosse constituída de repúblicas, mas a sua origem remonta à Idade Média.

As Forças Armadas 

1) O exército (usando essa denominação moderna) nacional era o Exército da Monarquia Portuguesa, ou mais exatamente, o Exército do Rei; e

2) Em 10 de Dezembro de 1570, o Rei D. Sebastião assinou uma lei criando a Força Armada das Repúblicas das Vilas e Cidades, lei que tinha o título de “Regimento dos Capitães Mores e mais Capitães e Oficiais das Companhias da Gente”. Por “gente” subentenda-se os homens das vilas e cidades e seus termos que constituíam o exército (mais uma vez aqui usando o termo moderno) popular ou milícia do povo. Assim, “gente” tem o seu equivalente hoje, de miliciano ou soldado.

A Bandeira 

Essa Força Armada das Repúblicas das Vilas e Cidades recebia o nome de Bandeira. Portanto, a Bandeira tinha, segundo a Lei de D. Sebastião de 10/12/1570, o objetivo de organizar os homens das vilas e cidades em uma força militar com a finalidade de servir ao Rei e defender as mesmas vilas e cidades. Passavam a existir, portanto, duas forças armadas:

1) O Exército Nacional ou Exército do Rei; e

2) As Bandeiras das Vilas e Cidades.

A Bandeira era composta, constituída de Companhias, tendo cada Companhia 250 homens. Cada companhia era dividida em 10 Esquadras, tendo pois cada esquadra 25 (vinte e cinco) homens. Assim, por exemplo, se uma vila ou cidade tivesse 1000 homens, haveria uma Bandeira com quatro companhias e quarenta esquadras. Caso houvessem gente para fazer uma só companhia, essa única companhia reduzia-se à própria Bandeira, o que é lógico. E se nem assim houvesse 250 homens, a Companhia poderia ser organizada com 200, 150, ou 100 homens. E se houvessem menos de 100 homens, então existiriam somente as esquadras de 25 homens.

A Bandeira, constituída de Companhias, era superintendida por um Capitão Mor, que recaía nos “senhores dos mesmos lugares ou Alcaides Mores”: caso não existissem esses, o Capitão Mor seria eleito pela Câmara da República da Vila ou Cidade. Cada Companhia era dirigida por um Capitão e seus subordinados, o Alferes, o Sargento, o Meirinho e o Escrivão, todos eleitos pela mesma Câmara da República, mas os Cabos eram escolhidos pelo Capitão da Companhia. Nessas condições, a Bandeira era subordinada à Câmara da República da Vila ou Cidade (eleita pelo povo), mas militarmente dirigida pelo Capitão Mor.

Conclusão 1 

Todos os homens (gente) de uma Vila ou Cidade eram obrigatoriamente membros de uma Bandeira, através de suas Companhias ou Esquadras. Todos eram, pois, membros de uma Bandeira, sendo pois, Bandeirantes. E no sertão, mesmo que não existisse uma Companhia completa, ao menos, uma Esquadra que fosse, ela significava a presença da Bandeira. Era, pois, a presença da própria Bandeira. Quando um documento do sertão refere-se somente a uma Companhia, ou a um Capitão, ou a um Cabo, ou um Escrivão, ou a um Meirinho, ou à gente, esse documento está implicitamente referindo-se à Bandeira da qual todos eram parte integrante. Da mesma maneira, quando um documento refere-se a um Escrivão somente, ele está, como nas outras denominações, identificando um Bandeirante, e ipso facto, uma Bandeira.

E não nos esqueçamos de que esses Bandeirantes nos sertões eram responsáveis, pelos seus chefes, perante a Câmara da República das Vila ou Cidade, à qual teriam que prestar contas na volta, principalmente à sua Justiça, apresentando os inventários, testamentos, inquéritos, etc. feitos nos sertões.

Quanto às penetrações de Bandeirantes (e ipso facto de Bandeiras) nos sertões, não importa que os documentos refiram-se às mesmas como entradas, jornadas, viagens, descobrimentos, etc., pois essas expressões nada mais significam do que deslocamentos de Bandeirantes (e ipso facto de Bandeiras), isto é, penetrações nos sertões (usando esta denominação hoje).

O que importa é que no corpo do documento são as denominações que assinalam, caracterizam, identificam os membros de uma Bandeira: Capitão, Alferes, Cabos, Escrivães, Meirinhos, Gente (milicianos), etc.

Conclusão 2 

É historicamente correto, legitimo, identificar Bandeirantes e Bandeiras, através das denominações que aparecem nos documentos e que são as mesmas da Lei do Rei D. Sebastião, isto é, “Regimento dos Capitães Mores e mais Capitães e Oficiais das Companhias da Gente”, a Lei Orgânica das Bandeiras.

(*) Sobre o Autor: Manoel Rodrigues Ferreira, é professor universitário

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO, RJ, 13 de abril de 1995, Caderno DIREITO & JUSTIÇA, Página 18

 

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Plano Brasil/Relações Brasil X EUA/Análise: “Presidente dos EUA, Donald Trump,notifica Congresso Americano sobre intenção de indicar Brasil como “Aliado Preferencial extra-Otan”, e garante que apoiará a entrada do País na OCDE”

 

NOTA DO PLANO BRASIL, por Gérsio Mutti: Plano Brasil/Relações Brasil X EUA/Análise: “Presidente dos EUA, Donald Trump, notifica Congresso Americano sobre intenção de indicar Brasil como “Aliado Preferencial extra-Otan”, e garante que apoiará a entrada do País na OCDE”.

 

História Contemporânea

 

Ao término da Segunda Guerra Mundial (II GM), estava no projeto de pós-guerra do Presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt (https://pt.wikipedia.org/wiki/Franklin_Delano_Roosevelt ), do Brasil, já naquela ocasião, vir a fazer parte do Conselho de Segurança da ONU.

 

Com a morte de Roosevelt, antes do término da II GM, o Brasil perdeu o seu maior mentor e apoio incondicional, e assim mesmo recebeu como prêmio de consolação poder abrir todas as Conferências da ONU no decorrer de todos os anos.

 

“No livro “O sexto membro permanente: o Brasil e a criação da ONU”, o diplomata Eugênio Vargas Garcia relata que o governo de Franklin Roosevelt, que liderou os Estados Unidos na Segunda Guerra, havia prometido ao Brasil uma cadeira permanente no Conselho de Segurança na nova organização.

 

Com a morte de Roosevelt em abril de 1945, um mês antes do fim do conflito, e sua substituição pelo vice, Harry Truman, a promessa foi deixada de lado.

 

A contenção dos soviéticos na Europa e no extremo oriente se tornariam as prioridades americanas no início da Guerra Fria.

 

Não há até hoje um sexto membro permanente, privilégio de que usufruem cinco países: EUA, Rússia (no lugar da antiga URSS), França, Reino Unido e China, todos com armamento nuclear.” O Globo, 25/Setembro/2018 ( https://oglobo.globo.com/mundo/entenda-por-que-brasil-o-primeiro-discursar-na-assembleia-geral-da-onu-23098892 )

 

EUA reforçam compromissos feitos a Bolsonaro

Trump notifica Congresso americano sobre intenção de indicar Brasil como aliado preferencial fora da Otan, e garante que apoiará entrada do país na OCDE, após Washington deixar de se posicionar favoravelmente em reunião em Genebra

Segundo fontes, haveria um impasse na OCDE em relação ao número de vagas

O Globo, Mundo, Página 23, Quinta-Feira, 09/Maio/2019

Foto: Acordos. Os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump apertam as mãos durante encontro na Casa Branca – GETTY IMAGES

O governo americano indicou ontem que cumprirá os compromissos acordados com o presidente Jair Bolsonaro em março, durante sua visita ao Washington. Em comunicado, o presidente Donald Trump anunciou que notificou o Congresso de sua intenção de que o Brasil seja um aliado preferencial do governo americano fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O governo Trump ainda garantiu que cumprirá a promessa de apoiar a candidatura brasileira a país integrante da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O apoio foi confirmado após vir a público que os Estados Unidos mantiveram sua posição contrária à adesão de novos membros à organização em reunião realizada na terça-feira, em Genebra, Suíça, segundo informou o Valor Econômico. Ontem, Kimberly Breier, secretária-adjunta de Estado para o Hemisfério Ocidental, garantiu, em mensagem em rede social, que o governo de Donald Trump “apoia o Brasil, que está iniciando o processo de adesão para se tornar um membro pleno da OCDE”.

“De acordo com a declaração conjunta de Donald Trump e Jair Bolsonaro, damos as boas-vindas às reformas econômicas, melhores práticas e uma estrutura regulatória do Brasil, de acordo com os padrões da OCDE”, escreveu Breier no Twitter.

Uma fonte do governo brasileiro explicou que a dificuldade continua sendo a expansão da OCDE em sentido mais abrangente: os EUA querem um número menor de vagas, mas que necessariamente contemplem o Brasil e a Argentina. A questão é encontrar um equilíbrio na proporção de países europeus e de outras regiões com as quais os 35 integrantes possam concordar. Além de Brasil e Argentina, disputam uma vaga Croácia, Bulgária, Romênia e Peru.

BARGANHA ENVOLVE OMC

Na visita de março a Washington, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, anunciou que o Brasil abriria mão do status de país em desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio (OMC), numa contrapartida para que o governo americano apoiasse a candidatura do Brasil a integrar a OCDE. Na mesma visita, Trump informou ao presidente brasileiro que tinha intenção de indicar o Brasil como um aliado preferencial extra-Otan.

Na noite de terça-feira, o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Filipe Martins, usou uma rede social para rechaçar qualquer possibilidade de recuo dos EUA. Segundo ele, há um impasse sobre o número de vagas a serem abertas no OCDE. Enquanto os europeus desejam abrir seis vagas, outros países querem apenas quatro.

“A posição do governo americano em relação ao ingresso do Brasil na OCDE é exatamente a mesma que foi adotada pelo presidente Donald Trump no dia 19 de março: a de apoio claro e inequívoco do processo de ingresso do nosso país na organização”, escreveu Martins no Twitter.

O primeiro passo para o ingresso é o Conselho da OCDE convidar o Brasil para iniciar o processo de entrada, o que ainda não aconteceu. A partir do convite, o processo pode levar, no mínimo, dois anos. O país deve passar pela avaliação de 20 comitês de várias áreas. O país já trabalha com vários destes comitês, o que deve facilitar algumas etapas.

No caso da Otan, o próprio Trump disse ontem, em comunicado, que honrará o compromisso. “Estou notificando minha intenção de designar o Brasil como aliado preferencial fora da Otan. Estou tomando essa medida para reconhecer o recente compromisso do Brasil em aumentar a cooperação militar com os Estados Unidos, e em reconhecimento do nosso próprio interesse nacional em intensificar nossa coordenação militar com o Brasil”, afirmou.

Nesse caso, a declaração é unilateral, já que os Estados Unidos não precisam de aprovação de nenhum outro país para colocar o Brasil na lista. Também não há nenhum vínculo com a Otan: é uma posição independente do bloco. Ao todo, 17 países receberam essa classificação do governo americano — a Colômbia é, desde o ano passado, o único parceiro global na América Latina. A Otan tem 29 países-membros, nenhum dele é da América Latina ou do Atlântico Sul.

APROXIMAÇÃO MILITAR

Na prática, ser um aliado prioritário extra- Otan aproxima militarmente o Brasil dos Estados Unidos, já que, ao entrar nessa classificação, o Brasil consegue tornar-se comprador preferencial de equipamentos e tecnologia militares dos EUA; participa de leilões organizados pelo Pentágono para vender produtos militares; e ganha prioridade para promover treinamentos militares com as Forças Armadas americanas.

(Colaborou Eliane Oliveira)

Fonte: O Globo, Mundo, Página 23, Quinta-Feira, 09/Maio/2019 via clipping.abinee.org

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Projeto de Lei- Reestruturação das Forças Armadas

O Projeto de Lei que trata do Sistema de Proteção Social e da reestruturação da carreira dos militares das Forças Armadas tem a virtude de contemplar metas estabelecidas pela equipe econômica do Governo e considerar peculiaridades da carreira militar.

Clique aqui para ler o projeto na íntegra

 

Clique aqui para ver a apresentação

 

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A questão Venezuelana hoje:Quais os desafios que envolvem a relação Venezuela-Brasil? Será que existe risco de alguma guerra?

https://www.youtube.com/watch?v=Ifb2B7XBA3Y&fbclid=IwAR1qfibd7cHWc-FwgG6tFPKi-hjSCBY4pxNj_u40bsqYS9AvXMmL_KPMCv4

De Leon Petta para o Plano Brasil

Sobre o Autor:

De Leon é Autor associado ao Plano Brasil e Professor das Faculdades Integradas Rio Branco. Doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo. Com estágio sanduíche na Virginia Commonwealth University (Estados Unidos) e University of Hong Kong (China). Tem experiência na área de Geopolítica e Crime Organizado. 

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Análise Geopolítica: a crise na Venezuela

Prof. Dr. Edgar Indalecio Smaniotto[i]

Estamos em meio a uma crise geopolítica na América do Sul, envolvendo a Venezuela, atualmente sob o comando do presidente Nicolás Maduro, presidente da Venezuela desde 2013, reeleito em 20 de maio de 2018, para um segundo mandato de seis anos, com abstenção de cerca de 54 por cento dos eleitores venezuelanos, a reeleição é contestada pelos opositores do regime.

No decorrer do acirramento das disputas entre o governo bolivariano e a oposição, intensificada após a morte de Hugo Chávez e a eleição de Nicolás Maduro, quase toda a oposição foi presa, exilada ou mesmo proibida de concorrer às eleições. Nesse cenário surgiu como líder oposicionista o deputado Juan Guaidó de 35 anos, figura inexpressiva até então, mas que soube agora aproveitar do momento político e se projetar como líder nacional da oposição.

Nesta quarta-feira, 23 de janeiro de 2019, em meio a protestos civis, que começaram no dia 21 e já resultaram, dependendo da fonte entre 13 e 26 mortos, o deputado líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó se declarou presidente interino da Venezuela. Dando, assim, início a uma crise não apenas interna, mas também geopolítica.

Previsivelmente Rússia, China e Cuba declararam apoio ao governo Maduro, mas não foram os únicos, Bolívia, México e Turquia também declararam apoio ao regime vigente.

 

A Rússia tem contratos de fornecimento de armas para a Venezuela em um montante de 11 a 20 bilhões de dólares, concedeu ao governo venezuelano 17 bilhões em empréstimos, também pretende investir 6 bilhões em infraestrutura petroleira e 1 bilhão em infraestrutura de mineração; a empresa russa Rosneft controla 40% de 5 campos de petróleo e 49,9% da Citgo (subsidiária da PDVSA nos EUA), já a russa Gazprom tem 40% de dois campos de gás[ii].

 

Os russos também pretendem instalar fábrica do famoso fuzil Kalashnikov AK-47 na Venezuela, bem como instalar uma base militar russa em Puerto Cabello (território venezuelano)[iii].

 

Em reunião do Conselho de Segurança da ONU, no dia 26 de janeiro, o embaixador russo Vassily Nebenzia declarou “a Venezuela não representa uma ameaça para a paz e a segurança. O que representa uma ameaça para a paz é a tentativa de Washington de orquestrar um golpe de Estado”[iv]. Se referia ao apoio dos EUA a Juan Guaidó.

 

A China, por sua vez, concedeu 62 bilhões de dólares em empréstimos para a Venezuela desde 2008, empresas chinesas têm participações minoritárias na PDVSA, também forneceu 8 cargueiros Y-8, sistemas de radar e 24 treinadores K-8 ao governo venezuelano[v].

 

China e Rússia, portanto, têm interesses econômicos importantes na Venezuela, e possivelmente não abandonaram o governo de Maduro à própria sorte.  Dificilmente russos ou chineses (principalmente) mobilizarão tropas para lutar na Venezuela, mas apoio diplomático e possivelmente financeiro, esses países vão conceder a Maduro, mesmo que não venham a participar de operações bélicas.

 

A União Europeia, ONU, França, Portugal e Uruguai apoiam uma nova eleição, supervisionada, como caminho para a crise no país sul-americano. Não reconheceram o governo de oposição, mas também não apoiam Maduro e preferem uma saída por vias eleitorais. O que, na verdade, seria a melhor saída para a atual crise.

 

Espanha, França, Alemanha, Reino Unido e Portugal no sábado 26 de janeiro, deram um ultimato ao governo Maduro, ou este convoca eleições em oito dias, ou vão reconhecer o governo oposicionista de Juan Guaidó. Em resposta, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, na sessão extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, realizado também no sábado (26 de janeiro), declarou “A Europa está nos dando oito dias para que? De onde vocês tiraram que têm autoridade para dar prazos ou ultimatos a um povo soberano? Como lhes ocorre tal ação de ingerência e diria até infantil? Ninguém nos vai dar prazos, nem vai dizer se fazemos eleições ou não. Dediquem-se a seus assuntos”[vi], finaliza o chanceler.

 

Declararam apoio a Juan Guaidó: EUA, Brasil, Argentina, Colômbia, Peru, Chile, Paraguai, Equador, Panamá, Costa Rica, Honduras, Canadá, Guatemala, Espanha e Reino Unido. Aqui o peso do Brasil é enorme, qualquer ação contra o governo Maduro, mesmo diplomática, era contrária à geopolítica do governo PT, agora se torna adequada à geopolítica do governo Bolsonaro.

 

O secretário geral da Organização dos Estados Americanos também declarou apoio a Guaidó, bem como  Grupo de Lima. Este grupo foi formado em 8 de agosto de 2017, na capital do Peru, Lima. O grupo reune chanceleres de 12 países (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru), firmaram o documento conhecido como Declaração de Lima, que postula “a restauração da democracia naquele país através de uma saída pacífica e negociada”.

 

Já, internamente, Guaidó conta apenas com o apoio da Assembleia Nacional e  do Tribunal Supremo de Justiça (no exílio). Maduro por sua vez conta com o apoio do Tribunal Supremo de Justiça, do Conselho Nacional Eleitoral, da Assembleia Constituinte, da PDVSA (Petróleos de Venezuela) e principalmente das Forças Armadas Venezuelanas[vii].

 

Sobre a população venezuelana em si, ainda é uma incógnita, o chavismo, mais do que Maduro em si, ainda conta com muito apoio. Mas a crise econômica provoca a revolta entre parte da população. A inflação chega a 1.000,000%, faltam produtos básicos e 3 milhões de venezuelanos já abandonaram seu país em busca de sobrevivência[viii].  Outros 5.000 abandonam o país diariamente[ix]. Uma situação insustentável!

 

Para aqueles cidadãos que possuem o “carnê da pátria”, que atesta a fidelidade ao governo, é possível adquirir bens, como uma cesta básica. A últimas, entregues em 25 de janeiro, surpreenderam alguns por conterem carne e salsicha, quando o normal é ter apenas “farinha, café, leite em pó, azeite” entre outras coisas. Aqueles que se identificam com a oposição não tem o mesmo direito, então não recebe nem a cesta básica[x]. Um alerta do perigo de governos que ao invés de tratar todos como cidadãos, procuram dividir o país entre nós e eles. Não importa a ideologia, isto nunca acaba bem.

 

Não se tem certeza também se existem grupos dentro das forças armadas venezuelanas que poderiam desertar do governo Maduro em apoio a Guaidó. Sem apoio de parte das forças armadas, caso elas continuem leais a Maduro, o governo interino de Guaidó não terá futuro, a não ser como um ato de desestabilização permanente do governo, mas sem efetivamente ser capaz de destituir o governo venezuelano[xi]. Para conseguir apoio das forças armadas Guaidó promete anistia geral a ex-militares que passarem para o lado de seu governo interino[xii]. Medida inteligente, mas que deveria ser estendida também a funcionários civis, assim ele conseguiria a adesão de membros de alto escalão do governo, que descontentes, mas com medo de retaliação de um governo de oposição, acabariam não se revoltando contra Maduro.

 

Entretanto, como alerta o professor Orlando Pérez, em depoimento na Folha de São Paulo “Os militares estão tão profundamente envolvidos com o regime que não podem dissocie-se dele”[xiii], lógico que talvez nem todos os militares podem estar tão comprometidos com o governo a ponto de não serem mais capazes de apoiar uma transição democrática. De qualquer forma, o caso da Venezuela é um alerta para outras nações dos limites que deve existir entre o governo civil e as forças militares, para assegurar a democracia.

 

Uma revolta da população civil é incerta, e será rapidamente esmagada sem apoio de parte das forças armadas. Caso civis armados e uma parte pequena das forças armadas decidam por uma ação armada, ao invés de um rápido golpe de Estado e a substituição do governo vigente, pode-se ter o início de uma guerra civil, principalmente se grupos antimaduro tiverem apoio dos Estados Unidos.

 

Nesse cenário pode-se visualizar duas alternativas, uma Líbia em que o governo cai relativamente rápido, ou se tem o início de uma guerra civil longa, como na Síria, com resultados imprevistos.

 

A Rússia, apesar da retórica, não tem condições de deslocar tropas ou aviões para agirem na Venezuela, como ocorreu na Síria, mas pode contribuir com consultores e armamento. A China, que tradicionalmente não se envolve em questões militares fora de seu entorno geopolítico, poderia contribuir financeiramente.

 

É incerto se Donald Trump se aventuraria em uma campanha militar de grandes proporções na Venezuela. Se obtiver uma vitória rápida, isso seria uma grande conquista para o presidente americano, que poderia até lhe garantir uma reeleição. Mas, uma guerra civil prolongada pode levar a um atoleiro de recursos e homens em um cenário de guerra na selva, um terreno que lembra a guerra do Vietnam.

 

É pouco provável, por enquanto, uma aventura militar assim, mas não impossível.    Os  norte–americanos podem querer o apoio do Brasil, mas fora o apoio diplomático, é incerto que o Brasil se aventure também em uma guerra na Venezuela. Apesar da retórica mais beligerante do presidente e do ministro das relações exteriores, o vice-presidente, General Mourão, se colocou contrário a uma intervenção de tropas brasileiras na Venezuela. Para Mourão “não é de nossa política externa intervir nos assuntos internos de outros países”[xiv], ele está certo, e como general, certamente representa o pensamento de setores importantes das forças armadas brasileiras. A Colômbia também anunciou não estar interessada em conceder aos EUA bases militares para ataques ao território venezuelano[xv], o que dificultaria um ataque por parte desse país ao território venezuelano.

 

As forças armadas brasileiras são plenamente capazes de derrotar as forças armadas venezuelanas, nossos soldados são preparados para guerra na selva, e apesar da força aérea venezuelana contar com caças Sukhoi-30, superiores aos brasileiros, pelo menos até o início da entrega dos Gripen NG em 2022. A Venezuela também dispõe de dezesseis aviões de combate F-16 A/B, o Brasil, mesmo com uma força tecnologicamente inferior em aviões de combate, tem à sua disposição um número maior de vetores aéreos de combate: 48 F-5EM/Tiger II, 15  A-1A  e 90 A-29 A/B Super Tucano. Destaco que os equipamentos supracitados estão dispostos mediante o número correspondente ao inventário militar, a disponibilidade e a capacidade operacional de cada um não estão consideradas neste artigo, servem apenas para ilustrar a dimensão das forças e seus equipamentos.

 

Porém, o maior desafio em uma guerra área na Venezuela viria dos sofisticados mísseis S-300 (baterias antiaéreas), mas isso é um fator rapidamente contornável, principalmente devido à presença da força aérea norte-americana, que destruiria a força aérea venezuelana e suas baterias antiaéreas em dias, se tanto.

 

A Marinha Venezuela também não é um grande desafio, conta com dois velhos submarinos, fragatas e navios-patrulha. Bem inferior à Marinha Brasileira, que dispõe de nove submarinos, um porta-helicóptero, 8 fragatas da Classe Niterói, 2 da Classe Greenhalgh, 2 corvetas da Classe Inhaúma, 4 corvetas da Classe Tamandaré e uma da Classe Barroso, o NDM Bahia, navio-anfíbio de multipropósito, isso para ficarmos nos navios de combate mais importantes.

 

Em matéria de forças terrestres, a superioridade brasileira é enorme em tanques, carros de combate e artilharia autopropulsada. Já em matéria de homens, o Brasil é o país com as Forças Armadas mais numerosa, são 366.614 militares; a Venezuela dispões de 365.315 efetivos. Com uma população muito maior, 210 milhões, enquanto a da Venezuela é de cerca de 32 milhões, o Brasil poderia modelizar um efetivo de reservistas muito superior.

 

Logicamente a Venezuela (mesmo com apoio da Rússia e China, e até de eventuais tropas de Cuba) seria derrotada em uma guerra em que tivesse de enfrentar EUA e Brasil, mas uma guerra não é apenas questão de superioridade militar.

 

A população brasileira, por exemplo, se encontraria dividida sobre tal empreitada, se fosse uma intervenção rápida, isso poderia ser contornado. Se falarmos em uma guerra prolongada, com caixões chegando do front, a população brasileira pode rapidamente ficar contra tal intervenção, até porque, não temos uma tradição de intervenções militares na região, desde o século XIX.

 

Outro fator, são os gastos e possíveis efeitos negativos de uma guerra contra a Venezuela na economia brasileira. Por isso, apesar da retórica, tudo indica que uma guerra ainda é um cenário pouco provável, e uma guerra com envio de tropas por parte do Brasil, mais improvável ainda. Não afirmamos ser impossível, mas improvável.

 

O cenário mais provável é de que a oposição ao governo venezuelano, com a ajuda dos EUA, e agora com a legitimidade dada também pelo governo brasileiro, continue em uma campanha de desgaste contínuo do governo Maduro, até que esse entre em colapso.

 

Certamente, oposição e o governo americano esperam o melhor cenário possível para ambos, ou seja, que militares descontentes deem fim ao governo Maduro, empossem Guaidó, e ele convoque novas eleições. Uma guerra é sempre um cenário imprevisível, e não importa o vitorioso, poderia trazer graves consequências políticas e econômicas para os envolvidos.

 

O governo Maduro não é um regime democrático, como bem aponta Steven Levitsky e Daniel Ziblatt no indispensável “Como as democracias morrem” (Rio de Janeiro: Zahar, 2018), o regime alterou a composição da suprema corte, fechou órgãos de impressa oposicionista, acabou com o limite de mandatos presidenciais, nega a legitimidade da oposição, tolera a violência contra opositores e restringi as liberdades civis de oposicionistas. O governo Maduro é uma autocracia.

 

A grande questão agora é como fazer uma transição democrática, sem guerra, na Venezuela. Coloco aqui um caminho, para finalizar este texto.

 

Uma forma de evitar uma guerra civil, uma intervenção estrangeira ou um longo declínio do governo Maduro, todos penalizando a população civil, seria uma intervenção da ONU. Quando eu cursava meu primeiro ano de faculdade em 1999 acompanhei com interesse o caso de Timor Leste, ex-colônia portuguesa nos limites entre Ásia e Oceania, ocupada pela Indonésia. Li na época o livro “Timor Leste: este país quer ser livre” (São Paulo: Martin Claret, 1997), e acompanha as notícias diariamente em jornais.

 

A ONU na época criou uma força internacional para intervir no Timor Leste a Missão das Nações Unidas em Timor-Leste ou UNAMET, sob comando dos australianos, que administrou a região e assegurou eleições livres e democráticas. O mesmo veio a ocorrer também no Haiti, com a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti ou MINUSTAH,  agora sob comando de tropas brasileiras, entre 2004 e 2017.

 

Apesar de serem cenários diversos, uma saída semelhante poderia ser pensada para a Venezuela. O governo brasileiro poderia demostrar seu compromisso com a democracia na América do Sul, e ao mesmo tempo com sua tradição não belicista nas relações internacionais, se levasse ao Conselho de Segurança da ONU semelhante proposta. Com a experiência obtida no Haiti poderia inclusive comandar a transição. Seria uma vitória política para o governo Bolsonaro, tanto interna, como externamente, e um compromisso humanitário e não belicista.

 

O Brasil se projetaria internacionalmente, cumpriria um papel de estabilizar e evitar conflitos em seu entorno estratégico, dentro da lei internacional, e sem se envolver em conflitos bélicos que podem ser custosos demais em recursos e vidas.

 

Agora é esperar, e ver como se desenrolam os próximos acontecimentos.

[i]Filósofo, antropólogo e doutor em Ciências Sociais, membro da Associação Brasileira de Geopolítica (ASBRAGEO).

[ii] “Intervenção na Venezuela seria ‘banho de sangue’, diz Rússia. Folha de São Paulo. Sexta-feira, 25 de janeiro de 2019. p. A14.

[iii] GODOY, Roberto. Russos reforçam ajuda militar ao chavismo. O Estado de São Paulo. Sábado, 26 de Janeiro de 2019. p. A10.

[iv] “Países europeus dão ultimato a regime para convocar eleições”. Folha de São Paulo. Domingo, 27 de janeiro de 209. p. A12.

[v] “Intervenção na Venezuela seria ‘banho de sangue’, diz Rússia. Folha de São Paulo. Sexta-feira, 25 de janeiro de 2019. p. A14.

[vi] “Países europeus dão ultimato a regime para convocar eleições”. Folha de São Paulo. Domingo, 27 de janeiro de 209. p. A12.

[vii] “Bolsonaro se diz otimista, mas não há consenso no governo sobre Venezuela”. Folha de São Paulo, sexta-feira, 25 de janeiro de 2019. p. A16.

[viii] LIRIO, Sergio. A Venezuela eriçada. Revista Carta Capital, nº 1039, 30 de janeiro de 2019. pp. 10-11.

[ix] “Maduro amplia distribuição de comida em busca de apoio popular”. Folha de São Paulo. Domingo, 27 de janeiro de 209. p. A12.

[x] “Maduro amplia distribuição de comida em busca de apoio popular”. Folha de São Paulo. Domingo, 27 de janeiro de 209. p. A12.

[xi] “Cúpula do Exército declara lealdade a Maduro”.  Folha de São Paulo, sexta-feira, 25 de janeiro de 2019. p. A12.

[xii] “Guaidó desafia Maduro e põe anistia a militares entre primeiras medidas”. O Estado de São Paulo. Sábado, 26 de Janeiro de 2019. p. A10.

[xiii] ROSSI, Clóvis. Venezuela, ante o Precipício. Folha de São Paulo. Domingo, 27 de janeiro de 209. p. A14.

[xiv] LIRIO, Sergio. A Venezuela eriçada. Revista Carta Capital, nº 1039, 30 de janeiro de 2019. pp. 10-11.

[xv] “Colômbia não planeja conceder a EUA bases para invasão da Venezuela”. Disponível em: https://br.sputniknews.com/americas/2019012613186841-colombia-eua-venezuela-base-militar-planejar/. Postado as 07:50 de 26.01.2019.

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Defesa Geopolítica

Itália oferece aproximação militar com Brasil após prisão de Battisti

Imagem meramente ilustrativa

Depois de mudar sua postura em relação a Cesare Battisti, o Brasil recebe uma proposta do governo da Itália para destravar um acordo militar e para que Roma seja o interlocutor de Brasília para conseguir um melhor acesso ao mercado europeu para os produtos exportados pelo País. Nesta quarta-feira, 23, o presidente Jair Bolsonaro esteve reunido com o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte. Durante o encontro, o italiano agradeceu pela colaboração brasileira no caso de Battisti e ofereceu uma aproximação militar.

De acordo com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Augusto Heleno, um dos pontos levantados seria o interesse dos italianos pela venda de equipamentos militares ao Brasil, além do setor da construção naval. Um dos projetos seria a construção de uma fragata Fremm, com obras na Itália.

Além do setor militar, Roma ofereceu ao Brasil trabalhar para ser uma espécie de porta-voz dos interesses de exportadores nacionais no mercado europeu. “Eles se dispõem a criar um grupo dentro da UE para facilitar o acesso do Brasil ao mercado”, explicou o general.

Em declarações à reportagem, o primeiro-ministro Conte explicou que a meta, a partir de agora, é a de aproximar os dois países. “Foi um encontro muito bom. Conversamos como poderemos ampliar nossa cooperação em diferentes campos, inclusive políticos e militar”, disse.

Em 2011, diante da decisão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva de conceder asilo a Battisti, diversos acordos entre Brasil e Itália foram cancelados ou congelados. Naquele ano, parlamentares italianos impediram a aprovação de um acordo de cooperação militar entre os dois países. A medida foi vista como uma retaliação ao Brasil.

 

Fonte: Ísto é

 

 

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Artigos Exclusivos do Plano Brasil Brasil Conflitos Geopolítica Geopolitica

Bolsonaro e o problema da Venezuela

De Leon Petta para o Plano Brasil

            Cada vez mais a situação na Venezuela puxa o Brasil para alguma posição desconfortável. É muito comum após declarações agressivas do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, contra o recém-empossado presidente Jair Bolsonaro ver vários comentários nas redes sociais exaltando a capacidade militar brasileira e chamando para o “pau” os venezuelanos ou ainda diminuindo e subestimando a capacidade venezuelana.

Porém, a situação é bem mais complicada do que apenas a comparação de força militar entre os dois países, Brasil e Venezuela.

            Em 2017, durante a conferência anual da AAG (American Association of Geographers) em Boston, apresentei uma simulação de uma possível crise geopolítica na fronteira brasileira, apontando dois problemas principais. Primeiro, o risco de uma enxurrada de refugiados venezuelanos em Roraima, que pioraria em muito a situação já que o estado não tem grande capacidade de infraestrutura (algo que acabou se concretizando); Em segundo, em caso de guerra civil na Venezuela, alguma facção rebelde poderia vir a atravessar a fronteira arrastando consigo ações militares do governo venezuelano em território brasileiro.

            Neste segundo caso, a questão seria como as forças armadas brasileiras responderiam a isso. Uma vez que a capacidade aérea e antiaérea das forças armadas venezuelanas poderiam eventualmente neutralizar a capacidade logística área do Brasil na região, podendo facilmente levar a um confronto na fronteira, embora não a uma guerra total. Neste caso isso ainda não aconteceu.

            Na plateia um coronel dos Fuzileiros Navais Americanos assistia bastante interessado sobre como isso poderia respingar nos interesses norte-americanos na região, principalmente no Caribe e na Colômbia. Por outro, lado um professor de uma universidade federal de Minas Gerais que também estava presente, logo descartou que aquilo era bobagem, afinal de contas “a Venezuela está muito bem e não existe risco nem de crise de refugiados nem de guerra civil. Não entendo por que você iria simular uma coisa tão fantasiosa como essa”.

 Risco de guerra?

            Para quem quer guerra (mas provavelmente não está disposto a lutar nela), tenho más notícias. Como disse o General Augusto Heleno em Outubro de 2018: “Para declarar guerra não é fácil assim, não. Se para uma missão de paz é complicado para caramba, imagina para declarar guerra”.

            A complexidade de uma guerra é ABSURDA. No Brasil não temos absolutamente nenhuma experiência ou capacidade técnica para uma Guerra Total. Aliás, são poucos os países que possuem essa capacidade de forma unilateral.

            As guerras não são como eram até a Primeira Guerra Mundial. Colocar um capacete, uniforme e fuzil no soldado e manda-lo para o conflito desejando boa sorte não é o suficiente. Além dos custos exorbitantes que cada combate vale nos dias de hoje (lembre-se, ainda não nos recuperamos da crise) ainda há questões como logística, inteligência, apoio político (interno e externo) e etc.

            É um erro muito comum as pessoas pegarem os “números crus” das forças armadas de diferentes países e ver quem é o mais forte. Porém, toda guerra supera apenas a questão militar. Aliás, cada vez menos o fator “soldados” é importante para a guerra, cada vez mais toda uma estrutura anterior ao combatente se faz tão importante quanto o próprio combatente em si. Sem entrar em detalhes para o texto não ficar longo, o Brasil não possui capacidade de invadir e ocupar a Venezuela e a Venezuela obviamente também não o tem contra o Brasil.

Problemas indiretos

            O grande problema então não é um conflito aberto que se algo acontecesse estaria limitado a embates fronteiriços, mas sim os efeitos colaterais do regime venezuelano sobre a região norte e nordeste do Brasil.

            Em 2011, o então presidente Hugo Chávez que de bobo não tinha nada e aprendia lições. Assistiu a intervenção da OTAN que após meses de bombardeios sobre a Líbia acabaram por ruir com o governo líbio e terminaram com Gaddafi sendo linchado nas ruas. Preocupado de que estaria na fila para ser deposto no futuro, prontamente tomou três medidas preventivas e que se mostraram frutíferas ao seu sucesso Nicolás Maduro:

            A primeira, a repatriação das 160 toneladas das reservas de Ouro da Venezuela bem como outros ativos. Blindando o país de eventuais confiscos por governos estrangeiros em caso de sanções ou intervenção externa.

            O segundo, a compra em larga escala de diversos sistemas antiaéreos para causar danos insustentáveis a qualquer força aérea que eventualmente tentasse se meter na Venezuela. Dentre os equipamentos militares comprados, os sistemas antiaéreos eram a prioridade.

            E finalmente, a compra de milhares de fuzis Kalashnikov (AK-47 e outros) para serem distribuídos por entre as milícias bolivarianas. Compra que Nicolás Maduro iria repetir.

            Este terceiro é o grande soco no estomago do brasileiro entusiasta que subestima o tamanho do problema venezuelano e de Maduro. Pois essa compra dirigida as milícias bolivarianas geram como efeito preocupante não só o aspecto de que as próprias forças armadas venezuelanas fiquem limitadas caso resolvam se rebelar ou tentem um Golpe de Estado, como ainda para a preocupação do Brasil, um fornecimento quase ilimitado de armamento pesado para o Crime Organizado na região norte e também no nordeste.

            Ou seja, se por um lado tanto o Brasil como a Venezuela não conseguiriam invadir um ao outro. Por outro, a Venezuela consegue projetar sua capacidade de instabilidade de forma indireta, não importa se intencional ou não, sobre uma região que já vinha sofrendo com altos índices de violência (apesar de ser longe, os problemas recentes no estado do Ceará não são uma coincidência).

            Abastecidos por armamento pesado venezuelano, com refúgio e passe livre garantido em terras venezuelanas (uma vez que as autoridades venezuelanas fazem vista grossa para a presença do Crime Organizado e do narcotráfico) estas facções possuem o potencial de tumultuar toda a região desgastando pesadamente o novo governo. Deixando de ser um “mero” problema de Segurança Pública para evoluir a uma crise militar dentro do próprio território brasileiro.

 

Sobre o Autor:

De Leon é Autor associado ao Plano Brasil e Professor das Faculdades Integradas Rio Branco. Doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo. Com estágio sanduíche na Virginia Commonwealth University (Estados Unidos) e University of Hong Kong (China). Tem experiência na área de Geopolítica e Crime Organizado. 

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Economia Geopolítica Traduções-Plano Brasil

OS PRINCIPAIS RISCOS DO EURASIA GROUP PARA 2019

 

  Ian Bremmer e Cliff Kupchan revelam os dez principais riscos para 2019. 

Autor- Ian e Cliff

Fonte: Eurasia Group

Esta é a previsão anual do Grupo Eurasia sobre os riscos políticos que provavelmente acontecerão ao longo do ano. O relatório deste ano foi publicado em 7 de janeiro de 2019.  Em resumo disponibilizamos os principais tópicos levantados pelo relatório, para ler o conteúdo completo em inglês, Clique aqui para ler o relatório completo Top_Risks_2019_Report.

Segundo o relatório:

O ambiente geopolítico é o mais perigoso das últimas décadas … Os mercados estão cada vez mais voláteis, mas resilientes, apresentando progresso e saltos para trás. O que há errado neste cenário? 

Nada ainda. Os ciclos geopolíticos são lentos. Demoram muito tempo para construir uma ordem geopolítica; os governos mudam de rumo através do funcionamento de instituições complexas, políticas de coalizão, ciclos eleitorais, freios e contrapesos. Instituições multilaterais levam décadas para construir e ganham ímpeto lentamente. Normas e valores precisam se desenvolver, ser aceitos e moldarem instituições e a sociedades ao longo do tempo. Uma vez no lugar, eles são pegajosos. E assim, salvo a má sorte (leia-se: uma crise repentina e imprevista), levam anos, até décadas, para derrubar uma ordem geopolítica. Esse processo de erosão está em andamento em todo o mundo hoje.
Claro, 2019 pode vir a ser o ano em que o mundo desmorona. Os riscos  criados por maus atores infligindo danos que, em seguida, criam um ciclo de crescimento são maiores do que foram em qualquer momento desde o lançamos o Eurasia Group em 1998. Um ciberataque russo fica fora de controle. O Irã e a Arábia Saudita (ou Israel) desencadeiam uma guerra no Oriente Médio. Os chineses e os americanos entram em uma guerra comercial que causa de uma recessão profunda, culpam uns aos outros e retaliações se espalham pelo espaço cinético. Existem outros riscos de escala similar. Mas, por enquanto, todos esses eventos permanecem de baixa probabilidade.
Mais provavelmente, e apesar das manchetes cada vez mais preocupantes, 2019 está prestes a ser um ano razoavelmente bom. Mesmo, ousamos dizê-lo, não um ano particularmente politicamente arriscado. Mas estamos nos preparando para problemas no caminho. Grandes problemas. E esse é o nosso maior risco.
 

  1. MAS SEMENTE

Os perigos geopolíticos que tomam forma ao redor do mundo darão frutos nos próximos anos.

  1. EUA-CHINA

Algo fundamental foi rompido na relação entre Washington e Pequim que não pode ser restabelecida, independentemente do que acontece com seus laços econômicos.

  1. LUVAS CIBERNÉTICAS DESLIGADAS

Os hackers se tornaram mais sofisticados, as sociedades tornaram-se altamente dependentes dos serviços digitais e os esforços para chegar a um acordo sobre as regras básicas do conflito cibernético não chegaram a lugar nenhum.

  1. POPULISMO EUROPEU

2019 mostrará que os populistas e os movimentos de protesto estão mais fortes do que nunca.

  1. OS EUA EM CASA

Enquanto as probabilidades de que Trump sofra impeachment e seja afastado do cargo permaneçam extremamente baixas, a volatilidade política será excepcionalmente alta.

  1. INOVAÇÃO INVERNO

Estamos caminhando para um inverno de inovação global – uma redução impulsionada politicamente no capital financeiro e humano disponível para impulsionar a próxima geração de tecnologias emergentes.

  1. COALIZAÇÃO DO DESWILLING

A ordem global liderada pelos EUA tem estado em erosão há algumas décadas, mas agora estamos vendo as fileiras crescentes de uma coalizão de líderes mundiais pouco dispostos a defender a ordem liberal global, com alguns até inclinados a derrubá-la.

  1. MÉXICO

O novo presidente do país, Andres Manuel López Obrador, inicia seu mandato com um grau de poder e controle sobre o sistema político não visto no México desde o início dos anos 90 e os fatores de risco domésticos são grandes.

  1. UCRÂNIA

O confronto de novembro no estreito de Kerch foi uma prova das tensões que se aproximavam. Putin continua a ver a Ucrânia como vital para a esfera de influência da Rússia.

  1. NIGÉRIA

A Nigéria enfrenta sua eleição mais disputada desde a transição para a democracia em 1999.

* BREXIT

Por que o asterisco? Porque três anos após a votação, quase todos os resultados do Brexit continuam possíveis.

RED HERRINGS

O novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, pode ser nacionalista, mas as instituições do país não permitirão qualquer centralização perigosa do poder. O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman fez muitos inimigos, mas nem ele nem o reino enfrentam sérios riscos em 2019. A necessidade do Irã de suportar as sanções dos EUA protegendo as relações com a Europa limitará sua agressividade. A suspeita e a concorrência restringirão a cooperação da Rússia e da China.

CONCLUSÃO

Já se passaram 21 anos desde que começamos o Eurasia Group e passamos juntos pela nossa participação nas mudanças globais. Tomando um momento para olhar para trás, lembramo-nos de nosso começo modesto, pessoalmente e como organização, e de quanto é um privilégio ter seu apoio.

Obrigado por fazer parte da nossa comunidade. Agradecemos e desejamos a você apenas o melhor para 2019.

 

Clique aqui para ler o relatório completo Top_Risks_2019_Report

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Aviação Brasil Defesa Geopolítica Sistemas de Armas Tecnologia

Secretário de Defesa dos EUA, o “Cachorro Louco”, está no Brasil

James Mattis vai discutir cooperação militar e compra de aviões da Embraer

O Secretário de Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, conhecido como “Cachorro Louco” desembarca nesta segunda-feira no Brasil para discutir um plano de cooperação de segurança e acordos comerciais e estratégicos na região. Em reunião marcada com o ministro Segurança Pública, Raul Jungmann, da Defesa, Joaquim Silva e Luna e com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, Mattis tem como principal objetivo trocar conhecimento militar e técnico, como forma de manter os acordos militares já existentes entre os países.

O movimento parece fazer parte de um plano de ações no setor de segurança do governo dos Estados Unidos. Na semana passada, por exemplo, o vice-presidente Mike Pence anunciou a criação de uma Força Espacial até 2020, que vai contar com militares treinados para atuar em missões fora do planeta Terra. Em seu Twitter, o presidente americano Donald Trump já tinha afirmado que a Força Espacial seria uma maneira de garantir a segurança do país.

Além da cooperação militar, Mattis representará o país na discussão sobre acordos comerciais. Atualmente, o governo americano negocia a compra de 150 aeronaves Supertucano da Embraer, numa compra que pode chegar a 400 milhões de dólares. O Brasil é um dos finalistas no processo de compra. Em 2013, os Estados Unidos já haviam comprado 20 aviões brasileiros para serem usados no Afeganistão.

Mattis vai ao Rio de Janeiro na quarta-feira. Também visitará a Argentina, o Chile e a Colômbia. Esta é a primeira vez que o líder do Pentágono – sede do Departamento de Defesa americano – visita a região, que tem se tornado importante aliada dos Estados Unidos, que consequentemente vê a posse de novos presidentes mais conservadores (Mauricio Macri na Argentina, Sebástian Pinera no Chile e Iván Duque na Colômbia) como uma boa oportunidade de aumentar os acordos de cooperação. A Colômbia se tornou um “sócio global” da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em maio deste ano.

Tanto na Colômbia quanto no Brasil um dos temas em discussão deve ser a Venezuela e a tresloucada gestão de seu presidente, Nicolás Maduro. Maduro acusou a Colômbia de tentar matá-lo. A ver se o Cachorro Louco traz um pouco de temperança para os debates na região.

Fonte: Exame