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Repetidas aparições de submarinos chineses no Índico inquietam autoridades indianas e seus aliados

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A imagem que estragou o sábado dos almirantes indianos: um submarino de ataque chinês fundeado em águas da Malaísia

Por Roberto Lopes

 

 

A foto publicada neste sábado (07.01) pela tevê a cabo NDTV – um canal indiano de notícias 24 horas – de um submarino diesel-elétrico de ataque chinês fundeado no porto malaio de Kota Kinabalu, e as imagens do serviço Google Earth, exibidas ontem pela mesma emissora (foto abaixo), de um submarino nuclear chinês atracado, em maio do ano passado, no porto paquistanês de Karachi, alertaram a Marinha indiana sobre a possibilidade de os submarinos da China estarem monitorando a rotina e os deslocamentos de navios da Marinha da Índia no Oceano Índico.

China e Índia mantém um relacionamento tenso, devido ao ostensivo apoio político de Pequim ao governo de Islamabad, arquirrival de Nova Déli.

A foto do submarino foi divulgada pelo Twitter oficial da Marinha da Malaísia, e mostra o que parece ser um navio Tipo 039 classe Song. O barco chegou ao litoral malaio na primeira terça-feira do ano (03.01), acompanhado de uma unidade de apoio logístico dos chineses.

Em um release distribuído na noite desta sexta-feira (06.01), o Ministério da Defesa chinês, em resposta a um pedido de informações apresentado pelo jornal nova-iorquino The Wall Street Journal, afirmou que o submarino atracou na Malaísia em busca de suprimentos e de algumas horas de folga para a tripulação, após uma longa jornada de patrulhamento anti-pirataria ao largo do litoral da Somália, e retomará sua viagem de regresso à China ainda neste sábado.

A justificativa oficial para a presença do submarino em Kota Kinabalu – 1.627 km a nordeste de Kuala Lampur (em linha reta sobre o mar) – foi duramente criticada por Nova Déli, que observou: submarinos não são navios indicados para ações anti-pirataria, que sempre envolvem pequenas e ágeis embarcações de superfície – um esclarecimento que porta-vozes da Agência de Defesa Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) já haviam feito por diversas vezes em 2016.

“Na mira” – Para vigiar a movimentação dos submarinos chineses no Índico a Índia dispõe de dois submersíveis de propulsão nuclear – o classe Akula-2 INS Chakra, arrendado a Nova Déli pelos russos, e o INS Arihant, primeiro submarino nuclear de construção indiana –, mas ambos ainda têm seus tripulantes em treinamento (o Akula porque se trata de um navio de manejo complexo, e o Arihant porque ainda se encontra em testes na Baía de Bengala).

Além deles a Marinha Indiana opera 13 submarinos convencionais de procedências russa e alemã. O primeiro dos seis submersíveis de ataque classe (francesa) Scorpène – elogiados por serem barcos de navegação especialmente silenciosa – que vem sendo construídos na Índia (em um programa semelhante ao PROSUB do Brasil) também se encontra em uma fase inicial de provas de mar.

Um dos submarinos indianos de procedência russa (classe Kilo)

A despeito da falta de informações exatas, a Força de Submarinos nucleares da China é calculada entre 12 e 15 navios operacionais ou em diferentes estágios de construção.

Além desses há 56 navios de motorização convencional.

Submarinos nucleares possuem um raio de ação limitado apenas pela capacidade de sobrevivência das suas tripulações, mas os convencionais, operando debaixo d’água movidos por seus motores elétricos, são extraordinariamente discretos.

Prova disso um classe Song deu, em outubro de 2006, quando emergiu no Mar da China Ocidental, a apenas nove quilômetros do porta-aviões americano Kitty Hawk, que navegava escoltado por várias belonaves – um episódio constrangedor que a Marinha americana explicou como uma “desatenção” dos tripulantes do navio-aeródromo…

As autoridades navais indianas têm discutido o assunto dos submarinos chineses com os chefes militares de países em sua órbita de influência, como Sri Lanka e Bangladesh.

Mês passado, o próprio comandante da Marinha indiana, almirante Sunil Lanba declarou: “Quanto aos navios e submarinos da Marinha do Exército de Libertação Popular (PLA) em causa, a Marinha Indiana mantém um olhar próximo e monitora seus movimentos. Lançamos missões de vigilância com aviões e navios para mantê-los na mira”.

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