MARINAS DE POSEIDON

FORÇAS ANFÍBIAS E DE APOIO LOGÍSTICO

INTRODUÇÃO

Nos idos do século VIII, os navegantes europeus passaram a temer a ameaça e o surgimento de uma nova e assustadora onda de invasão que varreia os mares frios do norte Europeu, esta força se propagava vindo de uma região distante ao norte e rapidamente começou a povoar as águas, as mentes e as terras daquele continente.

A onda de terror, chegava pelos mares do norte na forma de um Dragão, que em seu interior transportava uma considerável força de temíveis e invencíveis guerreiros, cujos mitos assombravam e se espalhavam tal qual a expansão de suas fronteiras.

Porém estes mitológicos demônios marinhos, não passavam de embarcações na forma de navios de guerra chamados, DRAKKAR, ou Navio Dragão, os quais vinham da Escandinávia, lar dos lendários guerreiros VIKINGS, seus criadores.

Os DRAKKAR ficaram famosos por permitirem aos seus tripulantes a navegar à velocidades espantosas para aquela altura, com isto podiam percorrer longas distâncias, aproveitando a força motora dos ventos e dos músculos.

Podiam também manobrar eficientemente, inclusive em águas rasas, permitindo aos VIKINGS entrar em terra através de rios, atacando o inimigo muitas vezes pela sua retaguarda sem que estes estivessem preparados para defender-se.

As vantagens táticas em batalhas alcançadas por esses guerreiros baseava-se em utilizar a seu favor, todas as artimanhas possíveis e eles não vacilavam, pois apropriavam-se da capacidade desses navios em executar eficientes manobras de ataque e fuga quando preciso.

Frequentemente, seus ataques se caracterizavam pelo efeito surpresa, rápidos, inesperados e letais, seguidos pelo total desaparecimento, impossibilitando ao inimigo lançar a contra-ofensiva, fosse quem fosse, estivesse onde estivesse.

No entanto, a força do mito que envolve os Navios Dragões não reside somente em suas performances e características náuticas, mas também em sua capacidade de transportar e desembarcar uma quantidade considerável desses temidos guerreiros, os quais, merecidamente, foram considerados como os mais bravos, temidos e fortes de sua época e que transformaram uma gelada península numa potência naval a qual ainda hoje rememora as nossas mentes e mitos.

Os anos passaram e a guerra naval evoluiu consoante a tecnologia e as táticas de guerra adotadas. Porém, ainda é possível identificar na guerra moderna e até mesmo projetar para a guerra do futuro algumas dessas características e ensinamentos do passado.

Alguns fatores da guerra moderna são determinantes e ainda permanecem como desafio para a conclusão satisfatória de uma operação militar bem sucedida. No entanto, as operações navais são consideradas fundamentais para o desfecho dos conflitos entre nações. Os bloqueios navais, as batalhas pelo controle dos mares e as operações de desembarque anfíbio, visam tomar o terreno do inimigo, controlar seu território e forçá-lo a por fim aos conflitos.

Neste âmbito, as operações anfíbias da guerra moderna se assemelham em certos aspectos às características das táticas e técnicas adotadas pelos antigos e lendários guerreiros escandinavos.

Novos ensinamentos e tecnologias apresentam-se como desafios a serem superados, os quais devem ser considerados por influenciarem o desenvolvimento das doutrinas e consequentemente, dos navios de guerra anfíbia do futuro.

Uma Nação que almeja um local de destaque necessita estar atualizada e dispor do que há de melhor em sistemas de defesa, não pela necessidade de impor somente sua vontade mas sim por necessitar ser capaz de dissuadir quaisquer adversários que ousem ultrajar sua integridade e responder severamente ao ataque por este desencadeado de forma a impor sua superioridade.

Nesse aspecto à exemplo dos VIKINGS, uma força de elite, anfíbia, bem treinada baseada em navios velozes e adequados faz-se necessário, isto porque caso seja necessário uma intervenção em regiões distantes dos seus litorais esta nação necessitaria deslocar-se com uma força considerável capaz de neutralizar dominar e demonstrar superioridade ao inimigo.

Como já mencionado em outros artigos, acreditamos que o Brasil não poderá se esquivar deste destino, pois o seu natural crescimento trará consigo duras consequências as quais forçarão o nosso país assumir uma postura mais firme e para isto teremos que estar amparados por um sistema de defesa condizente capaz de nos defender e se preciso atacar.

Infelizmente a realidade atual em que vivem nossas Forças Armadas nos distância desta necessidade. Inúmeras falhas operacionais e problemas de ordem logística econômica e funcional necessitam ser sanadas o mais breve possível, ou pagaremos um elevado preço pela falta de pragmatismo, constante vigilância e atualização.

É de senso comum que a nossa Marinha necessita acompanhar o que se passa nos outros países de forma a se atualizar e se aparelhar para as futuras ameaças.

Mesmo para os períodos de paz, uma força anfíbia faz-se necessária, a execução de missões sobre a égide das Nações Unidas, exigem pronta operação mobilidade e proficionalismo das nações convocadas e nosso país será chamado muitas vezes mais para esta missão e para tanto terá que responder de forma austera e contundente a este chamado.

Mais recentemente as operações de manutenção de Paz no Haiti e o consequente deslocamento de equipagens e fuzileiros apesar do honroso e louvado profissionalismo, trouxe consigo também novos questionamentos e destacou deficiências e carências que precisam ser corrigidas.

As principais dificuldades apresentadas puderam ser sentidas já no embarque da força de paz, ficando clara a não adequação das estações de embarque, dos navios e dos meios os quais ofereceram certas dificuldades de ordem técnica e de segurança, sem contar o relativo elevado tempo necessário para a execução do simples embarque de veículos.

Os navios com uma idade média beirando os 30 anos resu ltavam de projetos antigos cujas velocidades e capacidades não respondem a altura as necessidades vigentes. O atracamento aos portos se mostrou um desafio para nossos marinheiros.

É de se destacar no entanto que apesar das deficiências, nossa Marinha executou a missão a contento, porém a operação serviu de um alerta e demonstrou também que é preciso repensar e reprojetar as nossas Forças Anfíbias bem como os navios de apoio logístico dos quais estas dependem crucialmente.

SOBRE O PROJETO

Ao projetar o futuro do qual acreditamos virá ao nosso encalço, nossa Futura Força Naval carecerá de meios adequados para as exigências do futuro teatro de operações. Nesse contexto, surgirá, inequivocamente, a necessidade de possuir Navios de Assalto Anfíbio e de Apoio Logístico projetados e adequados para o total cumprimento de suas atribuições, quer por participação em Forças de Paz, quer por necessidades estratégicas em tempos de guerra.

Uma força fundamentada em unidades anfíbias por outro lado exige um número considerável de navios com capacidades ímpares de mobilidade e transporte os quais exigiriam um esforço hercúleo por parte dos departamentos de projetos da nossa Marinha e de nossas indústrias.

Como nos demais projetos sugerimos soluções as quais consideramos, poderiam ajudar a equacionar os problemas, claro, sempre baseando na capacidade de desenvolvimento e produção em território nacional, seja por parceria seja por iniciativa própria. Estes projetos capacitariam nossas indústrias e alavancariam nossa economia e capacidade técnica, e se baseiam na negativa sumaria das possibilidades das chamadas compras de oportunidade ainda que estas sejam mais vantajosas.

Para um país como o Brasil que não pode se dar ao luxo de gastar seus parcos orçamentos no desenvolvimento de uma esquadra baseada em diferentes navios, é prudente que projetos de sucesso sejam usados como base para o desenvolvimento de projetos para nossa marinha.

Nesse âmbito como referência citamos o projeto Holandês ENFORCER o qual a partir do bem sucedido programa HOTTERDAM, propõe uma versátil força composta por diferentes navios os quais utilizam muitas seções e itens em comum, racionando custos e padronizando serviços e sistemas.

Concepção artísica do navio Johan de Witt, o mais novo LPD da Real Marinha Holandesa, este navio é na verdade o irmão maior do consagrado LPD HOTTERDAM, navio que se configura como a Base de uma versátil família de navios a qual acreditamos ser um modelo para nossa Marinha (Arte- Thales Naval Nederland).

Sobre este prisma, propomos o desenvolvimento de uma família de navios semelhantes, da qual derivariam três classes de navios caracterizados por suas dimensões e características comuns divididos em três classes, apresentadas como segue:

Classe I, Navios pesados de 24 000 toneladas de deslocamento e 210 m de comprimento da qual derivariam dois navios, um navio Assalto Anfíbio/Porta Helicópteros, o qual será aqui denominado projeto TIAMAT e um segundo denominado projeto HÉRCULES, o qual contempla uma variante destinada ao transporte pesado de suprimentos e apoio logístico.

Classe II, Navios médios com 18 000 toneladas de deslocamento e 180 m de comprimento do qual derivaria um Navio de Desembarque de Doca, apresentado no projeto denominado DRAKKAR o qual será seguido por um navio Tanque para Reabastecimento e transporte de combustíveis aqui denominado projeto CAPITOLINA.

Classe III, o ultimo navio da série apresenta um navio destinado as funções civis mais especificamente para a função dConcepção artísica do navio Johan de Witt, o mais novo LPD da Real Marinha Holandesa, este navio é na verdade o irmão maior do consagrado LPD HOTTERDAM, navio que se configura como a Base de uma versátil família de navios a qual acreditamos ser um modelo para nossa Marinha (Arte- Thales Naval Nederland).e Navio Hospital Oceânico, com 150 m de comprimento, e 12 000 toneladas de deslocamento, o qual é apresentado no projeto intitulado ASCLÉPIO.

Todas as embarcações seriam desenvolvidas pela EMGEPRON, via parceria com a empresa Holandesa adiquirindo assim suas experiências, ficando entretanto as suas construções delegadas aos estaleiros nacionais sobre a supervisão do DENAPROM.

Concepção artísica da família ENFORCER, a qual usa como base um único casco cujas seções agregadas ou suprimidas transformam uma série de navios destinados a suprir as necessidades de embarcações destinadas a guerra anfíbia (Arte- Royal Scheldeshipbuilding).

Os navios necessitam possuir capacidade de operação litorânea ou mesmo de operar dentro de rios e baías de forma silenciosa e rápida, para tanto seus cascos devem possuir baixo calado e seus sistemas propulsores devem garantir maiores velocidades que as permitidas aos navios atuais destinados à estas funções.

Terão que possuir altos graus de manobrabilidade exigida para operar eficientemente, entre golfos, baías, falésias, portos, rios e recifes, visto que as praias “paradisíacas” e planas, certamente não configurarão os cenários futuros, para tanto sistemas de propulsão AZIPOD devem ser considerados pelo fato de permitirem elevados graus de manobrabilidade.

Possuir relativa capacidade furtiva pois esses navios necessitarão adotar táticas de locomoção e evasão muito mais eficientes que as dos navios atuais, “desovando” suas tropas e retirando-se para regiões mais seguras o mais rápido possível. Devem ainda possuir a capacidade de infiltrar recolher tropas sem o ônus da exposição perigosa às armas inimigas e acima de tudo, serem capazes de transportar tropas, equipamentos e suprimentos necessários para a completa execução das operações de Guerra Anfíbia. Para tanto, deverão contar com meios aéreos e navais (docas e veículos de desembarque), os quais serão necessários para a execução de suas missões.

A auto-defesa também deverá ser considerada em um projeto desse tipo, pois estes navios devem ser desenvolvidos para operar em condições isoladas, para tanto, deverão ser capazes de se defender de ameaças de nível médio sem necessitarem da ajuda de outras embarcações.

Tal como proposto no programa ENFORCER, o projeto MARINAS DE POSEIDON, propõe o desenvolvimento de um único casco comum a todos os navios, os quais se diferenciariam em dimensões pela agregação ou supressão de seções comuns de 30 m cada uma.

Todos os navios seriam concebidos a operarem em suas docas secas, veículos HOVER CRAFT de forma a aumentar a versatilidade de suas operações de embarque e desembarque de cargas e suprimentos, especialmente em regiões de difícil acesso. Os sistemas eletrônicos de comunicação e propulsão também deveriam ser padronizados

Concepção artísica da família ENFORCER, nesta figura pode-se observar o conceito de modularidade desta família de navios, onde as diferentes seções que acrescentadas ou suprimidas durante a construção transformam um cacso comum de um LPD em uma embarçcação LHD, este conceito poderia ser adotado e desnvolvido em nosso país de forma a suprir nossas necessidades (Arte- Royal Scheldeshipbuilding).

Em suma, O projeto MARINAS DE POSEIDON contemplaria o desenvolvimento nacional de uma família de navios, cujo conceito seria totalmente novo e que aproveitaria os avanços obtidos no desenvolvimento dos projetos THOR e POSEIDOM, agregando suas inovações tecnológicas, introduzindo novos, e aperfeiçoando os conhecimentos já praticados por nossa indústria.

O primeiro projeto da série como segue é denominavo, projeto TIAMAT, e contempla as consideraçôes do desenvolvimento de um Navio de Assalto Anfíbio de convés Contínuo, NAA.

One reply on “MARINAS DE POSEIDON”

Everaldo Santossays:

Esse projeto, traria ao Brasil, grande credibilidade no cenário internacional e colocaria a Marinha Brasileira no topo.

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