Defesa & Geopolítica

Plano Brasil/OIF-2003/História Contemporânea/Análise: “MB integrou, ‘por breve período de tempo’, a ‘Coalizão de Boa Vontade’ (Forças Armadas Americanas e Aliadas) na ‘Operation Iraqi Freedom (OIF-2003)’”

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NOTA DO PLANO BRASIL, por Gérsio Mutti: Plano Brasil/OIF-2003/História Contemporânea/Análise: “MB integrou, ‘por breve período de tempo’, a ‘Coalizão de Boa Vontade’ (Forças Armadas Americanas e Aliadas) na ‘Operation Iraqi Freedom (OIF-2003 – https://en.wikipedia.org/wiki/Iraq_War)’”.

A matéria em questão foi noticiada na imprensa ‘en passant’ pelo jornal O Globo, Página 36, Sábado, 05/03/2005 com o título “Um militar brasileiro em zona de conflito” e na ocasião tentou-se criar uma polêmica na mídia pelo fato de haver um integrante das Forças Armadas, em uma área de guerra irregular, no caso o Iraque, onde os ‘EUA e Aliados [‘Coalizão de Boa Vontade (Coalition of the Willing)’ (1)]’ desafiaram as leis internacionais em desacordos com as resoluções da ONU da qual o Brasil é signatário.

Portanto, a polêmica na mídia brasileira centrou-se no fato de o Brasil ao atender as resoluções da ONU e, consequentemente, ser contra essa guerra irregular e não autorizada pela ONU, assim mesmo acabou envolvido no conflito de forma involuntária.

Não devemos nos esquecer de que houve duas Guerras contra o Iraque de Saddam Hussein, uma antes do ‘Onze de Setembro (11/09/2001)’ e uma segunda guerra depois desta data.

A Primeira Guerra do Golfo, ou Primeira Guerra contra o Iraque, foi de 02/08/1990 a 28/02/1991, e a Segunda Guerra do Golfo, ou Segunda Guerra contra o Iraque [‘Operation Iraqi Freedom (OIF-2003)’], foi de 19/03/2003 a 1º/05/2003.

Em decorrência de ‘Programas de Intercâmbios Militares entre as Forças Armadas do Brasil e dos EUA’, no caso em questão no âmbito das duas Marinhas de Guerra, Brasil (MB) e EUA (USN), o Oficial Superior do Corpo da Armada (CA), o então Capitão-de-Corveta (CC) Luis Felipe Rabello Freire (2), fora designado em janeiro de 2002 para permanecer por dezoito meses, de janeiro/2002 a julho/2003, embarcado na Fragata Lança Mísseis Classe Perry USS Thach FFG-43 (https://en.wikipedia.org/wiki/USS_Thach_(FFG-43))) atracada junto à Base Naval de San Diego, Califórnia, EUA.

A Fragata Lança Mísseis Classe Perry, USS Thach FFG-43, foi a 37ª embarcação dessa classe de navios contando com uma guarnição de 260 homens, e que foi descomissionada do Serviço Ativo da Marinha (SAM) dos EUA em 15/11/2013, ou seja, 29 anos após a data da sua incorporação em 17/03/1984.

Dentre os principais armamentos da Fragata Lança Mísseis Classe Perry, USS Thach FFG-43, constava lançadores de mísseis antinavios Harpoon, mísseis terra-ar Standard, torpedos antissubmarino MK 46, dois helicópteros SH-60 embarcados e metralhadoras MK-75 de 76 mm.

Quando o então CC (CA) Freire fora designado para a comissão militar nos EUA a bordo da USS Thach FFG-43, o Presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso (1º/01/1999 a 1º/01/2003), estava no último ano do seu segundo mandato presidencial.

Em 2 de novembro de 2002, a USS Thach FFG-43 recebera ordens para integrar a Força-Tarefa 55 (Task Force 55) tendo como navio capitânia o Porta-Aviões USS Constellation CV-64 (https://en.wikipedia.org/wiki/USS_Constellation_(CV-64)), com a missão de patrulhar por cinco meses as águas do Golfo Pérsico.

A presença da FT-55 na área do Golfo Pérsico, posicionada numa área distante 40 milhas náuticas da costa do Iraque, tinha como principal finalidade proteger os porta-aviões americanos, embarcações anfíbias e de logísticas, e, também, caso fosse necessário, realizar operações de ataques e de defesas antiaéreas, antinavios e antissubmarinas, bem como ocupar plataformas marítimas existentes no Golfo Pérsico, contando para isso com a ajuda de SEALs da US Navy (USN).

Com a entrada dos EUA e Aliados na Guerra contra o Iraque em 19/03/2003, a FT-55 veio a juntar-se às Forças da ‘Coalizão de Boa Vontade’ na ‘Operation Iraqi Freedom (OIF-2003)’.

Em abril de 2003, a FT-55 deixou a área de conflito retornando à Base Naval de San Diego, Califórnia, EUA (3).

A ‘Task Force 55 (TF-55) – Constellation Carrier Strike Group (CSG)’, com toda a certeza, era uma ‘Força-Tarefa de Alto Mar’ tendo que contar para isso com uma poderosa  infraestrutura logística (façanha multiplicada por dois: Base Naval de San Diego/Golfo Pérsico e retorno) para percorrer todo o Golfo Pérsico, atravessar os Oceanos Índico e Pacífico, até retornar à base naval de origem (4).

Operation Iraqi Freedom (OIF-2003): EUA e Aliados

Apenas quatro países enviaram tropas na fase da invasão da Segunda Guerra contra o Iraque de Saddam Hussein, que foi de 19 de março de 2003 a 1º de maio de 2003.

Os Estados Unidos contribuiu com a maior força (148.000 militares) que formavam a vanguarda da ‘Coalizão de Boa Vontade (Coalition of the Willing)’;

O Reino Unido enviou 45.000 militares;

A Austrália, 2.000 militares; e

A Polônia, 194 militares, sendo que na sua maioria oriundos de suas Forças Especiais ‘Polish GROM’ (‘Grupa Reagowania Operacyjno-Manewrowego’, em língua portuguesa‘Grupo de Resposta de Manobra Operacional’) (5).

Período Lula (1º/01/2003 a 1º/01/2011)

Após treze anos (1990 a 2003) de embargos econômicos contra o Iraque de Saddam Hussein, e encerrada a ‘Segunda Guerra contra o Iraque’, teve início a reconstrução do país, permitindo que o Brasil do ‘Período Lula’ viesse a se beneficiar dessa reconstrução, via exportações brasileiras (6).

Notas Complementares:

(1) “Multilateral support – In November 2002, President George W. Bush, visiting Europe for a NATO summit, declared that, “should Iraqi President Saddam Hussein choose not to disarm, the United States will lead a coalition of the willing to disarm him.”

Thereafter, the Bush administration briefly used the term ‘Coalition of the Willing’ (Coalizão de Boa Vontade) to refer to the countries who supported, militarily or verbally, the military action in Iraq and subsequent military presence in post-invasion Iraq since 2003. The original list prepared in March 2003 included 49 members. Of those 49, only six besides the U.S. contributed troops to the invasion force (the United Kingdom, Australia, Poland, Spain, Portugal, and Denmark), and 33 provided some number of troops to support the occupation after the invasion was complete. Six members have no military, meaning that of the 49, 3 withheld troops completely (2003 invasion of Iraq – https://en.wikipedia.org/wiki/2003_invasion_of_Iraq)”.

(2) Por determinação do Comandante da Marinha, a partir de 23/06/2014 o Capitão-de-Mar-e-Guerra Luís Filipe Rabello Freire é designado Capitão dos Portos em Santa Catarina (Diário Oficial da União (DOU), 23/06/2014 – https://www.escavador.com/diarios/331972/DOU/secao-2/2014-06-23?page=3).

(3) ‘Task Force 55 (TF-55) – Constellation Carrier Strike Group (CSG)’: The USS Constellation (CV-64), USS Bunker Hill (CG-52), USS Valley Forge (CG-50), USS Milius (DDG-69), USS Thach (FFG-43) and USS Rainier (AOE-7). [‘Constellation Carrier Strike Group Returns Home From Operation Iraqi Freedom’ – US Navy News Service, 29/MAY/2003 (http://www.navy.mil/submit/display.asp?story_id=7687)].

(4) Em tempo, releia matéria do Plano Brasil (PB) de autoria de Gérsio Mutti sobre a necessidade de uma ‘Marinha de Guerra de Alto Mar’, em vez de uma ‘Marinha de Guarda Costeira de Cabotagem’:  Plano Brasil/Análise: “Marinha de Guerra de alto-mar é para país sério!!!”’ (http://www.planobrazil.com/plano-brasilanalise-marinha-de-guerra-de-alto-mar-e-para-pais-serio/).

(5) US Navy SEALs and Polish GROM, under control of Captain Robert Harward, USN, Naval Special Warfare Group, CTG-561, would secure the offshore platforms of Mina Al Bar-sa Oil Terminal (MABOT) and Khawr Al Amaya Oil Terminal (KAAOT) – [‘Naval Coalition Warfare: From the Napoleonic War to Operation Iraq Freedom’, Edited by Bruce A. Elleman, S.C.M. Paine, page 211 (http://crockettbookco.com/?q=h.title.links&parms%5Beisbn%5D=CzImsbX9fTXI_517a3xeeg)].

(6) “Pós-guerra no Iraque beneficia Brasil. País viu dólar e risco-país baixarem durante conflito; construção civil e alimentação são ‘armas’ de empresas brasileiras (Por Gabriel Garcia) – … Até o momento, a guerra ajudou o Brasil a consolidar a política de segurança econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O dólar, que chegou a passear abaixo da casa dos R$ 3,00 na última semana, foi a moeda mais valorizada do mundo em 2003. Um dos motivos seria a falta de conflitos bélicos regionais na América Latina, fator que traz tranquilidade ao investidor estrangeiro. A ameaça de alta na cotação do petróleo – bastante real, levando em conta que Saddam comandava a segunda maior reserva petrolífera do mundo – não se consolidou. Pelo contrário, a cotação do produto só fez cair durante as semanas de combate, chegando a ser negociado a US$ 24,33 na Bolsa Internacional de Petróleo (IPE) nos contratos para junho. O risco-país brasileiro, índice que mede a segurança de investimento, caiu de 1.375 pontos no início de janeiro para cerca de 860 pontos – nos últimos 12 meses. A queda acumula 37,4%.

…  Durante a década de 80, período que compreendeu a guerra Irã-Iraque, o Brasil exportou cerca de US$ 150 milhões em carne de frango congelada. À frente do negócio estava o atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, então na Sadia. Atualmente, a população iraquiana consome, além do frango, carne bovina, café e açúcar brasileiros, provenientes do programa Petróleo por Comida da Organização das Nações Unidas (ONU).

…  Desde a Guerra do Golfo, em 1990, o Iraque estava sob embargo econômico. Para Sidnei Bizarro, especialista em planejamento tributário, o governo brasileiro vai precisar de muita diplomacia para voltar àqueles tempos áureos, dada a posição oficial do Brasil contra a guerra. “Os EUA, assim como países europeus, têm um interesse muito grande de colocar suas empresas lá. Hoje começa a se despontar um jogo muito grande para ver quais empresas estarão disputando a reconstrução”, afirma. De acordo com Bizarro, o governo brasileiro deveria investir nessa “simpatia” e nos antigos laços comerciais com o Iraque para assinar alguns contratos. “O fato de termos atuado de alguma forma na construção civil pode fazer com que sobre alguma coisa para o Brasil”, diz. Na opinião do consultor, mesmo o dólar em queda não deve desestimular o interesse das empresas brasileiras por negócios externos. “Mesmo com o dólar abaixo de R$ 3,00, até R$ 2,50, eu continuo defendendo que a empresa deve insistir em colocar seu produto no mercado externo, não tenha dúvida”, declara Bizarro. (JCNET, 27/04/2003 – http://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=20052&ano=2003&p= )”.

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2 Comments

  1. Pingback: Plano Brasil/OIF-2003/História Contemporânea/Análise: “MB integrou, ‘por breve período de tempo’, a ‘Coalizão de Boa Vontade’ (Forças Armadas Americanas e Aliadas) na ‘Operation Iraqi Freedom (OIF-2003)’” | DFNS.net em Português

  2. O brasil não teve nada a ver com o massacre do povo iraquiano!

    é melhor ficarmos neutros, porque a historia julgará o senhor da guerra.

    Não desejo aos nossos soldados serem mandados para uma guerra fabricada e desnecessaria.

    abraços de um patriota

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