Defesa & Geopolítica

Plano Brasil/Análise: KNDS EMBT (Euro Main Battle Tank)

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Por Anderson Barros

O grupo Franco-Alemão KNDS (formado em 2015 pelas companhias Nexter, francesa, e Kraus-Maffei Wegmann (KMW), alemã), apresentou na Eurosatory 2018, o conceito do EMBT (Euro Main Battle Tank) sua primeira tentativa de combinar tecnologias nacionais para desenvolver um carro de combate europeu da próxima geração.

O EMBT foi desenvolvido pela KNDS combina o  chassi do Leopard 2A7com uma torre Leclerc de 120 mm que se tornou o veículo demonstrador do conceito definido para o novo carro de combate Europeu.

De acordo com os engenheiros da KNDS os esforços de desenvolvimento estão em andamento desde janeiro de 2017, com o veículo conceito realizando testes de rodagem e de fogo á apenas um mês atrás.

Este é o primeiro passo para ter um produto comum da Nexter e da KMW”, disse Rudolf Neuhaus, gerente de projeto da EMBT para a KMW.

 “Este veículo é apenas um demonstrador, o próximo passo será ter um protótipo de um veiculo pré-série”.

O conceito apresentado do EMBT é uma resposta as necessidades de curto prazo para o mercado de Carros de Combate para nações que necessitam substituir suas frotas de nos próximos anos.

Inicialmente os planos da KNDS é avaliar o potencial de mercado do EMBT em sua configuração inicial que foi apelidada de LeclercPard (Leclerc + Leopard) ou LeoClerc ( Leopard +Leclerc).

Segundo seus projetistas não é descartada a possibilidade de equipar o EMBT com um armamento mais capaz com um canhão de alto poder de penetração – calibre 130 mm ou 140 mm. Tanto a Nexter quanto a KMW possuem projetos com este conceito. A KMW chegou a testar no inicio dos anos de 1990 um conceito de um canhão 140 mm no seu leopard 2 que foi designado Leopard 2-140 porém o mesmo foi cancelado em 1995. Recentemente a Nexter apresentou um Leclerc que recebeu um canhão de 140 mm que muitos analistas creditavam ser uma resposta ao Armata russo. Um dos dilemas de dos canhões de alto calibre como os 130 mm e 140 mm é a redução da capacidade de munição embarcada no veículo para as dimensões de torres que estamos acostumados.

Leopard-2-140 / Leopard-2KW III

 

AMX-56 LECLERC 140 mm

O Projeto do veículo conceito foi financiado pela KNDS e não é um programa governamental sendo esse uma iniciativa privada. Espera-se que o trabalho realizado no demonstrador informe os requisitos de tecnologia e cooperação para um futuro MBT que entrará em serviço na década de 2030. O programa também visa possíveis atualizações dos carros de combate Leopard 2 atualmente em uso no mundo.

Usuários atuais do Leopard 2

Os governos da Alemanha e da França estão atualmente estudando um novo Carro de Combate cujo o programa é conhecido como Mobile Ground Combat System (MGCS) podendo o EMBT servir de base para este projeto ou não.

 

Pretensões do EMBT (Euro Main Battle Tank).

Servir de Base para um novo MBT europeu visando fazer frente aos novos veículos Russos

Servir como mais um produto Europeu para o mercado de Carros de Combate atual.

Servir de Base para futuras atualizações da frota mundial de veículos Leopard 2 atualmente em uso.

Desvendando o código genético do EMBT

DNA Frances…

A suíte de sensores do Leclerc é bem completa contendo 8 periscópios a disposição do comandante mais uma mira panorâmica HL-70 estabilizada com recursos de intensificador de imagem e integrada a um telêmetro a laser fabricada pela SAGEM. É interessante observar que o comandante tem ainda a apresentação da imagem da mesma câmera de imagem térmica usada pelo artilheiro, melhorando muito a consciência situacional da tripulação nos tensos momentos de batalha. A estação do artilheiro está equipada com uma mira estabilizada SAVAN 20 que por sua vez tem uma câmera termal. Além disso, o artilheiro conta com acesso a 3 periscópios. O motorista também conta com 3 periscópios e uma mira OB-60 desenvolvida pela empresa Thomson- CSF que fornece imagem para qualquer condição de luminosidade. Os sistemas de miras comentados acima estão integrados a um computador de controle de fogo  FINDERS (Fast Information, Navigation, Decision and Reporting System) capaz de selecionar 6 alvos em rápida sucessão com a solução de tiro para eles em pouco mais de 30 segundos.

Nesta foto em close podemos ver a esquerda a torre da mira estabilizada SAVAN 20 e a mira HL-70 do comandante a direita. Este conjunto representa os principais sensores dentre todos que são usados no Leclerc.

A blindagem original do Leclerc já era uma das mais efetivas dentre os atuais MBTs do mundo. A blindagem é modular composta por placas de aço que podem ser substituída facilmente quando danificadas. A blindagem principal tinha uma composição de aço, cerâmica e kevlar. As versões atuais do Leclerc, no entanto, receberam o reforço de placas de titânio e tungstênio que tornam ainda mais efetiva, principalmente contra projéteis perfurantes tipo flecha, ou APFSDS. O topo no Leclerc, recebeu uma proteção extra para proteger o blindado de mísseis que ataquem a parte superior do veículo, que normalmente, em outros carros de combate, é bastante vulnerável. O Leclerc conta, ainda com 8 granadas de fumaça (que podem ser do tipo anti pessoal também), que quando usadas dificultam a localização exata do veículo para as forças inimigas.
Ainda há uma suíte de medidas defensivas KBCM que alerta o comandante do veículo quando um sistema de laser estiver iluminando o veículo e quando mísseis tiverem sido lançados contra o veículo, permitindo que se tome medidas evasivas para evitar que mísseis guiados a laser atinjam o Leclerc. O sistema conta ainda com recurso de interferir em buscadores infravermelhos anulando a eficacia de armas que usem esse tipo de buscador. O Leclerc é, ainda, totalmente preparado para operar em um ambiente químico, biológico, nuclear (NBQ).

 O armamento principal do Leclerc é o potente canhão GIAT CN-120-26/52 em calibre 120 mm compatível com diversos tipos de munição, incluindo a APFSDS (perfurante de blindagem que também é chamada de penetradora por energia cinética) e munição HEAT (Alto Explosivo Anti Tanque). Todas as outra munições deste calibre usadas em carros de combate da OTAN, como o M-1A2 Abrams dos Estados Unidos, por exemplo, podem ser usadas pelo Leclerc sem problemas. Uma característica interessante do Leclerc é que o sistema de recarga do canhão é automático, ou seja, dispensa um homem para fazera recarga. São colocados 22 granadas de 120 mm no carregador, deixando o canhão pronto para usar imediatamente essa munição a uma cadência de 12 tiros por minuto. Outras 18 granadas são estocadas na torre. Como armamento secundário, há uma metralhadora coaxial pesada M-2HB calibre 12,7X99 mm (.50) e uma outra mais leve, modelo  AAT-M-52 em calibre 7,62X51 mm operada remotamente de dentro da torre.

O potente canhão CN-120-26/52 em calibre 120 mm pode destruir a maior parte dos blindados conhecidos. Seu carregamento automático permite manter uma cadencia de 12 tiros por minuto.

DNA Alemão…

A família Leopard, recebeu continuamente atualizações e inúmeros melhoramentos foram incorporados ao longo dos anos às versões subsequentes. A versão Leopard 2 A7+ recebeu melhoramentos importantes que visam aumentar a proteção da tripulação, preparando o veículo para os novos teatros de operações que se impõe às forças da OTAN principalmente para a guerra assimétrica e urbana.

A versão A7 é 23 cm mais largo e possui 5 toneladas a mais que a versão A6, em razão do acréscimo de proteção lateral nas saias do veículo, o carro possui uma massa total de 67,5 toneladas. Isto porque o carro é equipado com blindagem extra contra RPG 360º e IED. Além disso o veículo possui um sistema de comunicação com o exterior que permite ao veículo coordenar e se comunicar com tropas desembarcadas. O veículo  é equipado com dispositivos de imagem infravermelha à frente e à ré, além de dispositivos optrônicos para vigilância à longa distância.

A mobilidade, sustentabilidade e consciência situacional também foram melhorados. Outra alteração importante no casco frontal do Leo A7 em relação aos seus anteriores é a capacidade de montar o equipamento externo em pontos de montagem para  dispositivos de remoção de minas ou lâminas Bulldozer. As montagens também incluem plugues elétricos para variados fins ao lado direito da parte traseira do casco foi adicionada uma unidade auxiliar de potência. O Veículo consome e exige mais potência elétrica em função do acréscimo de novos instrumentos digitais e elétricos, além disso, o A7 oferece terminais para as tropas em apoio as unidades blindadas.

Propulsão

Ao que se sabe, o veículo 2A7 deve compartilhar a mesma motorização das séries anteriores que são impulsionados por um  motor diesel MTU MB 873, que fornece 1.500 hp ou 1.103  kw de potência. O MTU MB 873 é um motor diesel de quatro tempos, 47,6 litros e multi-combustível,o motor é turbo de 12 cilindros e possui um escape com refrigeração líquida, que tem uma taxa de consumo de combustível estimada em cerca de 300 l / 100 km em estradas e 500 l / 100 km em campo despreparado.

O potente motor MTU MB 873 de 12 cilindros equipa todas as versões do Leopard 2. Graças a sua elevada potência (1500 Hp) ele permite uma alta velocidade ao pesado Leopard 2A7.

O sistema de frenagem do veículo acoplado é do tipo  Renk HSWL 354, a transmissão tem 4 marchas para a frente, duas marchas a ré com um conversor de torque  totalmente automático. O motor e a transmissão são separados do compartimento da tripulação através de um anteparo à prova de fogo.

O Leopard 2 possui quatro tanques de combustível, que têm uma capacidade total de cerca de 1.200 litros, o que lhe permite uma alcance na estrada de cerca de 500 km, algumas literaturas apontam para 450 km na variante 2 A7, provavelmente devido ao aumento da massa do veículo. Segundo algumas fontes o Leopard 2A 7 pode atingir cerca de 72km/h em estradas pavimentadas. o exército alemão priorizou a mobilidade em seu Leopard 2, que é considerado o MBT mais rápido que existe.

O  veículo pode trafegar por cursos d´água de 4 m de profundidade, pois para isso, faz uso de um snorkel ou 1,2 metros. Além disso, está equipado com uma unidade de refrigeração de alta performance e uma APU (unidade auxiliar de potência) que lhe permite efetuar sem interrupções, operações de mais de 24 horas. O conceito operacional redesenhado permite que a tripulação possa  utilizar os novos recursos de forma eficiente sem a  perda de energia mesmo estando o veículo parado por muitas horas.

 Agradecimentos a  Carlos Emílio Santis Junior (Editor do site Warfare) e ao Editor Chefe (e professor) Edílson Pinto pelas informações cedidas para a realização desse artigo. (Anderson Barros)

4 Comments

  1. Adriano Corrêa says:

    Nossa! Uma verdadeira quimera, mas ficou legal, dá pra dar uns tiros!

  2. inimigos no passado e aliados agora colaborando em importantes projetos de defesa, quanto ao tanque muito pesado para os padrões brasileiros pelo menos é que tenho lido a muito tempo já que o nosso exército que algo em torno da 50 toneladas

  3. Vai ser interessante ver o que vai sair disso, um MBT concebido para lutar em um campo de batalha em 2030 com drones vindo pelo ar e por terra isso para não falar dos misseis antitanque.

    Sds

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