Defesa & Geopolítica

Paraguai exige do Brasil devolução do herói paraguaio “El Cristiano”

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Cristiano

“Venho hoje ao altar da pátria para reivindicar e exigir a devolução do canhão “El Cristiano” (“O Cristão”) e o Arquivo Secreto da Tríplice Aliança, que está na República Federativa do Brasil”, disse o presidente paraguaio Federico Franco, no ato de lembrança dos heróis locais da Guerra do Paraguai.

“Não haverá paz, nem entre os soldados, nem entre a sociedade paraguaia, enquanto não for recuperado o canhão “El Cristiano” , insistiu o presidente paraguaio Federico Franco na data de 1º de março, ocasião em que o país homenageou os soldados caídos na maior guerra da história da América do Sul (1864-70).

“El Cristiano” é emblemático para o Paraguai, por ter sido levado para a Batalha de Curupaiti, em 22 de setembro de 1866, maior vitória do presidente vitalício paraguaio, Solano López contra o Tratado da Tríplice Aliança .”

A honra por um canhão

Paraguai exige do Brasil a volta do “Cristão”, trazido como troféu de guerra. Ele ressurge sempre que a relação entre os países vai mal, como agora

ISABEL FLECKENVIADA ESPECIAL A ASSUNÇÃO

A Guerra do Paraguai ainda não acabou no imaginário dos paraguaios.

A última batalha entre as tropas locais e a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) ocorreu em 1870, mas os rancores provocados pela derrota, que levou o país vizinho a uma ruína cujos efeitos ainda estão presentes, continuam vivos para a maioria da população.

O governo paraguaio exige que o Brasil devolva um combalido sobrevivente: o canhão “El Cristiano” (“O Cristão”), considerado herói paraguaio, mas que talvez nunca tenha feito um disparo.

O “Cristão”, que ganhou esse nome por ter sido construído a partir de metal fundido de sinos de igrejas de Assunção, reaparece na política paraguaia toda vez que as relações com o Brasil não andam bem –como agora.

Depois de o Paraguai ter sido suspenso do Mercosul por causa do impeachment-relâmpago de Fernando Lugo no ano passado, o presidente Federico Franco voltou ao tema em 1º de março, data em que o país homenageia os soldados caídos na maior guerra da história da América do Sul (1864-70).

Estima-se que 300 mil paraguaios e 50 mil brasileiros tenham morrido.

“Não haverá paz nem entre os soldados nem entre a sociedade paraguaia enquanto não for recuperado o canhão Cristão'”, disse Franco na ocasião.

No próximo domingo, o Paraguai elege seu novo presidente e deve normalizar os laços com o Mercosul. Mas o canhão deve continuar sendo uma mancha na relação com os vizinhos.

Trazido ao Brasil logo após o fim do conflito, o armamento foi instalado no então arsenal do Exército, no Rio de Janeiro, de onde nunca saiu.

O local foi transformado no Museu Histórico Nacional, e o troféu de guerra segue exposto no pátio aberto.

Franco já havia exigido a devolução do “Cristão” em 2010, ainda como vice de Lugo. Em resposta, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a pedir ao Ministério da Cultura (MinC) que providenciasse o retorno do canhão à sua pátria.

Mas a ideia despertou a ira de historiadores e militares brasileiros. “Troféus de guerra são emblemáticos não só para um país, mas para todos que participaram dela. O canhão faz parte da história do Brasil também”, diz o pesquisador Francisco Doratioto, autor do livro “Maldita Guerra”, sobre o confronto com o Paraguai. O assunto acabou engavetado por Dilma.

Procurado pela Folha, o MinC sugeriu que a devolução está sendo reconsiderada, para que o canhão faça parte de “ações de cooperação de interesse para os dois países”, como a criação de um museu.

Como o bem faz parte do patrimônio histórico brasileiro, teria de passar por um processo de “destombamento” –uma decisão que, em última instância, cabe à presidente da República.

Para Doratioto, o governo paraguaio só pode reivindicar o “Cristão” se entregar ao Brasil embarcações como a Anhambay –capturada na invasão de Mato Grosso.

“Num processo de integração da América do Sul, é preciso começar a reviver o passado e pedir de volta todos os troféus?”, indaga.

O mesmo questionamento é feito pelo general Aureliano de Moura, presidente do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil. “Tanto o canhão como navios custaram sangue dos nossos soldados e dos deles também. Não é lógico devolvê-lo.”

ATIROU OU NÃO?

O “Cristão” é emblemático no Paraguai por ter sido levado para a Batalha de Curupaiti, de 22 de setembro de 1866, maior vitória do país contra a Tríplice Aliança.

Segundo os relatos paraguaios, o canhão, colocado no Forte de Curupaiti, foi decisivo para conter o avanço das tropas brasileiras e argentinas rumo ao Forte de Humaitá, que controlava o acesso a Assunção.

No Brasil, há quem diga que o “Cristão” apenas assistiu ao triunfo paraguaio naquele dia. “Ele nunca disparou uma bala, porque os paraguaios fizeram uma estrutura interna tão moderna para a época que eles próprios não tiveram condições de usar”, afirma Vera Tostes, diretora do Museu Histórico Nacional. Se for devolvido, o canhão não vai mudar em nada o cenário de crise diplomática com o Brasil por causa de Lugo e do Mercosul. Mas a guerra estaria mais perto do fim do outro lado do rio.

Fonte: Folha de São Paulo 

 

Leia também:

Franco reivindica ao Brasil devolução de canhão cristão e arquivos militares

 

Assunção, 1º mar 2013 (EFE).- O presidente do Paraguai, Federico Franco, exigiu nesta sexta-feira ao Brasil, no ato de homenagem pelo Dia dos Heróis da guerra de seu país contra a Tríplice Aliança (1864-1870), a devolução de um canhão cristão e dos arquivos militares do confronto.

“Venho hoje ao altar da pátria para reivindicar e exigir a devolução do canhão cristão e o arquivo secreto da Tríplice Aliança que está na República do Brasil”, disse Franco no ato de lembrança dos heróis locais da Guerra do Paraguai.

“Não haverá paz nem nos soldados nem na sociedade paraguaia enquanto não for recuperado o canhão cristão feito dos sinos de igrejas para destruir o encouraçado Rio de Janeiro”, insistiu o líder paraguaio.

O chefe de Estado participou hoje dos atos do Dia dos Heróis, feriado nacional que foi reprogramado para a próxima segunda-feira (2 março 2013) e que incluiu um desfile militar em Pedro Juan Caballero, perto da fronteira com o Brasil. EFE

Fonte: EFE via Terra

 

15 Comments

  1. Não devemos devolver nada,centenas de soldados brasileiros tombaram para manter nosso território, o sangue deles não deve ser desprezado.
    Se quiserem, que venham bucar.

  2. Milhares de soldados Brasileiros tombaram para tomar essa merda desse canhão, e eles querem que nós passemos por cima de nosos heróis e devolver o canhão? Esse povo nunca ouviu falar de espólios de guerra?

  3. Pergunta, o governo Paraguaio já foi reconhecido pelo Mercosul ou pelo Brasil? Como pode quem não existe fazer pedidos? Isso é pura provocação de quem deu um golpe de estado e recebeu em troca a indiferença dos vizinhos.

  4. Temos que devolver . Com uma condição franco tem que levar nas costas até o Paraguai é pega ou larga, eu to sendo bozinho.

    • luiz anselmo pias perlin says:

      LEGAL só apoio a ideia se ele vier tambem chutamdo a munição COLABORADO TO DO TEU LADO QUE DEUS ABENÇOE O BRASIL E SEU POVO.

  5. Nunca…

    Jamais devemos devolver… é um nosso troféu de guerra conquistado com o sangue de nossos soldados…

    O Infame invasor do nosso território nacional não deve receber nenhuma indulgencia, mesmo que já tenha passado o tempo, e mesmo que tenha sido vencido no campo de batalha!!

    Invadem o nosso território, depredam o território, queimam casas, matam nossas crianças e estupram nossas mulheres nos territórios ocupados, pois assim é a guerra, e foram eles que começaram com a invasão… e depois vem com essa conversa de “Devolver a Honra”?? Mas é muita cara de pau mesmo!!

    Nunca devolveremos… NUNCA!!

    Venham buscar!!

  6. Entregar esse trambolho é traição. Como pode um presidente d república se dispor a rebaixar o noso país a esses que sempre nos odiaram … Foram eles quem nos invadiram e causaram tantas infelicidades não só para eles mas também para nós.

  7. Ilya Ehrenburg says:

    Assunto velho…

  8. Henrique Senna says:

    Já temos até uma hidrelétrica em conjunto, por quê não um museu em conjunto?

  9. PÉ DE CÃO says:

    na verdade nao poderia perdoar a divida de guerra que o paraguai tinha com o brasil
    Nao poderia fazer uma itaipu sendo binacional
    Isso para mim foi a pior burrice do brasil .
    e os paraguaios querem os documentos ,o canhoa é apenas conversa para boi dormir ,mas eles querem documentos ,na verdade eles estao ameaçando o brasil ,por isso que temos que investir mais rapido em armamentos ,pois essa direita paraguai pode ser usada como bucha de canhao contra o brasil
    e eu gostaria de saber quais governos perdoaram a divida de guerra e em que governo com dinheiro brasileiro foi construido itaipu binacional

  10. Derrete este ferro velho e faz umas medalhinhas comemorativa à vitoria sobre um caudilho paraguaio do passado; assim com é esse fantoche e populista atual de hoje.

  11. Comentário perfeito franco, concordo em gênero numero e gral.
    Foram os paraguayos, que seguindo um ditador louco, nos agrediram, se alguém deve desculpas, não somos nos.

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  13. Passado mistico futuro melancolico. Esse tipo de controversa so pode ter objetivo obscurantista. Desviar atencao publica da crise economica que afeta os dois paises e mais o resto do mundo e para a qual a burguesia nao tem solucao que nao seja atravez de uma terceira guerra mundial.

  14. Jorge Christian Rodrigues Cunha says:

    Sou aluno universitário de História (Uerj, não cotista), e considero válida a devolução do canhão ao Paraguai. É fato, também, que cabe ao Paraguai devolver ao Brasil as carcaças das embarcações Anhambay e Rio de Janeiro, até hoje em solo paraguaio. Gestos desse tipo são importantes para acertar contas com o passado. Ademais, quero lembrar aos brasileiros que se opõem à devolução do El Cristiano: o próprio Brasil é grande vítima do saque de patrimônio cultural, com o roubo de mapas, documentos, peças sacras das igrejas históricas de Minas Gerais, etc. Retendo uma relíquia paraguaia, como poderemos reivindicar a devolução dos nossos bens culturais, rapinados e levados para o Exterior?

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