Defesa & Geopolítica

O SUMIÇO DO ‘SAN JUAN’/ANÁLISE: A falta de vestígios e de comunicações indica a pior hipótese, de um evento que calou o navio repentina e completamente (intoxicação da tripulação por gás? Uma explosão?)

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Foto de arquivo do “San Juan”

Por Roberto Lopes

 

 

Em um caso como este, da súbita perda de contato das autoridades navais argentinas com o submarino San Juan (S-42), qualquer coisa que se diga pode ser desmentida no minuto seguinte ao da publicação do texto.

Mas, decorridas 72 horas da última emissão de posicionamento feita pelo navio, no través do Golfo de São Jorge, a 432 km de Puerto Madryn (Província de Chubut) – latitude 46° 44′ sul e longitude 59º 54’ (ou 60° 08’) Oeste, navegando no rumo 015º a 5 nós de velocidade –, ficaram para trás as primeiras 48 horas, em que o navio, mesmo submerso, suporta bastante bem o isolamento.

Nessa situação, sobram questionamentos:

– Se o navio está à deriva na superfície, porque não há chamadas de socorro por meio de um telefone via satélite?

– Se o navio está submerso afetado por uma pane elétrica generalizada, porque ele não fez uso das chamadas radiobalizas (emissores de sinais de acionamento manual)?

– Que tipo de evento teria calado o navio de forma tão rápida e completa? A intoxicação da tripulação pelo gás tóxico produzido por uma disfunção grave da bancada de baterias? Uma explosão no compartimento de torpedos e minas navais da proa?

Bancada de baterias do submarino “San Juan”

– Se ele efetivamente naufragou, por que não há indícios disso à superfície (manchas de óleo e escombros)?

Profundidade – Na posição em que o San Juan fez sua última emissão, as profundidades, segudo a mídia argentina, variam em torno dos 750 m.

Não há casco que suporte à pressão submarina a essa distância da crista das ondas. Por outro lado, os modernos batiscafos de investigação das profundezas operam, normalmente, a profundidades no patamar dos 900 m. Isso quer dizer o seguinte: os destroços do San Juan, se existirem, poderão, sim, ser localizados e identificados.

Como toda a torcida é de que o navio não tenha arrebentado no fundo do mar, a expectativa se concentra, por agora, nas reservas de oxigênio para os tripulantes, e na engenhosidade deles para dizer que estão vivos.

Compartimento de Comando do “San Juan”

Mas é preciso ressaltar: os meios de salvamento mobilizados para as buscas ao navio são ainda poucos e de baixa complexidade, em comparação com os existentes nas marinhas dos Estados Unidos, da Rússia e de alguns países nórdicos.

As buscas envolvendo dezenas de navios e aeronaves, bem como embarcações civis, tais como vemos agora, devem se estender por um período de 40 a 70 dias.

Até o momento da publicação deste texto a Marinha Argentina não confirmava a notícia que circula desde as primeiras horas da manhã deste sábado (18.11) ,de que o San Juan foi localizado por um serviço internacional de buscas a submarinos, a uma profundidade de 70 m, em um ponto a cerca de 300 km da costa continental argentina.

 

O conteúdo deste artigo é de total responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do site.

14 Comments

  1. Pingback: O SUMIÇO DO ‘SAN JUAN’/ANÁLISE: A falta de vestígios e de comunicações indica a pior hipótese, de um evento que calou o navio repentina e completamente (intoxicação da tripulação por gás? Uma explosão?) | DFNS.net em Português

  2. Deus queira que está notícia no último. Parágrafo seja logo confirmada.

    • Também torço por isso, RL.
      A ideia da perda desses 44 tripulantes é tristíssima…
      Mas é preciso assinalar: a falta de meios específicos para o salvamento de submarinistas, e o pouco treinamento de salvatagem (intenso nas Marinhas do Brasil, Chile e Peru) é uma das várias lacunas da Armada Argentina da atualidade.
      Uma Força que, nas décadas de 1930 e 1940, foi referência na América do Sul, hoje está nessa situação de penúria…

      • Ricardo André says:

        Infelizmente países como Argentina, Brasil , Uruguai e outros, somos vítimas do descaso e irresponsabilidade de governantes descompromissados com a defesa e a segurança da Pátria e daqueles que a servem. Basta lembrar que o Brasil passou pelo vexame de te um barco a deriva quando levava tropas ao Haiti, não estamos imunes a esse tipo de coisas.

  3. Deus ajude os tripulantes do San Juan é dê forças às suas famílias. Que não se repita a tragédia do submarino Kursk, vamos rezar!

  4. Espero que ele seja de fato encontrado e que sua tripulação saia ilesa. Agora tentar saber qual foi o motivo sem a embarcação ou relato da tripulação é muito difícil, mais de 1000 itens que podem afundar tal embarcação…

  5. claudio quadros says:

    melhor ter um submarino novo do eu velharia submarinos argentinos pena marinheiro paga própria vida or causa ganancia dos políticos trata defesa ultimo caso coitado agora ode esta todos mortos

    • O Submarino não é velho, deve ser falha na manutenção !

      Duro para as famílias, se o submarino estivesse a deriva na superfície já teria sido localizado, se estiver submerso com alguma falha acho improvável é difícil saber o que ocorreu, mas já se passou muito tempo.

  6. Nossos Fortes Pensamento e Orações por este valorosos Seres Humanos.
    Que esta Angustia acabe logo….
    E Que Deus ampare as familias e o Povo Argentino.
    Muito Triste.

  7. A Argentina ta sen sort um helicóptero do presidente Macri teve uma pane e fez um pouso forçado. Esse sub me lembro o Kuhsk Russo. Mas eh triste a argentina ta passando pir mals bucado.

  8. fbrenha@globo.com says:

    Radiobalisas??? Será que as que DEVERIAM estar a bordo tinham bateria com carga para os chamados? É sabido que a manutenção da ARA não é mais precária por conta de ser impossível. Depois de dois naufrágios no porto, um em alto mar era questão de tempo. Se não foi, e torço para isso, será outro.
    .
    Mas é fato… Só uma desgraça para por juízo no alto comando e pressionar os políticos a liberaram as verbas necessárias à manutenção devida. Fica uma pergunta… Qual dos nossos fará companhia ao San Juan???

  9. Não devemos ser pessimistas, mas creio que se estivessem na superfície, já teriam se comunicado por alguma forma. Mesmo em caso de falta de energia existem recursos como Telefone via satelite, EPIRB e transmissores de emergência (SAR). Se o tal evento crítico aconteceu enquanto submerso, não deixou vestígios que tenham vindo à superfície, as alternativas lógicas restantes não são muito animadoras….Falha de baterias, perda do ar de alta pressão, alagamento, incêndio, tudo junto? Caso não tenha havido a temerosa reação química no banco de baterias com a consequencia fatal para a tripulaçao, fica difícil imaginar porque não houve qualquer sinalização de sinistro tais como: lançamento de detritos, bolhas, óleo, radiobóias, emissões de sonar ativo e etc. Que Deus misericordioso interceda neste incidente e que possamos contar com todo o aparato tecnológico para tentar o resgate, se possível, inclusive com a capacidade dos operadores de sonar passivo dos meios de superfície e submarinos que participam da missão, no sentido de detectar um ruído que nao seja biológico, e sim produzido pelo homem!

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