Defesa & Geopolítica

O que está por trás da retórica de guerra de Putin?

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Presidente russo se prepara para um quarto mandato e, ao mesmo tempo, mobiliza país para uma guerra hipotética. Analistas discutem se se trata de mera estratégia de campanha ou motivo de preocupação para o Ocidente.

Putin sobre tanque de guerra durante mostra militar, em 2011

No início de novembro, vários veículos da mídia russa –  incluindo o jornal independente Novaya Gazeta – estavam se perguntando “se a Rússia recebeu ordens repentinas de se preparar para a guerra”. Duas outras notícias pareciam corroborar a história.

Em setembro, o presidente Vladimir Putin causou agitação durante uma série de manobras militares ao afirmar que as indústrias estatais e privadas do país deveriam estar preparadas par aumentar a produção em tempos de guerra.

Alguns dias depois, surgiu nas redes sociais um documento que mostrava instruções para que as escolas da cidade de Krasnoyarsk estivessem prontas para operações de guerra. Neste caso, o documento era genuíno, mas as autoridades afirmaram que tudo não passava de um exercício de rotina.

Estratégia eleitoral e militar

A retórica belicista não é incomum na Rússia atual. Moscou repetidamente enfatiza que se sente ameaçada pelo Ocidente. Ainda assim, muitos foram pegos de surpresa com esses dois episódios.

O jornal Novaya Gazeta atribuiu o comportamento de Putin aos planos do presidente em relação às eleições presidenciais do ano que vem. Não era nenhum segredo de que ele desejava concorrer a um quarto mandato – e ele finalmente fez o anúncio oficial da sua candidatura na semana passada.

Alguns analistas de segurança também apontam que as eleições desempenham um papel nisso tudo. O historiador britânico Mark Galeotti, por exemplo, acredita que “a Rússia não está se preparando para a guerra”. Em vez disso, segundo ele, “esses episódios são parte da típica narrativa propagandeada por Putin com o objetivo de ganhar legitimidade”.

“É essa postura insistente de sugerir que a Rússia está cercada por Estados hostis e que todos os recursos disponíveis devem ser usados para defender a pátria”, apontou Galeotti. Para o especialista, com as eleições se aproximando, Moscou vai tratar de insistir ainda mais nessa versão.

O especialista militar Stephen Blank, ligado ao think thank American Foreign Policy Council, concorda com a tese sobre a campanha, mas também enxerga a retórica belicista como parte de um quadro maior.

“O governo russo acredita há anos que já está em guerra com o Ocidente”, disse. Dessa forma, a mobilização seria uma peça importante da estratégia de segurança russa.

O russo Alexander Golts, também especialista em assuntos militares, concorda. “A imagem da Rússia como uma ‘fortaleza sitiada’ é um ambiente ideal para uma campanha presidencial”, disse. “O problema é que essa retórica de preparação para uma guerra não vai desaparecer depois das eleições.” Segundo ele, esse tipo de visão vai permanecer por um longo tempo como uma das prioridades da liderança russa.

O efeito da anexação da Crimeia

De acordo com Golts, a percepção dominante na Rússia é a de que a guerra é possível e que é preciso se preparar adequadamente. A anexação da Crimeia, em 2014, e a “participação” em uma guerra secreta no leste da Ucrânia desempenharam papéis-chave nessa estratégia.

Golts, assim como muitos outros especialistas, acredita que a Rússia participou ativamente das atividades dos separatistas em Donetsk e Lugansk, na Ucrânia. O governo russo nega qualquer envolvimento.

“A preparação para a guerra é semelhante àquela observada na época soviética, baseada, sobretudo, em mobilização”, disse Golts. Por exemplo, as instruções enviadas às escolas indicavam que elas deveriam servir como pontos de convocação de reservistas e posteriormente como hospitais. Segundo Golts, o inimigo em uma guerra hipotética será o Ocidente, porque “o grosso das forças russas estão sendo deslocadas para o oeste e o sudoeste”.

Tanque de separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia

No momento, o Exército russo está instalando três novas divisões entre Smolensk e Rostov, ao longo da fronteira com a Ucrânia, justificando a medida como forma de proteger a Rússia das forças da Otan. Também no oeste da Rússia, uma força blindada foi reposicionada. Blank destaca que Moscou também vê a Ucrânia como parte do Ocidente.

Desde a anexação da Crimeia, a Rússia acelerou a modernização das suas forças armadas. Mesmo antes disso, no fim de 2013, o Ministério da Defesa do país já havia anunciado a construção de um moderno centro de comando militar em Moscou.

Já naquela época os jornalistas começaram a se perguntar se o país estava se preparando para a guerra. O centro de comando acabou sendo construído em tempo recorde e foi inaugurado no final de 2014. Agora os russos podem observar esse quartel-general quase todos os dias quando a TV russa transmite boletins sobre a missão militar russa na Síria.

As preparações para uma guerra hipotética, no entanto, não se resumem a isso. Em 2016, o país aproveitou um exercício militar para testar como os sistemas financeiro e de comunicações do país reagiriam durante um conflito. Outro teste envolveu um ensaio com militares assumindo a administração civil do país.

Relatos de São Petersburgo sobre medidas para estocar alimentos e estabelecer um sistema de racionamento acabaram ganhando as páginas dos jornais, assim como ocorreu com as notícias sobre a reabertura de abrigos subterrâneos em Moscou. Também em fevereiro deste ano, o Parlamento russo modificou uma lei sobre mobilização militar, estabelecendo que agora os líderes regionais são responsáveis por convocar as tropas.

Ainda não está claro se uma série de ordens de evacuação que ocorreram nos últimos meses fazia parte das preparações militares. O país todo se perguntou por que milhares de pessoas receberam ordens para deixar shoppings centers, escolas e cinemas país afora. As autoridades afirmaram que não se trataram de exercícios, mas de reações a uma série de ameaças anônimas de bombas.

“Defesa agressiva”

Galeotti considera que as ações russas fazem parte de uma modernização da área de defesa. “Quando falo com pessoas de círculos militares em Moscou, elas realmente acreditam que a Rússia está sob ameaça e que o Ocidente – especialmente os EUA – está tentando sabotar a posição da Rússia como potência mundial e promover uma mudança suave de regime no país”, diz.

“Eles realmente acreditam nessas besteiras. O que vemos aqui é uma forma agressiva de defesa”, acrescenta o historiador, apontando que isso é algo preocupante.

Ao analisar a situação e a retórica belicista, o Novaya Gazeta citou o dramaturgo Anton Tchecov, que disse certa vez que se uma arma aparece pendurada em parede do cenário no primeiro ato de uma peça, ela certamente será disparada até o último ato. Segundo um colunista do jornal, “a arma já foi solenemente pendurada na parede”.

Fonte: DW

 

 

12 Comments

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  2. Ta
    Mas desde quando o Putin adota retórica de guerra?

    Se ninguem mexer com ele, ele não mexe com ninguem

    Mas o ocidente/EUA vão inventar de acuar o cara achando que a Russia estava indefesa, ai ele reagiu

    simples como isso

  3. claudio quadros says:

    des surgimento desse Putin mundo virou bagunça .saudade velho bebeu bores era engraçado .

    • não a bagunça e criada pela elite americano que trabalho pelo governo dos EUA pelo seus interesse financeiros particulares(lucro) como uma mafia e tenta derrubar todos que não se vendem as elites e trabalha para o povo ! e tao perdendo no próprio jogo o capitalismo anárquico do interesse de poucas famílias ta sendo substituído pelo capitalismo organizado de estado ! só uma cabeça minima acredita que o estado minimo e superior a um estado forte e organizado pelo povo !

    • Flávio Henrique says:

      Infelizmente já era uma bagunça, agora se piorou ou não depois dele….nem sei…. pra isso só se avaliar TODA a história da humanidade (lembrando que nem tudo foi documentado por N motivos). Aqui entre nós a humanidade gosta e muito de fazer guerra.

  4. Traidores da pátria existem em todo lugar, um acaba de ser exposto:
    “Eles realmente acreditam nessas besteiras. O que vemos aqui é uma forma agressiva de defesa”, acrescenta o historiador, apontando que isso é algo preocupante.”.
    Somente um traidor poderia dizer algo tão estúpido, porque todos sabem que os EUA tentam exterminar a Rússia desde o fim da segunda guerra, talvez até antes disso.

    • jose luiz esposito says:

      Perfeita a tua Opinião , mas quem entrou em Decadência foram eles , a Rússia continuará e o TITIO , Kapput !!

  5. Meu deus leio os comentarios aqui, será que em que mundo esse meninos vivem…o que faz o mundo caminha e só uma coisa dinheiro e poder. Vcs acham mesmo que os donos do dinheiro no EUA ou na Rússia ou no fim do mundo eles querem promoverem Guerra entre eles. Eles só querem e terem lucro, promovendo essa disputa ocidente contra Rússia faz vende mais armas, que gera mais lucro, que faz o preço do petróleo aumenta que gerar mais lucro. Vocês precisam viaja e conhece o mundo, se você conhece a Rússia (exceção se vc for Rico) vc vai acha o Brasil um paraíso, e um país lindo, mais que a maioria da população e muito pobre. Os jovens de lá, nem querem saber de socialismo e muito menos de guerra. Essa retórica de Guerra, de país sitiado e só pretexto para um grupo se manter no poder.

    • a maioria deles sabe que quem manda é o dinheiro, mas insistem em acreditar que um estado grande daria poder ao povo, ainda mais num pais como o brasil que a grande parte da sociedade é ignorante…. qual a logica que eles seguem, eu não descobri ainda, mas parece que seja só medo de não ganhar dinheiro .

    • jose luiz esposito says:

      João tenho certeza que não conheces a Rússia nem em livrinhos escolares , todos sabemos que quando da queda da URSS , o Tiozinho pensava em Ditar Ordens ao Mundo , então IELTSIN um Bêbado teve a Visão de Indicar VLADMIR PUTIN , em menos de 15 anos a Canoa do Tiozinho Virou e agora com este Anormal , começa afundar , não adianta ninguém ACHAR nada !!
      Uma informação a ti , eu tive uma Tia Russa irmã de criação de meu Pai , embora de origem italiana ,meus avós a criaram quando da morte de seus país , o Pvo russo é muito superior Culturalmente aos estado unidenses, mas fazem os do Tiozinho comerem Poeira , quando falar do Povo Russo , antes te informes , não solte opiniões por ACHAR !

  6. César Pereira says:

    A única grave que eu vejo é a possibilidade de Putin tentar se perpétuar no poder, fora isso está tudo normal, a Rússia vem sendo acossada pelo EUA /Otan há muito tempo, isso é um fato, ela tem mais que se defender mesmo!

  7. jose luiz esposito says:

    O Povo Russo até agora o Apoia VLADMIR PUTIN meu amigo , enquanto isto Ocorrer , porque ele deveria sair , mas tranquilo , ele esta formando novas Lideranças . O Tio Satã tentou e tenta de tudo, apoiar um Líder Viciado e a Gays como Opositores , para fazerem Anarquias , e depois jogarem nas Redes Mundiais Compradas e Colonizadas , tentando Jogar a Opinião Pública de Cordeirinhos Colonizados contra PUTIN e a Rússia ,mas não colou e colará , vejam que ele sabiamente se afastou da MEDIA MUNDIAL, deixando o ANORMAL do TIOZINHO dar este Espetáculo de Circense ao MUNDO !!

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