Defesa & Geopolítica

Marinha sul-africana está selecionando um novo torpedo pesado para os seus IKL-209; DM2A4 ‘Seehecht’ é o favorito

Posted by

Por Roberto Lopes

 

 

A Armscor (Armaments Corporation of South Africa), agência de compra de armamentos do governo sul-africano emitiu, na segunda-feira da semana passada (11.09), um Requerimento de Informações (RFI) destinado a viabilizar a aquisição de torpedos pesados para os três submarinos IKL-209T/1400 classe Heroine da Marinha local.

Comissionados entre 2006 e 2008, os navios dessa flotilha medem 62 m de comprimento, deslocam 1.454 toneladas e, atualmente, transportam torpedos alemães AEG SUT 264 (na quantidade máxima de 14 armas por navio).

O classe Heroine sul-africano “Charlotte Maxeke”

Como alternativa também estão capacitados a disparar o míssil americano UGM-84 Harpoon¹.

O objeto do processo licitatório foi oficialmente definido como Fully integrated heavy weight torpedo system (HWT) for the SA Navy Type 209 Mod RSA Submarine  –  “Sistema de torpedo pesado totalmente integrado (HWT) para o Submarino da Marinha Sul-Africana Tipo 209”.

No período de 23 a 27 de outubro deste ano cada fornecedor interessado no contrato terá um encontro de trabalho com os chefes navais sul-africanos, na cidade portuária de Simon’s Town, para a apresentação das características técnicas do seu produto e da proposta comercial.

A licitação será concluída até 5 de março de 2018, e a substituição dos atuais torpedos SUT deve estar completada (com os testes dos novos torpedos realizados) até 2022 ou, no máximo, 2023.

Favoritismo – Segundo a coluna INSIDER pôde apurar, os sul-africanos comprarão de 40 a 50 torpedos novos, e o favorito para vencer a disputa é o modelo DM2A4 SeehechtSeahake Mod.4 na versão de exportação –, fabricado pela companhia germânica Atlas Elektronik (foto abaixo).

Cada um está orçado em, aproximadamente, 2,5 milhões de dólares.

Além do modelo alemão os sul-africanos devem ser convocados a examinar propostas pelos torpedos Spearfish inglês (BAE Systems), Type 62 sueco e pelo italiano Black Shark – vistos, nessa ordem, na sequência abaixo.

O Seehecht é, desde 2004, a arma principal sob a água dos submarinos Tipo 212 da Marinha Alemã.

Embarque de um “Seehecht” em um submarino alemão

Em palavras simples, o que a Marinha sul-africana planeja fazer é passar do grupo de forças navais que usam o SUT – a peruana e a da Indonésia entre elas –, para um time de marinhas de maior nível de prontidão operacional, que empregam o Seehecht – além da alemã, a norueguesa e a israelense, entre outras.

Características – O SUT 264 (foto) é usado na Marinha sul-africana desde 2006, mas a verdade é que, na Força, sempre foi considerado uma “solução provisória”.

Guiado a fio, o torpedo tem um alcance de 28 km navegando a 23 nós de velocidade, e de 13 km se programado para viajar a 35 nós. Sua carga explosiva está constituída por 250 kg de RDX.

O DM2A4 pesa 1.370 kg dos quais 255 kg correspondem à “cabeça-de-guerra”. Sua propulsão, amparada em uma bateria de zinco/prata, garante ao conjunto velocidade de 50 nós, por trajetos de até 27 milhas náuticas (50 km).

A confirmação da aquisição do torpedo surgiu no relatório anual do Departamento de Defesa 2014/15. O documento informou que a Força Naval sul-africana estaria incrementando a sua capacidade em torpedos pesados, ao mesmo tempo em que providenciaria a compra de uma embarcação hidrográfica, de navios de patrulha costeira e a atualização das suas fragatas.

O Instituto de Tecnologia Marítima, uma divisão dos Institutos de Defesa da Armscor (Pty) Ltd, foi contratado para prestar assessoria técnica ao processo de importação dos novos torpedos, a integração deles aos navios classe Heroine e testes básicos de funcionamento.

¹Dotado de um booster a combustível sólido (consideravelmente estável), o míssil é embarcado no submersível dentro de um contêiner cilíndrico especial que é acondicionado dentro de um dos oito tubos lança-torpedos do navio.

 

O conteúdo deste artigo é de total responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do site.

 

15 Comments

  1. Pingback: Marinha sul-africana está selecionando um novo torpedo pesado para os seus IKL-209; DM2A4 ‘Seehecht’ é o favorito | DFNS.net em Português

  2. ……………………..os sulafricanos compram…..o Brasil poderia estar quase produzindo…..aliás já produziu……mas a MB “esqueceu de continuar a produzir”….não houve “continuidade”…………pobre MB………….lastimável…………

  3. ………………oTPN ou torpedo pesado nacional estava em estudo pela Mectron junto com a Atlas Eletronik alemã e seria produzido para os submarinos do PROSUB….evidentemente o projeto custa um boa grana….. desconheço que fim tomou na atualidade……poucos países fabricam a arma e seria um fato positivo o Brasil produzir para próprio uso e venda.(afinal. o país ja produziu torpedos.)…..muitos países fabricam torpedos e se o Brasil produzisse poderia vender, repito, partindo para uma produção de escala…..se outros países fazem e vendem por qual razão não poderemos fazer o mesmo……o que é impressionante é ver que a mentalidade de colonia persiste segurando pelo cabresto muitos comentaristas com mentes de lacaio…………deplorável

  4. Dilson Queiroz, perfeito o seu comentário!

  5. Assim como a Mcdonnell Douglas foi cuidadosamente absorvida pela Boeing, a Mectron juntamente com seus produtos, projetos e Know-how, deveria ter sido cuidadosamente absolvida por uma empresa nacional de defesa, penso que única com capacidade para tal, seria a Avisbras. Mas o interino mandatário ao tempo juntamente com seu “patriota” MD, parecem não se importar com a importância estratégica em ter mísseis, torpedos, radares e sistemas nacionais. Não importa qual bons e determinados sejam nossos combatentes, em hipótese de ameaça bélica por uma potência, em pouquíssimos meses estaríamos sem reposição de armentos com tecnologia embarcada. E provavelmente sob embargo e sem possibilidade de repor como foi nas Malvinas com os Argentinos. Defesa vai além de adquirir armentos, a indústria nacional é fundamental. Somos um país Grande e não podemos nos dar ao luxo de orbitar projeto alheio. A Turquia desenvolve uma formidável indústria bélica local, também será grande neste século com toda certeza, terá respaldo em suas ambições. Deveríamos a nosso modo fazer o mesmo.

    • Boa tarde GripenBR,
      Você tem razão. O crescimento da Indústria de Defesa turca chama a atenção.
      Permita que eu acrescente outros 5 fatos internacionais que me chamam, particularmente, a atenção:
      – A renovação de meios da Esquadra Egípcia;
      – O crescimento da Marinha Vietnamita;
      – O investimento em Defesa do governo Rodrigo Duterte, das Filipinas;
      – A falta de resultados práticos da intervenção liderada pela Arábia Saudita no Iêmen; e
      – O acirramento na disputa pelo fornecimento de submarinos de ataque diesel-elétricos que contrapõe a DCNS (atual Naval Group) à TKMS e à SAAB Kockums.
      Bom fim de semana!

      • Obrigado Roberto. A Arábia saudita é um exemplo prático que os meios tecnológicos militares não combatem por si só. Mesmo os mais caros e modernos.

  6. …………………….Sr. Roberto …eu li o artigo a que o sr. se refere anteriormente e até comentei nêle na época ….otima cobertura da parceria com a Atlas Elektronik……………..

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

shared on wplocker.com