Defesa & Geopolítica

LEITURA DE SÁBADO: Naval Group (DCNS) propõe aos poloneses a história da ‘parceria estratégica’ para a construção de Scorpènes (mas a TKMS e a SAAB Kockums também disputarão o contrato…)

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Guillou (de óculos, no grupo que está à esquerda na foto) foi a Kielce marquetear o seu submarino Scorpène 2000

Por Roberto Lopes

 

 

O Naval Group (DCNS), da França, vai disputar com a alemã ThyssenKrupp Marine System e com a sueca SAAB Kockums, o fornecimento de uma nova classe de submarinos para a Marinha da Polônia – de três a quatro unidades, conforme está, hoje, previsto.

Trata-se, nesse caso, do chamado Programa Orka, redigido pelos chefes navais poloneses nos idos de 2012, como parte de uma iniciativa mais ampla, intitulada “Plano de Modernização Técnica das Forças Armadas da Polônia”.

O Orka é um planejamento de longo prazo que, originalmente, previa a aquisição de apenas três submersíveis, e cujo financiamento deve ser distribuído ao longo do tempo, até o ano de 2024. Os dois primeiros barcos precisam ficar prontos até 2022.

Os militares poloneses também exigem que o fabricante de submarinos vencedor da concorrência se comprometa com a construção, em território polonês, de um centro de manutenção para a nova classe de submersíveis.

A ideia é que seja criado um “potencial nacional” para a manutenção e a garantia da “prontidão técnica” dos navios – ou, em palavras mais claras, para a realização de todos os reparos que se fizerem necessários nos navios.

Além disso, os novos submersíveis deverão ser capazes de “transportar tropas que não os seus membros da tripulação”.

Os custos das embarcações também deverão incluir, claro, os pacotes de treinamento dos submarinistas.

Empregos – Os franceses oferecem ao governo de Varsóvia uma “parceria estratégica” como a que foi montada na Índia e no Brasil, para supervisionar a fabricação dos navios tipo Scorpène 2000 em território polonês – iniciativa que, no âmbito da cooperação industrial franco-polonesa, criaria 2.000 empregos locais.

Maquete do Scorpène oferecido pelo Naval Group aos poloneses

A proposta francesa inclui armar o Scorpène polonês com um míssil naval de cruzeiro – exigência dos almirantes poloneses – e trabalhar com a Polônia em energia renovável marinha – declarou, nesta quarta-feira (06.09) um porta-voz da companhia francesa.

A disputa pelo contrato dos submarinos foi o tema do encontro do CEO do Naval Group, o obeso Hervé Guillou, de 62 anos (e mais de 110 kg de peso), com as autoridades navais polonesas, durante a mostra internacional de Defesa de Kielce, na região centro-sul da Polônia.

A 23 de abril passado, em uma entrevista à Polskie Radio, o ministro da Defesa da Polônia, Antoni Macierewicz, de 69 anos, anunciou a intenção do seu governo de encomendar ao menos três novos submarinos armados com “instrumentos de dissuasão”, como forma de renovar a presença militar da Polônia no Mar Báltico.

A nova “batalha da Polônia” – no mês em que os poloneses lembram o 76º aniversário da invasão da Polônia pelas forças alemãs de Adolf Hitler –, dá, aos franceses, a oportunidade de se recuperarem da recente derrota na Noruega, que acaba de selecionar o barco de ataque diesel-elétrico Tipo 212 para renovar a sua Força de Submarinos.

Como a própria Marinha da República Federal Alemã estava negociando a aquisição de dois 212, o preço unitário dos submersíveis contratados pelos noruegueses acabou experimentando certa redução.

Maquete do submarino alemão Tipo 212A

Bom para a amizade germano-norueguesa, e ótimo para a Economia do Estado Norueguês.

Polônia e Holanda chegaram a examinar a possibilidade de um esquema semelhante para adquirirem os submarinos TKMS, mas esses contatos não avançaram.

Chile – ThyssenKrupp Marine Systems e DCNS tornaram-se inimigos fidagais desde que, no ano passado, os franceses venceram os alemães em uma bilionária concorrência de submarinos na Austrália.

Os alemães acusam os franceses de terem agido de má-fé nesse certame, e o fato é que, meses mais tarde, algumas dezenas de milhares de páginas sobre os segredos técnicos do Scorpène indiano começaram a emergir nas páginas do jornal The Australian – um vazamento de informações atribuído a dois europeus (um deles, ex-oficial da Marine Nationale) que trabalhara como prestador de serviços para a então DCNS.

Agora os alemães vão, de novo, medir forças com os franceses, mas tendo o submarino sueco A26, dotado de AIP Propulsão Independente do Ar), “correndo por fora”.

Concepção artística do A-26 sueco

As propostas de preço de cada um deles são mantidas no mais absoluto sigilo.

E esses mesmos contendores ainda vão se reencontrar, a partir do ano que vem, no Chile, país que também planeja renovar sua flotilha de submarinos (por meio da compra de duas unidades) na década de 2020.

Marketing – Como é de sua tradição operacional, a DCNS começou a trabalhar cedo para a licitação na Polônia.

A 25 de janeiro passado os franceses assinaram um memorando de entendimento com a empresa estatal polonesa de Defesa PGZ, com vistas a uma possível cooperação no campo dos submarinos.

O eventual sucesso nessa parceria recolocaria em bom patamar as próprias relações entre Paris e Varsóvias, fortemente abaladas depois de, em outubro de 2016, os poloneses terem desistido de comprar à prestigiosa companhia Airbus 50 helicópteros militares tipo H225M Caracal.

A rejeição dos poloneses às aeronaves provocou palavras ásperas do então ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian (foto), que o novo presidente da França, Emmanuel Macron, escolheu para chefiar o Quai d’Orsay (Ministério do Exterior francês).

A proposta do Naval Group à Marinha polonesa inclui um míssil de cruzeiro baseado na versão de uma arma de longo alcance da MBDA projetada para ser lançada de submarino.

Bons de marketing, os franceses juram que se trata de uma adaptação do sofisticado míssil de cruzeiro selecionado pela Marinha da França para armar a sua nova geração de submarinos nucleares da classe Barracuda (cuja entrega foi, há pouco, reprogramada para 2019).

9 Comments

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  2. Olhando pela maquete parece um BMW comparado com um Renault.

    O que precisa nessas concorrências é a capacidade técnica de cada sub, custo operacional, manutenção e disponibilidade.

    Cada caso é diferente um do outro, para um pais que não opera um sub alemão comprar o francês pode ser viável, agora no caso do Brasil por exemplo nós já tínhamos os subs alemães e uma linha de manutenção dos mesmos, o único fator determinante foi o sub nuclear para a escolha dos subs franceses, o que ocorre é que dependendo do desenvolvimento etc do sub nuclear e isso se sair mesmo do papel o Brasil fez um péssimo negocio ao levarmos em conta as linhas de manutenção, treinamento etc

    Alem do que como já disse em comentários anteriores os subs alemães poderiam todos terem vindo com o AIP.

    Acho que nossos militares e políticos não estão preocupados com nossa defesa contra uma ameaça externa, as compras são esporádicas e não obedecem critérios técnicos em termos de geopolítica, um exemplo é um pais com apenas 100 caças leves, sem defesa anti aeria nem de médio alcance e com 200 MBTS querer ter um porta aviões e um sub nuclear, compare com países com muio mais poder de fogo como a Coreia do Sul, Japão, Turquia, Israel e até a Austrália que não possuem as mesmas ambições do Brasil nessas áreas e veremos que tem alguma coisa errada nesse bolo.

    Nem Israel que teria o interesse em manter um sub perto do Irã constantemente tem interesse num sub nuclear isso sem falar da Austrália e Japão.

    Isso porque Israel é ainda uma potencia nuclear com muito mais capacidade técnica do que o Brasil.

  3. Gente acho maravilhoso a engenhocas militares,uso de tecnologias,cada pais com necessidades diferentes,tudo isso trazendo empregos e aquecimento economico,estão de parabens,acredito que a busca de tecnolgia pelo simples desenvolvimento tecnologica também poderia movimentar o mundo gerando vários centros industriais e tecnologicos reduzindo horas de trabalho fisico e remunerando tempos dedicados a aprendizagem e desenvolvimento.

  4. ………….bem a questão do Submarino nuclear não reside no fato de que possamos produzi-lo…..claro que podemos….. talvez até o fabriquemos….sua viabilidade operacional pode ser ótima se um dia chegar a existir….mas existe um “porém” e esse “porém” está no fato de um país chamado Estados Unidos “permitir” que o fabriquemos e finalmente o USEMOS….os atuais ocupantes do Executivo não querem nem saber do Sub Nuclear, o ministro da Defesa treme de mêdo do ministro de Fazenda e os ministros das FFAAs. por sua vez ficam estáticos à espera de verbas que jamais aparecerão……bem , os Estados Unidos querem dominar o mundo inteiro e tá difícil dominar Rússia China e Coréia do Norte, mas o Brasil já tá no papo assim como Argentina,Chile,Paraguai, Colombia…etc……;em outras palavras ,os EU jamais engolirão um país no hemisfério Sul como o nosso ARMADO com um submarino nuclear pois sabem que essa amostra de soberania pode ser humilhante pra eles (infelizmente, não possuímos armas nucleares) e assim “cortam o mal pela raiz” arrancando a já exígua verba das FFAAs através de seus atuais quintacolunas e lacaios ….se por milagre aparecer verba, quem sabe terminemos (sob permissão, claro) os submarinos diesel-elétricos.??………..quanto ao Sub Nuclear………….hummmmm …TÁ DIFÍIIIIIICIL!!!!………….

    • Neste caso Denilson vc esta enganado os EUA apoiaram o sub nuclear brasileiro, tanto que a secretaria de estado dos EUA até declarou que o programa não preocupava o governo americano ao contrario do programa do Irã (fazendo uma comparação) e eles não fizeram nenhuma objeção a venda dos franceses.

      Mas levantando a questão os EUA ficaram realmente preocupados com a centrifuga de enriquecimento que o Brasil desenvolveu (usando a levitação magnética) no lugar da tradicional e cara engrenagem mecânica.

    • Concordo plenamente. Mas ainda há tempo. artefatos nucleares podem ser utilizadas e transportadas por terra e apontadas para qualquer direção( visto Coreia do Norte). Temos de ter meios de dissuasão e com poder de infligir perda a qualquer intromissão ou invasor. Perfeito Sr. Dílson.

  5. Famosa parceria caracu. Todo mundo sabe que a França só entra com a cara, cabe ao otario da vez entrar com a parte que falta. Nós mesmos já estamos estamos em pleno processo.

  6. Não podemos paralisar com o prosub, pois seria o desastre total . tem que se dar continuidade e com prioridade. temos é de prender os responsáveis , e com duras penas, o mal feito isto sim. acabar simplesmente é jogar dinheiro, recursos e tecnologia fora.

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