Defesa & Geopolítica

LEITURA DE SÁBADO: Marinha prioriza a modernização da Flotilha de Ladário e já estuda um cronograma físico-financeiro para erguer o quartel do CFN no Pantanal

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Em plena Hidrovia Paraná-Paraguai, uma aeronave do 4º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral faz a entrega de um malote ao navio-patrulha “Poti”

Por Roberto Lopes

 

 

A Marinha vai comprar quatro Lanchas de Ação Rápida (LAR), de 7,55 m de comprimento e três toneladas de deslocamento (carregada), para reforçar as missões de patrulhamento na Hidrovia Paraná-Paraguai e o engajamento do efetivo do 6º Distrito Naval, sediado em Ladário (MS), em operações ribeirinhas.

Lancha de Ação Rápida da Marinha

A aquisição integra o discreto conjunto de medidas em curso, que objetiva a modernização da Flotilha de Ladário.

O programa já revitalizou quatro embarcações militares e prevê o upgrade de outras seis – especialmente nos setores de propulsão, capacidade de transporte (de pessoal e carga) e de armamento.

Nesta quarta-feira (02.08), quatro das unidades da Flotilha – monitor Parnaíba (com uma aeronave embarcada do 4º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral), navio-transporte fluvial Paraguassu, navio de apoio logístico fluvial Potengi e navio-patrulha Penedo – desatracaram do Complexo Naval de Ladário (sequência abaixo) com cerca de 315 militares para participar, juntamente com quatro outras marinhas sul-americanas, de uma Operação Ribeirinha Combinada, no âmbito da Operação ACRUX 2017 – o mais importante exercício fluvial da América Latina –, que, este ano, será realizado no trecho argentino da Hidrovia Paraná-Paraguai.

Em um desses navios seguiu o capitão de fragata boliviano Juan Carlos Sollis (já que a Marinha desse oficial não tem condições de destacar um navio para participar da ACRUX…).

 

Fuzileiros – Em outra ponta do esforço de proteção naval da fronteira oeste brasileira, chefes militares do 6º Distrito e do Corpo de Fuzileiros Navais trabalham sobre a meta de erguer o quartel do Batalhão de Operações Ribeirinhas de Ladário.

De acordo com o Centro de Comunicação Social da Marinha (CCSM), eles realizam “um estudo sobre o cronograma físico-financeiro que contemple todas as necessidades de material e serviços relativos à sua criação [do quartel], além da definição de parâmetros que determinem a necessidade e distribuição do pessoal que guarnecerá essa nova Organização Militar”.

Segundo a mesma informação, encaminhada à coluna INSIDER, “já há o terreno para o Batalhão de Operações Ribeirinhas de Ladário-MS e está em andamento um estudo circunstanciado que apresentará os investimentos iniciais envolvidos na construção e na sua manutenção. Após a apresentação desse estudo, será possível avaliar, de acordo com o cenário financeiro vigente, o período de início da obra de construção do novo Batalhão”.

Hoje, o que os Fuzileiros possuem em Ladário é um Grupamento com cerca de 150 militares.

Bolívia – As providências relativas à capacitação militar da Flotilha atendem aos desafios identificados pelo 6º Distrito na repressão ao narcotráfico e ao tráfico de armas, e àqueles que a Autoridade Marítima do Brasil descortina nos campos da segurança da navegação e da proteção do tráfego nas vias interiores.

Nas últimas semanas, não passaram despercebidos o anúncio (feito pelo Departamento da Agricultura dos Estados Unidos) de que o Paraguai bateu novo recorde na produção e colheita de soja¹ – produto que precisará ser, em boa parte, escoado pela Hidrovia Paraná-Paraguai –, e a decisão do Ministério da Defesa da Bolívia de estimular a exportação da produção do seu país por meio de dois portos bem perto da fronteira com o Brasil que dão acesso direto à Hidrovia.

A 21 de julho último o ministro da Defesa boliviano,  Reymi Ferreira, informou que o prédio da Marinha na cidade de Santa Cruz de la Sierra irá abrigar uma seção do Registro Internacional Boliviano de Buques (RIBB), uma unidade descentralizada agora incumbida de promover, especificamente, la salida al Atlántico pelos portos de Quijarro e de Busch (onde o país vizinho já mantém uma pequena base naval).

É nesse cenário que o Distrito Naval de Ladário participa do chamado Sistema de Segurança do Tráfego Aquaviário.

Como o dinheiro é pouco, a MB, segundo o CCSM, “encontra-se em processo de reordenamento das áreas de jurisdição das Agências, Delegacias e Capitanias dos Portos, a fim de garantir uma cobertura enxuta, eficiente e prover melhores serviços à segurança da navegação”.

Lista – O conjunto de medidas de modernização da Flotilha de Ladário pode ser dividido em duas partes:

A) Meios com previsão de modernização:

– Navio de Apoio Logístico Fluvial (NApLogFlu) Potengi (G-17) –

Modernização do sistema de propulsão (a embarcação foi reformada de forma a poder transportar óleo diesel, aguada, gasolina, gêneros secos e frigorificados);

– Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) Ten. Maximiniano (U-28) –

Modernização do sistema de propulsão e de geração de energia, e arranjo estrutural;

– Navios-Patrulha (NPa) Piratini (P-10), Pirajá (P-11), Penedo (P-14) e Poti (P-15) –

Substituição do armamento principal (no caso do Piratini e do Poti, atualmente uma metralhadora Oerlikon, de 20 mm, instalada em 1985; nos demais navios, metralhadoras calibre .50 e morteiro de 81 mm).

O armamento a ser instalado ainda não foi definido.

B) Meios que já foram modernizados:

– NTrFlu Almirante Leverger (G-16) –

Aumento, em 2016, da capacidade de transporte de tropa do navio para 108 militares;

– Monitor Parnaíba (U-17) –

Modernização do sistema de propulsão e de geração de energia; reforma da área de operações aéreas com helicópteros; aumento da capacidade de transporte de pessoal e de armazenamento de água;

– Navio-Transporte Fluvial (NTrFlu) Paraguassu (G-15) –

Modernização do sistema de propulsão e do sistema de geração de energia.

Ação Rápida – Dotada de um casco planador em alumínio naval e motorização (mínima) de 230 hp, a Lancha de Ação Rápida viaja, em perseguição, a 35 nós de velocidade (no mar mostrou-se ainda mais veloz, mantendo a estabilidade), e a 25 nós em cruzeiro (a plena carga).

A embarcação (vista abaixo) é dotada de cabine blindada à base de fibra de polietileno de alta performance, mais eficiente do que o tradicional tecido de aramida (mais conhecido pela marca “Kevlar”) na proteção contra disparos de pistolas e fuzis.

A cabine, climatizada, proverá proteção para o patrão e mais seis combatentes, que poderão realizar missões de alto risco, com ameaça de fogo vindo da margem do rio.

Sem capota ela pode ser equipada com uma metralhadora pesada na proa (foto).

A LAR exibe ainda resistência para operar a distâncias de até 200 milhas de sua base, com autonomia de um dia (24 horas), transportando, além de seu patrão, um destacamento de seis a 14 combatentes armados – que, em razão da facilidade da embarcação para abicagem, podem desembarcar com presteza e agilidade.

 

¹ Noticiou o jornal argentino La Nación:

El Departamento de Agricultura de los Estados Unidos (USDA) modificó sus datos de exportación de soja paraguaya correspondiente a la campaña 2016-17 y la situó en un volumen récord de 6,6 millones de toneladas. Esto corresponde a un crecimiento del 25% con relación a las 5,3 millones de toneladas embarcadas en la zafra 2015-2016. El aumento obedece a la súper cosecha registrada, explicaron analistas de la institución estadounidense.

Con estos datos Paraguay se consolida como cuarto mayor exportador de granos de soja en el mundo. De acuerdo al reporte del USDA en la campaña 2016/2017 se comercializaron 145,1 millones de toneladas de la oleaginosa a nivel global y los mayores exportadores fueron Brasil con 61,5 millones de toneladas, Estados Unidos 57,1 millones de toneladas, Argentina 8,0 millones de toneladas, Paraguay 6,6 millones de toneladas y Canadá con 4,6 millones de toneladas.

Según los nuevos datos del USDA la cosecha paraguaya de soja alcanzó también el volumen récord de 10,6 millones de toneladas en la temporada 2016-2017. Esta cantidad corresponde a un crecimiento del 15,2% en comparación a la cosecha de la temporada anterior, que está estimada en 9,2 millones de toneladas.

De acuerdo al informe de la institución estadounidense Paraguay se mantiene en la sexta posición entre los mayores productores de soja. La cosecha global de la oleaginosa registró un volumen de 351,7 millones de toneladas y los mayores productores fueron Estados Unidos con 117,2 millones de toneladas, Brasil con 114 millones de toneladas, Argentina 57,8 millones de toneladas, China 12,9 millones de toneladas, India 11,5 millones de toneladas y Paraguay 10,6 millones de toneladas.

26 Comments

  1. Pingback: LEITURA DE SÁBADO: Marinha prioriza a modernização da Flotilha de Ladário e já estuda um cronograma físico-financeiro para erguer o quartel do CFN no Pantanal | DFNS.net em Português

  2. Pelo amor de Deus,não tem dinheiro para nada e ainda vão insistir em criar um batalhão De s com vila mitar estrutura para as famílias e o pior colocar dinheiro bom em coisa ruim que aquele amontoada de ferrugem flutuante de Ladário.
    Agora, para que????
    O EB tem brigada na região, nenhum daqueles navios a excessão talvez do Parnaíba tem condições sobreviver a um combate, nenhum tem equipamentos de visão noturna, nenhum tem armamento de tubo remoto ou guiado.
    Olha Roberto, realmente, só pode ser piada.

    G abraco

    • Roberto Lopes says:

      Força muito modesta, realmente, Juarez.
      Mas discordo de você quanto à falta de importância do lugar. Fronteira sempre é crítica.

  3. Essa LAR é bisonha… Usaram o projeto das lanchas escolares como base desta porcaria?

    • Cesar A. Ferreira says:

      Bisonho é você, caro fake que pouca coisa sabe, se é que alguma coisa sabe…

      A LAR nasceu primeiro. A “lancha escolar” veio depois…

      Não sabe nada, realmente…

  4. …………..já que no presente momento a MB se empenha em recuperar embarcações já idosas seria bom fazer uma seleção criteriosa dessas da foto,(e outras)pois verba que é bom está muito restrita….aditivos como “equipamentos de visão noturna, armamento de tubo ou guiado” (e outros), quem sabe, se poderia implementar…a MB forçosamente entra no momento de reaproveitamento forçado ….em outras palavras,reciclar é imperativo……………….

  5. Que medo

  6. Roberto, o EB tem 3500 homens a 150 km de Ladário, para que batalhão de FNs???
    Quanto vai custar criar e manter???
    Roberto , a Prefeitura naval Argentina comprou duas lanchas de patrulha da Ramta israelense com um canhão 25mm remotamente comandado, duas ,50 também remotamente comandadas, FLIR, velocidade até 30 kts,agora compare com a flotilha da ferrugem sei ego de jabuti.

    G abraco

    • Roberto Lopes says:

      Bom dia, Juarez.
      Pelo que sei, foram 4 as lanchas Shaldag Mk. II, construídas pela Israel Shipyards, de Haifa, compradas pelo Ministério da Segurança da Argentina.
      Vão direto para a Guarda Costeira (Prefectura Naval) de lá, e são, mesmo, muito superiores do que qualquer embarcação da Flotilha de Ladário.
      Mas é preciso levar em conta o nosso cenário de restrições.
      Ainda hoje vou escrever a história da criação de um novo esquadrão de helicópteros distrital para a MB, e você verá que está saindo a forceps…
      É tudo assim, meu amigo.
      Agora: é preciso levar em consideração o equilíbrio das forças fluviais na nossa fronteira oeste.
      As Shaldag vão ficar no trecho argentino da Hidrovia Paraná-Paraguai, bem longe de Ladário.
      Perto de Ladário o que teremos é a Marinha do Paraguai e a Força Naval da Bolívia…
      Bom domingo!

  7. Prezado amigo Roberto Lopes a MB vai dar baixa em algum navio classe Parati?

  8. Ferreira Junior says:

    O problema não é a idade dos navios. Temos de atualizar os armamentos. E sim, precisamos de fuzileiros navais na região.

  9. Ferreira Junior says:

    Uma pergunta, esse grupamento vai ficar distante da Base Naval em Ladário. Trata-se do único complexo da Marinha em Mato Grosso do Sul.
    Nesse caso, em não sendo distante, não poderia o grupamento ficar instalado na Base Naval.
    Eis que só se justifica a construção em outro local, se este for estrategicamente localizado.
    Em contrário, que façam na Base Naval.

  10. Roberto Medeiros says:

    Juarez, nem imagino o estado daquela flotilha, mas o atual CG da Marinha já deixou claro que baixa de meio naval, só em última opção.Realmente, concordo com vc. Não me desce a insistência em operar algumas embarcações que de tão vetustas devem ter servido para o na época Guarda Marinha Tamandaré, como primeira unidade…. Será q compensa financeiramente este gasto ou seria melhor (dentro do ponto de vista custo/benefício) a aquisição/construção de meios novos?

    • Roberto Lopes says:

      Bom dia!
      O que falta é dinheiro, Roberto.
      Bom domingo!

      • O que falta é vergonha, dinheiro tem, mais vai tudo pelo esgoto abaixo.

        Ler isso me deixa imensamente indignado, somos um pais onde quase tudo é feito pra ingles ver.

        Se trata de comprar e manter umas poucas lanchas, se pra isso nao temos grana, muito me temo que tampouco vamos ter pra manter um Nuke (que dirá varios) se é que um dia chegamos a ter algum verdadeiramente operativo.

        Estamos entregando o pais pros narcos e contrabandistas, um pais que já é o que tem o maior indice de assasinatos no planeta.

        Vergonha e nojo de ser brasileiro.

  11. Quando o projeto bilhões nacional Patrulheiro da Amazônia ficará pronto?
    Baseado no projeto Colombiano; será o candidato ideal a substituição dessas velharias da II grande guerra utilizada pela Flotilha do Amazonas.
    No lugar das LAR, sugiro a aquisição substancial da DGS 888 Raptor; LPR-40 dotada de torres Corced (versão naval da Remax ) e LAG 40 mm.
    Seria uma ótima opção se tivéssemos um projeto nacional da mini gun Dilan.
    Além do desenvolvimento e evolução do canhão de proa da classe Pedro Teixeira.
    Mas irão improvisar e ou adquirir alguma sucata estrangeira.
    Vergonha!!!

    • Roberto Lopes says:

      Também trouxe esta história do meu encontro com o CM em Brasília, Foxtrot.
      Vou escrevê-la nos próximos dias.
      Mas as perspectivas não são muito animadoras…
      Abraço!

  12. Projeto bi nacional; maldito corretor de texto.

  13. Pergunta, seria uma opção futura a região hovercraft como os que vemos em forças russas, chinesas, britânicas e americanas?

    • Roberto Lopes says:

      Colômbia e Peru também usam hovercraft, Wolfpack.
      Eu gosto muito da ideia, mas não sei, sinceramente, porque ela não emplacou no Brasil. Será que foi por causa do custo?…
      Vou tentar ver…
      Bom resto de domingo!

  14. Obrigado pelo retorno caro Roberto Lopes, e parabéns ´por suas excelentes entrevistas.
    Uma sugestão, porque não questiona o baixo ou quase nenhum interesse de nossas FAA,s em aquisição e ou investimento em produtos de defesa de empresas 100% nacionais ?
    Apenas uma sugestão !!

  15. Roberto, o EB tem 3500 homens a 150 km de Ladário, para que batalhão de FNs???
    Quanto vai custar criar e manter???
    Roberto , a Prefeitura naval Argentina comprou duas lanchas de patrulha da Ramta israelense com um canhão 25mm remotamente comandado, duas ,50 também remotamente comandadas, FLIR, velocidade até 30 kts,agora compare com a flotilha da ferrugem sei ego de jabuti.

    Concordo plenamente com nosso amigo Juarez, porque ao invés de criar instalações de Fuzileiros navais, não investe na ampliação e integração entre Fuzileiros e EB ?
    O que nossas FAAs ainda não aprenderam é que o mundo moderno busca cada vez mais a integração de meios e equipamentos em suas unidades militares.
    Mas aqui mesmo após anos da criação do cabide de empregos denominado MD, não se vê isso em nossas FAA,s.
    As mesmas continuam com um pensamento “Bairrista”, criando um terror logístico, um egocentrismo sem igual o que leva a aquisições desordenadas e desorientadas.
    O EB sismou em desenvolver esse Mod Fal. denominado IA2, sem a participação do CFN e BINFA, agora está tentando empurra guela a baixo as outras forças.
    Pelo simples fato de “alimentar” seu elefante Branco denominado Inbel, mesmo havendo localmente o excelente projeto da Taurus denominado ART 5.56mm.
    Complicado, se essa e outras visões não mudarem; veremos sempre esse amadorismo em nossas FAA,s, ocasionando gastos desnecessários e desorientados !

  16. Perto de Ladário o que teremos é a Marinha do Paraguai e a Força Naval da Bolívia”

    Roberto, se juntar as duas não ´da “meia marinha” e tenho certeza que tu sabes que em caso de um hipotético conflito naquela região, navios só navegarão pela hidrovia os navios pertencentes a orça que tiver sa supremacia aérea no TO, caso contrário viram meros alvos, porque aqueles rios são um verdadeiro brete, sem espaço para manobras evasivas dos navios.
    Outra coisa importante que eu sei que tu também deves ter o mesmo pensamento:

    Meia dúzia de navios velhos, fazendo 8 kts, mal armados, sem capacidade combate noturno fazem alguma diferença????
    Roberto, uma dúzia de lanchas civis rápidas fazendo 35 kts com comandos armados com RPS ou ATGMs de segunda geração que custam 100 mil dólares no mercado, atacando em matilha, e armando emboscadas nas barrancas do rio e flotilha da ferrugem não dura uma semana.
    Os quatro navios comprados pela Prefectura naval argentina tem mais valor de combate que toda a flotilha do MS.

    G abraço

  17. O negócio é gastar dinheiro, não interessa como.

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