Defesa & Geopolítica

LEITURA DE SÁBADO: KAI oferece o caça FA-50 (de USD 44 milhões a unidade) para substituir dois dos mais problemáticos modelos de jatos em uso pelos peruanos

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FA-50, da KAI

Por Roberto Lopes

 

 

O serviço de tevê a cabo Money Today Network, da cidade de Seul, e o portal de notícias Naver, também sul-coreano, noticiaram que o grupo Korean Aerospace Industries (KAI) ofereceu o seu jato supersônico leve de combate FA-50, a duas das principais forças aéreas sul-americanas: a peruana e a argentina.

Em ambos os casos, o valor unitário do avião foi estimado em 44 milhões de dólares (com suprimentos, peças de reposição, documentação técnica e treinamento para os pilotos do cliente).

A proposta mais ambiciosa foi feita à Força Aérea do Peru (FAP): 24 aeronaves por, aproximadamente 1,1 bilhão de dólares, com o propósito de que os generais dessa corporação possam desativar os seus problemáticos jatos de ataque ao solo Su-25 e Su-25UB Frogfoot (foto), de origem russa – comprados de 2ª mão aos estoques da Força Aérea da Bielorrusia –, e também os antiquados treinadores a jato Aermacchi 339, recebidos na década de 1980.

Tanto o Su-25 quanto o 339 operam com baixa disponibilidade e várias restrições operacionais.

A transação desenhada pela KAI poderia incluir offsets (compensações) para a Administração peruana nos campo da infraestrutura: construção de hospitais e melhorias nas redes de distribuição de energia elétrica e água potável no interior do país.

O caso peruano é mais emblemático, porque representaria um início da desvinculação da Aviação Peruana das fontes de material aeronáutico da Rússia. O FA-50 (foto) é uma variante do T-50, produto da cooperação da KAI com a gigante americana Lockheed Martin, e considerado uma aeronave preparatória à qualificação dos pilotos para o voo no famoso (e dispendioso) F-16.

A FAP chegou a examinar com algum interesse a oferta, feita pelos russos, do jato treinador avançado e de ataque leve ao solo YAK-130 (foto). Mas esse avião, lançado no mercado internacional com grande alarde, anos trás, na faixa dos 15 milhões de dólares, exige aviônica e armamentos que o transformam em uma plataforma subsônica de 25 a 30 milhões de dólares – de préstimos naturalmente menores que os do FA-50.

Argentina – Ao governo de Buenos Aires foi oferecida uma partida inicial de 12 caças FA-50, ao custo de 530 milhões de dólares – cifra muito parecida com a reservada pelo governo Mauricio Macri para o próximo exercício fiscal (2018) na rubrica que prevê o investimento em aeronaves de combate.

Os jatos equipariam uma das duas grandes unidades de combate da Força Aérea Argentina (FAA): a IV Brigada Aérea, sediada na Base de El Plumerillo, Província de Mendoza (junto à fronteira com o Chile), ou a VI Brigada, de Tandil, a famosa “casa” dos Mirages argentinos (hoje desincorporados).

Eventuais operações comerciais com os aparelhos da KAI precisarão, entretanto, aguardar um sinal verde do governo do presidente Moon Jae-in, que empresta garantia financeira a esse tipo de negócio.

Um escândalo de corrupção paralisou as vendas da KAI ao exterior, e resultou em um polêmico processo de reorganização interna, que incluiu o afastamento de vários executivos e a nomeação de um novo presidente para a companhia – Kim-Jo Won, amigo pessoal de Moon Jae-in (na foto o primeiro à esquerda) –, que já assumiu as suas funções. A tendência, agora, é que os negócios da KAI se normalizem rapidamente.

América do Sul – A reativação de suas operações internacionais permitirá à KAI retomar duas outras negociações contatos com militares sul-americanos:

12 turboélices de adestramento primário KT-1 para a Força Aérea do Equador, ao preço de 165 milhões de dólares.

Nesse caso o objetivo é substituir as antiquadas aeronaves de treinamento básico Beechcraft T-34C-1 Turbo Mentor, que constituem a dotação da Escola Superior Militar de Aviação Cosme Rennella Barbatto, que funciona no perímetro da Base Aérea General Ulpiano Páez, situada nas vizinhanças da cidade costeira de Salinas, 358 km a sudeste de Quito.

Os oficiais equatorianos formalizaram seu interesse pelo KT-1 mês passado, durante a mostra internacional de armamentos Seoul ADEX 2017.

12 turboélices de adestramento primário KT-1, para a Força Aérea Paraguaia (FAP) por 127 milhões de dólares.

Objetivo: reforçar a frota de treinadores da corporação, formada por uma pequena quantidade de aparelhos ENAER T-35 Pillán, e por alguns aviões T-25 Universal doados pelo governo Brasil (todos com problemas de disponibilidade). A crise na KAI interrompeu a proposta de venda de aviões KT-1 fabricados sob licença no Peru, que avançava de maneira bastante satisfatória.

Treinador KT-1 da Força Aérea Peruana

 

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14 Comments

  1. Pingback: LEITURA DE SÁBADO: KAI oferece o caça FA-50 (de USD 44 milhões a unidade) para substituir dois dos mais problemáticos modelos de jatos em uso pelos peruanos | DFNS.net em Português

  2. ………………..bem, eu não havia entendido as razões pelas quais subitamente o Perú havia parado de fabricar os Toritos e supus que as razões ocorreram porque os EU tivessem suspendido o fornecimento de peças, embargado qualquer coisa mas agora leio que o que ocorreu foi pelo fato do escândalo de corrupção da KAI…agora com essa encomenda do Equador a Seman peruana pode voltar a funcionar ou quem sabe os Toritos sarão montados no próprio Equador com peças usinadas no Perú?……

  3. É interessante avaliarmos se o pós venda russo é falho devido aos russos por demorarem ou não oferecerem uma manutenção adequada ou devido ao próprio cliente que não disponibiliza a verba necessária ?

    Vejam que o Su 25 tem uma ótima disponibilidade na Síria.

    Se a culpa é dos russos ai sim podemos falar de vantagens pós venda na compra de equipamentos como este caça, mas se for do cliente a culpa ai tanto faz ele pode comprar o que ele quiser que vai dar problema !

    Ai também sem querer ser pessimista ma já sendo, se ocorrer uma desastrosa guerra na Coreia como seria o pós venda para este caça ?

    Você compra antes da guerra é uma maravilha ai após a guerra você não encontra um parafuso sequer; isto ocorreu com os suecos na 2º guerra .

    • Alfredo Araujo says:

      Não sei se é o caso… Mas existe um boicote, por parte de Moscou, em prover suporte a aviões adquiridos de terceiros, no caso peruano, da Bielorrússia.

  4. Natural a aquisição do FA-50 pelos peruanos como treinador avançado/ataque, dentro da cooperação estratégica celebrada há alguns anos com os sul-coreanos. Esta inclusive já rendeu frutos na exportação de algumas unidades do Torito (KAI KT-1P) montados em CKD no Peru. E assim mais um país sul-americano estrutura sua indústria aerospacial.
    A dúvida reside no que virá a seguir: os andinos embarcarão no caça resultante do projeto KF-X, de modo a substituir os mig29 e encerrar por completo a longa parceria com os russos? Com o atual mandatário peruano a mudar o alinhamento geopolítico de seu país, numa reaproximação com o Ocidente, e em particular, com os norte-americanos (parceiros no desenvolvimento tanto do FA-50 quanto do KF-X, com a assistência da LM), esta é uma possibilidade bem crível.

  5. …………….outrossim, os russos ao que parece ficaram satisfeitos com o desempenho satisfatório dos SU-25 na Síria resolveram dar uma boa modernizada em cêrca de 200 que ainda possuem pra uma versão “SU-25 SM3″por encomenda das Forças Aeroespaciais da Rússia….os caças receberam novos sistemas de combate e serão entregues até o final de 2017….o Perú tá de olho gordo no caça da KAI e no momento parece não querer modernizar os seus SU-25 ou não tem dinheiro pra custear………….http://www.planobrazil.com/apos-sucesso-na-siria-governo-russo-encomenda-nova-versao-do-sukhoi-su-25sm3/

  6. ……………..tenho dúvidas se o Paraguai irá comprar 12 Toritos apesar que sua economia estar bem e o prêço de 127 milhões de dólares dos aviões estar bom…eles parecem não ter o hábito de gastar em defesa…..mas…..

  7. Será que na próxima década teremos a industria sul coreana com grande influência na América do Sul?
    Já estão de olho nos projetos da MB. Eu torço por isso.
    São excelentes profissionais.

    Vem KDX-II.

    Seria uma ótima parceria Brasil-Coreia do Sul.
    Só sei que a Naval e certas “pessoas” da MB não iriam gostar. hahahahahaha

    É impressão minha ou valor dessa aeronave é elevado?

    Brasil, Suécia, Africa do Sul, Índia, Colômbia e Coreia do Sul. Eita que daria um bela parceria. Daria até mesmo para criar um projeto de patrulhamento marítimo, mísseis, carros de combate, viaturas de artilharia de saturação e etc.

    • É melho vir a KDX-III.
      É melhor o Peru comprar 24 Gripens NG montados na Embraer, do que comprar um avião meia boca.

      • Não esqueça o papel de cada aeronave.

        NG é para substituir os Mig e os Mirage.

      • Eles até poderiam pensar em comprar os Gripens NG, apesar de não fazer sentido geopoliticamente e em termos de desenvolvimento da indústria aeronáutica nacional. Mas se o fizessem seria para substituir suas aeronaves de superioridade aérea, Mig29 e Mirage. Os caças suecos estão muito à frente dos FA-50 em tecnologia, capacidades, mas também em preço e custo de manutenção. A aquisição aqui visa a substituição dos cansados SU25 (ver a matéria), caças de ataque com nenhuma capacidade ar-ar; os coreanos oferecem uma alternativa mais moderna e econômica para CAS e que ainda pode contar com algum armamento antiaéreo para autodefesa.

  8. Eu tbem acho que o peru vai de gripen ng e junto a colombia e quem sab o equador.

  9. – É fácil criticar os outros, sem olhar para o próprio rabo.

    Nós temos sérios problemas de planejamento/desplanejamento/ de descumprimento de contratos, de entregas reduzidas, e postergadas, quer de submarinos, quer de helicópteros, quer de blindados, e outros, de descomissionamentos, sem a devida reposição, de calote, e atraso em pagamentos, filme já visto no tempo da ENGESA/BERNARDINI, E só cuidamos dos vizinhos, como estamos cheios de problemas a serem resolvidos aqui, quer por falta de verba – face contingenciamentos, quer por falta de financiamento, TAMBÉM, por incompetência gerencial das FFAA, e má vontade da área econômica.
    Essa é a nossa realidade, sem perspectivas.

  10. claudio quadros says:

    este aviões coreanos ja esta de bom tamanho para Peru problema e manter miragem os mig 29 ja esta final vida útil também preço bem em conta manter 24 aviões coreanos econômicos com mesma armas do F16 com 24 toritos eles tem ja ta bom ninguém ver Vizinho armado ate os dentes .

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