Defesa & Geopolítica

LEITURA DE SÁBADO: Cruzador grego que depois de 30 anos no mar foi lutar contra os nazi-fascistas no Índico, recebe mais um ‘refit’ para continuar como navio-museu

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Acima: o cruzador grego no seu retorno a Atenas, quinta-feira passada; abaixo: o navio abrindo fogo durante a 2ª Guerra Mundial

Por Roberto Lopes

 

 

Quando o primeiro semestre de 1941 chegou ao fim, cheio de incertezas e maus presságios acerca da capacidade da União Soviética e da Europa como um todo resistirem à sede de conquistas militares dos nazistas, o Alto-Comando da Frota Britânica viu-se na obrigação de garimpar todos os meios que pudessem colaborar para o estabelecimento das linhas de defesa possíveis contra as diferentes ameaças que as nações do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) faziam surgir pelos sete mares.

Um dos problemas era o Oceano Índico, onde, por séculos, os britânicos haviam empreendido caras ações colonizadoras. E a verdade era que ali, naquele momento de emergência, não havia nada, ou quase nada, que pudesse vir a ser considerado como uma frota de Defesa Naval.

Com um punhado de escoltas de menos de 1.500 toneladas – cinco destróieres leves e dois patrulheiros antiquados – e tripulações de confiabilidade duvidosa, a Real Marinha Indiana não passava de uma força auxiliar da grande Royal Fleet.

A questão é que, naquela quadra dramática para a História da Humanidade, a própria Marinha Real não passava de uma força esgarçada, cujas possibilidades de intervenção rápida e eficaz em áreas distantes das Ilhas Britânicas, como o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, dificilmente corresponderiam a uma expectativa minimamente otimista.

Averoff Foi nessas circunstâncias que os almirantes em torno do Primeiro-Ministro britânico Winston Churchill, de 67 anos, levaram até ele uma alternativa de 10.000 toneladas e 12 canhões pesados, que desde abril daquele ano descansava das suas últimas aventuras no porto egípcio de Alexandria.

O Georgios Averoff era um velho cruzador encouraçado, que os gregos gostavam de chamar, apenas, de “encouraçado”.

Churchill lembrava-se bem dele, pois, durante uma de suas passagens pela Grécia, estivera a bordo do navio.

Nessa época o inglês quis saber quem fora o almirante Averoff, e lhe foi explicado que Georgios M. Averoff, morto em julho de 1899, aos 84 anos incompletos, não fora um militar, mas um homem de negócios com um conhecido espírito de benemerência.

A construção do cruzador fora custeada com um somatório de recursos vindos da fortuna de Averoff, do orçamento da Marinha grega e das contribuições de cidadãos gregos espalhados pelo mundo.

Lançado em um estaleiro italiano em fevereiro de 1910 (quando Churchill ainda era um jovem Ministro do Comércio, apartado das lides militares) e comissionado a 16 de maio de 1911, o navio havia sido praticamente reconstruído, na França, entre os anos de 1925 e 1927.

Acima: diagrama do “Averoff” elaborado na Itália à época de sua construção; imediatamente abaixo: diagrama do navio publicado pelos anuários navais de 1915; por último: o navio antes da sua reforma na França, durante a metade final da década de 1920

Nesse intervalo de tempo ele recebera um moderno armamento antiaéreo, sistema de controle de fogo melhorado, e tivera os seus três antiquados tubos lança-torpedos de 430 mm removidos.

O problema é que, decorridos 14 anos daquela remodelação, havia muitas dúvidas quanto à capacidade de o Averoff empreender navegações prolongadas e de alto risco.

Souda – Sua tripulação sim, provara tenacidade.

Quando a Grécia foi derrotada pela Alemanha, os oficiais e marujos do cruzador se recusaram a afundar o seu belo navio, e o levaram, inicialmente, à Baía de Souda, na Ilha de Creta, onde quase ninguém podia descansar devido aos raids aéreos alemães.

A opção dos gregos foi, então, seguir para a precária segurança de Alexandria (ameaçada pelo avanço do Afrika Korps pelas areias quentes do Norte da África).

Convocado para mais essa campanha, o Averoff não criou problemas.

Ele enfiou-se pelo Canal de Suez, desceu até o Golfo de Aden e rumou para o Oriente, chegando a Bombaim no início do segundo semestre de 1941. Ali foi logo comissionado para patrulhamentos em alto-mar e participação na escolta de comboios.

No fim de 1942, outro remanejamento, dessa vez para Port Said, no Mar Mediterrâneo que ele conhecia tão bem.

Comemoração do Dia da Independência grega a bordo do cruzador durante a 2ª Guerra

A 17 de outubro – uma vez mais investido da condição de capitânea da frota helênica – o Georgios Averoff, sob o comando do Capitão Theodoros Koundouriotis, transportou o governo grego no exílio de volta a Atenas – que, cinco dias antes, havia sido liberada da ocupação nazista.

Formatura na popa do “Averoff” liderada pelo comandante Koundouriotis

Abandono e recuperação – O cruzador foi desativado em 1952, e ganhou, entre 1956 e 1983, uma amarga recompensa: o esquecimento, em um cais da Ilha de Poros.

Submetido, em sua trajetória de 107 anos, a tantas mudanças e imprevistos, o navio conseguiu, nos últimos 34 anos, um honroso reconhecimento, de relíquia flutuante, preservada com carinho pela Marinha e pelo povo da Grécia. Acompanhe as imagens:

Na última quinta-feira (27.07) o navio-museu Georgios Averoff retornou a Atenas, rebocado, procedente de um estaleiro em Skaramangas (a 14 km da capital), onde permaneceu por cerca de três meses sendo submetido a vários reparos.

Os custos desses consertos foram bancados por patrocinadores civis e governamentais.

Sirenes de navios militares e civis ecoaram pelo porto na manhã luminosa, enquanto na proa do velho navio uma banda de música executava marchas militares que se perdiam no ar.

O vídeo da volta do Averoff à capital grega pode ser assistido em:

http://navaltoday.com/2017/07/27/watch-the-hellenic-navys-century-old-battle-cruiser-return-from-three-month-refit/

11 Comments

  1. Pingback: LEITURA DE SÁBADO: Cruzador grego que depois de 30 anos no mar foi lutar contra os nazi-fascistas no Índico, recebe mais um ‘refit’ para continuar como navio-museu | DFNS.net em Português

  2. Parabéns aos gregos pois, a despeito das dificuldades financeiras que estão passando, reconhecem o valor histórico desta belíssima belonave e suas tripulações. Quiça nosso NAeL Minas Gerais tivesse tido destino semelhante. Obrigado sr. Roberto Lopes por nos proporcionar uma ótima leitura neste sábado.

  3. Oh! Podem levar isso ai a sério heim! Rs 😂

    • eu não entendi por que tiraram o comentário do rapaz ele estava correto , eu não escrevi mas achei muito engraçado e mostrava o que realmente acham muitas pessoas
      eu ate pensei em comentar
      eu iria colocar assim já vao mandar uma equipe da marinha vistoriar , mas não escrevi

  4. -Ultimamente, outros países, muitos deles em condições mais adversas que nós, com um PIB bem limitado e bem menor em relação ao do nosso país, tem dado vários exemplos como se proceder, como agir, como valorizar, como respeitar a história, o seu povo, o seu pensar, enquanto nós o BRASIL O PAÍS VIROU DESCARTÁVEIS: – AQUI se descarta o velho, se descarta o aposentado, o jovem, cria-se o sub emprego, descarta-se e desrespeita-se as leis, a natureza, a saúde, a segurança, a educação, tudo isto tem um destino: O LIXO!
    Assim pensa a sociedade, e PRINCIPALMENTE OS NOSSOS POLÍTICOS QUE INSISTEM EM GOVERNAR DE COSTAS PARA O POVO, DESCONHECENDO E DESRESPEITANDO SUAS MÍNIMAS ASPIRAÇÕES, E A FAVOR DOS BANQUEIROS, DOS EMPRESÁRIOS, DOS INVESTIDORES – TODOS MALFEITORES DA NAÇÃO

    • Boa ideia, vamos acabar com todas as empresas e bancos. Depois confiscar todos os investimentos.

      Vai dar certo igualzinho na Venezuela.

  5. ……………..um ótimo exemplo de respeito com as FFAAs e o povo grego ….um excelente exemplo para Pindorama………….

  6. Linda matéria! O mundo deve muito aos gregos. Os nazistas tiveram que ajudar os italianos na Grécia e assim atrasaram a invasão da URSS em alguns meses.

  7. BOM SENHORES ESTE O PAIS DEMOCRATICO QUE TEMOS SUA POSTAGEM É RETIRADA QUANDO EXPRESSA NOSSO DIREITO DE COMENTAR NEM ISSO PODE NESTE PAIS HIPOCRITA POR ESTE PAIS ESTA ASSIM ARROGANCIA DE MUITOS QUE SE ACHAM ALGUMA COISA DIANTE DE DEUS NÃO SOMOS NADA
    MAIS HUMILDADE É RESPEITO NESTE PAIS HIPOCRITA FALAR A VERDADE INCOMODA

  8. Belíssima história. Parabéns aos gregos. Isso sim é respeitar o passado…

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