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INSIDER/ESTRATÉGIA NAVAL: Marinha Indiana diz que precisa ter de 36 a 45 navios disponíveis para manter entre 12 e 15 unidades sempre desdobradas em ‘check points’ do Índico

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Porto de Gwadar: militares paquistaneses recebem com balões coloridos, de festa, dois navios-patrulha da Marinha chinesa

Por Roberto Lopes

 

 

Falando a uma plateia de representantes de dez estados litorâneos da Índia, o Comandante da Marinha local, almirante Sunil Lanba, revelou que sua Força precisa ter entre 36 e 45 navios disponíveis para suportar o desdobramento de 12 a 15 embarcações, em caráter permanente, nos check points de alto mar e nas rotas marítimas do Oceano Índico que seus estrategistas julgam essenciais à Defesa Marítima do Estado indiano.

O chefe da Marinha indiana, almirante Lanba, durante seu pronunciamento no Conclave de Goa

A informação foi publicada na edição deste domingo (05.11) do jornal The Hindu – terceiro maior do país –, editado em inglês na cidade de Chennai.

Lanba fez essas revelações durante o “Conclave Marítimo de Goa”, inaugurado na última quarta-feira (01.11), pela ministra da Defesa Raksha Mantri Smt Nirmala Sitharaman, no Auditório Tarang da escola da Marinha Mondavi, em Goa.

O almirante não escondeu: uma de suas principais preocupações é a expansão maritima da China, que acaba de inaugurar um grande complexo militar dotado de instalações portuárias em Djibouti, no chamado Chifre da África. A base permite aos militares chineses uma importante capacidade de vigilância no Golfo de Aden, que dá acesso ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez, e no Golfo Pérsico, de águas patrulhadas por uma força multinacional que envolve as Marinhas dos Estados Unidos, da Inglaterra e da Arábia Saudita.

“Agora é imperativo que nossa Marinha seja mais visível em nossas próprias águas”, adverte o ex-chefe da Marinha Indiana, almirante Arun Prakash. “Visibilidade é uma importante parte da nossa sinalização para o tempo de Paz”.

Três pontos cruciais – Lamba enumerou três pontos de rivalidade notória entre as Marinhas Indiana e chinesa: o Golfo de Aden – situado no Mar de Omã, entre as conflituosas nações da Somália e do Iêmen –, o Golfo de Hormuz – que banha o Irã, os Emirados Árabes Unidos e um enclave de Omã – e os Estreitos de Málaca – principal passagem marítima entre os Oceano Índico e Pacífico, margeada pela Península malaia e a Ilha de Samatra.

Segundo o The Hindu, no sentido de dominar essas áreas, os chineses se mostram muito ativos na região do porto paquistanês de Gwadar (Paquistão e China são importantes aliados), além do fato de companhias chinesas virem adquirindo espaços no porto malaio de Kuantan, bem perto dos Estreitos de Málaca.

Lanba fez questão de indicar: por enquanto, sua Marinha não tenciona internacionalizar o patrulhamento do Índico, solicitando para a tarefa, por exemplo, a cooperação da US Navy.

Ele garantiu que tais esforços de vigilância serão coordenados somente com as forças navais de países vizinhos da Índia (referência ao Sri Lanka, a Bangladesh, a Myanmar e às Ilhas Maldivas, entre outros). “Não estamos buscando patrulhas conjuntas com a Marinha dos Estados Unidos nesse momento” (We are not looking at joint patrols with the U.S. Navy at this moment).

“Mostrar a bandeira” – Durante 2016 a Marinha indiana testou diversas posições de monitoramento do tráfego marítimo na chamada Região Oceânica Indiana (Indian Ocean Region, ou IOR)

Patrulha naval da Índia

“Anteriormente havia, em termos de desdobramentos no exterior, missões de mostrar a bandeira. A necessidade agora é mudar a natureza dos desdobramentos”, explicou ao The Hindu um oficial sênior da Marinha indiana que preferiu não ser identificado. “Todos os pontos de estrangulamento (representados por estreitos que conectam mares ou canais marítimos onde navios e submarinos adversários podem ser sufocados) e as rotas marítimas estão agora sob vigilância 24/7 [24 horas por dia, os 7 dias da semana]. Eles agora são desdobramentos institucionalizados”, concluiu a fonte.

Submarinos chineses de propulsão diesel-elétrica da classe Song

O almirante Prakash disse ao jornal que a nova estratégia marítima listou “presença naval” como missão.

“Isto é, em primeiro lugar, para tranquilizar os nossos amigos de que você estará lá” diz o ex-comandante da Força Naval indiana, “em segundo lugar para enviar uma mensagem aos seus adversários e, em terceiro lugar, uma medida de conscientização do domínio marítimo”.

E Prakash completa: “Com este pano de fundo a Baía de Bengala e o Mar da Arábia podem ser efetivamente monitorados, caso a Índia se estabeleça nos três pontos de estrangulamento (Golfo de Aden, Golfo de Hormuz e Estreitos de Málaca)”.

Ameaça “extra-regional” – Quem apontou claramente para a China como a adversária de grande envergadura militar a ser enfrentada no espaço aquático do Índico foi a ministra da Defesa Nirmala Sitharaman.

A ministra da Defesa da Índia durante o seu discurso no Conclave de Goa

Ela expressou a preocupação de que “nações extra-regionais mantenham uma presença próxima” à região.

Fontes ouvidas pelo The Hindu revelaram: nos últimos dois ou três anos, os chineses têm patrulhado o setor Norte do Oceano Índico em nome do combate anti-pirataria, com um agrupamento de 8 a 10 navios militares.

Mas em agosto passado esse número havia aumentado para até 14 barcos de guerra…

 

Nota do Editor: O grifo em itálico no texto é de responsabilidade da coluna

 

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6 Comments

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  2. Flávio Henrique says:

    Eles bem quer poderiam se interessar pelas tamandarés…..Se bem, que acho que eles precisam de (bem) mais poder de fogo.

    • Flávio Henrique,

      Mais fácil apelarem para uma evolução de sua classe ‘Kamorta’.

      Eles não precisam de uma corveta como a ‘Tamandaré’. Talvez, se pensarem em um NPaOc no futuro, possam considerar uma variante mais “light” do vaso brasileiro.

  3. qUE INVEJA. O Brasil nessa pobreza.
    Dá dó.
    As FFAA viraram só administração de folha de pagamento, a exemplo de municípios pequenos.
    Por isso nossas pretensões não passam de sonhos, apenas sonhos.

  4. Luiz Monteiro says:

    Prezados,

    Ao que me parece, o Estado brasileiro não tem pretensão de ser um player mundial. Parece que nossos governantes se contentam em ver o Brasil como um simples país sem qualquer importância nas decisões mundiais, apenas um mero fornecedor de matérias primas para as matrizes (EUA, Europa e China)

    Abraços

    • Manuel Flávio says:

      Prezado Luiz Monteiro,

      O Sr. poderia dizer se a qualidade dos sensores de uma corveta de deslocamento como a Tamandaré serão degradados de forma mais intensa do que uma fragata de deslocamento semelhante ao da classe Niterói diante do cenário dos estados de mar comumente encontrados no Atlântico Sul?

      Obrigado

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