Defesa & Geopolítica

GALERIA: ‘Royal Navy’ anuncia que, em sua última missão, HMS ‘Ocean’ vai liderar um ‘Task Group’ no Oriente Médio; depois virá a baixa (e, talvez, a Marinha do Brasil…)

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A chegada do porta-helicópteros ao porto de Sunderland, na quinta-feira 6 de julho

Por Roberto Lopes

 

 

A Royal Navy anunciou que, no outono do Hemisfério Norte (metade final do ano), o porta-helicópteros britânico HMS Ocean (L12), que está prestes a ser desprogramado, cumprirá a sua última missão: liderar um Grupo Tarefa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Mar Mediterrâneo – em jornada que deverá estar ligada ao combate aos guerrilheiros do Estado Islâmico entrincheirados na Síria e na Líbia, e à vigilância do tráfego marítimo ilegal de imigrantes.

O navio será descomissionado no final do 1º semestre de 2018. No primeiro trimestre deste ano ele foi oferecido à Marinha do Brasil (MB), proposta que foi formalizada na primeira semana de maio.

Entre os dias 5 a 9 de junho uma equipe de quatro oficiais da Força Naval brasileira inspecionou o barco em seu atracadouro da Base Naval de Devonport.

O relatório dessa vistoria, a que a coluna INSIDER teve acesso com exclusividade, apontou: do ponto de vista operacional, o navio está em boas condições e pode ser adquirido pela MB.

Conclusões – O barco não precisará de modernização, bastando um PMG (Período de Manutenção Geral), estimado em seis meses ou menos, para dispor de todas as suas capacidades.

Quanto à Aviação Naval, a inspeção feita chegou à deliberação já esperada, de que ele pode operar com qualquer aeronave de asa rotativa da MB, sem restrições. Seus elevadores são capazes de deslocar todas os aparelhos desse inventário, e seu hangar está apto a abrigar qualquer um desses helicópteros.

Quanto à sua utilização como navio de comando e controle, o Ocean cumpre sem restrições essa missão.

No tocante à sua utilização como navio de transporte, desembarque e operações humanitárias, o navio poderia transportar até 800 fuzileiros em viagens de curta duração, ou 500 militares em comissões maiores. Podendo realizar o desembarque de pessoal e de material por meio de helicópteros e de lanchas de desembarque em ambos os bordos do navio.

A única incapacidade do navio é a ausência de doca alagável que permite a utilização de veículos de desembarque de grande capacidade.

Essa restrição obrigará o navio a operar em conjunto com o NDM Bahia, para desembarque de materiais pesados em uma hipotética necessidade.

Em sua parte final o relatório do grupo de inspetores brasileiros recomendou outra vistoria, mais detalhada e específica, com a finalidade de avaliar os custos operacionais e de manutenção do navio.

Nela o objetivo será analisar a capacidade de a MB manter e operar tal embarcação, bem como avaliar o custo do PMG que o navio demanda.

Lobby e hesitação – Curiosamente, a compra do Ocean pela Marinha do Brasil – por um preço módico, em torno dos 80 milhões de Euros –, e a elevação de capacidades que isso representaria tanto para a Força Aeronaval quanto para o Corpo de Fuzileiros Navais, é vista com franca hesitação por uma parcela (minoritária mas operosa) dos chefes navais.

Essa parte da oficialidade ainda parece francamente incomodada com a recusa do Comando da Força em aceitar, no mês de fevereiro, o plano de remodelação do porta-aviões São Paulo (A-12) proposto pela empresa francesa DCNS (hoje Naval Group).

A companhia tem uma proposta de construir no Brasil, dentro de uns dez anos, um porta-aviões de 50.000 toneladas, ao preço (estimado) de 5,5 bilhões de dólares. E é, por isso, raivosamente contrária à vinda do HMS Ocean para o Brasil.

Assim, ao lado dos militares brasileiros decenistas, está o agressivo lobby da indústria naval francesa feita, entre outros, por civis travestidos de especialistas e consultores em assuntos militares radicados no Rio de Janeiro – onde estão sediados o setor de Material e a Diretoria de Gestão de Programas Estratégicos da Marinha (DGePEM).

Na semana passada, um blog que rotineiramente defende os interesses franceses dentro da Força Naval insinuou que os militares favoráveis à aquisição do Ocean contribuem para um cenário dantesco: a paralisação de uma série de programas prioritários da Marinha, como a construção das corvetas classe Tamandaré, a reforma dos helicópteros Lynx na Inglaterra, e até o término da construção do navio-patrulha Maracanã…(?!)

O Centro de Comunicação Social da Marinha silenciou sobre essas investidas na Internet, e nenhum dos militares que intervieram nos comentários ao posicionamento do blog defendeu a Força.

Oficiais lotados na Diretoria de Aeronáutica da Marinha e na Força Aeronaval estão inquietos.

Após um período de entusiasmo, por volta dos meses de março e abril, com o que parecia ser a boa receptividade do Comandante da Marinha, almirante Leal Ferreira, à oferta do Ocean – e ainda que Leal Ferreira tenha autorizado a viagem de 12 oficiais, mês que vem, à Inglaterra, para a realização da segunda vistoria no porta-helicópteros – eles agora acreditam que os “arautos da desgraça” podem encurralar a chamada “Alta Administração Naval” (Comandante da Marinha mais Almirantado).

De acordo com um almirante ouvido pela coluna INSIDER (sob a condição de anonimato), a expectativa dos empenhados nessa manobra de pressão à Alta Administração Naval é leva-la a deixar de lado o espinhoso assunto da incorporação do porta-helicópteros – que tanta rejeição provoca nos representantes da indústria naval francesa, parceira no Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) e que se autoproclama “parceira estratégica da Marinha do Brasil”…

Guillou – Acrescente-se a isso a própria pressão que os franceses fazem contra a compra do Ocean no âmbito do Ministério da Defesa, com direito a um telefonema irado do presidente-diretor geral do Naval Group, Hervé Guillou, a um graduado assessor do ministro da Defesa, Raul Jungmann, quando do anúncio de que a Marinha rejeitava a oferta de remodelação do São Paulo.

No período de 6 a 11 deste mês, o porta-helicópteros Ocean viajou à costa nordeste da Inglaterra para fazer sua visita de despedida à cidade de Sunderland, que, ainda na década de 1990, o “adotou”.

No ultimo sábado (08.07), 240 marinheiros e fuzileiros navais do Ocean desfilaram pelas ruas centrais da cidade, precedidos pela banda de música do navio (Her Majesty’s Band of the Royal Marines).

Veja as imagens:

37 Comments

  1. Pingback: GALERIA: ‘Royal Navy’ anuncia que, em sua última missão, HMS ‘Ocean’ vai liderar um ‘Task Group’ no Oriente Médio; depois virá a baixa (e, talvez, a Marinha do Brasil…) | DFNS.net em Português

  2. Vou ser bem sincero agente não está pagando pelo pro sub então bote moral nesses cara da naval grup pó vai deixa de ter uma belonave como o ocean por causa de uma empresa que se acha dona da cocada preta a da licença o pro sub e uma coisa o ocean e outra .

    • Matheus a lava jato e o MP francês vai botar o pessoal do naval group no seu devido lugar muito em breve

  3. Célio Kniss says:

    Sr porque ele esta dando baixa na RN, se ele é tão bom assim………o A-12 era uma excelente compra na ocasião tambem e vejam o quanto tempo ele operou efetivamente, opera-lo pode ser demasiado caro para a nossa marinha

    • Roberto Lopes says:

      Desculpe Célio, mas não há termo de comparação entre a modernidade de um navio e de outro.
      Um abraço.

    • Adriano Madureira says:

      O porquê se resume simplesmente a duas coisas caro Célio Kniss:
      A primeira se chama HMS Prince of Wales e o segundo é porque simplesmente ambos não terão como co-existir na Royal navy…

      Muito haver com questão orçamentária e também pelo fato do novo navio ser o substituto do Ocean no suporte de desembarque anfíbio.

      “Porque ele esta dando baixa na RN, se ele é tão bom assim…”

      Perguntas como a sua,já lí muitas,quando se fala do Ocean para a MB.

      Muitos acham que um navio de 20 anos é uma sucata,essas pessoas não devem saber o conceito de tal adjetivo.

      Muitos acham que pode ser um presente de grego dos ingleses por ofertarem o navio ao Brasil e também pelo seu preço atraente.

      Eu acho o contrário,talvez os ingleses queiram se reaproximar novamente do Brasil,não se esqueçam do programa Prosuper e também do Global Combat Ship,onde serão construídos as types 26,agradar um potencial comprador nunca é demais,e como o senhor Roberto Lopes escreveu,o Brasil está interessado em futuras compras de oportunidade e as type 23 é uma delas.

      Para a Royal navy,ofertar o Ocean e quem sabe com umas type 23 seria algo benéfico comercialmente.

    • BrasileiroDeVerdade says:

      Eles vão tira-lo de sua marinha, pois agora eles tem um porta-aviões, HMS Queen Elizabeth.

      • Vão tirar porque é um lixo que só trará despesas para o Brasil., Será mais um trambolho igual ao São Paulo.
        Brasileiro adora porcaria. Se for de yanke então se rasgam todo.

        • E você se rasga por qualquer velharia russa meu caro “mortandela”..rs!

          Ah! O navio não é trambolho, é novo!

    • A 12 (ex Foch) quando foi comprado tinha mais de 40 anos

      HMS Ocean tem 20 anos e passou por uma atualização completa em 2014

  4. Cláudio quadros says:

    Que lembra saudoso minas Gerais nunca deixou na mão por que era inglês h m s OCEAN será novo minas Gerais com 12 k52 versão naval ficaremos bem venha logo h m s OCEAN.

  5. Ainda acham que estamos na era dos esquerdoPaTas que bastava um telefonema ou uma visita de El Luladron que iriamos comprar pelos preços exorbitantes deles.
    Vão vender algum Mistral com mega desconto pra MB?
    Que venha logo Ocean pra MB.

  6. ……………..que o Ocean seja bemvindo……esperar pra ver…………….

  7. Seria interessante a adoção temporária de alguns Harriers, até a chegada de um vetor mais competente (f-35 talvez), e reativar a ala aérea embarcada, ainda que com limitações, creio que seria uma combinação interessante até a possível chegada de NAE verdadeiro e mais adequado.

    Abraço.

    • Roberto Lopes says:

      Boa tarde, Mauricio.
      Como vc sabe, os Harriers já não são mais fabricados. Os que ainda estão em atividade são escassos. E a máquina em si é caríssima de operar (gasto fenomenal de combustível e energia para a decolagem).
      Uma opção seria o convertiplano V-22 Osprey, americano. Preço unitário: 60/70 milhões de dólares…
      Abraço.

      • Adriano Madureira says:

        E sobre os KA-52K caro Roberto Lopes?
        já que seria impossível um futuro Ocean-Br com helicópteros apaches,teria como serem suportadas no navio?

      • Roberto, a adoção da “Skyjump” na proa, aumentaria a eficiência dos Hariers, com a entrada em serviço do F-35 teremos oferta de Harriers assim como AV-8 no mercado, que poderiam preencher o “GAP” temporariamente, seria interessante para dar cobertura aérea a esquadra, na sequência a entrada em serviço do “F-35 Naval” poderia ser uma boa opção, quanto aos custos, seriam poucas unidades, acredito que seja viável dentro do orçamento limitado da Marinha.

        Abraço.

    • HMS Ocean não pode operar aviões mesmo que sejam V/STOL

  8. Francisco Braz says:

    Manter o São Paulo ficou impraticável pelo custo da construção francesa e, claro, a idade da embarcação. O problema que a MB enfrenta é o corpo aéreo que não poderá operar a partir do Ocean. De qualquer forma, o São Paulo não volta. Já foi desmobilizado. Mas a MB ainda precisa de, ao menos, 3 NAes e, além dos americanos, apenas ingleses, franceses e italianos tem experiência neste tipo de embarcação e, na operação com catapultas, só os franceses. De qualquer forma, não existe mais um padrão no almirantado. A confusão política espalhou-se pela administração como um todo.

  9. Eu mereço.
    A ex DCNS faz um relatório qualquer e acha que passa a ter algum direito adquirido?
    Peçam a eles pra reclamar com o agora CRIMINOSO CONDENADO, senhor Sapo barbudo (futuro presidiário), que armou toda essa maracutaia toda.

  10. Vem ser feliz no Brasil vem !! rss..

    só noticia boa hoje

  11. Parece que os R$30bi deram o direto aos franceses de mandar nos desígnios da MB como bem entenderem. Isso demonstra a respeito que as grandes potências tem pelos seus “parceiros estratégicos”, ou entram na ciranda para receber uma entubada sem vaselina no útero, ou são demonizados ern buscar os seus próprios interesses.
    Por mim o Prosub seria o último negócio com eles.

  12. “Conclusões – O barco não precisará de modernização, bastando um PMG (Período de Manutenção Geral), estimado em seis meses ou menos, para dispor de todas as suas capacidades.”

    Já começa dando despesas. ¨meses parado só para manutenção. A marinha quer esse troço só para fazer propaganda. Será mais um sumidouro de verbas públicas.

    QUER COMPRAR EQUIPAMENTOS? COMPRA ALGO QUE PRESTE E DE PRIMEIRA MÃO. Lixo não precisamos.

    • Adriano Madureira says:

      Despesa?! Isso é procedimento normal meu caro,coisa que foi oferecida mas não foi feita no A-12 São Paulo porque o glorioso almirantado recusou da oferta,pois poderia ser feita no arsenal da marinha.

      “QUER COMPRAR EQUIPAMENTOS? COMPRA ALGO QUE PRESTE E DE PRIMEIRA MÃO. Lixo não precisamos”.

      Com certeza você deve ser um daqueles que acham que a MB deveria e tem bala para comprar um navio zero quilometro,um LHD ou uma NAe nova…O problema meu amigo é que dinheiro não há,nem um classe mistral(USD600MI) que dentre os navios do segmento é o mais barato podemos comprar.
      Uma NAe zero?! Esses não podemos nem sonhar,não podemos comprar nem um classe Cavour…

      Qual o problema de um navio de vinte anos?É Sucata?! só se for na sua opinião…

      A onisciente, onipresente,onipotente e intergalactica Us Navy ainda usa navios da década de 70-80(Nimitz,Blue Ridge,classe ohio) e nem por isso o nível lá é baixo,muitas marinhas gostariam de ter navios nessa faixa etária.

      “Se” confirmar o Ocean na MB,ele juntamente com o Bahia serão os navios mais novos da frota,ficando atrás somente das Amazonas.

      Fosse navio de 35 anos até acharia ruim,mas de vinte,em uma época que é difícil navios com essa idade,é um achado.

      E que junto com ele possa vir as type 23,uma HMS Montrose(1994),HMS Iron Duke(1993) ou Lancaster(1992),apesar que bom seria uma HMS Northumberland(1994) ou HMS Richmond(1995).

  13. Sai dai mortadela Friboi,seu idolo de pe de barro e mao ligeira já foi condenado em um inquerito,vem muito mais ainda.
    Vcs esquerdoPaTas vao visitar e fazer as palhaçadas que vcs chamam de protesto na porta do presídio.
    2018 é Lula lá num presidio da cumpanheirada.

    2018 o Brasil vai mitar pra desespero dos idiotas úteis do ParTido.

  14. Bom dia.
    A embarcação dispõe de uma rampa traseira que liga o hangar de veículos a uma plataforma flutuante sobre o mar. Seria possível descer os Piranha IIIC até o mar para uma espécie de desembarque anfíbio?

  15. Robson Douglas says:

    Já penso no Ocean e o G 40 Bahia um do lado do outro. Vai ser muito incrível.

  16. Vem LINDÃO! E fora Franceses. Vão lá ser paus-mandado da Merkel que é melhor!

  17. É hora de mandar uma comissão nessa viajem, com gente que cuida da logística, da casa de máquinas, do comando e navegação, controle aéreo, logística dos fusileiros, piloto, especialista sistemas de combate e chefe de manutenção em geral, aí sim vai -se ter uma boa ideia de desempenho, custos e macentinhos que um navio usado tem.

  18. Também poderia afetar o Brasil
    O Ministério da Defesa da Rússia está considerando o desenvolvimento de um avião de decolagem vertical (VTOL) para porta-aviões com base na família Yak, disse o vice-ministro da Defesa, Yury Borisov, nesta terça-feira.
      A aeronave VTOL seria baseada em jatos da família Yak.
    “O Ministério da Defesa está discutindo com nossos fabricantes de aeronaves o desenvolvimento de uma aeronave com uma curta decolagem e desembarque, possivelmente com uma decolagem e desembarque vertical, este é o desenvolvimento da linha Yak”, disse Borisov à margem de O show aéreo MAKS-2017.

    https://www.ruaviation.com/news/2017/7/19/9242/?h

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