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EXCLUSIVO Navios Asiáticos: Parte dos almirantes brasileiros já admite que se recorra às fragatas sul-coreanas FFX-II para renovar a Esquadra

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Lançamento ao mar da FFX-II “Daegu”

Por Roberto Lopes

 

 

A coluna INSIDER apurou que vários almirantes brasileiros já admitem que sua Força gaste cerca de 2 bilhões de dólares para adquirir, na Coreia do Sul, um pacote de navios e serviços que, no prazo de dez anos, renovaria o “núcleo duro” – oceânico – da Força de Superfície da Esquadra.

Esse planejamento poderia prever a compra de seis fragatas Tipo FFX-II, de 3.592 toneladas (carregadas) – ligeiramente menores que as Niterói operadas atualmente pela Armada. Quatro navios seriam construídos na Coreia, e os dois últimos da série no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) – que, no âmbito do mesmo projeto, receberia uma ampla modernização.

As FFX-II são embarcações derivadas da classe Incheon (FFX Batch I), de 3.251 toneladas (a plena carga), que começaram a ser incorporadas à Força Naval coreana em abril de 2011, como navios de defesa costeira.

Silos – A Marinha da Coreia do Sul opera seis unidades FFX-I, e acaba de receber a sua primeira fragata classe FFX-II, batizada de ROKS Daegu (FFG-818), dotada de silos para o lançamento vertical de mísseis antiaéreos, lançadores de mísseis anti-navio (usados, opcionalmente, para atacar alvos em terra) além de outros armamentos modernos, como uma estação CIWS Phalanx de 20 mm, para Defesa Aérea de curto alcance (imagem abaixo).

A Daegu foi lançada ao mar a 2 de junho do ano passado, e completada no espaço de seis meses, encontrando-se, nesse momento, em provas de mar para a sua aceitação como “plenamente operacional” pelo comando da Marinha coreana.

A construção do barco ficou a cargo do estaleiro Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering, o mesmo que o vice-almirante (EN) Mário Ferreira Botelho visitou, a 29 de setembro de 2016, na condição de diretor do AMRJ.

Tradução – A visita de Botelho – que o Centro de Comunicação Social da Marinha apressou-se em definir como mero reconhecimento das potencialidades da indústria naval sul-coreana – ganhou forte repercussão internacional, porque a empresa Daewoo distribuiu um release informando que ela servira ao encaminhamento de um contrato de 1 bilhão de dólares, para a recuperação do Arsenal do Rio e a construção de dois navios.

 

O desconforto na Marinha do Brasil foi tanto que o Presidente da POSCO DAEWOO do Brasil, Kim Sun-Tae, precisou enviar uma carta ao diretor Mario Ferreira Botelho, datada de 4 de outubro, esclarecendo que “uma tradução incorreta do coreano para o inglês” no texto do comunicado de imprensa liberado pela Daewoo, teria originado o “mal-entendido” referente ao teor da reunião que Botelho e o embaixador do Brasil em Seul, Luiz Serra, haviam mantido com a direção do estaleiro coreano (foto).

“Nós nunca informamos que a Marinha do Brasil tinha assinado um contrato com a corporação POSCO DAEWOO Corporation no valor de 1 bilhão de dólares, para a encomenda de navios”, garante Sun-Tae em sua correspondência.

Juros – Segundo a praxe das negociações financeiras da Daewoo com clientes estrangeiros, as fragatas FFX-II e a modernização do AMRJ poderiam ser pagos com um ou dois anos de carência, e mais um prazo de amortização de sete ou oito anos, a taxas de juros de impacto mais moderado que as praticadas no mercado europeu (em Euros naturalmente).

Caso esse contrato possa ser concluído no exercício de 2017, ou até meados de 2018, o primeiro dos navios FFX-II do Brasil poderia estar sendo lançado ao mar no segundo semestre de 2020 – e a série toda completada e operacional antes de 2030 – encerrando, assim, o extraordinário desgaste das Niterói, veteranas de mais de 40 anos de bons serviços.

Obstáculos – Em termos práticos, a aquisição de seis fragatas coreanas – evento tão marcante para a Marinha do Brasil quanto a decisão que ela tomou no início da década de 1970 referente à obtenção dos navios Vosper Mk.10 (Niterói) – esbarra em três dificuldades importantes:

– a necessidade de a Força obter o apoio do Ministério da Defesa para essa renovação da espinha dorsal da Esquadra. Em conversas privadas, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, tem se mostrado desanimado com o alto valor dos principais programas da Marinha em um cenário de aperto no cinto (teto de gastos);

– o fato de que o dispêndio de um programa de fragatas coreanas (somado à modernização do AMRJ) ameaçaria diretamente o esforço financeiro que a Força vem fazendo para não interromper o desenvolvimento de quatro corvetas classe Tamandaré; e

– o fato de que a decisão a favor dos navios FFX-II equivaleria a um desfecho súbito para a parte mais relevante do Programa de Obtenção de Meios de Superfície da Marinha (PROSUPER) – iniciativa cuja tramitação na Presidência da República a então presidenta Dilma Roussef suspendeu, em 2014, quando sua tendência era optar pela oferta de fragatas feita pelo estaleiro italiano Fincantieri.

3 Comments

  1. Infelizmente as constantes variações políticas, bem como as incertezas financeiras fazem que a MB não possa seguir um planejamento e médio a longo prazo firmes, essa opção sul coreana é realista, cabe no nosso bolso e mantém a operacionalidade da esquadra, o resto é utopia.

    • César Pereira says:

      Concordo com você meu caro ARC,vamos nos focar no certo e deixar de lado o plano caro e duvidoso quem vem minando e levando a pique a nossa Marinha!

  2. ,..final/ um pouco de razão e capaci// mental n caras….ou belonaves Russas, Italianas ou Sul Coreanas….aprovado….
    ]

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