Defesa & Geopolítica

ESPECIAL: Subsecretária da Defesa britânica anuncia os primeiros disparos bem sucedidos do míssil ‘Sea Ceptor’, que a MB gostaria de ver a bordo das suas CCTs

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Por Roberto Lopes

 

 

A subsecretária da Defesa do Reino Unido, Harriet Baldwin, de 57 anos, anunciou, nesta segunda-feira (04.09), que os primeiros disparos do novo sistema missilístico de Defesa Aérea Sea Ceptor foram conduzidos com sucesso, em testes que representam um marco tecnológico importante para a Royal Navy.

Os primeiros lançamentos foram realizados no início do verão europeu, a partir da fragata Tipo 23 HMS Argyll, ao largo da costa escocesa.

Baldwin fez as suas declarações no final de uma visita às instalações da empresa de equipamentos de Defesa MBDA, em Filton – perto de Bristol (extremo sudoeste da Inglaterra) –, que incluiu uma reunião com técnicos e especialistas que trabalham no programa Sea Ceptor.

A 28 de novembro de 2014 a Marinha do Brasil (MB) divulgou que as novas corvetas CV03 – designadas na Força Corvetas Classe Tamandaré (CCTs) –, serão equipadas com os MBDA Sea Ceptor – evento que dependerá, claro, das disponibilidades financeiras.

Concebido para interceptar vetores aéreos, o novo sistema é capaz de alcançar e destruir mísseis inimigos que viajam a velocidades supersônicas. Na Marinha Real o plano é utilizar esse potencial para proteger os porta-aviões britânicos da classe Queen Elizabeth, conforme a própria ministra ressaltou:

“O Sea Ceptor protegerá nossos interesses contra ameaças conhecidas e desconhecidas. Ele será lançado das novas fragatas Tipo 26 da Royal Navy, e irá manter os nossos submarinos de dissuasão nuclear e os dois novos porta-aviões do Reino Unido seguros em suas operações por todo o mundo”.

Segundo Harriett Baldwin, o míssil da MBDA substituirá o sistema de armas Sea Wolf nas embarcações Tipo 23, e também será usado nas novas fragatas do Tipo 26.

Ano passado o Ministério da Defesa do Reino Unido (MoD), confirmou um contrato de 100 milhões de libras para produzir o sistema Sea Ceptor destinado às fragatas Tipo 26. Além disso, o MoD não perde de vista que a pesquisa e a produção da nova arma garantem 600 empregos no território britânico.

Mach 3 – O Sea Ceptor é um vetor de pequeno porte – 2,3 m de comprimento e 99 kg de peso – baseado no míssil ar-ar ASRAMM, em operação desde 1998.

Além da versão lançada de navio – CAMM(M) –, seu programa prevê modelos para serem disparados de terra – CAMM(L), em substituição ao conhecido sistema Rapier do Exército britânico –, e de aeronaves – CAMM(A).

O míssil foi projetado para interceptar alvos que se movam a distâncias entre 1km e 25km.

O design aerodinâmico limpo do míssil proporciona um desempenho melhorado no ar, ao tempo que o torna altamente compacto para a instalação a bordo do navio.

Além disso, o Sea Ceptor usa um inovador sistema de lançamento vertical suave – o soft launch – que reduz significativamente o impacto sentido pelo navio e sua tripulação no tradicional “lançamento a quente”.

O sistema usa um novo míssil desenvolvido no Reino Unido, apto a alcançar velocidades de até Mach 3 e terá a capacidade de lidar com múltiplos alvos simultaneamente, protegendo uma área de aproximadamente 1.300 quilômetros quadrados em terra ou mar.

Uma declaração oficial da MBDA, ao final da visita da Subsecretária de Defesa Baldwin, ressalta que “o Sea Ceptor pode interceptar mais alvos simultaneamente e em 360 graus – algo que um sistema [de Defesa Aérea por radar] semi-ativo não pode [fazer]”.

Ao contrário do ASRAMM, na fase final a sua trajetória o novo vetor da MBDA se vale de um seeker (buscador) baseado em radar ativo, que lhe permite, além de engajar alvos de alta performance, como mísseis, interceptar outros tipo de munições, além de aeronaves e até mesmo pequenas embarcações.

Soft launch Conforme já foi assinalado, o vetor a ser adquirido pela MB é disparado verticalmente, em um soft launch que ejeta o míssil por meio de um sistema de pistões.

Só depois que o míssil está no ar é que ele é direcionado para o alvo por meio de pequenos explosivos embutidos em sua carenagem, etapa que precede o acionamento do booster.

“Sea Ceptor” seguindo para o alvo já com o booster acionado

Isso elimina a necessidade de exaustores de gases (denunciadores do míssil para os sensores inimigos) e reduz muito o tamanho dos lançadores verticais – uma vez que eles não precisam resistir à queima e aos gases tóxicos altamente corrosivos.

Funcionando dessa maneira, o Sea Ceptor só precisa de um contêiner compacto, o que permite que o sistema seja instalado em maior número no navio que o transporta, e em diferentes partes dele – aumentando significativamente a eficiência da cobertura do sistema na chamada “defesa de ponto”.

Outra característica do míssil é sua capacidade de comunicação via datalink de alta velocidade.

Em seu voo o míssil é guiado até próximo ao alvo pelo navio que o disparou, via datalink, com seu radar ativo sendo acionado somente para a guiagem terminal.

Mísseis estão entre as prioridades das autoridades em Segurança do Reino Unido.

No início deste ano, o secretário da Defesa britânico, Sir Michael Fallon, anunciou um investimento de £ 539 milhões em novos sistemas de mísseis.

O HMS Argyll (foto) ainda realizará novos ensaios de disparo do sistema Sea Ceptor antes de se deslocar para o Japão no próximo ano.

11 Comments

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  2. viver e melhor que sonhar .

    • olha a reportagem
      https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/201709059280044-fragata-admiral-essen-daesh-siria-misseis-cruzeiro-videos/

      vamos reagir plano brasil a geopolítica não se resume a apenas isso , de ficar com comandantes militares mostrando seus SONHOS
      sendo que o governo entreguista não esta nem ai para as forças armadas muito menos para o bem da nação brasileira .

      esta na hora de acordas desses sonhos ,e vamos pensar o jeito matérias relacionadas a derrubar esse subgoverno ladrão entreguista , ficar em cima do muro não adianta nada

      • Roberto Lopes says:

        Boa noite, Pé de Cão.
        O objetivo da coluna INSIDER não é derrubar governos, ou disponibilizar seu espaço para verborragias ideológicas, mas retratar a realidade da área militar, dentro e fora do país.
        Você sabe bem disso, porque já teve publicados vários comentários sobre assuntos militares.
        Abraço.

      • Cesar A. Ferreira says:

        Caro Pé-de-Cão…
        Temos agendado o dia para estancarmos a sangria: 15 de novembro de 2018.

      • O Estado não é solução

        Por Hélio Duque

        O Brasil é um país capturado por uma elite econômica, política e uma casta burocrática (nos três poderes) que acredita que o povo é o problema e o Estado a solução. Ignoram o ensinamento do historiador britânico Eric Hobsbawn; no livro “Era dos Extremos”: “O futuro não pode ser uma continuidade do passado”. O debate público é dissociado do pensamento médio da população, conseguindo moldar a opinião pública, ao invés do enfrentamento da realidade injusta, à manutenção de uma percepção privilegiadora dos seus interesses.

        Os fatos da realidade vivente pelas pessoas são ignorados e em seu lugar essa elite política e econômica e a casta burocrática impõem e ampliam o seu poder controlando a estrutura do Estado, ignorando a modernidade. Resistindo e combatendo qualquer reforma que rompa com os privilégios do passado.

        No Brasil não há segmento na sociedade que se oponha a reformas do Estado. O problema é que quando elas enfocam os interesses corporativos, classistas e pessoais a resistência e o combate feroz se estabelecem. Reformar tudo bem, desde que os meus interesses não integrem essa agenda. Essa percepção mobiliza setores e a opinião pública, atropelam a realidade da urgência das reformas, alegando retrocesso nas suas prerrogativas políticas, de um lado e do outro, a casta burocrática alega perda de direitos conquistados.

        A sólida aliança, aliada aos integrantes da área política, enxerga o Estado como grande provedor. Formam uma coalizão poderosa com metas e interesses comuns. Saquear as finanças públicas, transformando o Estado em transferidor de benefícios econômicos, com leis, projetos, reivindicações classistas, perdão de dívidas, são garantidos a esse conglomerado bucaneiro. Advogam o aumento dos investimentos públicos em setores não prioritários para o desenvolvimento da economia brasileira. Sem investimento produtivo na infraestrutura, as receitas públicas ficam garroteadas. Pela razão direta do crescimento das despesas sem a contrapartida do aumento da arrecadação.

        Nisso reside o déficit fiscal decorrente do saqueamento do Estado pela aliança dessa coalizão que vem colocando os seus objetivos imediatos acima dos interesses nacionais. A conta do desastre é sempre debitada nas costas da sociedade, onde a grande vítima são os brasileiros. O empresário produtivo e gerador de empregos e renda é vitimado por uma carga tributária escorchante, a maior do mundo entre os países em vias de desenvolvimento. Os assalariados de classe média e os trabalhadores arcam com a conta do desajuste econômico.

        As diferentes corporações detêm, no Brasil contemporâneo, um poder absoluto. E os seus privilégios se multiplicam pelo indiscutível apoio que a maioria dos políticos brasileiros lhes assegura. No Congresso, mais importante do que falsificadas siglas partidárias, são as bancadas representativas dessas corporações. E o objetivo é garantir vantagens econômicas para os seus segmentos, onde a conta é do Tesouro Nacional.

        O clientelismo e o patrimonialismo transformaram o Estado, pela ação política, em grande provedor de vantagens. A origem está nas campanhas políticas caras e vazias, onde não se discute programas e propostas. No Brasil quem ganha eleição é “marqueteiro”.

        Em 2018 os brasileiros terão oportunidade, ou não, de mudar essa realidade. Conscientes de que o Estado não é solução, é instrumento para administrar o bem comum. Votando para revitalizar a democracia e fazendo do combate à corrupção bandeira permanente e inegociável.

        Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP).

        Ou seja, em 2018 não devemos eleger as mesmas velhas raposas que alguns teimam em trazer de volta ao galinheiro nacional porque significaria o retorno das mesmas entidades representativas de classe que afundaram esse país… O NOVO SEMPRE VENCE…

  3. Tínhamos a opção de co desenvolvimento do R-Darter e Unkontho com a África do Sul nos tempos da saudosa Mectron.
    A nossa MB resolver apostar em um míssil em desenvolvimento, nunca testado e sem participar do seu desenvolvimento, em detrimento desses mísseis descritos por mim, além da opção de versões navalizadas do A-Darter, MAA1-B, MAR-01 (versão superfície/Ar).
    Soma-se a esses mísseis os sistemas nacionais Saber-M60/ 200, Sentir M20, Alças optrônicas Atena, Versão VLS nacional do SLDM etc..
    Teríamos um sistema AAe nacional e sem nenhuma intervenção ( e ou embargos de uso ou exportação) estrangeiros.
    Mas como as coisas aqui nunca mudam !!!

  4. Esse é o mais perto que a MB vai chegar deste sistema.. intenção!

  5. Dependendo de recursos financeiros, então já sei

  6. Cesar A. Ferreira says:

    (“)Além disso, o Sea Ceptor usa um inovador sistema de lançamento vertical suave – o soft launch – que reduz significativamente o impacto sentido pelo navio e sua tripulação no tradicional “lançamento a quente”(“).

    Inovador, talvez, para os britânicos, pois os russos utilizam o método de “lançamento a frio” desde os tempos soviéticos!

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