Defesa & Geopolítica

ESPECIAL Disponibilidade! O segredo da Força de Submarinos peruana para conquistar credibilidade (e prestígio) fora da América do Sul…

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26 de outubro de 2017: o “Pisagua” volta de seu “deployment” nos Estados Unidos

Por Roberto Lopes

 

 

A Armada peruana aceitou um convite da Marinha da Indonésia para mandar um de seus submarinos tipo IKL-209 a um treinamento com submersíveis indonésios no fim deste mês – durante o período em que terá lugar, em Surabaya – capital a Província de Java Oriental –, a 17ª Conferência de Submarinos da Ásia-Pacífico.

A convocação do governo de Jacarta para os peruanos fala em treinamento em águas indonésias, e no desenvolvimento de estratégias aperfeiçoadas para as operações de resgate e de salvatagem de unidades submarinas – tema que será desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Resgate e Salvatagem da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A primeira edição da Conferência de Submarinos da Ásia-Pacífico foi realizada em 2001. A última, ano passado na Austrália, contou com a participação de algumas das principais potências navais do globo – entre elas as dos Estados Unidos, China, Reino Unido, França e Canadá, entre outras.

Apesar de ter firmado com a indústria naval alemã um plano de revitalização dos seus quatro submarinos classe Angamos (IKL-209/1200), a Marinha peruana demonstra um invejável grau de disponibilidade – algo que, nesta década, nem de longe, pode ser comparado ao estado de prontificação da Força de Submarinos da Esquadra brasileira (ForSub).

DESI-EX 2017 – Três meses atrás, o submarino peruano Pisagua (SS-33) partiu para a base naval de San Diego, no estado da Califórnia – costa oeste dos Estados Unidos –, a fim de participar do chamado Diesel Electric Submarine Initiative Exercise (DESI-EX 2017) – treinamento binacional que, nos últimos 15 anos, já virou rotina para os navios da nação sul-americana.

A US Navy paga para que submarinos de ataque de propulsão diesel-elétrica pertencentes aos seus aliados se desloquem até as suas águas. Objetivo: empenhá-los em adestramentos aptos a manter atualizada a capacitação das tripulações americanas em lidar com ameaças submarinas não-nucleares.

E as manobras não incluem apenas embarcações, mas também meios aéreos como aviões de patrulhamento marítimo e helicópteros MH-60R.

A visita do Pisagua , encerrada em meados do mês passado, custou a Washington a bagatela de 2,8 milhões de dólares (para combustível, apoio técnico e hospedagem da tripulação peruana).

Normalmente, os convites da US Navy também são estendidos às Forças Navais da Colômbia, do Chile e do Brasil. E as que demonstram menor disponibilidade para atende-los são as Marinhas do Brasil (MB) e do Chile – ambas prisioneiras de sérias restrições financeiras.

Mk.48 – Movimentações de submarinos brasileiros são tratadas pelo Comando de Operações Navais e pelo Comando da Esquadra como informações classificadas, segredos (mesmo em tempos de Paz). Assim, o que chega aos analistas civis é pouco e impreciso.

É bem mais fácil embarcar um apresentador de televisão no submarino Tupi – como a Marinha fez recentemente com o jornalista Datena, da TV Bandeirantes (foto)– do que divulgar algum dado acerca do estado de prontificação da flotilha de submersíveis.

Admite-se, entretanto, que o ano do colapso operacional da Força de Submarinos da Esquadra (ForSub) foi 2014.

Na quarta-feira, 18 de setembro de 2013 o navio Tapajó (S-33) – incorporado em 1999 – chegou ao Rio de Janeiro procedente dos Estados Unidos (foto), onde permaneceu, por sete meses, em treinamento com a US Navy – programação que incluiu o disparo de modernos torpedos filoguiados (de fabricação americana) Mk.48, e um estágio operacional com os militares do Navy Seals, a força de elite da Marinha estadunidense.

O deployment do Tapajó não constituiu, propriamente, uma novidade, pois era a sexta vez em que um submarino brasileiro participava de intercâmbio com os Seals.

Porém, no ano seguinte, coincidindo com o agravamento da situação econômica no Brasil – e da escassez de recursos no âmbito da Força Naval – essas viagens foram, simplesmente, descontinuadas.

A essa altura, a falta de dinheiro já influenciava na pobre disponibilidade das unidades da ForSub.

A flotilha precisou enfrentar diferentes problemas de manutenção com os seus quatro barcos classe Tupi (IKL-209/1400) e um da classe Tikuna (1400 modificado): rosário de dificuldades que incluiu deficiências nos motores, esgotamento de baterias e até quebras imprevistas (em componentes sensíveis como a hélice dos navios).

Mar del Plata – Os anos de 2014 e 2015 foram áridos.

A Força de Submarinos aproveitou a paralisação quase completa das suas unidades para instalar, em dois navios, o sistema de combate adquirido (dez anos atrás!) nos Estados Unidos, que permite o disparo dos torpedos Mk.48 – arma dotada de sensores acústicos que possibilitam ao torpedo identificar e destruir alvos de superfície e outros submarinos.

O primeiro barco a ganhar capacidade de emprego do torpedo MK-48 foi o Tapajó, que, em outubro de 2011, fez o lançamento de dois torpedos de exercício (reutilizáveis).

Compartimento de torpedos do “Tapajó”

Em outubro de 2016 – ainda na fase de conclusão dos testes de aceitação do novo equipamento –, o submarino Tupi (S-30), de 1.453 toneladas – meio mais antigo da ForSub (incorporado em 1989) –, realizou um bem-sucedido disparo de Mk.48 nas proximidades do Rio de Janeiro.

Então, na manhã de 30 de janeiro passado, uma quarta-feira, o navio – tripulado por 11 oficiais, três Aspirantes da Escola Naval (em navegação de aprendizagem) e 33 subalternos – alinhou os 61,2 m de seu comprimento em paralelo com um atracadouro da Base Naval de Mar del Plata (sequência abaixo) – “lar” dos submarinos argentinos.

A manobra permitiu ao navio alcançar nova marca: a do retorno da ForSub às viagens internacionais.

No mês seguinte, os dados do lançamento de torpedos feito pelo Tupi em outubro de 2016 foram apresentados no “I Workshop Operativo do Torpedo MK-48”, realizado (a 21 de fevereiro) no Auditório do Centro Hiperbárico, do Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché (foto).

O evento permitiu aos participantes uma atualização em relação ao manuseio do MK-48, seu emprego em cenários de combate, e às particularidades do seu modo de lançamento e de guiamento.

Riachuelo A MB tenta manter dois dos seus cinco submarinos disponíveis permanentemente.

O Tupi e o Tapajó já concluíram o período mais recente de manutenção e revitalização. Agora é a vez do submarino Tikuna (S-34), que está no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), em fase de instalação do novo sistema de combate.

Época em que os submarinos da ForSub foram incorporados:

Tupi (S-30): 1989;

Tamoio (S-31): 1994;

Timbira (S-32): 1996;

Tapajó (S-33): 1999;

Tikuna (S-34, variante aprimorada da classe Tupi): 2005.

A incorporação à rotina da Força de Submarinos do primeiro submarino classe Scorpène brasileiro – o S-40 Riachuelo – ajudará, claro, a aumentar a disponibilidade das embarcações da ForSub, mas esse evento ainda tem data incerta.

O lançamento ao mar do navio, previsto para acontecer em julho do ano que vem, talvez demore algumas semanas, e só aconteça entre os meses de novembro e dezembro.

Nessa situação, o navio só poderá ser transferido ao setor operativo da Armada no segundo semestre de 2020.

 

O conteúdo deste artigo é de total responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do site.

11 Comments

  1. Pingback: ESPECIAL Disponibilidade! O segredo da Força de Submarinos peruana para conquistar credibilidade (e prestígio) fora da América do Sul… | DFNS.net em Português

  2. É Claro que o a Marinha do Peru tem mais dinheiro disponível que a MB: Menos de 50% do seu orçamento é gasto com Pagamento de Ativos/Inativos/Pensionistas… aqui já chega na casa dos 80% para esses tipos de gasto, o problema é gestão mesmo pois dinheiro no caixa a MB tem, até demais.

  3. O submarino tikuna volta quando?

  4. Por mais revoltante que seja a falta de recursos por parte do gov. federal e da União, é inegável o trab de valor dos homens e mulheres que atuam nas nossas FA. Nos enche de orgulho.

  5. como o diego comentou não falta dinheiro falta gestão temos uns dos 15maiores orçamentos militar era para ter uma força bem mais equipada

  6. Profeta_Lunatico says:

    Caro Diego em 2016 o Brasil ocupava no Ranking mundial Orçamento militar o 13° lugar. A frente da Poderosa Israel e do UAE e de muitos outros paises como Vietnam Egipto Argelia. Dizer que ha falta de dinheiro? Ha é falta de vergonha falta de gestão falta de seriedade.. vai la ver sem tem general, almirantes, governante , ministro, senador , deputado , juiz ve se esses canalhas e suas familias tenhem falta de dinheiro e regalias e previlegios a custa do estado? Ate as amantes e secretarias e adjuntos tenhem regalias a custa do Estado. Ai na hora comprar um sistema de defesa anti aerea ou um MBT não ha dinheiro . Depois aparece aqui as biscates de plantão defender essa corja que lhes paga as regalias virem dizer a culpa é da esquerda a culpa é da direita. Tenham vergonham ! A culpa é de toda classe politica e classe militar ( generais almirantes ) que vivem de regalias e privilegios

    • sergio ribamar ferreira says:

      Tem sua razões para se revoltar. Concordo com o Sr Profeta. Tem dinheiro para regalias da corja dos três poderes porém para Meios adequados para nossas Forças Armadas, Educação, Saúde e Segurança, igual peie, nada.

      • jose luiz esposito says:

        Como já publiquei , o JUDICIÁRIO BRASILEIRO , tem um Orçamento quase igual ao das Forças Armadas , fazendo dela a Maior Casta Corporativista do BRASIL e do MUNDO, ele é 600% mais Caro que qualquer outro do Mundo 1.4% do PIB , quando nos demais países esta no máximo a 0.20% a 0.30% dos PIBs , combatendo isto e resolvendo , sobrará dinheiro para Tecnologias e Defesa que alavancarão estas Tecnologias .

  7. sergio ribamar ferreira says:

    Errata”… igual peixe, nada…”

  8. E ainda querem operar um SubNuc…

    Que alguém lá em cima nos proteja

  9. Larri Gonçalves says:

    E o Tamoio e o Timbira onde andam ? ou melhor onde nadam ? Se nadam ou estão em manutenção prolongada muito prolongada…

    Falta gestão a MB e estabelecer verdadeiras prioridades, cadê as Fragatas Australianas que estão sendo colocadas a venda, cadê o Ocean, eles vem ou não há recursos ?
    O que foi colocado sobre os submarinos, precisa ser encarado com seriedade, se não tem recursos para operar os submarinos que tem, como querem operar adequadamente mais 4 diesel-elétricos e em nuclear em 2030 ou 2031 até lá só Deus sabe como ?

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