Defesa & Geopolítica

Eleições Francesas – Uma breve visão

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De Luiz Medeiros, especialmente para Plano Brasil

Neste final de semana, no dia 23 de Abril de 2017, a França inicia um processo eleitoral que irá definir o novo presidente eleito na quinta república francesa. O processo deverá contar também com um segundo turno à ser realizado no dia 07 de Maio e por fim o novo presidente deverá assumir o cargo já no dia 15 de Maio.

Após o término das eleições o novo presidente assumirá sem tempo para grandes comemorações ou “transição”. Além do curto espaço de tempo entre o término do processo eleitoral e a posse o novo chefe do executivo assumirá uma França que se não vive uma crise econômica também não vive nenhuma lua de mel em sua economia. Necessidades de diversas reformas e investimentos internos, fora uma grave situação de crise em razão da imigração e duras críticas sobre o papel da França na geopolítica global e seu protagonismo (ou não) no momento.

O que podemos dizer com certeza é que François Hollande deixa o posto de forma no mínimo melancólica dada sua taxa de aprovação baixíssima. Hollande enfrenta ainda inúmeras críticas sobre posturas do seu governo tanto em assuntos internos quanto externos além da grave sensação de insegurança que paira sobre a França após um bom número de ataques terroristas durante seu mandato. O próprio Hollande nem sequer buscou a reeleição deixando a porta aberta para Manuel Valls que foi seu primeiro ministro e também é do Partido Socialista, porém teve seu nome recusado nas prévias do partido.

Um ponto interessante do momento político francês atual é a situação de crise. Sobre alguns aspectos há falta de quadros ou de representatividade por parte de figuras mais “tradicionais” da política, a sociedade francesa não se mostra muito satisfeita com sua classe política no momento. Desta forma as prévias Partido Socialista teve seu resultado em favor de Benoît Hamon, candidato mais radical e crítico acintoso do governo Hollande, claramente colocando em cheque a tese de uma candidatura de “situação” primando pelo continuísmo.

Candidato Benoît Hamon

Hamon dada sua carreira política possui seus méritos, iniciando seu período de maior expressão na carreira política com sua eleição para uma vaga no parlamento europeu, posição que ocupou de 2004 até 2009. Depois de sua passagem pelo parlamento europeu ele foi eleito para a Assembléia Nacional (o equivalente à Câmara dos Deputados na França) em 2012, cargo que ele detém até o momento.

Durante o governo Hollande, eleito em 2012, Hamon assumiu o posto recém criado de Ministro da Economia Social. O cargo na realidade se tratava de uma posição dentro do Ministério da Economia francês mas abaixo do Ministro da Economia, sendo citado por alguns como Ministro Junior. Permanecendo de 2012 até 2014 no Ministério da Economia quando Hamon deixou o cargo para assumir o prestigioso cargo de Ministro da Educação Nacional, agora sim em condição de Ministro efetivamente.

O tempo de Hamon à frente da educação francesa não durou muito, após assumir em Abril de 2014 ele deixaria o cargo ainda em Agosto do mesmo ano e denunciando que Hollande havia abandonado a agenda socialista e a partir de então Hamon assume posição crítica em relação ao presidente e seu governo dentro do próprio Partido Socialista.

Apesar de muitos considerarem a vitória de Hamon nas prévias do Partido Socialista como “supresa” outras opiniões apontam como um trabalho de articulação cuidadoso feito por ele após seu racha com o governo. A tese de articulação ganha força com o fato de que Hamon negociou com Yannick Jadot a sua desistência do pleito presidencial de 2017 e ainda declarando apoio a sua campanha. Com o apoio de Jadot a candidatura de Hamon passou a contar com o suporte do partido “Europe Écologie Les Verts”, o Partido Verde francês ganhando substancial envergadura política a sua campanha.

 

Um dos pilares da campanha de Hamon é a demanda por uma reforma extensa na república, que de acordo com suas palavras teria o objetivo de iniciar uma “Sexta República”. Hamon defende ainda a legalização da maconha e eutanásia e além disso considera que todos os cidadãos franceses devem ter um salário básico, dada sua crença de que a necessidade por trabalho deve diminuir em razão da automação. Sendo um crítico da economia neo-liberal que segundo ele “destrói o planeta”, Hamon se coloca à defender uma reforma radical na matriz energética francesa prometendo que 50% dela deverá ser proveniente de fontes renováveis até 2025.

Hamon é somente o quinto colocado nas pesquisas e vem em processo de constante perda de terreno, mas é o representante do partido no poder e que possui forte expressão no parlamento, não podendo ser desconsiderado de uma eventual “reviravolta”.

A política francesa também tem seu aspecto curioso na formação e dissolução de partidos. O “Les Républicains” ou “LR” (em tradução literal: “Os Republicanos”) é relativamente novo, fundado em 2015, mas herdeiro do legado político da direita francesa de Chirac e Sarkozy. O partido se organizou para realizar prévias onde François Fillon venceu Allain Juppé até mesmo com relativa facilidade. A campanha de Fillon depois das prévias passou a lidade com o drama do “Penelopegate” sobre a acusação de nepotismo relacionado com sua esposa e dois de seus filhos. Apesar de negar o nepotismo Fillon findou por assumir o fato como um erro em uma coletiva no dia 06 de Fevereiro de 2017 mas reforçando que o salário de sua esposa era perfeitamente justificável. Ao final de Março a esposa de Fillon, Penelope Fillon, foi formalmente colocada sob investigação juntamente de dois dos filhos do casal que também receberam salários por trabalhos junto ao gabinete parlamentar de Fillon. O escândalo resultou em um dano imenso à candidatura de Fillon e uma perda de apoio de público estrangeiro, como o alemão.

Candidato François Fillon

François Fillon é um dos mais velhos dentro dos “ponteiros” da eleição francesa, tendo carreira política extensa e no momento ocupa uma cadeira na Assembleia Nacional por Paris. Nos anos 90, ainda durante o governo Mitterrand, Fillon foi Ministro da Educação e posteriormente teve passagem pelos ministérios de Telecomunicações, Informação e Tecnologia, passando até mesmo pelo Ministério do Trabalho. Em 2004 Fillon retorna ao cargo de Ministro da Educação onde permanece até 2005 em sua última passagem por um ministério.

Com ampla experiência e bagagem política Fillon mostrou discurso afinado com as necessidades de reforma na França. Defendendo uma dura reforma previdenciária incluindo um aumento na idade mínima para aposentadoria, para 65 anos, e uma promessa de cortar 500 mil cargos públicos. Devido ao seu discurso Fillon ganhou alguns comparativos com Margaret Tatcher que aumentam quando o ponto é sobre imigração e a presença muçulmana no país, embora tenha discurso mais moderado do que a “extrema direita” ele considera o assunto como problema à ser tratado e inclusive levantando a questão da ameaça de “totalitarismo islâmico”.

A posição conservadora de Fillon se reduz no que toca a política externa, sendo um defensor do diálogo com a Síria de Bashar Al-Assad e apontando para um discurso moderado quanto à Rússia, sendo inclusive atacado por alguns de seus críticos como detentor de um discurso “pró-Rússia”.

Como dito anteriormente a política francesa tem seus fenômenos de “reinvenção” ou “recriação” de partidos mas além da mudança de nomes podemos também observar a criação de partidos novos. Nesse cenário temos o “En Marche!” (tradução literal: “Em Marcha!”) de Emmanuel Macron, que por ser fundador desse novíssimo partido (criado formalmente em Abril de 2016) foi facilmente alçado à candidatura presidencial pela legenda.

Emmanuel Macron

Emmanuel Macron é o mais novo dentre todos os candidatos à presidência francesa em 2017, com 39 anos, e pode (se eleito for) se tornar o presidente mais jovem da história da França. Nesse “tom” de jovialidade tanto pessoal quanto de seu partido (cuja as iniciais coincidem) Macron se descreve como parte de um movimento progressista. No livro “Revolution” (publicado em 2016) Macron se descreve como esquerdista e liberal, por essa razão foi rapidamente taxado de “populista” mais notavelmente por Manuel Valls (primeiro ministro francês entre 2014 e 2016).

A carreira política de Macron se inicia com sua filiação ao Partido Socialista francês em 2006, no momento ele era inspetor de finanças no Ministério da Economia (posto ocupado entre 2004 e 2008), o cargo público foi deixado por Macron para trabalhar com investimentos no Banco Rothschild & Cie.

Mesmo após deixar o PS, em 2009, Macron conseguiu em 2014 ser indicado para o posto de Ministro da Economia e buscou reformas que fossem favoráveis aos negócios. Apesar de suas discordâncias com o primeiro Ministro Manuel Valls, ele permaneceu no cargo até o final de Agosto de 2016, quando então passou a se dedicar ao seu próprio partido e a candidatura para 2017.

Macron rejeita a crítica de populista, se coloca como um defensor do livre mercado e comprova esse posicionamento isso com apoio ao CETA (acordo de cooperação entre a União Europeia e o Canadá). Apesar de sua posição crítica ao TTIP (Acordo Transatlântico entre UE e EUA) Macron deixa claro que apesar das condições ideais não terem sido alcançadas as portas devem permanecer abertas.

Para a visão da maioria dos analistas Macron é um “eurófilo”, mesmo que tendo sido crítico do acordo fechado entre UE e Grécia em 2015 (com forte influência de François Hollande) alegando que aquele acordo não ajudava a Grécia à lidar com seu débito.

Sobre meio ambiente Macron demonstra visões um tanto dúbias. Um exemplo é seu expresso e intenso apoio para uma transição ecológica e apoio às medidas acertadas na Conferência de Mudança Climática da ONU de 2015, porém no ano seguinte, 2016, Marcon declarou apoio ao uso do Diesel como combustível posição expressada logo após o escândalo de emissões da Volkswagen.

Para a segurança nacional Macron propõe que haja mais investimento em inteligência e acredita que o investimento em cultura seja uma solução para conter o terrorismo.

Um ponto controverso em sua campanha é apoio a política de “portas abertas” para os imigrantes, como o defendido por Angela Merkel.

Ainda no plano interno Macron defende o secularismo e o estado laico, se colocando crítico as escolas que ensinam mais sobre religião do que sobre os fundamentos básicos.

Por seus posicionamentos sobre imigração e secularismo muitos enxergam Macron como “o candidato” dos imigrantes e seus descendentes, mas esse título pode ser controverso.

Quanto a política externa Macron já teve posição moderada sobre o conflito Sírio, mas recentemente defendeu uma intervenção militar aliada no conflito. Quanto à Israel o candidato Macron se coloca favorável a postura do atual governo francês e se opõe aos movimentos de boicote ao Estado de Israel e foi polêmico ao ter recusado se pronunciar sobre a questão do reconhecimento do Estado Palestino.

Macron teve avaliações positivas nos debates realizados até o momento, especialmente “vencendo” o do dia 20 de Março porém sendo “derrotado” por Jean-Luc Mélenchon no do dia 04 de Abril, após uma performance surpreendente do candidato de extrema-esquerda.

Em mais um dilema do “mundo globalizado” os franceses não estão “imunes” ao avanço controversa e famigerada dita “extrema direita”, ou movimentos “ultra conservadores”. Aqui se encontra um partidos “tradicional” na história política francesa atual e um dos mais longevos depois do Partido Socialista. A Front national (Frente Nacional) tendo como candidata Marine Le Pen, que é também a presidente do partido.

Candidata Marine Le Pen

A FN, sendo um partido antigo, conta com um histórico controverso e pouca representatividade regional e no legislativo, mas ainda assim foi capaz de abocanhar 22 cadeiras no parlamento europeu. O partido já tentou a presidência anteriormente com a figura do incrivelmente controverso e criticável Jean-Marie Le Pen e sem sucesso ou impacto.

Mas os últimos anos mostram uma relativa mudança de curso e discurso no partido, nada de mudança radical, especialmente a partir de 2011 com Marine Le Pen assumindo a presidência e o gradativo e contínuo afastamento de seu pai (Jean-Marie) das atividades do partido.

A única mulher dentre os ponteiros, não somente assumiu o partido e afastou a figura do pai como afinou o discurso mas não se distanciou das bases de fundação do partido.

Marine Le Pen conseguiu assim capitanear o sucesso eleitoral de 2014-15 de seu partido com a eleição de prefeitos e o aumento expressivo da presença do partido no parlamento europeu e assim o capital político de Le Pen aumentou significativamente.

A vitória de Donald Trump nos EUA e o BREXIT serviram como trampolim perfeito para Le Pen juntamente de um quadro de crise na França e um governo altamente criticável.

Apesar de ter despontado como possível favorita no início da campanha presidencial, Marine Le Pen perdeu força nos últimos momentos, especialmente com o avanço da candidatura de Emmanuel Macron e Jean-Luc Mélenchon e com o que alguns consideram como um pequeno “ressurgimento” de François Fillon.

Le Pen teve sua carreira política iniciada ainda na década de 90, sempre na esteira de seu pai, mas a proeminência veio com a presença no parlamento Europeu, iniciada em 2004. Marine Le Pen é considerada hoje a segunda figura mais influente no parlamento, perdendo somente para o presidente Martin Schultz.

Le Pen foi candidata na eleição de 2012, tendo uma expressiva terceira colocação no primeiro turno o que para muitos foi ponto fundamental para o processo de crescimento do partido e de sua figura que terminou sendo consolidado na eleição regional de 2014-15.

Em seus posicionamentos Le Pen é fortemente crítica à imigração, criticando até mesmo a imigração legalizada sob a alegação dos problemas posteriores quanto à serviços públicos e empregos. Le Pen é crítica inclusive a nacionalização de imigrantes, reforçando sua crítica quanto ao multiculturalismo e a deterioração da cultura nacional.

Com visão crítica ao livre comércio e tendência protecionista, Le Pen considera também o intervencionismo como solução para a questão econômica, tendo como base os pensamentos de Maurice Allais, cidadão francês que teve o prêmio Nobel de economia em 1988. Allais foi crítico do Euro, da constituição Europeia de 2004, do livre comércio e da globalização. Le Pen é crítica das regras do sistema bancário e da atual política fiscal do país.

Forte crítica da União Europeia e da OTAN, Le Pen advoga pela saída da França de ambas organizações, sob alegações de que as mesmas não atendem as demandas francesas. Em contraponto Le Pen apresenta discurso ameno sobre a Rússia e defendeu em entrevista ao Haaretz Israelense o direito de “…criticar o Estado de Israel, como se pode criticar qualquer Estado soberano, sem que isso seja taxado de anti-semitismo. Afinal a Frente Nacional sempre foi sionista, e sempre defendeu o direito do Estado de Israel existir.”

Cercada de polêmicas Le Pen é taxada como xenófoba e racista, e mesmo sendo a única candidata mulher dentre os ponteiros ela não levantou nenhum tipo de movimento feminista à seu favor.

Le Pen teve presença considerada com “discreta” nos debates presidenciais e nos possíveis cenários de segundo turno sempre aparece como a candidata derrotada.

Se não bastasse o avanço da “extrema direita” a França nesse momento apresenta um leve avanço da “extrema esquerda” que curiosamente não é representada pelo Partido Socialista (sendo esse de um histórico de ser mais “moderado”). No extremo da esquerda vemos mais um partido novo, o “La France insoumise” (tradução: França Insubmissa), formado em 2016 na realidade se trata mais de um conglomerado de partidos menores de esquerda que se uniram sob a figura de Jean-Luc Mélenchon, fundador do partido.

A FI em si não possui representatividade no parlamento francês e nem mesmo na esfera regional, mas seus aliados são o Fronte de Esquerda na Assembléia Nacional e os Comunistas no Senado e assim compõem o braço representativo do partido.

Candidato Jean-Luc Mélenchon

O candidato mais velho nessa eleição com 65 anos é Jean-Luc Mélenchon, um político experiente. Iniciou sua carreira na política ainda nos anos 70 e foi um importante líder Miterrandista passando por diversos cargos.

Após o período Mitterrand o Partido Socialista enfrentou um período complicado e longa ausência no comando do Estado Francês, mesmo assim Mélechon chegou a ser ministro da Educação no período 2000-2002 e depois sendo eleito Senador em 2004 por Essonne, permanecendo até 2010.

Em 2008 Mélechon se desligou do Partido Socialista para fundar o “Parti de Gauche” (ou Partido de Esquerda em tradução), se radicalizando e se afastando do PS. Através de seu novo partido Mélechon conquistou uma cadeira no parlamento europeu em 2009, posto que ocupa até o presente momento.

Em 2012 Mélechon tentaria a presidência pela primeira vez, encerrando em quarto lugar no primeiro turno, após a derrota na eleição ele se tornou uma das vozes de esquerda mais críticas ao governo Hollande, alegando sua traição aos ideais da Esquerda Francesa.

Mélechon é um crítico da União Européia, mesmo sendo membro do parlamento europeu, assim como é crítico do neoliberalismo e da globalização, mas defende a renegociação de tratados Europeus e não necessariamente a dissolução destes. Ainda sobre a Europa existe uma crítica sobre Mélechon quanto à um certo sentimento “anti-Alemão” de sua parte e que teria sido mais recentemente esboçado em uma publicação de 2015 onde ele deixaria clara sua visão de que a Alemanha havia se tornado novamente um problema, uma ameaça.

O candidato da extrema esquerda é também um crítico também da OTAN e neste caso considerando a saída da França da organização que ele alega ser uma afronta à soberania francesa. Mélechon é criticado em razão de seu posicionamento mais suave sobre Putin e Rússia.

No plano interno Mélechon defende aumento dos auxílios assistenciais e mais presença do Estado sobre a economia, defende também revisão fiscal, manutenção e ampliação de impostos sobre grandes fortunas. Mélechon é também um dos defensores da legalização da maconha.

A performance de Mélechon no debate de 04 de Abril foi vista por diversos analistas como surpreendente, sendo considerado o “vencedor” deste e ganhando fôlego extra para o final da campanha.

No dia 23 de Abril de 2017 os franceses vão às urnas, e não são somente 5 os candidatos na corrida, mais de 10 candidaturas estão na disputa.

O país está claramente dividido entre quatro ponteiros de acordo com as pesquisas e estas com diversas variações, dada a proximidade dos candidatos e o nível de divisão do eleitorado. O número de eleitores declaradamente indecisos também varia e mais do que os números sobre os candidatos, entre 25% à 31% do eleitorado se declara como indeciso, mesmo que observado o menor número ele é bastante expressivo e certamente pode decidir a eleição.

A França de hoje não é um país fora do mundo e assim reflete muitos dos problemas enfrentados no cenário político mundial. Da insatisfação popular com a política à falta de quadros passando pelo sentimento de falta de representatividade e assim abrindo margem para surgimento de movimentos mais radicais de todos os lados do espectro político ideológico. Aliado à isso no plano “meramente político” temos uma sociedade que mudou, um país que tem a cara de imigrantes e seus descendentes. A França hoje luta com as mais diversas dificuldades culturais advindas de sua nova (ou não tão nova) composição social e enfrenta ainda as dificuldades que o mundo desenvolvido possui quanto a geração de empregos, impostos, previdência, etc.

O “não voto” pode ser tão ou mais marcante na eleição francesa como foi na brasileira, na americana e no caso britânico do BREXIT, mas somente no dia 23 vamos saber se os franceses indecisos vão optar por votar em alguém ou “não votar”.

Apesar dos recentes fatos relacionados ao terrorismo (incluindo o atentado do dia 20 na Champs-Élysées reivindicado pelo Estado Islâmico) poderem representar ponto determinante na eleição aliados a questão migratória, é importante observar que o país vive inúmeros dilemas internos que talvez passem com menor importância ou sequer se apresentem no noticiário internacional. Questões domésticas podem acabar definindo a eleição em rumos menos esperados.

No momento aponta-se para uma vitória de Emmanuel Macron tanto no primeiro quanto no segundo turno e mesmo sendo somente resultado de pesquisa que pode mudar já é possível se observar algumas possíveis mensagens que população francesa esteja querendo externalizar. Mensagens que talvez não sejam tão vinculadas às questões de política externa ou nem mesmo à União Europeia. O mais prudente é considerar como muito cedo para tentar traduzir qualquer mensagem no momento, especialmente dado a curta carreira e histórico desse candidato e mesmo pautando qualquer análise em sua campanha e discurso poderemos ainda chegar em uma conclusão pouco consistente.

Mesmo que o menos esperado ocorra, seja uma vitória de Le Pen, Fillon ou mesmo de Mélechon, qualquer análise de momento pode terminar por ser “enganosa”, pelas mais diversas razões.

Após o dia 23 muito possivelmente o processo eleitoral francês seguirá para o segundo turno que tende à ser previsível e com um curto período de campanha, mas um tempo valioso para que o mercado, a União Européia e o mundo comecem à se ambientar com um novo governo francês.

O que talvez possa se concluir no momento é que a primeira derrotada seja justamente a França. Vivendo um cenário de crise e estando diante de uma eleição dividida, onde essa divisão seja talvez o que mais justifique ter como primeira derrotada a França. O país que pode sair do pleito com a sociedade ainda mais fracionada e ainda menos crédula em sua classe política, além de uma população que pode acabar por ter ainda mais medo do que virá na sequência e possivelmente uma sensação de insegurança crescente.
Qualquer que seja o candidato eleito ao final do segundo turno o seu primeiro trabalho será o de “unificar” o país, tarefa que não se desenha nada fácil, porém será o início básico para que ele ou ela possa no mínimo começar governar.

28 Comments

  1. Se quem ganhar for da direita ou da esquerda, no que tange a politica externa imperialista francesa … não vai altera em nada ! … basta saber que o atual governo é da esquerda.
    .
    A França está muito preocupado com seus problemas interno e quem ganhar vai encará tais problemas do atual e tende só a aumentar em proporções geométricas aliás a Europa como um todo ,só para se ter uma ideia da dimensão de um dos “problemas” na Europa .. basta saber que em um futuro bem próximo a linguá franca mais falada na Europa não será o Inglês e sim o árabe… pois é … cada europeuzinho que surgir por lá … as primeiras palavras que ele irá ouvir será em árabe e provavelmente seja essa … Allahu Akba

    • Marquês de São Vicente says:

      Tirando o conceito de “política externa imperialista francesa” concordo que existe o perigo real e imediato da Europa se tornar um califado árabe nos próximos 50 anos.

    • Lucena de ha muito esquerda e direita fundiram-se ideologicamente e so os nomes os dierenciam.Ambos hoje estao comprados pelos Rothschilds e outras grande familias de banqueiros. A extrema esquerda na medidas que operam como apendice dos Socialistas, servem para dar cobertura propagandistica pela esquerdas as intervencoes imperialistas no nos paises do resto do mundo.Isso pode ser observado no Brasil, onde se ve grupos de extrema esquerda juntando forca com os quintas colunas do imperialismo ianque, a Globo, Veja, Estadao e outros agentes dos irmaos Kochs e George Soros no golpe que colocou Temer como presidente do Brasil.E por isso que nao me surpreenderia se Marie Le Pen ganhasse essas eleico em Franca, se houver eleicao e claro. Os globalistas estao desesperados. Aquilo que ocorreu perto de Champs-Elysee, foi outra operacao bandeira falsa. A velha historia, um individuo conhecidissimo pela policia, preso varias vezes, comete o ato terrorist e e claro carrega um documento no bolso dizendo que pertence ao ISIS. Ate as eleicoes outras Bandeiras Falsas ainda podem ocorrer. Nesta Segunda Feira, dia 24, em Nova York, vai ser realizada uma manobra militar simulando um ataque atomico em Nova York. Vc se lembra do 11 de Setembro de 2001? Naquele dia estava ocorrendo uma manobra militar em Nova York, onde se simulava predio sendo destruido com avioes a jatos de passageiros. Em todos esses exercicios militares, onde simulam atos terroristas, atos verdadeiros de terrorismo ocorrem. Os globalistas necessitam uma guerra seria de qualquer jeito. E so a nao resposta russa e chinesa diante de tantas provocacoes que tem previnido essa guerra de ter ocorrido. Mas o perigo de guerra continua serio, e e somente entre o pessoal de extrema direita nao sionista que se ve gente consciente do perigo de guerra e escrevem e falam sobre o assunto. A extrema esquerda cala-se. Como avestruz, colocou a cabeca na areia e expos o traseiro para ser penetrado.E a esquerda e a direita tradicional sao agents dos globalistas.

    • Rapaziada o blog … já que estamos falando de eleições popular na França .. como em toda sociedade democrática quer e que respeite também o resultado dela e sem golpe … escultem essa do hipócrita,corrupto Temer e seus associados no golpe … ” Temer diz que situação na Venezuela só será resolvida com eleições livres “ … pois é … ele mesmo falou isso.. o quê vocês acham ? ..rsrsr… quer dizer que … ELEIÇÃO LIVRE E POPULAR … na região só é bom lá na Venezuela ? … esses golpistas são ou não são hipócritas ?

      • Zé Ninguém says:

        Pois é lucena… vc votou no Temer e agora tá arrependido… rsrssrsrsrssss… pra vc ver que esquerdistas não sabem o que fazem… melhor deixar pra nós resolvermos os nossos e os seus problemas, pois se depender da incompetência de vcs nada se resolverá… 🙂

      • Como ? ..rsrsr… batendo panela com nariz de palhaço ? .. é ? … HAHAHAH … só você .zé ninguém ..HAHAHAH…essa tinha que ser do zé ninguém mesmo tava demorando …HAHAHAH

      • AH ! esqueci … aproveita que você vai “resolver” os problemas …rsrsr … leva o outro também …o Alessando ..rsrs ..este também adora uma batucada e tem o ex-petista revoltado ..ai já são trés é melhor do que ninguém .. e ninguém é o mesmo que um zero à esquerde .. é nada . 😉

      • Zé Ninguém says:

        Melhor bater na panela que na cabeça de esquerdistas… não seria politicamente correto… 🙂

      • A recorma draconiana da previdência como se apresenta é uma autêntica pauta de banqueiros, a Odebrecht é a bola da vez, mas quando e se chegaram nos grandes bancos Itaú e Bradesco, estes doaram também para campanhas de todos os lados ideológicos e por meios desonestos através de interferências CARF sonegaram até então denunciado pela desvirtuada operação Zelotes, 19 bilhões. E ai transformaram a Zelotes em operação sítio do Lula. Seria comico se não fosse trágico.

      • Zé Ninguém says:

        Chola não… 🙂

  2. Em uma síntese pessoal rasa e tendo como base somente o testo, Macron me parece batante alinhado com o the establishment, alem de sua aparência jovial, nada ou pouco acrescenta ao desejo de reinvenção dos franceses. O ? parece está em conflito quanto aos reais anceios das populações e a força com que os mercados e gigantescos e seculares conglomerados econômicos que passaram a assumir a agenda de governos, propoem como presente e futuro.

    • e propõem..

    • Correto e um doriana igual aqui na prefeitura de sao paulo

      Para França. Seria o melhor os dois extremos da direita. Ou esquerda pois o boizinho mais novo faz parte do esquema que afundou a frança

    • Vc se lembra do Collor, eu ouvi mulheres dizer que votaria nele porque ele era um pao. Vc se lembra do Tony Blair mesma droga, as mulheres votaram nele porque ele era sexy Enquanto isso ocorrer, nao se surpreende se esse Macron, agente dos Rothschilds ganhar as eleicoes. Se houver eleicoes e claro. Mas esta cada vez mais dificil para os Globalistas conter Marie Le Pen. Eventualmente vao tentar elimina-la por outros meios.

      • a ultima eleição aqui em são Paulo uma senhora se abaixou pegou um santinho do chão todo sujo e levou para votar

        por isso que o voto tem que ser facultativo .o cunha nao deixou o voto facultativo ser aprovado ele e aquela corja de ladroes

  3. A Máquina Troll says:

    o ocidente em desespero cada vez mais assume os moldes de um regime mascarado neo nazista e o seu povo descamba de vez para o extremismo de direita, em decorrência da crise, problemas sócio econômicos, perdas de áreas de mercados e influencia para os emergentes e dos problemas relacionados aos imigrantes…já há mais de 1 bilhão de muçulmanos no mundo…o islamismo ultrapassou o catolicismo em número de fiéis em 1986 e continua a crescer….o número de adeptos aumenta inclusive em áreas tradicionalmente cristãs, como na Europa, África Ocidental e Estados Unidos….e as taxas de natalidade de 28 países europeus estão em queda desde 2008 aponta pesquisa do Instituto Max Planck de Pesquisa Demográfica, na Alemanha, de acordo com a BBC…a Alemanha com a menor taxa de natalidade de todos, foi o mais recente país europeu a anunciar incentivos para casais que tenham filhos….o pacote de incentivos inclui dois meses de licença do trabalho, remunerados, e 1.800 euros por mês para pais que queiram tirar mais tempo de licença…em toda a Europa o declínio da natalidade preocupa, pois não está havendo reposição da população…diante desse fator, aliado à alta natalidade dos imigrantes, alguns países já vêem o fantasma do dia em que os imigrantes serão mais numerosos que a própria população do pais…

    em 2005 a população da europa era estimada em 731 milhões de acordo com as Nações Unidas que é um pouco mais do que um nono da população mundial….um século atrás a europa tinha quase um quarto da população mundial…a população da europa cresceu no século passado mas nas outras regiões do mundo (especialmente na África e na Ásia) a população tem crescido muito mais rapidamente…segundo a projeção de população da ONU a população da europa pode cair para cerca de 7% da população mundial até 2050 ou 653 milhões de pessoas…neste contexto existem disparidades significativas entre regiões em relação às taxas de fertilidade….o número médio de filhos por mulher em idade reprodutiva é de 1,52…. de acordo com algumas fontes essa taxa é maior entre os europeus muçulmanos….a ONU prevê o declínio contínuo da população de vastas áreas da europa Oriental…. a população da Rússia está diminuindo em pelo menos 700 mil pessoas a cada ano….o país tem hoje 13 mil aldeias desabitadas….

    nos eua os asiático-americanos são a segunda maior minoria racial do país.. os dois maiores grupos étnicos asiático-americanos são chineses americanos e filipinos americanos…de acordo com o censo de 2010 os hispânicos já são mais de 50 milhões nos eua…..o crescimento populacional dos hispânicos e latino-americanos é uma grande tendência demográfica…os 46,9 milhões de estadunidenses de ascendência hispânica são identificados como uma etnia “distinta” pelo Census Bureau… 64% dos hispano-americanos são de origem mexicana….entre 2000 e 2008 a população hispânica do país aumentou 32% enquanto a população não hispânica cresceu apenas 4,3%….. estima-se que os não brancos constituirão a maioria da população em 2042….pode parecer assustador mas é verdade….. apenas nos eua aproximadamente 40 milhões de pessoas que estão em relacionamentos estáveis não fazem sexo….os dados são de Robert Epstein, psicólogo, fundador e diretor do Centro Cambridge de Estudos do Comportamento em Beverly, Massachussetts….

    Nada é para sempre senhores… a era/época desta gente esta chegando ao fim para dar lugar ao Oriente… como com os Romanos aos poucos o seu império vai entrando em decadência, declínio e se desintegrando…

    • Exatamente prezado.
      Mas o grande problema desta previsão é que em momentos de declínio que as pessoas ligadas ao poder tendem a se radicalizar ainda mais.

      Essa grande ascensão dos movimentos de extrema direita no ocidente, mostram o quanto estamos entrando em desespero pela a perda de hegemonia no globo, sendo por questões religiosas, sendo por questões econômicas… Cada vez mais o conservadorismo violento vem ganhado forças na sociedade… Agora vamos ter que esperar e assistir como isso vai terminar… A Ascensão fascista da década de 20 e 30 arrastaram o mundo para a beira do colapso, vamos ver como o mundo vai se comportar nesta próxima década de 2020.

  4. Pobre França… tão perto dos Globalistas Ocidentais e Eurasianos e tão longe do rei!

  5. Zé Ninguém says:

    Azisquerdas estão descontroladas… rsrsrssrsrsss… tentam a todo custo empurrar a direita legítima para a extremidade do espectro ideológico pra ver se cabem no centro esquerda, porque o lugar que ela ocupava está completamente cagado e fedendo… 🙂

  6. JOJO ( 22 de abril de 2017 at 13:20 ),

    Esquerda e direita não se fundiram ideologicamente…

    Penso que essa percepão ( algo errônea no meu entender ) de “fusão” entre esquerda e direita, parte da constatação de que o sistema de sociedade proposto por marxistas no final do século XIX e início do século XX, simplesmente não é possível, economicamente falando ( até Lenin entendeu isso, quando propôs o plano econômico NEP )… Não há economia que não seja necessariamente capitalista. Nenhuma economia sobrevive se não conserva ao menos uma ponta de capitalismo… Logo, todos são obrigados a respeitar a iniciativa economica individual como geradora de riqueza. Mas é só… Esquerda e direita ainda conservam suas diferenças, no que tange a objetivos finais.

    O que aumenta a confusão é que o espectro da esquerda dividiu-se em diversos seguimentos ao longo do século XX; outros mais moderados e outros mais extremos, com algumas metas distintas na concepção de sociedade e de economia, mas praticamente todos indo numa direção similar. A grande diferença de fato, é que são metodologicamente distintos.

    As vertentes da esquerda, na realidade, e graças a essa pluralidade, nunca foram tão fortes no que tange a disseminação de suas ideias. Embora não tenham mais a hegemonia intelectual, ainda assim o pensamento da esquerda influenciará a mentalidade das pessoas por todo esse início de século e mesmo além.

    O pensamento socialista, de forma geral, está pronfundamente enraizado… É comum no seio popular uma mentalidade que tem como foco o agente governamental como meio unificador e provedor, independente de classe. Não há uma mentalidade originalmente individualista, que veja no Estado uma entidade separada. A percepção é que o Estado é o povo.

    O mais, fica difícil definir o que é necessariamente “direita” hoje, posto não existirem em nossa época verdadeiras forças organizadas de direita ( só agora existe um embrião disso ). O que existem, de forma geral, são somente políticos mais “conservadores” ou que adotam o tom mais conservador ( e isso torna impossível defini-los na prática ).

    Até podemos dizer que a direita está “renascendo” no meio popular, mas o pensamento individualista ( e principalmente de viés econômico libertário ), típico de uma verdadeira direita, ainda levará tempo para disseminar-se de forma abrangente ( muito embora o processo esteja realmente ocorrendo de forma cada vez mais rápida ). E se isso vai ser bom ou não, eu ignoro… Não dá pra saber o que vai sair disso com tantos agentes dando pitaco ao mesmo tempo… O que é certo é que estamos numa era de convulsão do pensamento político no Ocidente… E é natural que ocorresse…

    Enfim, é evidente que um reequilíbrio de pensamentos se estabelecerá ao final, mas ainda levará décadas para ocorrer ( talvez não ocorra nem nesse século… ). E não me pergunte que monstrengos irão sair disso no meio do processo…

    • A Máquina Troll says:

      “_RR_
      23 de abril de 2017 at 10:44”

      Nada é para sempre … a era/época desta gente esta chegando ao fim para dar lugar ao Oriente… como na Roma antiga ocidental aos poucos o seu império vai entrando em decadência, declínio e se desintegrando…

      Chegara o dia em que o mundo entenderá então que os Estados Unidos não eram grandes..Mas somente ricos….E a riqueza é como a onda do mar…..Vai e volta…..

    • Zé Ninguém says:

      “Não há economia que não seja necessariamente capitalista. “… essa é a dor incomensuravelmente eterna que os sociopatas socialistas carregam… 🙂

  7. A Máquina ( 22 de abril de 2017 at 12:13 );

    Não necessariamente…

    Primeiro de tudo, não se trata de uma questão de asiáticos, latinos, brancos, etc… Está muito além de uma questão tão simplista…

    O processo que ocorre no Ocidente atualmente é algo um tanto distinto do processo que levou a queda do Império Romano. Há evidentemente aí alguns dos mesmos elementos, como o choque cultural, além da corrupção generalizada alinhada a promiscuidade crescente da sociedade. Contudo, o processo de degradação que ocorre hoje é algo inverso na sua síntese…

    É a própria cultura ocidental que está em declínio… E o curioso é que isso não se deu por qualquer influência externa…

    A grande diferença entre os processos, é que a queda do Império Romano não significou necessariamente o fim ou a repreensão do pensamento ocidental ( a filosofia grega essencialmente ), que se manteve mais ou menos intacto. Ao contrário, é possível dizer que este último foi pesadamente reforçado pela ascensão do cristianismo, proporcionando, ao invés de fragmentação ideológica, um senso de unidade de pensamento aos povos europeus através do dogma religioso e das instituições da Igreja Católica dedicadas a cultura, que terminaram por abraçar os pensadores clássicos. Em verdade, houve um forte impulso para a evolução cultural da Europa ( e do pensamento filosófico por tabela ), com a preservação da filosofia antiga e de boa parte de outros modos de vida antigos.

    Ou seja, a queda do Império Romano, e de sua corrupta estrutura original, revigorou a cultura e o pensamento ocidentais na prática ( mesmo que houvesse uma era de caos no imediato pós Império ). Os povos que foram liberados por esse ‘crash’ iriam evoluir de forma mais livre para se tornarem as grandes potências culturais de nossa era, e avançar para outros pontos do mundo deixando traços culturais irrevogáveis em outras sociedades.

    E daí que o que ocorre hoje é diminuição da influência do próprio pensamento ocidental dentro do próprio Ocidente ( e no mundo consequentemente ), causando modificações profundas no modo de vida das pessoas ao longo dos anos, com um consequente alinhamento as correntes filosóficas do Oriente… E como disse acima, não se deve primeiramente a fatores externos…

    A decadência da cultura ocidental tem seu ‘start’ definitivo ao final do século XVIII ( a mudança de pensamento já havia começado antes ), com a ascensão do pensamento revolucionário ao passo de cultura… O pensamento revolucionário, a partir de então, fez os povos do Ocidente questionarem em peso os valores ocidentais tradicionais, além da própria religião ( comprometendo por tabela a unidade cultural ); movimento esse que foi grandemente acentuado a partir do começo do século XX, com o surgimento de movimentos políticos revolucionários organizados, e que ainda hoje se mostra contínuo.

    Mas seja como for, o pensamento tradicional do Ocidente está aos poucos se revigorando, com o surgimento de agentes aqui e acolá, ora toscos, ora mais centrados, mas que haverão de culminar, mais dia ou menos dia, em um centro de diálogo para a cultura ocidental. Mesmo que esse processo leve décadas e mesmo considerando a penetração de ideologias “alienígenas”, é questão de tempo até essas “novas” ideias ganharem forma e reestruturar o pensamento e a cultura ocidental para mais alguns séculos de dominância global, considerando o poderio econômico manter-se no Ocidente ( coisa que invariavelmente ocorrerá, haja visto o domínio tecnológico ainda manter-se nesse lado )… A grande incógnita, pra mim, só é o mundarel de bizarrice que vai sair no meio do caminho…

    A propósito: queira desculpar, camarada… Mas quando fala “daquela gente”, pode estar falando de si mesmo… Não se esqueça: se você nasceu no Brasil, então, querendo ou não, você partilha da cultura do Ocidente… Não creio que exista alguém no Hemisfério Ocidental ou no leste da Europa até a Rússia que possa categoricamente negar isso…

    • A Máquina Troll says:

      “_RR_
      23 de abril de 2017 at 17:15”

      Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;

      Apocalipse 3:9-12

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