Defesa & Geopolítica

Dia Mundial do Trabalhador Humanitário

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Celebramos hoje, 19 de agosto, o Dia Mundial do Trabalhador Humanitário, designado pela Assembleia Geral das Nações Unidas para homenagear os profissionais que dedicam suas vidas a ações humanitárias.  A data foi escolhida para recordar o atentado ao Escritório das Nações Unidas em Bagdá, ocorrido em 2003, que vitimou, entre outros funcionários, Sergio Vieira de Mello, Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas no Iraque.

Em tributo ao legado desse ilustre brasileiro, serão condecorados com a Medalha Sergio Vieira de Mello as seguintes pessoas e instituições brasileiras: embaixador Gilberto Vergne Saboia, membro da Comissão de Direito Internacional (CDI); Cândido Feliciano da Ponte Neto, diretor executivo da Cáritas/RJ;  Terezinha Kunen, criadora da Pastoral da Criança nas Filipinas; José Gregori, ex-ministro da Justiça e ex-secretário Nacional dos Direitos Humanos; deputada Mara Gabrilli; Tarciso Dal Maso Jardim, consultor legislativo do Senado; capitão Ricardo Phillipe Couto de Araújo; Agência Brasileira de Cooperação e, postumamente, o general José Luiz Jaborandy Junior, que morreu no exercício do cargo de Comandante da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti em 2015.

À semelhança de Sergio Vieira de Mello, e com o mesmo propósito de garantir a dignidade humana das pessoas mais vulneráveis, cada um dos laureados prestou inestimável contribuição nas áreas do direito internacional, direitos humanos, direito humanitário, assistência humanitária, direito dos refugiados e promoção da paz.

Fonte: Ministério das Relações Exteriores

17 Comments

  1. Pingback: Dia Mundial do Trabalhador Humanitário | DFNS.net em Português

  2. sergo Vieira de melo estava cotado para assumir a onu , foi chamado pelos estados unidos a visitar o iraque

    na zona verde a mais protegida do iraque aconteceu um ato de terrorista e ele morreu

    na época todos perceberam a crocodilagem americana yanke

    pois os estados unidos não queriam o brasileiro sendo presidente da onu

    so cego não percebe como esses gringos embargam e matam quem tem potencial em outros países

    • Sergio Vieira de Mello … foi um exemplo de homens que falta hoje no Itamaraty .. que no passado através da sua politica externa na base do “atabaque” mostrou a grandiosidade do Brasil no exterior … um Brasil que chegou a ser visto como uma das 10 ( DEZ) maiores economias do MUNDO ! … um das maiores forças armadas se não a maior do continente … era chamado para fazer parte do G 20 ! .. lá no palácio de Buckingham o seu PRESIDENTE no meio das maiores economia do planeta era visto como ” O CARA” …onde no mapa da fome .. o Brasil era o exemplo de política social que era até elogia do pela ONU ! .. pasmem .. até a sionista Hilary Clinton … rasgou elogios ao Bolsa Família …isso sem falar de tantas outras conquista sociais como a universidade sem-fronteiras … e outros projetos para as Forças armadas do Brasil como o PROSUB e tantos outros .. até astronauta teve …rsrrs … >:) … em fim … quem viu o Brasil daquela época e hoje vê o braZil de hoje … não acredita a tamanha diferencia
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      VALEU COXINHAS

      • (…)um das maiores forças armadas se não a maior do continente (…)
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        CORREÇÃO ( me empolguei ) … A maior do cone SUL e se bobear … era também a segunda do continente americano … perdendo só para os EUA … e hoje … meu D’us! .. só a misericórdia mesmo.. rsrrs

        • a diplomacia brasileira conseguiu um acordo melhor do que a que foi conseguida posteriormente
          ja disse vc ss69 adora soltar inverdades

          • Não conseguiu não! O acordo era fajuto e por isso foi para o lixo. Trate de se informar antes de falar besteira.

      • E o vexame de Teerã, onde a diplomacia dos atabaques saiu com o rabinho entre as pernas e ficou um tempão sem poder sentar depois da Hillary ter colocado sem vaselina e com areia, mandando aquele acordo nuclear fajuto para o lixo…..

        Ah! E nem preciso falar do Hexa……Hexarréu já condenado em um processo por corrupção passiva e lavagem de dinheiro

      • Meu D’us ..rssr …como tem ainda trouxas que continua batendo panelas no deserto … HAHAHAHAH ..
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        É inquestionável as conquistas da atuação da diplomacia do atabaque com essa do pós-golpe … só um produto patético ( filhote) do golpe …. para acreditar em uma fantasia criada pela mídia sionista para iludir os paneleiros …HAHAHAHA .. como diria o socialíssimo Jesus …” O pior cego é aquele que não quer vê ” .
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        O Brasil do passado é bem diferente desse braZil dos coxinhas , isso é FATO …e imaginar que muitos trouxas foram para rua com nariz de palhaço para ter esse tipo de pais que é uma piada mundial … VALEU COXINHAS …HAHAHAHAH

        • Nem o Nazareno escapa de tanta sandice afinal, como o filho de Deus seria adepto da ideologia do fracasso e da inveja? como o Messias adotaria um ideário que apenas distribui igualitariamente a miséria e apenas funciona enquanto não acaba com o dinheiro dos outros? No mais tudo o que a diplomacia dos atabaques fez foi barulho. E muito barulho por nada pois os países desenvolvidos jamais levaram o finado MAG e o Megalonanico a sério.

          Ademais, quando a crise na Venezuela atinge contornos trágicos, o efeito ruinoso da diplomacia dos atabaques fica ainda mais evidente tendo em vista que a mesma era caninamente aliada ao chavismo.

          Ps: Já olhou embaixo da sua cama para ver se não tem nenhum sionista escondido?..rs!

    • E por falar no dia do trabalhador humanitário …rsrrs … o Joãozinho deveria receber mais uma ovada na cara por esse dia … >:)
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      GESTÃO DORIA: ALUNOS SÃO MARCADOS EM ESCOLA PARA NÃO REPETIREM MERENDA
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      Eis ai um típico politico nanico miserável …HAHAHAHAH..

    • .
      Gilmar solta Barata e mostra quem manda ao juiz e ao MP
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      ♩♪♫♬♭ … ♩♪♫♬♭ …♩♪♫♬♭ ..
      .
      ( …) ..Tem muita gente roubando
      muita gente enriquecendo
      de modo vil, a policia vai e prende
      e a justiça vem e solta
      Assim é o Rio, Assim é Rio
      Assim é o Rio, Assim é o Rio.
      .
      Se bicha fosse uma bala
      trouxa fosse granada e maconheiro um fuzil,
      na guerra os filhotes do golpe
      defenderia o braZil.
      .
      ♩♪♫♬♭ …♩♪♫♬♭ …♩♪♫♬♭

    • Vc está precisando se tratar, essa sua postagem ultrapassa de longe o limite do bom senso.
      Creio que manifestar opinião é um direito seu mas fazer acusações desse tipo sem nenhuma prova e pior, sem nenhuma capacidade de provar nada é uma atitude irresponsável e doentia.

  3. César Pereira says:

    Para mim o Sergio Vieira de Mello,só nasceu no BRASIL,não tinha muita ligação com o país que nasceu,tanto que sequer esta sepultado nele !

    Quando morreu estava a serviço da ONU,foi vítima de uma patuscada da ONU,que num ato covarde mandou seus funcionários para uma zona de guerra afim de LEGITIMIZA a ação do governo dos EUA no Iraque !

  4. O que se passou? Nada… Apenas o tempo…

    A dissidência e a autocrítica nas hostes comunistas são interessantes de acompanhar, pois são ricas em argumentos e expõem suas mazelas,

    Após o desmonte do socialismo, Nicolas Buenaventura, engenheiro e professor, que hipotecou sua vida ao comunismo, pois durante 40 anos fora membro do Comitê Central do Partido Comunista Colombiano com o cargo de chefe da Seção de Educação de Massas, explorou a fundo, numa autocrítica ácida e demolidora, através de um texto – Que Pasó, Camarada? -, as razões da catástrofe dos ”socialismos reais”.

    Disse ele que os comunistas sempre lutaram por um pedaço da democracia formal e burguesa. Sempre defenderam, até a morte, a sua minguada liberdade de palavra, de imprensa, de dissidência e de oposição. A liberdade de locomoção, de ir e vir, de empresa – das empresas do partido -, dos camaradas, das associações, dos sindicatos. Cada resquício de democracia tradicional, formal, era sagrado para eles.

    “Defendíamos o pedaço de pão velho, como diria Bertolt Brecht. Porém, isso nunca foi considerado suficiente. Esse não era o objetivo. Era o meio. Queríamos o pão inteiro. Defendíamos a democracia possível. Porém, quando chegasse o momento e tudo mudasse, chegaria a hora da democracia real. Onde estava, então, o nosso erro?

    A verdade é que sempre fizemos uma leitura muito óbvia, muito simples, da história da democracia formal. Sempre raciocinamos assim: uma democracia sem pão, sem escola, sem terra, puramente formal, é mentirosa.

    E daí em diante, dessa leitura simplista, vinha o resto, a grande dedução: primeiro o pão, primeiro a roupa, primeiro a terra e a escola e, depois, só depois, viria… a democracia.

    Era assim que nós encarávamos as coisas: sem pão, a democracia é uma mentira. Sem teto, sem escola, sem o conhecimento, é mentirosa a democracia. De forma que tudo tem o seu tempo, como diz a Santa Bíblia. Por agora, a saúde e a educação gratuitas. Depois, só depois, a democracia.

    Nunca dissemos isso assim, explicitamente, na Colômbia, em Cuba ou na União Soviética. Nunca dissemos isso com estas palavras precisas.

    Essa, porém, era a essência da nossa democracia real. E era, por outro lado, a que melhor se adaptava ao mundo do subdesenvolvimento, sem maior cultura política ou tradição democrática. A esse mundo, onde foi implantado e existiu o socialismo real”.

    Então, para essa viagem, desde o pão à democracia real, do futuro – uma viagem difícil; uma viagem, ademais, sem calendário -, para esse percurso tão acidentado, um grupo de escolhidos, formado pelos melhores, entre os quais Nicolas Buenaventura se encontrava, foi encarregado da direção. E esse grupo construiu o instrumento que conduziria os oprimidos à Terra Prometida. Esse instrumento denominava-se o Partido, assim, com inicial maiúscula.

    “Não se tratava de falar, de protestar ou de fazer oposição. Para isso havia sua hora, o seu tempo. Tratava-se de construir a democracia real.

    Depois, as coisas aconteceram como já sabemos. É um fato e uma verdade. Primeiro faltou a democracia, faltou a dissidência, faltou a oposição, faltou a minoria. Todos eram maioria. Uma maioria ideal, plena, uniforme, de uma só cor, que pouco a pouco foi se convertendo em unanimidade. Porém, o pão se acabou, veio a queda de produção, a ineficiência e a obsolescência.

    Primeiro, o Partido foi roubado na democracia. Depois também no pão.

    Dessa forma, nós, comunistas, aprendemos muito duramente, para sempre, esta lição: a democracia não tem ordem, não tem espera, não tem comissários políticos, nem delegação e nem guardiões. A democracia somos cada um de nós. É você mesmo.

    E mais: a democracia é o governo da maioria. É o contrário da pirâmide centralista do Partido, na qual a cúpula, isolada das bases, era sempre endeusada, convertendo-se em uma dinastia.

    Em uma palavra: democracia é cada vez menos governo do Partido e do Estado, e mais autogoverno da sociedade civil.

    E, paralelamente, com isso e junto com isso, estará o problema do pão, da escola, da terra e do Direito.

    Nós, do Partido Comunista, havíamos tapado, afogado, o pensamento de Marx com a tradução de um montão de manuais de marxismo-leninismo.

    Vivemos sempre em um partido que não fez outra coisa, durante mais de meio século, senão instalar-se na porta da revolução, convencido, com a maior certeza, de que esse era o seu lugar, acabando por receber, por isso, o castigo mais duro.

    Todas as revoluções neste século, em qualquer parte do mundo, utilizaram a violência para moer a antiga máquina, para quebrar o poder militar entrincheirado no capital. Tudo era uma grande festa.

    Porém, mesmo após cumprir o seu papel demolidor, rompendo as antigas cadeias, mesmo após forçar as portas dos cárceres, a violência não cessou, não se deteve e institucionalizou-se.

    Eu vivi isso muitas vezes, na Colômbia, na Nicarágua, na China e em Cuba. Experimentei o poder local guerrilheiro e vivi o poder opressor e absolutamente arbitrário dos donos do novo Poder. E tudo me parecia lógico. O novo dia, após anos de obscuridade, surgiria enredado em fios invisíveis de medo à cidade, ao povo, à vereda, ao camarada, ao guerrilheiro, ao dirigente. O novo Poder não se equivoca. Ele conhece os traidores, os colaboradores, os cúmplices passivos, os que nunca fizeram nada, os que não moveram um dedo. Ele conhece a todos.

    Esse, todavia, não foi o problema, pois essa dinâmica é própria de todas as revoluções. Isso não foi o mais grave no nosso caso, na história do socialismo real. O grande problema nunca foi, entre nós, a violência revolucionária e criadora, que se prolongou, quase sempre, além do seu tempo.

    O grande problema, o verdadeiro problema, o problema real e profundo, teve lugar mais adiante e foi de outra natureza. Trata-se do esquema do socialismo real. O do esquema sacralizado, o do esquema que converte um possível processo histórico, uma hipótese de trabalho a verificar, em lei, norma e sentença. Essa racionalidade seca e fria, inaugurada pelo stalinismo, gerou inflexivelmente uma nova violência que matou metodicamente todas as primaveras revolucionárias e aguou todas as grandes festas do nosso século.

    E agora, eu me pergunto, depois de todo esse cataclismo: quando, em que momento, por que, nos convertemos a essa idéia, à idéia desse socialismo de bruxos, desse socialismo que deveria desmantelar o capitalismo como uma alternativa violenta, inevitável? Quando se atravessou em nosso caminho essa idéia tão fácil do Estado todo-poderoso, proprietário único, com todo o Poder ao ombro, como se fosse um fuzil? Quando e como se impôs entre nós o mito do Estado como panacéia e a estadolatria? Esse mito, que se transformou em miséria sacralizada e repartida?”

    Foi esse o depoimento de Nicolas Buenaventura, que dedicou 40 anos de sua vida ao partido da classe operária.

    Uma curiosidade: na década de 90, logo após o desmantelamento do socialismo real, em um muro, em Quito, Equador, foi pichada por comunistas a seguinte inscrição: “Ahora que teníamos todas las respuestas se cambiaram las preguntas”.

    A partir de então, um sem número de defensores da causa, em todos os quadrantes, entregam-se a uma autocrítica devastadora, chegando, desolados, invariavelmente a uma mesma conclusão: os que progrediram no partido da classe operária foram os burocratas, os secretários, os maiores culpados pelo desmantelamento do socialismo real.

    Onde quer que existisse um partido comunista, o modesto burocrata sempre observava, desde a sua mesa, quase com admiração, como chegavam à sede do partido os revolucionários, os heróis da agitação social, que imediatamente eram recebidos pelos chefes. O agitador, o brilhante lutador, apenas notava o burocrata porque fora convencido de que ele era a alma da burocracia partidária.

    Passam-se os anos. O herói revolucionário, o agitador de massas, líder nas greves, nas passeatas, nas colagens de cartazes e nas pichações, na distribuição de panfletos e outras tarefas menos nobres, continuava indo à sede do partido. Algumas vezes até para ser repreendido e instado a fazer uma autocrítica. O burocrata, no entanto, prosseguia ali, impassível, porém já em uma mesa maior. Antes manejava uma velha máquina de escrever expropriada pelo revolucionário, brilhante lutador. Agora, na era da informática, passava as idéias e decisões do partido diretamente ao computador. Continuava, no entanto, obsequioso e admirador do ativista.

    Passam-se mais alguns anos. O agitador tem orgulho de seu passado glorioso, das prisões e perseguições que sofrera; da clandestinidade longe da família e dos amigos, e das eventuais vitórias revolucionárias. É uma legenda, respeitado e admirado dentro do partido.

    Em suas idas ao Comitê Central, continua a ser recebido por aquele mesmo funcionário. Porém, com o passar do tempo, já algo mais que um simples burocrata, pois fora elevado, por cooptação, ao cargo de Secretário de Agitação e Propaganda (Agitprop, na terminologia partidária) ou Secretário de Organização, com poderes, portanto, para remover o agitador, o brilhante ativista, de um lugar para outro. Já, então, o burocrata encara o velho lutador de forma diferente, pois agora lhe dá ordens, e o famoso princípio do centralismo democrático faz com que essas ordens não sejam discutidas.

    Posteriormente, passados mais alguns anos, o lutador, o ativista, o brilhante lutador, comprova que o Secretário passou a integrar o Comitê Central, cooptado em lugar de um companheiro falecido. E que, assim, tornou-se membro da privilegiada nomenklatura partidária, passando a ter direito a passagens aéreas, férias anuais na Criméia e a matricular seus filhos na Universidade de Amizade dos Povos Patrice Lumumba, na Escola de Ballet de Leningrado e em outras do paraíso soviético.

    O que se passou? Nada. Apenas o tempo.

    O ativista, brilhante lutador, conserva seu passado, porém já não é útil, pois está “queimado”, seja por ter se tornado excessivamente conhecido da polícia, seja porque militantes mais jovens já murmuram contra seus antiquados e ultrapassados métodos de trabalho. Protestará, e então lhe recordarão, como se fosse um membro da juventude comunista, que o partido da classe operária possui um Estatuto que exige disciplina férrea e que, mais uma vez, deverá autocriticar-se.

    Ao fazê-lo, a que conclusão chegará? Que sua vida política já está – como o partido e a própria doutrina -, no descenso da derrota, pois sonhou ser um chefe e não passou de um “quadro”; sonhou tornar-se um teórico doutrinador e limitou-se, em toda a sua vida, a assimilar as palavras-de-ordem alheias, nas quais, hoje, ninguém mais acredita.

    Agora, resta ao velho lutador, ao agitador, ao herói revolucionário, curar as cicatrizes e desilusões e, como Lenin, indagar: O que Fazer? Enquanto não encontra uma resposta, engaja-se, como tantos outros, no esporte da moda: atirar pedras nos patriotas que impediram que a Pátria fosse transformada em um pleonasmo: uma“democracia popular.”

    O que ocorre é que jamais a militância política nos partidos da esquerda revolucionária poderá ser a mesma militância arquitetada pelo Partido Bolchevique. A impressionante explosão dos meios de comunicação de massa modificou profundamente os padrões de sociabilidade, diminuindo o peso das ruas, das assembléias, das passeatas, dificultando a mobilização das chamadas massas, além do que, a atual caminhada, sem volta, para a globalização da economia, ao invés de concentrar trabalhadores, dispersa-os em unidades produtivas, mantendo-os mais preocupados com seus interesses espontâneos imediatos.

    Até o início da década de 70, pelo menos, os comunistas cultivavam a imagem do militante abnegado, totalmente dedicado à “causa”, disciplinado, que colocava em segundo plano sua vida pessoal – quando não abria mão dela – em função de um ideal: a vitória da revolução que abriria caminho para a emancipação da humanidade.

    O militante era, antes de tudo, o soldado de uma causa, o homem do partido, quase o “homem-novo” idealizado por Marx. Extremamente ideologizado, sempre dava razão ao partido, ou àquele que, no momento, o encarnasse: Lenin, Stalin, Mao, Prestes e tantos outros. O militante forjou-se no interior de partidos militarizados. Determinado, capaz de tudo suportar, de jogar todas as suas fichas na utopia, de sufocar a individualidade em nome de sua dissolução no universo do coletivo construído pelo partido.

    Todavia, é certo que o militante pós-Guerra Fria, pós-”perestroika” e pós-”glasnost”, pós-socialismo real, jamais será o mesmo, pois não mais seguirá cegamente seus líderes; espera que o partido imagine outros caminhos de mobilização, pois não mais poderá insistir, simplesmente, em “colocar as massas nas ruas” .

    Definitivamente, os modelos de militância que marcaram os setores mais radicais da esquerda por cerca de 70 anos se esgotaram. Figuras como o bolchevique, o agitador anarquista, o guerrilheiro urbano, o soldado-partido, não mais existirão, pois as regras que regulavam o funcionamento dos coletivos que constituíam essas figuras “jurássicas” foram derrubadas. Uma dessas regras, a fundamental, foi aquela que a Rainha Vermelha, do livro “Alice no País das Maravilhas”, bradava: “Primeiro a sentença; depois o veredicto!!”

    Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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