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2) A Guerra entre China e EUA prossegue
3) Narendra Modi é reeleito na India
4) Atualizando a Venezuela
5) Notícias Militares
6) O que vem por aí

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Rússia oferece MiG-29M para o México

Caças multifuncionais médios Mikoyan-Gurevich MiG-29M (MiG-35) da Força Aérea do Egito, recebido em 2017 (Alexei Karpulev / RussianPlanes.NET)

Rússia apresenta mais de 200 produtos durante a expo FAMEX 2019, inaugurada nesta quarta (24) no país latino-americano.

 

Mais de 200 equipamentos militares da Rússia estão em exposição na FAMEX 2019, que acontece até o próximo sábado (27) no México, segundo o comunicado oficial da Rosoboronexport, a agência estatal russa para exportação e importação de armas.

Esta é a segunda vez que a Rússia, representada também pela Russian Helicopters, participa do evento.

“A Rosoboronexport continua a fortalecer gradualmente sua presença no mercado latino-americano. Aqui eles conhecem bem e valorizam as aeronaves militares, helicópteros e veículos blindados por suas características impecáveis e segurança”, disse o diretor-geral da Rosoboronexport, Alexander Mikheyev.

 

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Decolagem do MiG-35 (MiG-29M) egípcio no MAKS 2017

Segundo estimativas da empresa, o caça multifuncional MiG-29M e o avião de combate e treinamento Yak-130 tem boas chances na América Latina. Quanto aos helicópteros, os países da região demonstram especial interesse pelos modelos militares Mi-17B-5, Mi-171Sh, Mi-35M e Ka-52, dentre outros.

Yakovlev Yak-130 da Força Aérea do Laos, recebido em 2018. (Jane’s Defence)

O site americano Defense World confirma o interesse do México pelos caças russos e garante que a Rosoboronexport está cortejando a Força Aérea Mexicana para fornecer modelos MiG-29M e Yak-130. “De fato, o México não conta atualmente com nenhum caça, já que os obsoletos F-5 dos EUA estão se aposentando após 34 anos de serviço”, segundo o Defense World.

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Vídeo demonstrativo do MiG-35 (Zvezda, traduzido para o inglês pelo SouthFront)

A Força Aérea do México aposentou recentemente seus oito exemplares do caça tático Northrop F-5E e encontra-se sem vetores para defesa aérea. Além disso, a eleição da coalizão Movimento de Regeneração Nacional – MORENA (formada por partidos socialistas, cardenistas e social-democratas) liderada pelo presidente Andrés Manuel López Obrador, tende a esfriar as relações estratégicas do México com os EUA, quadro agravado com a proposta do presidente norte-americano Donald Trump para a construção do muro na fronteira e a maior contenção de imigrantes mexicanos e centro-americanos, e também a decisão de Obrador de encerrar a “Guerra às Drogas”, iniciado pelo presidente Felipe Calderón (2006 – 2012) com o “Plano Mérida”, resultando na ajuda norte-americana para equipamentos de vigilância, monitoramento, armas e inteligência para combate aos cartéis narcotraficantes.

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Um dos oito F-5E mexicanos antes da aposentadoria (Ruben Venegas / Airliners.NET)

O afastamento do México com os EUA pode resultar numa janela de oportunidade para maior aproximação com a Rússia e até a China (este último, sendo o segundo principal parceiro comercial mexicano) para a cooperação estratégica e técnico-militar. Inclusive o México já opera vetores militares russos desde os anos 1990, como helicópteros multifuncionais Mil Mi-17, blindados para transporte de tropas BTR-60, caminhões Ural-4320, mísseis antiaereos Igla e lança-foguetes RPG-29. já a Comissão Nacional de Segurança do México utiliza carros blindados Gorets-M e aviões Sukhoi Superjet 100 foram entregues a companhia aérea Interjet.

 

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helicóptero Mil Mi-17 da Marinha mexicana (helis.com)

Por ser uma “região periférica” de importância estratégica durante a Guerra Fria, o México, assim como a maioria dos países latino-americanos nunca teve uma atenção prioritária para equipamento de suas Forças Armadas, tendo operado tardiamente vetores já obsoletos como o De Havilland Vampire, de 1961 a 1982 e o F-5E a partir dessa última data, inclusive durante os anos 1980, países muito menores e mais pobres da América Central e Caribe, como Cuba e Nicarágua tinham vetores capazes de contestar o poder aéreo mexicano.

Por isso, na avaliação deste autor, a incorporação de um vetor como o MiG-29M / MiG-35, caso se concretize, concederá ao México uma capacidade nunca antes vista no país, representando um enorme salto qualitativo tal como foi a aquisição pela FAM, do P-51D Mustang durante a Segunda Guerra Mundial

Fonte: Russia Beyond e Defense World

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ONU: "Forças dos EUA e do governo afegão mataram mais civis do que os insurgentes"

Enterro de civis mortos num ataque aéreo conduzido por aeronaves remotamente pilotadas da CIA em Khogyani (Jim Huylebroek / New York Times)

Pela primeira vez, os civis afegãos são mortos em maior número pelas forças governamentais e pela coalizão liderada pelos EUA do que o Taleban e outros grupos insurgentes, informou um relatório da ONU divulgado nesta quarta-feira.

Esta triste cifra ocorre no momento em que os EUA intensifica sua campanha aérea no Afeganistão enquanto realiza conversações de paz com o Taleban, que agora controla grandes partes do país pela primeira vez desde que foi retirado do poder em 2001.

Nessa imagem, fotografada em 23 de Março, um homem afegão descobre os corpos de crianças em cima de um caminhão após serem mortas num ataque aéreo na província de Kunduz. Pelo menos 13 civis foram mortos, a maior parte crianças, num ataque aéreo por “forças internacionais” na cidade setentrional de Kunduz na semana passada, segundo informou a ONU, no dia 25 de março. Os EUA é o único membro da coalizão internacional no Afeganistão que providencia apoio aéreo no conflito. (Bashir Khan Safi / AFP)

Durante os três primeiros meses de 2019, as forças da ISAF (Força Internacional de Assistência para Segurança), uma força-tarefa da OTAN e outros parceiros, liderada pelos EUA que conduz as operações no Afeganistão, além do próprio governo afegão, foram responsáveis pela morte de 305 civis, enquanto os insurgentes mataram 227 pessoas, de acordo com o relatório da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA).

A maior parte das mortes resultam de ataques aéreos ou operações de busca em solo, primariamente conduzidas pelas forças afegãs treinadas e equipadas pelos EUA, o que a UNAMA qualifica como “ações realizadas com impunidade”.

“A UNAMA conclama que as forças de segurança afegãs e a coalizão internacional para conduzir investigações em alegações de danos e mortes a civis, que publiquem os resultados de seus dados coletados, e providenciem compensações apropriadas as vítimas,” conclui o relatório.

A UNAMA iniciou a copilação de dados de baixas civis em 2009 a partir da deterioração das condições de segurança no Afeganistão.

É a primeira vez desde que a coleta de dados começou que mostra que as forças pró-governamentais mataram mais do que as forças insurgentes.

Em 2017, As forças dos EUA iniciaram uma aceleração de seu tempo operacional após o presidente Donald Trump flexibilizou restrições e facilitou as condições para bombardeio a posições do Taleban.


Jovem fazendeiro afegão morto em 15 de janeiro de 2010 por um grupo de soldados do Exército norte-americano autointitulado “The Kill Team”.

Enquanto outras nações contribuem com apoio logístico e técnico, os EUA conduzem a maior parte dos ataques aéreos. E em menor escala, a pequena Força Aérea afegã está voando mais missões.

Os EUA enviaram os grandes bombardeiros estratégicos Boeing B-52 em traslados sobre o país, beneficiados pelo aumento da infraestrutura aérea para as operações contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, onde foram derrotados.

Entretanto, o relatório da UNAMA relatou uma diminuição das baixas civis em 23% em comparação com o primeiro trimestre de 2018.

O decréscimo resultou de uma diminuição dos ataques suicidas, mas a UNAMA não sabe se essa mudança ocorreu após o rigoroso inverno ou a diminuição de ataques do Taleban a civis durante as conversações de paz.

Ainda assim, o chefe da UNAMA, Tadamichi Yamamoto, que também serve como representante especial da Secretaria Geral da ONU no Afeganistão, disse que a morte de civis é um “número chocante”.

“Todas as partes envolvidas devem zelar mais pela segurança dos civis,” Yamamoto disse em declaração.

Ano passado foi o ano mais mortal para a população afegã, com 3.804 mortos, de acordo com a UNAMA

Em 17 anos de ocupação, foram 62 mil mortos nas Forças de Segurança afegãs, 3,5 mil mortos entre as forças da coalizão (sendo 2,4 mil mortos entre soldados dos EUA) contra 65 mil mortos entre os insurgentes do Taleban, além de pequenas células da Al-Qaeda e afiliados do Estado Islâmico. O total de civis mortos totaliza 38 mil mortos até o presente momento. E não há perspectivas concretas de estabilização política do país.

No vídeo abaixo mostra as dificuldades enfrentadas pelos EUA, o que resultou no fracasso dos esforços de reconstrução e estabilidade do país, que culminou na rápida expansão do Taleban nos últimos anos

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Fonte: AFP e New York Times

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Bielo-Rússia testa com sucesso seu sistema antiaéreo modernizado 9A33-1B

O sistema de defesa antiaerea de curto alcance 9A33-1B (Foto: Jornal Militar bielo-russo).

Com informações do Defence Blog

 

         A 2566ª Planta de Reparos de Armamentos Radioeletrônicos, empresa de defesa da Bielo-Rússia testou com sucesso o sistema de defesa antiaéreo móvel 9A33-1B no campo de testes da Força Aérea e Defesa Aérea. Segundo matéria publicada pelo jornal de defesa local.

O 9A33-1B é a modernização do sistema de defesa antiaéreo de curto alcance 9K33 Osa – “Vespa” (SA-8 “Gecko” na nomenclatura da OTAN), montado no chassi 6×6 BAZ-5937, fabricado pela “Fábrica de Automotores de Bryansk” na atual Rússia. Equipado com o radar 1S51M3, é capaz de detectar alvos a 30 km e rastrear a 25 km, emprega 6 mísseis 9M33 com carga explosiva de fragmentação, podendo atingir alvos a 12 mil metros e 15 km de distância.

O míssil terra-ar 9M33M3 em exibição na MAKS 2005.

 

Desenvolvido em 1960 e introduzido nas forças soviéticas desde 1971, foram produzidas cerca de 1.200 unidades e exportados para vários países. Hoje a série “Osa” é operado por países como Argélia, Bulgária, Cuba, Equador, Índia, Jordânia, Líbia e Síria, além de países membros da OTAN como a Polônia, Romênia e Grécia. No espaço pós-soviético esse modelo ainda é operado pela Armênia, Azerbaijão, Geórgia, Rússia e Ucrânia, além de obviamente as próprias forças bielo-russas. O que pode implicar boas perspectivas de oferecimento desse pacote ao mercado internacional.

Os testes foram conduzidos para determinar se o protótipo cumpre os requerimentos e especificações técnicas exigidas, além de sua viabilidade para o início da modernização em série dos sistemas existentes no arsenal bielo-russo.

A modernização dos sistemas em serviço ativo, permitiu a implementação de novos equipamentos:

  • Melhoria das especificações técnicas e capacidades em combate;
  • Aumento da confiabilidade e manutenção;
  • Automatizar os sistemas de operação em combate;
  • Automatizar os trabalhos do comandante da tripulação;
  • Aumentar as possibilidades de eliminação de detritos;
  • Aumentar a vida operacional por mais 10 anos;
  • Melhoras as condições de trabalho da tripulação.

Durante os testes de campo com disparo de mísseis superfície-ar, foi definido que os comandos gerados e transmitidos para os mísseis asseguram uma guiagem estável até a destruição do alvo.

Um modelo experimental do 9A33-1B foi demonstrado na 7ª MILEX 2014 (Feira Internacional de Armamentos de Minsk), despertando grande interesse de analistas, visitantes e autoridades. Os testes preliminares dos modelos experimentais encerraram em 4 de agosto de 2015. Esses testes foram conduzidos dentro da supervisão do instituto de Pesquisa e Desenvolvimento locais.

Abaixo o vídeo informacional da empresa sobre o pacote de modernização:

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Fonte: Defence Blog

Edição e Adaptação: Tito Lívio Barcellos Pereira

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O Arrow-3 e seus impactos na política dissuasória israelense

Por Marco Tulio Delgobbo Freitas*
Renato Prado Kloss**

o dia 18 de janeiro de 2017, a força aérea israelense declarou que entrou em operação o seu mais novo sistema de interceptação antimísseis: o Arrow 3. Este novo sistema, propicia uma melhor performance em sua rede de defesa, baseada em multicamadas, contra mísseis balísticos.

Projetado para voar o dobro do alcance e com metade do peso do Arrow 2, este novo sistema permite a Israel a consolidação de seu sistema de defesa antimísseis, já testados e aprovados durante a Operação Iron Dome, principalmente contra os mísseis balísticos que possuem a mesma tecnologia do míssil norte-coreano BM-25 Musudan, como é o caso dos mísseis classe Shahab-3 do Irã (DAILY MAIL, 2016).

O sistema antimísseis elaborado por Israel é uma resposta para uma realidade que o Estado enfrenta desde 1991. Durante a Operação Tempestade no Deserto, forças iraquianas dispararam contra Israel 91 foguetes Scuds em direção à Tel Aviv e Haifa, e as baterias Patriots – disponibilizadas pelos Estados Unidos- não foram capazes de defender a população israelense.

O fato é que para os políticos e militares israelenses, a ameaça cotidiana de serem alvos de foguetes lançados por seus inimigos, sejam eles convencionais ou não, impulsiona a busca por um sistema de defesa mais preciso, o que pode consolidar uma perspectiva mais defensiva de sua segurança e também pode trazer impactos na política de dissuasão israelense.

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Tradicionalmente, a política de dissuasão israelense está ancorada naquilo que Rid (2009) chamou de “excepcionalismo israelense”. De forma sucinta, este termo é composto por meio da relação entre o conceito de sobrevivência, o cenário doméstico do campo de batalha e a profundidade estratégica provocada pela extensão do país (RID; HECKER,2009).

O excepcionalismo israelense é responsável pela forma que Israel direciona as suas capacidades militares. Inicialmente, suas ações são alvo de maior cobertura de mídia internacional, o que resulta que suas ações sejam alvo de propaganda da mídia árabe. O público israelense, em nome da sobrevivência, tolera o uso de força desproporcional contra atores não estatais; além disto, também há uma tolerância quanto ao uso de assassinatos seletivos e bombas de fragmentação. Ademais, o resultado da longa duração de conflitos contra seus vizinhos árabes impossibilita qualquer direção que tenha o objetivo de apelar para as emoções dos adversários. A imagem internacional de Israel já é negativa, tornando-se inútil buscar alguma mudança. Por isso, o objetivo militar e político de Israel é a relação entre dois fenômenos: a dissuasão e as “regras do jogo”.

A dissuasão serve para Israel como modo de “educar” seus oponentes todas as vezes que estes tentam alterar a “regra do jogo”; isto é, um dos objetivos militares de Israel é mostrar que o preço por se desviar destas regras é muito alto e, caso seja feito, aqueles devem entender sobre as consequências.

Como Bunn afirma, usando os Estados Unidos como exemplo, defesas antimísseis ajudam na estratégia de dissuasão aplicadas por atores estatais.

U.S. missile defenses may help to dissuade nations that don’t yet have ballistic missiles from acquiring them. But what about nations that already have some missiles, such as North Korea and Iran? U.S. deployments may dissuade them from building more, from throwing good money after bad (BUNN, 2004; p.02).

 

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Adiante, a adição de uma defesa antimíssil como parte de uma estratégia nacional é ancorada nas ideias propostas pelo americano Bernard Brodie.  Nelas, o autor demonstrou que a defesa de uma nação é composta de elementos de defesa ativa – com mecanismos que reduzem o número de armas inimigas usadas – e também de defesa passiva, com ações que absorvem o impacto das armas inimigas (BRODIE, 1959). O Arrow 3 se encaixa na defesa ativa preconizada por Brodie, promovendo a redução dos mísseis inimigos aterrissando em solo israelense.

O autor americano também afirmou que “the real value of one’s active defense lies, as we have suggested, in what if anything they contribute to deterring an attack” (BRODIE, 1959; p.181).  O novo sistema israelense Arrow 3 e sua capacidade de interceptar mísseis balísticos carregando armas nucleares se encaixa perfeitamente como um verdadeiro sistema de defesa ativa defendido por ele.

Deste modo, algumas perguntas se impõem: Israel perderá sua experiência ofensiva? Depositará suas fichas na confiabilidade de seu escudo antimísseis?

Inicialmente, como afirma Clausewitz (1989), a superioridade da defesa reside no fato que uma parte dos recursos não está disponível para o ataque e, por isso, está poupada dos desgastes causados pela fricção. No entanto, como aponta este autor, uma postura defensiva da guerra não necessariamente exclui iniciativas originadas de seu exército.

Como podemos observar, com a implantação deste novo sistema antimísseis, Israel irá articular uma forte postura defensiva contra o lançamento de foguetes de seus inimigos – atores convencionais ou não – com um perfil ofensivo propiciado por características resultantes da falta de uma profundidade estratégica natural e com longas fronteiras vulneráveis. Há a escolha de que os conflitos devam ser travados em território inimigo prioritariamente a partir da relação intrínseca entre seu corpo blindado e a força área (COHEN; EISENSTADT; BACEVICH, 1998).

Deste modo, à luz da teoria de guerra clausewitiziana, podemos considerar que em vez de consolidar uma postura defensiva que possa fazer com que Israel perca sua iniciativa, o sistema antimísseis contribui para aumentar os custos de seus inimigos para romper as “regras do jogo”, de modo que suas capacidades dissuasórias – tradicionalmente na perspectiva de ataque – deverão serem mantidas.

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* Marco Túlio Delgobbo Freitas é Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Federal Fluminense, professor do Instituto Nacional de Pós-Graduação e pesquisador do GEESI (UFPB).

** Renato do Prado Kloss é Mestre em Strategic Studies pela University of Reading e Bacharel em Relações Internacionais pelo IBMEC-MG.

Referências

BRODIE, Bernard. Strategy in the Missile Age. Princeton, The Rand Corporation: Princeton University Press, 1959.

CLAUSEWITZ, Carl Von. On War. Princeton: Princeton University Press, 1989.

RID, Thomas; HECKER, Mark. War 2.0.Westport: Praeger, 2009.

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Pentágono: Relatório “Joint Operating Environment 2035” – Influência de China, Rússia, Índia, Irã e Brasil crescerá permanentemente

A redução de recursos dos norte-americanos e seus aliados terá um impacto negativo sobre o papel dominante dos EUA no mundo.

Dentro de 20 anos a Rússia e a China poderão atingir ou mesmo superar o nível dos EUA e seus aliados nas áreas militar e econômica, diz o relatório Ambiente Operacional Conjunto 2035 (JOE 2035), divulgado pelo centro de pesquisa do Pentágono.

O documento preparado pelo Pentágono indica que a partir de 2035 a formação de uma ordem mundial parecida com a que existia depois da Guerra Fria será impossível.

Entretanto, a influência de países como a China, a Rússia, a Índia, o Irã e o Brasil crescerá de forma permanente. Estes países, chamados no relatório como “Estados revisionistas”, estão “cada vez mais dessatisfeitos com sua posição dentro do sistema de relações internacionais existentes”.

O relatório nota que a redução de recursos dos EUA e seus aliados afetarão o papel dominante de Washington no mundo. Ao mesmo tempo, os países mencionados podem concluir acordos de alianças alternativas.

Em particular, Moscou continuará aperfeiçoar suas forças nucleares intercontinentais de baseamento terrestre, aéreo e marítimo, bem como realizar atividades como exercícios nucleares de surpresa e voos de bombardeiros e aviões de reconhecimento sobre o território dos EUA.

O relatório conclui que no futuro, além do progresso tecnológico e científico, a paridade entre os atores mundiais será reforçada, enquanto os adversários potencias estarão à altura de “pôr em causa mais eficazmente os interesses globais dos Estados Unidos”.

Foto: © Sputnik/ David B. Gleason

Fonte: Sputnik News