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OPINIÃO - O Golpe no Sudão e sua Encruzilhada Geopolítica

manifestantes e militares comemoram a queda de Omar Al-Bashir em Cartum

 

por José Ailton*

País do norte da África majoritariamente árabe, o Sudão é entre este conjunto de nações um dos mais singulares por ser composto por uma população negra que foi arabizada principalmente a partir da Baixa Idade Média por conta de várias ondas de migração de populações arabófonas do vale do Nilo ou dos desertos egípcios e da Arábia que se assentaram e se mesclaram com as distintas etnias núbias e de outros povos Nilo-chaarianos que habitam as terras ao sul do Egito. Esse processo lento e gradual de miscigenação foi acontecendo por conta das crises econômicas e políticas que sofreram os reinos núbios cristãos locais (pela ordem de norte a sul: Nobatia, Makurio e Alodia) cujo resultado vai ser a lenta formação do atual povo árabe sudanês cujo componente básico da sua cultura é esse substrato núbio (ou de outros povos nilo-chaarianos) mesclado com as distintas culturas beduínas dos desertos egípcios e da Arábia, mas a cultura egípcia (muçulmana mas também cristã copta), dependendo da tribo ou da população, sendo o componente egípcio ou beduíno maior ou menor.

Mapa do Sudão

 

Outros povos não-árabes também compõe o conjunto da população sudanesa e são elementos importantes na vida politica e social nacional, embora sejam minoritários. Os mais importantes são: os núbios não-arabizados (hoje majoritariamente muçulmanos); os bejas,- povo cushita conhecido desde a Antiguidade ainda em grande parte nômade- das Montanhas do Mar Vermelho e das cidades portuárias de Port Sudan e Suakim; os fures- agricultores Nilo-chaarianos de religião muçulmana da grande província ocidental de Dharfur-um reino independente até a conquista colonial britânica entre 1899 e 1916.

Entre 1899 e 1956 o Sudão foi conquistado e colonizado pelos Britânicos com a importante ajuda dos egípcios vizinhos, sendo por isso o país nessa época chamado de Sudão Anglo-Egípcio. Essa conquista foi, como em grande parte dos casos de colonização europeia, acompanhada por uma conquista militar sangrenta cujo trauma marca a sociedade sudanesa até os dias de hoje.

No caso especial do Sudão, essa conquista foi acompanhada de um enfrentamento militar entre um movimento político-religioso puritano e nacionalista, o movimento mahdista, cujo líder foi Muhammad Ahmad, dito o Mahdi (Profeta ou líder guiado por Deus), morta na luta contra os invasores anglo-egípcios. Esse movimento combinava nacionalismo e anticolonialismo com um forte conservadorismo político e social no qual uma prática intolerante com os sunitas tradicionais, cristãos e animistas vinha acompanhado de um forte controle da vida individual e coletiva onde os castigos físicos eram vistos como exemplos para disciplinarem os fiéis e evitar sua queda no pecado. Já a intransigência religiosa levava, especialmente para com os animistas das terras mais ao sul a práticas de escravização ou submissão violenta cujas memórias marcarão a vida do Sudão no século XX e serão um dos componentes para o constante estado de guerra civil no sul desse país desde 1955 até sua separação e independência formal em 2011.

Mesquita de al-Jami´i al-Kabir em Cártum, Capital do Sudão

Como quase todos os países africanos, o Sudão irá adquirir sua independência depois da II Guerra Mundial (1956) e passará por diversos processos revolucionários, tendo o Partido Comunista estado no poder, em uma coalizão progressista (1969-1971), quando houve uma aproximação com a URSS e a estatização de amplos setores da economia.

No plano internacional o país sofreu o impacto do nacionalismo árabe e da liderança de Gamal Abdel Nasser (presidente do Egito entre 1956-1970) ao mesmo tempo em que o país se recusou a fazer parte do Egito em uma união pan-árabe e se mostrava muito desconfiado dos seus vizinhos setentrionais por causa do processo longo de dominação que sofreu destes, que vinha de 1822, e da colaboração dos egípcios com os britânicos para que estes dominassem e administrassem o território sudanês, embora também fosse o Egito um país colonizado por Londres. O Sudão sempre resistiu ao expansionismo de Israel e declarou publicamente seu apoio a causa palestina, tendo sofrido ao longo dos anos diversos ataques israelenses, embora o empenho real na defesa dos direitos nacionais palestinos nem sempre acompanhassem a retórica dos governantes.

À partir de 1971 o Sudão será marcado por um duplo processo com fortes implicações até os dias de hoje: 1) O então presidente Gaafar al-Nimeiri alinhará o país aos EUA, abrindo gradualmente sua economia para as multinacionais ocidentais, reprimindo o Partido Comunista, sindicatos e movimentos sociais. 2) Uma retomada do conservadorismo social de raiz mahdista, mas agora sobre a forte influencia da Irmandade Muçulmana, grupo integrista de origem egípcia fortemente associado e protegido, primeiro pelos britânicos, depois pelos EUA e que adquiriu forte presença na classe política, elites econômicas e na vida social. Há um partido que representava, ainda que de forma moderada, a herança mahdista e que chegou, nos anos 1960 e entre 1986-1989, a estar no governo: o Partido Nacional Ummah de Sadiq al-Mahdi, mas estes vão aos poucos se afastando e se colocando na oposição, especialmente durante o governo de Omar al-Bashir (1989-2019).

Esse processo foi marcado pela guerra constante no território sul, habitado por povos tribais em grande parte nilo-chaarianos, muitos deles majoritariamente pastores, como os dinkas, nueres e shilluks, por exemplo e que haviam sido cristianizados por missões coloniais britânicas, em sua maioria, e tiveram grande parte de sua vida social alterada por conta da dominação de Londres. Suas lideranças e populações, em sua maioria, desejam não fazer parte de um Sudão independente por conta das memórias das guerras e raízes escravistas promovidas pelos sudaneses mesmo antes do aparecimento do movimento mahdista. Por conta disso realizaram duas longas guerras pela independência (1955-1972 e 1983-2004/2011), com um período de relativa paz e autonomia entre 1972-1982. Com a descoberta de petróleo por meio dos satélites americanos, Gaafar al-Nimeiri, em 1982, eliminou arbitrariamente a autonomia do sul do Sudão e, seis meses depois, impôs a Lei Islâmica (a Sharia), na sua versão mais dura, ao habitantes locais que não eram muçulmanos (algo contrário as práticas mais comuns no islã tradicional), entregando e expropriando aldeias para petroleiras ocidentais explorarem os poços de petróleo. Isto levou a deflagração de uma nova guerra no sul cujo resultado final foi a sua independência formal em 2011.

Em 30 de junho de 1989, por meio de um golpe militar, sobe ao poder um militar fortemente vinculado a Irmandade Muçulmana, o então brigadeiro Omar Hasan al-Bashir que governou de forma ditatorial o Sudão até o dia 11 de abril desse ano. Seu governo, e o seu grupo político-econômico reunindo em torno do Partido do Congresso Nacional, será caracterizado por uma complexa, e muitas vezes contraditória geopolítica, controle das forças armadas do estado, imposição das normas islâmicas da Irmandade Muçulmana na vida nacional, repressão política, empobrecimento e ausência de fortes politicas públicas, um estado constante de guerra dentro país.

Omar al-Bashir, Presidente do Sudão de 1993 a abril de 2019.

 

De início, como tantos governos integristas muçulmanos, o Sudão terá um posição pró-americana, atitude essa favorecida pelo contexto histórico do começo do governo de al-Bashir: fim da URSS e do socialismo de tipo soviético levando a hegemonia mundial plena dos EUA, a permanente situação de fragilidade geopolítico do Sudão por conta da continua guerra em seus territórios meridionais, a hegemonia regional saudita no mundo muçulmano e a presença sempre hostil de Israel cuja ameaça era intensificada pela fragilidade geopolítica sudanesa.

Nesse quadro, como mostram Michel Chossudovsky, Andrew Korybko, Thierry Meissan, Assad Abukhalil e tantos outros analistas políticos, o Sudão se engajará ativamente em muitas guerras promovidas pelos EUA no qual o uso de forças jihadistas será um instrumento central das conquistas colônias de Walshington-Wall Street. Dessa forma, o Sudão hospedará até 1995 o antigo comandante das forças expedicionárias árabes da CIA no Afeganistão nos anos 1980 Osama Bin Laden e o seu grupo guerrilheiro Al-Qaida, considerado pelos analistas citados acima e outros como Paul Craig Roberts, Atílio Borón, James Petras, o venezuelano Walter Martínez, etc, como sendo um agente permanente dos EUA mesmo quando era acusado por este de ataques importantes como o 11 de setembro. Somente após o fracassado suposto ataque da A-Qaida ao presidente egípcio Hosni Mubarak e, devido à pressão dos governos árabes, é que Bin Laden será expulso. Dentre as guerras por procuração dos EUA que o Sudão se envolveu cabe destacar as realizadas nos anos 1990 contra a Iugoslávia no qual foram empregadas em seu território da Bósnia jihadistas, dentre eles sudaneses ou gente enviada através do país árabe.

Mas, apesar disso e dos vínculos que as elites sudanesas tiveram sempre com o ocidente, e os EUA e suas corporações em particular (o analista de origem russa André Vltchek em seu texto de 2016 Sudan, Africa, And the Mosaico of Horrors afirma que até metade dos parlamentares sudaneses teriam cidadania estadounidense), o Sudão se caracterizaria por buscar a sua própria autonomia em relação a aquele país. Dessa forma, o Sudão já na segunda metade dos anos 1990 entra em conflito com os EUA que realizaram, no dia 20 de agosto de 1998 um bombardeio com mísseis Tomahawks, a partir do Mar Vermelho da fábrica farmacêutica montada com ajuda ONU de Al-Shifa na capital Khartum, usando como pretexto o atentado feito as embaixadas americanas no Quênia e Tanzânia alguns dias antes. Os EUA também impõem um embargo econômico ao Sudão que prejudica seriamente a sua população já empobrecida por conta do estado permanente de guerra em muitas províncias e do pequeno investimento social do seu governo.

Ao longo desses anos os norte-americanos passam, a apoiar de forma mais intensa os rebeldes sulistas do Exército de Libertação do Sudão desde o território de Uganda e Quênia cujos governos eram vassalos dos EUA. Israel, que provavelmente sempre teve contato com os rebeldes do sul, também intensifica suas ações. Também um movimento guerrilheiro do povo beja-O Congresso Beja, na época sobre a liderança de Amin Shingrai-se subleva contra o governo sudanês. Na década de 2000 começa a sublevação étnica dos furs do Dhafur por meio da liderança do Movimento de Libertação do Sudão e do Movimento de Igualdade e Justiça apoiados pelo Chade e Eritreia. Mais tarde esses e outros grupos menores se reúnem uma federação chamada Frente de Redenção Nacional tendo como líder figuras como o ex-governador de Dhafur Ahmed Ibrahim Shiraige. Para diversos autores (Chossudovsky, Stephen Lendman, James Petras, Darius Mahdi Nazemroaya, Thierry Meyssan, etc) os EUA o tempo todo estavam promovendo uma política de balcanização do Sudão em quatro ou cinco países menores, seguindo um projeto de destruição (a política do caos programado) de diversos estados nacionais no mundo para facilitar o saque de seus recursos naturais e melhor dominar seus territórios fragilizados econômica, social e politica-institucionalmente. O Sudão de Bashir que havia apoiado essa politica americana em outras partes do mundo era agora vítima dela e isso se devia também ao seu acercamento a China com quem passou a realizar muitas trocas comerciais e abriu as suas reservas de petróleo a exploração por parte das empresas estatais chinesas (a maioria dos campos estavam no atual Sudão do Sul e uma parte no Dharfur), além de, na década de 2010, ir aderindo ao projeto chinês de infraestruturas econômico-comerciais e estratégicas conhecido pelo nome de Nova Rota da Seda. Esse projeto era um desafio aberto à dominação americana do mundo e tornou o Sudão, por mais que ele colaborasse com os EUA em determinadas situações, um alvo por parte destes.

Essa tensão toda produziu a Guerra do Dharfur cuja resposta do governo de Omar al-Bashir foi, através do exército e das milícias Janjawid, em 2008, realizar um grande massacre e limpeza étnica dos fures (2,8 milhões de deslocados e talvez 400 mil mortos numa população estimada em 7 milhões em 2007. Essa tragédia foi usado como arma política pelo governo de George W. Bush, que mobilizou a sua rede de imprensa, ONGs, celebridades como o ator George Clooney e organizações judaicas ligadas a Israel para acusar o governo sudanês de genocídio o que levou ao juiz argentino Luís Moreno Ocampo da Corte Penal Internacional, um instrumento político dos EUA, a pedir a prisão de Omar al-Barshir por crimes de genocídio e de guerra.

No entanto, como a geopolítica do Sudão é complexa e paradoxal há coisas ainda mais inesperadas a primeira vista. Mesmo tendo estabelecido laços até militares com o Irã e permitido uma forte presença econômica e tecnológica dos chineses no país, o governo de Bashir mantinha contatos com os EUA. Segundo Meyssan, em um artigo recente sobre o golpe (A Derrubada de Bashir 16/04/2019), o Sudão não só colaborou com os EUA nas guerras da Líbia (2011) e da Síria (2011 até hoje), enviando grandes contingentes, mas teve as forças especiais Janjawid treinadas por militares do Pentágono. Além disso, sempre foi forte a influência das monarquias do Golfo dentro do Sudão, tendo a Arábia Saudita sido, na maior parte do tempo, nos últimos 30 anos, a mais forte por conta de investimentos e empréstimos feitos ao governo.

No entanto, a população ainda que tivesse uma forte consciência anti-imperialista, foi sempre muito pouco beneficiada por investimentos em infraestrutura, educação, emprego, renda e outras necessidades vitais. Além disso, ainda que praticante de um islamismo sunita muito conservador, sofria o impacto em sua vida cotidiana das normas de controle moral e de repressão forte aos delitos segundo a forma mais dura de interpretação da sharia (lei islâmica) preconizada pela Irmandade Muçulmana.

Segundo a Review World Population, citado dados extraídos do escritório de estatísticas nacionais do Sudão e da ONU, mostra que a expectativa de vida no Sudão cresceu de 55 anos na década de 1980 para 65 anos em 2018 e a taxa de alfabetização acima de 15 anos teria alcançado 75,9% da população, sendo maior entre os homens (83, 3%) do que entre as mulheres (68,6%) em 2015. No entanto, em 2019, 20% da população econômica ativa estava desempregada, sendo 16% dos homens e 32% das mulheres. A taxa de fertilidade as população é alta (4,85 crianças por mulher) e a maior parte da população é composta de jovens, sendo que 43,07% são garotos de 0-14 anos. Como exemplo importante do grande subdesenvolvimento do Sudão: apenas 34,6% da população é urbana.

Esses problemas pouco ou nada resolvidos eram agravados pelo constante estado de guerra do País (Segundo Meyssan, até 75% do orçamento nacional ia para as forças armadas), pelo embargo americano ao país e a crise econômica que atingiu o Sudão levando ao aumento das tarifas e dos alimentos, com destaque para a farinha de trigo, criando uma situação de penúria em vastos setores da população. Essa crise econômica segundo o analista americano residente na Eritreia, Thomas Mountain, foi muito agravada pela separação em 2011 do Sudão do Sul e depois a paralização nesse país da exploração das reservas de petróleo, o que privou o Sudão de receitas importantes não compensadas pelas reservas de petróleo que sobraram os as exportações de goma arábica que entra na produção dos refrigerantes de cola pelo mundo.

Em 2011, durante a chamada “Primavera Árabe”, o Sudão já havia presenciado manifestações importantes contra o governo, mas diferente do seu vizinho Egito, elas não levaram a queda de Bashir. Agora, a partir do fim de 2018, mas especialmente desde janeiro do atual ano, diversas organizações, sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos começaram a realizar grandes manifestações ao longo de diversas cidades, com destaque para a capital Cartum e a vizinha Ondurman (sede do Parlamento) aonde, apesar da forte repressão policial pediam não só a renuncia de Bashir e o afastamento dos islamistas do poder (militares ou civis), mas também soluções para os muitos problemas do país que iam de liberdades individuais, passando por serviços e infraestrutura social, politica anti-inflacionária e contra o desemprego até negociações de paz nas províncias em guerra.

Em 3 de janeiro, um manifesto público: A Carta da Liberdade e Mudança assinadas por partidos como o PC Sudanês, o Partido Nacional Umah, o Partido Republicano, sindicatos e associações de classes como grupos feministas, os estudantes da Universidade de Cartum, associações de advogados, médicos, engenheiros e professores secundaristas e universitários- a Associação de Profissionais do Sudão- e movimentos sociais (de agricultores, de mantenedores de tweeteres, dos núbios, etc) resumiram a pauta de reivindicações, pediam a formação de um governo de nacional de transição que preparasse no futuro uma assembleia constituinte e eleições livres. Essa carta e suas reivindicações foram à base para as ações de rua pedindo a renuncia de Bashir. O grupo político reunindo toda a oposição se chama Frente Nacional para a Mudança.

Nesse quadro também devemos lembrar três motivos que influenciaram na deflagração do golpe: 1) a aproximação com a Rússia, o que levou a acordos econômicos e de assistência militar, além do Sudão auxiliar a Rússia em sua ação política na vizinha, conturbada e sob intervenção ocidental República Centro Africana. Mesmo o Sudão participando ativamente na intervenção militar patrocinada pelos EUA da Arábia Saudita no Iêmen contra o movimento nacionalista dos Houthis e seus aliados, essa aproximação à Rússia-com quem o Sudão estaria negociando uma base no Mar Vermelho-desagradou o EUA e seus aliados no Mundo Árabe. 2) Apesar dessa aproximação a Moscou, segundo Meyssan, o governo Bashir teria tentado administrar a crise econômica recorrendo a uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) e este aplicou sua tradicional política de austeridade contribuindo para o aumento dos protestos por todo o país. 3) A aproximação da Turquia, que se tornou uma rival no Oriente Médio da Arábia Saudita chegando a permitir a abertura de uma base da marinha turca na cidade portuária de Suakin no Mar Vermelho, algo que desagradou fortemente os sauditas ao projetar em seu mar ocidental o poder marítimo do governo de Ankara.

Assim, em meio a fortes manifestações, as forças armadas se antecipam e depõem Omar Al-Bashir em 11 de abril e assumem um governo de Transição (Conselho Militar de Transição), no primeiro dia sob o general Ahmed Awad ibn Awf e depois com o ex-comandante das tropas sudanesas no Iêmen, Abdel Fattah al-Burhan. Bashir teria sido preso e pouca informação sobre ele foi divulgada desde então.

A intervenção do exército não agradou muito os grupos de oposição da Carta de Liberdade e Mudança, embora a queda de Bashir tenha agradado muitos na sociedade sudanesa. Manifestações ocorreram nas ruas pedindo que os militares respeitassem a população e estabelecessem um governo misto de transição com civis e militares, mas predominando os primeiros, formando assim um Conselho de Civil de Transição. Reuniões começaram a ocorrer entre os militares e os representantes do grupo Liberdade e Mudança. Estes pediam até representantes dos grupos feministas e de jovens no governo interino, além de prisão e julgamento dos militares e oficiais de polícia responsáveis pela repressão as manifestações. O PC Sudanês também vem criticando os militares e, em 25 de abril, os acusou publicamente de não quererem sair do poder. Essa pressão seria também fortalecida pela ação da União Africana e da União Europeia para transferir o poder aos civis. A União Africana chegou até ameaçar suspender o Sudão em abril por conta da repressão as manifestações. Dia 30 exigiu a transferência para os civis dentro de dois meses.

Como, explicar satisfatoriamente o golpe, sem cair na ingenuidade de que a sociedade civil sudanesa, por si só, se levantou e derrubou o seu ditador no poder desde 1989, lembrando sempre do complicado cenário geopolítico no qual o Sudão está inserido?

Não temos respostas definitivas ainda, pois provavelmente muito do jogo político decisivo está sendo realizado nos bastidores. Pode-se, pelas informações já disponíveis, que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos aprovaram a queda de Bashir, pois concederam ao Sudão um empréstimo de US$ 3 Bilhões. Este empréstimo e o fato de al-Burhan ser o comando das tropas sudanesas no Iêmen indicariam que o país africano caiu sob a influência saudita. A prisão do porta-voz da Frente Nacional para a Mudança, Said al-Jizuli, por algumas horas dia 24, após criticar em público a ingerência dos Emirados Árabes Unidos seria outro indicio de que o atual governo esta sob a influencia regional de Riad e Abu Dhabi.

Como as revoluções coloridas pelo mundo afora criaram uma forte desconfiança em relação às manifestações publicas, aparentemente não-violentas e com slogans democráticos, não sabemos o grau de sinceridade das lideranças envolvida na Carta de Liberdade e Mudança. Condições e legitimidade para as manifestações ocorrerem existiam e a imensa maioria saiu às ruas de forma sincera. Também nada se sabe no momento das ações de bastidores que acabaram conduzindo a derrubada de Bashir pelos militares. Como costuma ocorrer em eventos dessa natureza, ela deve ter sido coordenada ou acompanhada pelos EUA, Grã-Bretanha, ONU, Liga Árabe, União Africana, Arábia Saudita e os russos e chineses também a acompanharam e podem mesmo ter começado a negociar secretamente com os militares sudaneses a continuidade ou não dos acordos feitos sob a administração de Bashir, assim como o mesmo pode estar fazendo a Turquia.

O certo, nesse primeiro momento, é que muito pouco mudará no Sudão em termos sociais e econômicos e o país continuará a sofrer uma pesadíssima pressão geopolítica mundial, especialmente do poder norte-americano e de seus sócios locais, ainda muito presente no continente africano.

 

*José Ailton Dutra Júnior é doutor em História pela Univerisdade de São Paulo (USP) e especialista em História Contemporânea e Geopolítica do Oriente Médio e Mundo Islâmico.

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Militares brasileiros são alvo de ataque com pedras na República Centro-Africana

Comboio com militares brasileiros é atacado na República Centro-Africana (Foto: Editoria de Arte / G1)

Comboio com militares brasileiros é atacado na República Centro-Africana (Foto: Editoria de Arte / G1)

Um comboio integrado por dois militares brasileiros foi alvo de um ataque com pedras nesta terça-feira (1º) durante patrulhamento em Bangui, capital da República Centro-Africana.

Os dois atuam como observadores em uma missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no país africano.

Em novembro do ano passado, a ONU pediu ao Brasil o envio de tropas para a República Centro-Africana, mas o pedido ainda não foi atendido. Segundo a Cruz Vermelha, o país vive uma tragédia humanitária.

Segundo o Centro de Comunicação Social do Exército, no ataque, o tenente-coronel do Exército Carlos Rocha ficou ferido e a capitã de corveta da Marinha Márcia Braga sofreu escoriações leves.

De acordo com o almirante Rogério Lage, da Subchefia de Operações de Paz do Ministério da Defesa, o apedrejamento aconteceu durante confronto entre muçulmanos e cristãos no local.

Em razão do ataque com pedras, o motorista do veículo em que os brasileiros estavam perdeu o controle e colidiu com uma árvore, o que, segundo o Centro de Comunicação Social do Exército, causou uma fratura no nariz do tenente-coronel.

Rogério Lage disse que, além da lesão na face, o militar tem suspeita de traumatismo craniano.

Um policial local, que estava armado, ajudou os militares brasileiros a deixar o veículo. Depois que eles foram retirados, informou o centro do Exército, o veículo foi incendiado pelos autores do ataque.

Segundo o Centro de Comunicação do Exército, o tenente-coronel foi encaminhado para um hospital da ONU em Uganda. Ele estava consciente depois do ataque. A capitã de corveta permaneceu na República Centro-Africana.

Os familiares dos militares brasileiros foram avisados. Um adido militar brasileiro estava em deslocamento para o local a fim de obter mais informações sobre o caso e sobre o estado de saúde dos militares.

Segundo o Centro de Comunicação Social do Exército, os observadores são divididos em áreas e, rotineiramente, fazem patrulhamentos a fim de identificar eventuais conflitos nesses locais.

 

Nota do Ministério da Defesa

O Ministério da Defesa divulgou nota à imprensa sobre o ataque na República Centro-Africana:

O Ministério da Defesa, por intermédio da Subchefia de Operações de Paz, informa que, nesta terça-feira, em Bangui, capital da cidade da República Centro-Africana, houve um confronto local no bairro mulçumano PK5. Durante o ataque, uma viatura da Organização das Nações Unidas (ONU), com 2 militares brasileiros, do Estado Maior da Força de Paz da ONU na República Centro Africana (MINUSCA), foi apedrejada, sendo danificada.

Na continuidade da ação, a capitão-de-corveta Márcia Andrade Braga, da Marinha do Brasil, e o tenente-coronel Carlos Henrique Martins Rocha, do Exército Brasileiro, foram feridos. Em seguida, a polícia local agiu e os militares foram deslocados para uma Unidade Médica Nível 2 (atendimento hospitalar de baixa complexidade). A militar da Marinha teve escoriações e ferimentos leves e já recebeu alta. O coronel Rocha teve uma lesão na face e suspeita de traumatismo cranioencefálico, e foi deslocado para uma Unidade Médica Nível 3 (hospital) em Entebbe, Uganda.

O estado de saúde do militar do Exército é estável, e está sendo prestada a assistência necessária a seus familiares. Uma equipe da ONU acompanha o atendimento ao coronel e o adido do Exército Brasileiro está a caminho do local. O Ministério da Defesa coordena as ações referente à situação.

Fonte: G1

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Conhecendo a República Centro-Africana

No dia 6 de outubro último, encerrou-se, formalmente, meu tempo de serviço em Missão de Paz de Caráter Individual de um ano, como Oficial de Estado-Maior na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA), na qual desempenhei a função de Chefe da Seção de Operações do Setor Leste da Missão. Nesse contexto, sem pretensão de esgotar o assunto e no intuito de compartilhar o conhecimento adquirido sobre o mencionado país africano, apresenta-se, nas linhas a seguir, um panorama atual da República Centro-Africana, de seu conflito interno e da MINUSCA.

A República Centro-Africana (RCA) é um país tão desconhecido quanto pobre. Bem definida pela sua denominação oficial, a RCA situa-se no coração do continente africano, ligeiramente ao norte da linha do Equador. O país, que possui como línguas oficiais o sangho (idioma local) e o francês (herança da colonização), possui considerável área territorial (cerca de 622.0000 km² – maior que o Estado brasileiro de Minas Gerais ou que a França, por exemplo) sendo, no entanto, escassamente povoado, com população estimada em cerca de 4.900.000 habitantes pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2017.

Terra de povo humilde e simpático, a RCA, infelizmente, pode ser identificada como um exemplo da definição de Estado falido. Pela sua debilidade e ineficiência, não se identifica a presença do aparato estatal no país – nem mesmo na própria capital, a cidade de Bangui -, sendo consequentemente ausente na grande maioria de seu território.

Uma percepção geral de sua incipiente economia auxilia na compreensão da falência do referido Estado. Baseada no setor primário, na inexistência do setor secundário e em um inexpressivo setor terciário, a economia da RCA não se estruturou ao longo da história. O Produto Interno Bruto é um dos menores da comunidade internacional, não tendo alcançado a cifra de 2 bilhões de dólares no ano de 2016, segundo o Banco Mundial (BM), classificando o país nas duas ou três últimas posições do “ranking per capta”, elaborado pela ONU ou pelo BM.

Não há obstáculos geográficos de vulto na superfície. Situado na mesma latitude média que os Estados brasileiros do Amapá e de Roraima, o território da RCA evidencia diversas semelhanças com aspectos fisiográficos de algumas regiões do Brasil. A porção Nordeste do país caracteriza-se pelo clima subsaariano, com predominância da vegetação de estepe africana, o que torna a região semelhante ao semiárido do Nordeste brasileiro. A savana domina grande parte do território centro-africano (cerca de 80%), área na qual vigora o clima tropical. A região é extremamente similar ao cerrado no Brasil, sendo sua semelhança tamanha, que a paisagem geral da maior parte da RCA se torna familiar aos conhecedores desse bioma brasileiro. No extremo Sul e região Sudoeste do país, verifica-se a incidência do clima equatorial e a existência da floresta equatorial africana que, na RCA, é muito parecida com a mata atlântica brasileira.

Diferentemente da Geografia, no âmbito da História podem ser identificadas distintas causas do não desenvolvimento do Estado centro-africano. País jovem, a República Centro-Africana obteve sua independência junto à França em 1960. Durante a colonização, não houve ações efetivas para o desenvolvimento educacional e a formação de lideranças locais. Tal lacuna culminou com a inexistência de quadros capazes de gerirem o país quando do início de sua existência soberana. Em consequência, os governos e as instituições, desde a independência, ainda não foram capazes de representar todos os segmentos da população centro-africana, fato gerador dos sucessivos golpes de Estado e da constante instabilidade política que marcam a RCA.

A ausência de representatividade dos grupos étnicos locais no governo e nas instituições nacionais confere tênue caráter de legitimidade a alguns grupos armados, que ocupam o vácuo de poder deixado pelo Estado em grandes porções do território onde aquele não se faz presente, aliando-se, dividindo-se e lutando entre si, ocasionando os confrontos armados que há anos assolam a RCA, na luta por recursos e poder. O conflito atualmente vivenciado sintetiza a curta história do país.

A partir do contexto abordado, iniciou-se, no ano de 2012, a sublevação da população da região Nordeste do país, majoritariamente muçulmana, insatisfeita com os anos de abandono do setor público e com a falta de representatividade no governo e em outras instituições nacionais. Os grupos armados existentes na região formaram uma coalizão denominada Seleka (“aliança”, em sangho), marcharam até a capital, depondo o Presidente da República, e empossaram seu dirigente máximo no cargo. O novo governo, além de não melhorar a situação geral do país, foi complacente com diversos abusos e crimes cometidos pelos grupos armados Seleka, notadamente contra a população cristã e animista que, para se defender, criou diversos grupos de autodefesa denominados Anti-balaka (“anti-facão”, em sangho). Em dezembro de 2013, a espiral de violência atingiu seu pico, ocasionando a “batalha de Bangui”. Barbáries atraem a atenção da comunidade internacional, tendo a ONU concedido seu aval para uma intervenção militar da França, visando controlar os conflitos fratricidas e restaurar a ordem interna do país. Assim, surgiu a MINUSCA, estabelecida pela ONU em 2014 para estabilizar a RCA.

Atualmente, a MINUSCA conta com cerca de 13 mil integrantes, a participação de 53 países e um orçamento de aproximadamente 1 bilhão de dólares por ano. Os êxitos iniciais da missão de estabilização relativa do país e da realização de eleições democráticas foram eclipsados por uma onda de violência em diferentes pontos das partes Leste e Centro-Sul do território centro-africano, a partir do final de 2016.

Em que pese a gravidade dos recentes episódios de violência, a maior crise na RCA é humanitária. A conjugação dos aspectos geográficos, históricos, econômicos e políticos, brevemente abordados, implica em uma triste resultante, que desaloja cerca de 20% da população de seus lares na busca por condições de subsistência e impede o desenvolvimento econômico e social do país, fazendo com que mais da metade dos cidadãos necessite de algum auxílio para sobreviver.

Após a apresentação de uma visão panorâmica sobre a RCA e sobre a MINUSCA é natural que se evidenciem somente os aspectos negativos sobre o país e sobre a Missão, sendo oportuno e útil realizar uma breve reflexão comparativa para obter a perspectiva adequada do universo vivenciado na RCA.

Exemplificando, destaca-se que há vários países que convivem com grupos/bandos armados com grande poder e influência em parte de seu território. As dificuldades estruturais existentes na RCA, como aeroportos sem pavimentação, estradas e pontes precárias e rede de energia elétrica incipiente, também se reproduzem em um vasto número de nações. As soluções para tais óbices de infraestrutura são conhecidas, sendo, inclusive, implementadas, na medida do possível, no país centro-africano.

Ainda é relevante abordar algumas “verdades parciais” comumente difundidas sobre a RCA e seu atual conflito. Quanto à alegação de lutas intermináveis por desavenças étnicas e religiosas, destaca-se que, apesar de a RCA ser cortada pela “fronteira” entre a África muçulmana e a África cristã no terço Nordeste do país, a coexistência das duas religiões no mesmo território não gera conflitos por si mesma na população, exceto quando manipulada por grupos armados ou outros atores com interesses escusos, situação tristemente comum naquela nação.

Outro esclarecimento significativo refere-se ao mosaico étnico que compõe a população. Especialistas identificam mais de 80 etnias presentes, aspecto peculiar também eventualmente manipulado por grupos armados e outros “senhores da guerra”, com influência, direta ou indireta, na criação de clivagens no bojo do povo centro-africano. No entanto, não há “ódios étnicos” genuínos no seio da população. Testemunhei ambas as conclusões, ao atuar funcionalmente em confrontos que se iniciaram entre facções do mesmo grupo armado Ex-Seleka, tendo uma delas aliado-se, posteriormente, a grupos Anti-Balaka.

Quanto às alegações da presença de grupos terroristas na RCA ou da ligação de grupos armados do país com o terrorismo internacional, verifica-se a total ausência de qualquer dado concreto ou mesmo de indício de sua comprovação, sendo a possibilidade de ocorrência de atentados em quaisquer outros países, como eventual retaliação por atuação no conflito, julgada extremamente improvável por estudiosos do tema.

A vivência de um ano na República Centro-Africana foi repleta de ensinamentos pessoais e profissionais. O profundo respeito à capacidade de subsistência do povo centro-africano foi um dos mais significativos. Uma grande lição de resiliência e crença em dias melhores no porvir.

Fonte: EBLOG

 

“Braço Forte”

… É o nome da mais nova coluna que surgiu de uma parceria do Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEX) e o Plano Brasil. Criada com o objetivo de difundir as informações do Exército Brasileiro, a coluna divulgará os conteúdos produzidos pela Agência “Verde Oliva” bem como, trabalhos dos autores do Plano Brasil para os seus leitores, mantendo-os atualizados de maneira dinâmica, com informações segmentadas.

Esta iniciativa reforça o compromisso do Plano Brasil com os seus leitores e busca assim atender a sua missão primeira, difundir e dinamizar o conhecimento a cerca do setor de Defesa e Geopolítica de forma atualizada.

E.M.Pinto

 

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54 nações das Nações Unidas exigem desculpa de Trump

Embaixadores de 54 nações do continente nas Nações Unidas exigem que ele se retrate por comentários “racistas”. Declaração com expressão “países de merda” faz surgir cada vez críticas de membros do partido do presidente.

Bandeiras africanas: países do continente se dizem indignados com comentários de presidente dos EUA

Os embaixadores de 54 países africanos na ONU exigem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma desculpa pelos comentários “racistas” que expressou na quinta-feira, quando supostamente usou a expressão “países de merda” para se referir a Haiti, El Salvador e vários países africanos.

Após uma reunião de urgência na noite desta sexta-feira (12/01), eles emitiram um comunicado, em que dizem se sentir “extremadamente consternados” pelas palavras de Trump.

Os diplomatas condenam os comentários “escandalosos, racistas e xenófobos” do presidente americano e asseguram se sentir “preocupados com a contínua e crescente tendência dentro do governo dos EUA em relação à África e aos afrodescendentes, denegrindo o continente e as pessoas de cor”.

O grupo expressa sua “solidariedade” com o povo haitiano e com os outros países atacados por Trump durante uma reunião com legisladores na Casa Branca.

Segundo uma informação publicada na quinta-feira no jornal The Washington Post e confirmada depois pelo Los Angeles Times, Trump disse na quinta-feira, durante a reunião, que preferiria receber nos Estados Unidos mais imigrantes da Noruega em vez de cidadãos de El Salvador, Haiti e vários países africanos, usando a expressão “países de merda” (shithole countries) para se referir àquelas nações. A notícia provocou indignação mundial.

No Twitter, o presidente fez uma retratação vaga, com referência apenas ao Haiti, e sugeriu que as declarações foram inventadas. Ele negou ter usado a linguagem noticiada pela mídia, ainda que tenha admitido que a linguagem que usou foi “dura”.

O senador democrata Richard J. Durbin, que esteve no encontro, confirmou que Trump falou repetidas vezes “países de merda” e usou um discurso “repugnante e racista”.

Manifestação em Miami

A União Africana (UA) e vários membros de governos do continente também tacharam de “racistas” os comentários atribuídos ao presidente dos Estados Unidos.

“São francamente racistas”, disse Ebba Kalondo, porta-voz do presidente da Comissão da UA, Moussa Faki Mahamat, em uma conversa telefônica com a agência de notícias Efe.

“Não são apenas alarmantes para a União Africana por sua natureza racista, mas porque, se forem verdadeiras, essas declarações seriam ainda mais surpreendentes, devido à realidade histórica de como muitos africanos chegaram aos Estados Unidos como escravos”, acrescentou Kalondo.

Dezenas de imigrantes haitianos e membros desta comunidade marcharam nesta sexta-feira em Miami para expressar sua rejeição aos adjetivos usados pelo presidente Trump ao se referir a países da América Latina e da África.

“O que todos pensam, mas não falam”

O presidente Donald Trump negou parcialmente o que disse no Twitter. Em conversas privadas, entretanto, ele se defendeu suas observações, argumentando que apenas disse “o que muitos pensam, mas que não falariam sobre imigrantes de países economicamente desfavorecidos”, de acordo com uma pessoa que conversou com o presidente americano.

Trump passou a noite de quinta-feira fazendo uma série de telefonemas para amigos e assessores externos, para colher opiniões sobre a onda de críticas, afirmou essa fonte, sob condição de anonimato. Segundo ela, Trump não se arrepende de suas observações e nega que seja racista, culpando a mídia por ter distorcido o que disse.

Críticas republicanas

Membros de seu próprio Partido Republicano se uniram às críticas. “Se isso não é racismo, então não sei como você pode classificar isso”, comentou a deputada republicana Ileana Ros-Lehtinen, da Flórida, em entrevista à imprensa americana.

O senador republicano Jeff Flake, do Arizona, afirmou que “as palavras usadas pelo presidente, como relatadas a mim por aqueles que estiveram no encontro, não foram ‘duras’, mas abomináveis ​​e repulsivas”.

A maioria dos líderes do Partido Republicano preferiu silenciar. Entretanto, o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Paul Ryan, afirmou durante evento que a linguagem vulgar do presidente americano foi “muito infeliz”.

Fonte: DW

 

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África: Venda de escravos na Líbia

 

 

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Líbia 6 anos depois de Muammar Abu Minyar al-Gaddafi

Muammar Kadhafi foi morto em 20 de outubro de 2011. Ele tinha liderado a Líbia durante 42 anos. Depois da sua morte, a “jamahiriya” (Estado das massas) cessou de existir e o país ficou dividido.
O quadro observado em 2017 representa os vários grupos armados em constante confrontação.

Fonte: Sputnik

http://www.planobrazil.com/o-que-matou-kadhafi/

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Africa China

China inaugura sua primeira base militar no exterior em Djibuti

A inauguração da nova base militar chinesa em Djibuti reafirmou o país, localizado no nordeste da África, como um ponto estratégico e de interesse para várias potências mundiais.

Pequim inaugurou oficialmente em Djibuti a sua primeira base militar no exterior. A ocasião foi marcada por uma cerimônia, durante a qual se hasteou a bandeira da China nas novas instalações no Djibuti país africano. A data é simbólica, pois 1 de agosto é o aniversário de 90 anos do Exército de Libertação Popular.

O Djibuti, pequeno país no chamado “corno de África”, fazendo fronteira com a Etiópia, a Eritreia e a Somália, embora quase sem recursos naturais, goza de posição privilegiada no acesso sul ao Mar Vermelho para o Canal de Suez.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, a base visa dar “ maiores contribuições” para a paz em África, contribuindo também para a economia do Djibuti.

Esta base de “apoio logístico” vai oferecer apoio às tropas chinesas que participam de missões antipirataria, de operações de paz e resgate no golfo de Aden e na costa da Somália.  “A base assegurará o desempenho das missões da China, como escolta, manutenção da paz e ajuda humanitária na África e no oeste da Ásia”, segundo a agência chinesa Xinhua.

Pequim começou a construção da base militar em solo africano no início do ano passado. A instalação será usada para a manutenção de navios militares chineses que realizam patrulhas contra pirataria na região que abrange o golfo de Aden, o mar Vermelho, o mar Arábico e parte do Oceano Índico.

A China iniciou a construção da base em Djibuti. no ano passado. Em julho, a China enviou navios e tropas para a nova base em Djibuti para atender os requisitos de defesa e de operação das instalações.

Graças à sua localização, infraestrutura e por contar com um dos portos mais bem equipados da região, Djibuti é um local estratégico para a comunidade internacional.

O pequeno país africano, situado entre Somália e Eritreia, é limitado ao leste pelo estreito de Bab el Mandeb e pelo golfo de Aden. Esse um dos pontos estratégicos globais, pelo qual transita um volume significativo de petróleo advindo do golfo Pérsico.

Djibuti possui uma população de 800 mil habitantes e já abriga instalações militares nos EUA, França e Japão. A chegada das tropas chinesas reforça a sua importância estratégica para a segurança do comércio de energia.

Com informações de Agência Xinhua, sputniknews e Defence Blog

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O que o BRICS está pensando? Entidade divulga comunicado conjunto

Após reunião de dois dias em Pequim, os ministros das Relações Exteriores do BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – divulgaram um comunicado conjunto sobre as análises e deliberações do bloco. A Sputnik traz alguns dos pontos mais relevantes do documento.

Organização das Nações Unidas (ONU)

A necessidade de reformar a ONU, assim como seu conselho de segurança, foi reafirmada pela publicação, para torná-lo “mais representativo, efetivo e eficiente”. O bloco entende que os países em desenvolvimento devem ter sua representação aumentada.

“A China e a Rússia reiteram a importância que atribuem ao status e ao papel do Brasil, Índia e África do Sul em assuntos internacionais e apoiam sua aspiração de desempenhar um papel maior na ONU.”

Acordo de Paris

O bloco fez uma convocação para os países seguirem as regras do Acordo de Paris, mas não fez nenhuma menção à retirada dos EUA do acordo, decidida por Donald Trump.

Síria

A solução para o conflito na Síria deverá ser fruto da liderança e ser propriedade do próprio país árabe.

“Os ministros apoiam fortemente as conversações de paz de Genebra e o processo de Astana e recebem a criação das áreas de segurança na Síria. Eles se opõem ao uso de armas químicas por qualquer pessoa, para qualquer propósito e sob qualquer circunstância”.

Israel e Palestina

A maneira de atingir “paz e estabilidade” no Oriente Médio é seguir as resoluções da ONU, os Princípios de Madrid e a Iniciativa Árabe pela Paz. Assim, poderá ser criado um estado palestino “independente, viável e territorialmente contínuo” e capaz de conviver em “paz e segurança” com Israel.

África

O BRICS ressaltou a importância da colaboração entre a ONU e a União Africana (UA) e a chamada “Agenda 2063” — um plano de metas para o continente africano desenvolvido pela UA.

Confira a íntegra do documento (em inglês) neste link.

Foto: © REUTERS/ Wang Zhao/Pool (Arquivo)

Fonte: Sputnik News

 

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Continentes distorcidos e mais de ‘4 séculos de visão colonialista’ do mundo

Por mais de 400 anos, escolas de todo o mundo usaram mapas com distorções nos tamanhos dos continentes.

As representações do mundo usadas atualmente são baseadas na projeção feita em 1569 pelo cartógrafo Gerardo Mercator, destinada aos navegadores da época. Seus gráficos respeitam a forma dos continentes, mas não os tamanhos – neles, a Europa e a América do Norte são vistas maiores do que realmente são e o Alasca ocupa mais espaço que o México, embora seja menor.

Um dos erros mais significativos é que a África parece menor do que realmente é, quando na verdade tem o triplo da extensão da América do Norte e é 14 vezes maior que a Groenlândia.
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Mas agora algumas salas de aula de escolas públicas de Boston, no nordeste dos Estados Unidos, começaram a usar o mapa de Gall-Peters, projeção batizada em homenagem a James Gall, escocês aficionado por astronomia que a desenhou pela primeira vez em 1855, e ao historiador alemão Arno Peters, que a difundiu na década de 1970.

Esse mapa mostra o tamanho e a proporção de países, continentes e oceanos com mais precisão. Na semana passada, cerca de 600 escolas públicas da cidade americana receberam cópias dele, noticiou o jornal The Boston Globe.

Uma das principais mudanças é que a Europa aparece muito menor do que se via antes em comparação com a África, que é muito maior.

Projeção de Gall-Peters que mostra as massas de terra em suas proporções corretas – Foto:  Alamy Stock

Continentes distorcidos

Uma das razões para as distorções cartográficas é a dificuldade de se projetar uma esfera como a Terra – de três dimensões – em uma superfície plana, de duas dimensões, como a de um mapa.

Mas, para os geógrafos, atrás dos erros de Mercator há também outra razão.

“A maioria dos primeiros mapas do mundo foi criada por europeus do norte”, disse Vernon Domingo, professor de geografia da Universidade Estadual de Bridgewater e membro da Aliança Geográfica de Massachusetts, em declaração ao The Boston Globe.

“Eles tiveram a perspectiva do hemisfério norte – e também uma perspectiva colonialista.”

Projeção de Mercator (parte superior) e a projeção de Gall-Peters (parte inferior) mapas bastante diferentes.

Descolonizar o currículo

A troca de mapas responde ao desejo de Boston de “descolonizar o currículo”, disse ao mesmo jornal Colin Rose, superintendente-assistente do Escritório de Oportunidades das Escolas Públicas de Boston.

“Trata-se de mapas, mas, ao mesmo tempo, não se trata de mapas”, disse Rose. “Esta é uma mudança de paradigma. Nós tivemos uma visão que era muito eurocêntrica. E como podemos falar de outros pontos de vista? Esse é um excelente ponto de partida.”

Para Hayden Frederick-Clarke, diretor de competências culturais das escolas públicas de Boston, o erro mais grave das projeções de Mercator é o tamanho da África.

“Dos nossos alunos, 86% não são brancos e têm pais e avós que são de locais que são mostrados menores nos mapas”, disse Frederick-Clarke ao programa The World, da PRI (Public Radio International) e da BBC.

“Queremos que os alunos se vejam de forma adequada e contestem a narrativa de que muitos desses lugares são pequenos e insignificantes no mundo”, disse.

“A Groenlândia parece ter o mesmo tamanho da África e dos EUA. Parece de um tamanho comparável, embora sabemos que isso não é uma verdade absoluta. A África é 14 vezes maior do que a Groenlândia. Além disso, no mapa de Mercator, o México é menor que o Alasca, quando na verdade é muito maior”, disse o professor.

“Também há problemas com o Brasil. A Europa, mais especificamente a Alemanha, aparecem perto do centro do mapa. E sabemos que isso não é verdade.”

“Da minha experiência como instrutor, sei que as pessoas gostam da verdade e que os professores querem apresentar um produto melhor e mais autêntico”, disse Frederick-Clarke.

O jornalista da PRI David Leveille diz que os críticos da iniciativa a veem como “mais uma batalha na guerra de culturas” e insistem que “um mapa é apenas um mapa”.

Segundo Leveille, eles perguntam: “nenhum mapa é perfeito, então porque se preocupar?”.

Imagem 1°: Buyenlarge / Getty Images – Projeção de Mercator que desloca o equador e representa a Groenlândia e a África como aproximadamente do mesmo tamanho, quando a Groenlândia na verdade, é 14 vezes menor.

BBC Brasil

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Terra

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Rússia amplia presença no Oriente Médio: Depois da Síria, a Líbia

Tanto do ponto de vista político como militar, a Rússia reforça seu engajamento na Líbia. Princípio declarado de Putin é colaborar com regimes fortes – como o de Assad na Síria –, por mais inescrupulosos que sejam.

O desmentido veio rápido, depois de a agência de notícias Reuters ter noticiado a presença de 22 militares da Rússia numa base no Egito, perto da fronteira com a Líbia. “Não há forças especiais russas em Sidi Barrani, no Egito”, declarou o Ministério da Defesa em Moscou.

A resposta do porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, foi semelhante: ele disse não ter “quaisquer informações” sobre tropas de seu país que tenham sido mobilizadas para o país árabe. A notícia original fora também confirmada por militares dos Estados Unidos.

Contudo, é inquestionável que o engajamento de Moscou na Líbia tem se reforçado nas últimas semanas. Por exemplo, dezenas de funcionários armados de uma empresa de segurança russa estiveram, até o fim de fevereiro, em territórios controlados por tropas do general líbio Khalifa Haftar.

Segundo o jornal Arab News, o proprietário da empresa de segurança confirmou a presença de soldados russos, mas se negou a revelar quem contratara seus funcionários e onde estes operavam.

Haftar combate os rebeldes jihadistas por conta própria e sem qualquer legitimação democrática, sobretudo os da milícia terrorista do “Estado Islâmico” (EI). Sabe-se que, na primeira metade de janeiro, ele visitou o porta-aviões russo Almirante Kusnetsov, que retornava das águas costeiras da Líbia para a Rússia. De lá, o general teria também realizado uma videoconferência com o ministro russo da Defesa, Serguei Shoigu.

Em meados de março, o consultor de Haftar, Abdelbasset Al-Basdi, encontrou-se em Moscou com o vice-ministro russo da Defesa, Mikhail Bogdanov. Segundo o ministério em Moscou, ambos teriam “concordado sobre a necessidade de iniciar um diálogo coletivo, do qual participem representantes de todos os grupos, tanto políticos como tribais”.

General Khalifa Haftar é homem forte da Líbia

Sem Assad, nada

Já no terceiro trimestre de 2016, num esboço estratégico da política externa russa, Moscou afirmava a intenção de seguir contribuindo para a estabilidade na região do Oriente Médio e Norte da África, dirigindo o foco “à superação político-diplomática de conflitos”. Paralelamente, o documento sugeria uma estratégia bem diversa em outras regiões do planeta. “Hoje, dado o significativo aumento da dependência recíproca entre povos e Estados, as tentativas de promover segurança e estabilidade num território estrangeiro não têm qualquer futuro.”

O engajamento na Síria, do lado do presidente Bashar al-Assad, mostra que consequências a Rússia tira dessa abordagem. O país tem uma concepção bem concreta do futuro direcionamento político da Síria. No entanto só ao lado de um parceiro é possível seguir essa estratégia: Assad. A ele somam-se outros aliados, em especial o Irã e o Hisbolá, que é comandado por Teerã. Aqui não se trata necessariamente de alianças duradouras. O esboço estratégico sugere, antes, coalizões de conveniência, delimitadas temporalmente, que também podem se desfazer assim que se alcancem as metas estipuladas.

Tropas líbias após tomada de base do EI em Misrata

“Colaborar com os fortes, por mais inescrupulosos que sejam”

Com esse posicionamento, Moscou está igualmente tirando uma lição da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003. O governo do presidente George W. Bush a iniciou sem antes procurar um parceiro político in loco que o pudesse respaldar na futura reordenação do país. A fase pós-guerra transcorreu consequentemente caótica, e os efeitos das intervenções se fazem sentir até hoje.

O Kremlin vê com olhos igualmente críticos a política para o Oriente Médio do governo do presidente Barack Obama. Segundo Leonid Slutsky, presidente da comissão do Parlamento russo para assuntos externos, ela foi fracassada, “a impotência e a ausência de resultados são patentes”.

Tudo indica que os russos pretendem ter aprendido com tais erros. Estados estrangeiros devem colaborar com regimes fortes, por mais inescrupulosos que estes sejam, teria declarado o presidente Vladimir Putin ao apresentar o esboço estratégico. De outro modo, o mundo presenciará “a destruição dos sistemas estatais e a ascensão do terrorismo”.

Como na URSS

Ao mesmo tempo, contudo, após a queda da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. a Rússia também almeja se reafirmar como potência mundial. E nesse ponto vem alcançando êxito: segundo a revista americana Newsweek, nos últimos dois anos Putin teve 25 encontros com líderes políticos de nações árabes – cinco vezes mais do que Obama.

Grande parte desse balanço se deve ao engajamento na Síria, onde os russos testaram sua nova estratégia, afirma a analista política Randa Slim, do Middle East Institute, de Washington. As consequências são óbvias: “Todo líder político vai dizer: ‘Talvez esteja na hora de reavaliar nossas relações com a Rússia’.”

Os sinais são de que a Rússia está apenas começando com sua nova política para o Oriente Médio. De um estudo do think tank  Stratfor consta que a expansão em direção à Líbia seria “apenas um elemento da estratégia muito mais ampla da Rússia de reforçar suas atividades no Mar Mediterrâneo meridional, criando uma zona de influência como nos tempos soviéticos”.

Foto: 1°- Ministro do Exterior Serguei Lavrov recebe em Moscou o primeiro-ministro líbio, Fayez Seraj

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW

 

 

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Por que a China está na porta da África

A China está construindo intensivamente uma base militar sua no Chifre da África, que também é considerado como porta para a África.

O membro do conselho militar e chefe do Estado-Maior Conjunto do Exército de Libertação Popular (ELP) Fang Fenghui agradeceu, durante um encontro em Pequim, ao chefe do Estado-Maior de Djibouti pela cooperação na construção da base.

Este já é o segundo contato entre os dois altos responsáveis militares no último mês. Nos finais de novembro, o vice-chefe do presidente do Conselho Central Militar da China, Fan Changlong, visitou Djibouti.

A mídia ocidental informou que a construção da primeira base militar chinesa no estrangeiro foi o tema principal das negociações.

O entendimento para a construção da base foi atingido durante o encontro entre o presidente chinês Xi Jinping e o seu homólogo de Djibouti Ismaïl Omar Guelleh em dezembro de 2015. Nos finais de janeiro de 2016, Pequim confirmou a assinatura do acordo respectivo.

Hong Lei, porta-voz da chancelaria chinesa, declarou em 21 de janeiro que a base permitirá prestar apoio logístico a navios militares da China durante as operações contra piratas.

Em Pequim a base não é classificada como militar. Ela é frequentemente chamada de base de reabastecimento material e apoio técnico.

Em 30 de novembro, o representante oficial do Ministério da Defesa da China Yang Yujun notou que a base em Djibouti se destina ao reabastecimento do corpo de manutenção de paz que presta serviço no país onde estão aquartelados cerca de 800 soldados da paz.

Ao mesmo tempo, o responsável oficial do ELP admitiu que de fato se trata da construção de uma base militar da China no estrangeiro.

Ele declarou que “não está informado sobre quaisquer planos para a construção de bases em outras regiões, além de Djibouti”.

Além dos militares chineses, no território desse país africano também estão presentes militares do Japão, Alemanha e Espanha e há bases militares da França e dos EUA. O território é usado no combate à pirataria. Os franceses estão no território desde a época colonial, e os americanos, que atualmente tem lá cerca de 4.000 soldados, desde 1999.

Estes últimos aproveitam o território para apoio às operações militares no Iêmen e Somália, especialmente para realizar ataques de drones contra terroristas.

Ao criar a base militar em Djibouti, a China cria mais um atributo de potência mundial, destacou na entrevista à Sputnik China o especialista em África e Oriente Médio Stanislav Tarasov:

“Estamos falando do cenário normal das ações de um Estado que compreende a sua importância e começa realizando seu potencial no plano geopolítico. Tudo isso é completamente lógico. Vimos primeiramente o reforço de seu potencial econômico, e depois também da influência política da China. Atualmente ela está conquistando as suas posições no mundo, num sentido geopolítico amplo, com atributos clássicos de presença regional. Estes são a compra de ativos e a abertura de empresas no estrangeiro, e agora também de bases.”

Tarasov destacou também que o fortalecimento chinês acontece simultaneamente com o enfraquecimento dos EUA, que estão perdendo peso político “por falta de vontade em procurar uma linguagem comum com os outros países”.

Ainda de acordo com o especialista russo, o papel geopolítico que a base em Djibouti desempenha é imenso pela sua proximidade às vias de comércio mundial e canais de transporte de matérias-primas.

Por isso é muito importante ter um ponto de manutenção de navios e assegurar o acesso logístico das empresas estrangeiras aos mercado da Etiópia e dos países do Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA na sigla em inglês). É pela existência deste mercado e pela necessidade de garantir acesso a este através de Djibouti que o Corno da África é chamado de porta de África.

O especialista chinês do Centro das Relações Internacionais do Instituto de Comunicações (Pequim) Yang Mian destacou também na entrevista à Sputnik China a importância estratégica da base em Djibouti para o seu país.

“Não é uma base militar no sentido comum. A base que a China atualmente está construindo em Djibouti está orientada primeiramente para o apoio material, técnico e logístico à marinha de guerra, mas ela não possui funções estratégicas”, disse.

A China tem posições muito fortes no local após executar uma série de grandes projetos importantes, inclusive a construção, a terminar em 2016, da ferrovia de Djibouti a Adis Abeba, capital de Etiópia, que custou 4 bilhões de dólares. Este fato é destacado como muito importante por vários especialistas, porque esta ferrovia abre possibilidades ao aproveitamento do mercado da Etiópia e de todo o mercado da África Oriental.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

 

 

 

 

 

 

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Welcome To The Jungle : Conheça o treinamento que o Exército Brasileiro dá para militares estrangeiros

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Reportagem do Jornal da Record mostra  soldados estrangeiros  em um treinamento de combate, na floresta Amazônica.  O Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) realizou, entre os dias 19 de setembro e 14 de outubro, o Primeiro Estágio Internacional de Operações na Selva (EIOS), que contou com 21 militares de 15 nações amigas. Participaram militares dos seguintes países: Alemanha, Bolívia, Canadá, China, Espanha, Estados Unidos da América (EUA), Guiana, Índia, Japão, Nigéria, Polônia, Portugal, Reino Unido, Sri Lanka e Vietnã.

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Fuzil IMBEL IA2 calibre 5.56X45mm é destaque em dois eventos internacionais organizados pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva.