Defesa & Geopolítica

PRECISAMOS DE MAIS ATENÇÃO

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Autor: Carcará do Cerrado

Precisamos de mais atenção

Mantendo a série: “Perguntas de milhões de dólares!” (afinal elas não tratam de apenas um ou uns milhões).

Em meio a todo o reboliço pelo F-Xato2 acabamos que nos esquecemos um pouco de ver os grandes e bons exemplos de bons negócios que nossas Forças Armadas estão fazendo (ou não).

Vimos recente nosso exército adquiriu blindados sobre esteira do tipo MBT, os Leopard-1A5 para complementar os modelos desse tipo em operação e substituir os antigo M-60 em operação. Se esta foi uma das aquisições mais felizes ou não eu realmente não sei, o comentário geral da mídia e de alguns conhecidos meus do EB é que o Leopard-1A5 é superior aos Leopard 2A1 e A2 e se igualaria aos A3 e A4, vou pedir ajuda aos leitores, pois de terra eu entendo pouco, afinal o Carcará gosta de voar.

Leopard 1A5 foto (Alide)

Não sei se as aquisições do Blindados foram felizes, pois estes vieram usados assim como os M-60 e M-41 que estão sendo substituídos e o próprio Ministro da Defesa citou a certo tempo atrás que o Brasil deveria passar a comprar equipamento novo, ou no popular, o “0 km”. Sendo assim fica a dúvida? Foi uma boa aquisição? Valeria à pena esperar um pouco mais e investir em uma solução nacional (o supra-sumo do sonho de milhares, que seria ressuscitar o Osório)?

Em todo caso nossa força de blindados está recebendo um substancial incremento em sua capacidade, porém esse incremento ainda não será o bastante se não ocorrerem os investimentos necessários para se manter essa força operacional. A arma blindada do exército brasileiro no momento não dispõem da melhor quantidade de recursos para tal, mesmo tendo na IMBEL um importante sustentáculo e centro de tecnologias, ainda não temos o que deveríamos ter.

Além dessa compra o MD assegurou que mais de 2.000 viaturas do tipo Guarani serão produzidas para equipar o EB, notícia muito grata, mesmo que ainda possamos questionar se esse desenvolvimento é o melhor ou não no mercado ele sem dúvida agrega valores à nossa indústria e está baseado em uma capacidade que já possuíamos, já desenvolvemos este tipo de vetor antes.

A marinha segue navegando, as coisas pelo mar ainda são mais com vistas a futuro, menos imediatas que as do Exército ou até mesmo da FAB, mas temos de ver também a realidade da construção naval, que além de ser mais demorada não nos permite a construção de protótipos, ou dá certo ou dá certo. Mas temos a criação da 2ª Frota e aquisição de helicópteros (escolhidos pelo governo) e também dos Sea Hawks, escolhidos pela própria Marinha. Se as escolhas são acertadas ou não também não vou questionar, porém a Marinha tem dado um verdadeiro exemplo de saber negociar conforme o jogo político e está sendo não somente equipada como não está sofrendo alardes ou críticas da imprensa, só depois do fato consumado mesmo.

Agora chegamos a FAB, aí lamento mas vou ter que ser bem menos positivo. Eu realmente fiquei muito empolgado com as aquisições dos C-295 e C-99, mesmo que o primeiro apresente custos operacionais elevados, as próprias equipes e pilotos da Força estão muito satisfeitos com o vetor, ganhamos até competição de pintura com um C-295 do Pelicano! E aí vem a bomba, comprada já algum tempo, mas demonstrando um … não sei nem explicar… o P-3 AM BRANCO (em referência a nossa expressão popular de “Elefante Branco”).


Fizemos razoavelmente bem em comprar o P-3 e tirar o “recheio” americano e colocar um “recheio” espanhol/israelense, já é um começo, porém se não quisermos pegar o exemplo dos EUA onde os P-3 ainda terão uma sobrevida devido ao desenvolvimento do P-8 Poseidon, então vamos para o Chile, nossos hermanos compraram o C-295 de patrulha naval para substituir: BANDEIRULHA e P-3(BRANCO)!

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Oh céus!

Longe de mim questionar a capacidade operacional do P-3AM que é efetiva e muito acima de nossos Bandeirulha de perna curta, mas poderíamos ter seguido e reforçado os vínculos com a CASA (EADS) utilizando seu excelente avião e aumentando até mesmo a disponibilidade de peças para este vetor no Brasil com uma maior quantidade de unidades na frota. O P-3AM sem dúvida alguma significa um aumento na capacidade de patrulha marítima de nossa Força Aérea, mas à que custo?

P-295 Persuader

Meu questionamento nem sequer fica na velha retórica de que: “equipamento americano não é bom”, não, isso é irrelevante, pois o equipamento está tendo seu recheio, ou seja, sua parte interessante toda trocada, mas seu sistemas de armas ainda será dependente de equipamentos complementares americanos (tipo o AGM-84 Harpoon).

Creio que em meio a toda a discussão de transferência de tecnologia sobre o programa F-X2, a aquisição desse vetor pela FAB seja um tanto infeliz, exceto talvez pelo aspecto da necessidade urgente de um vetor de patrulhamento marítimo mais capaz (vácuo deixado desde os tempos do P-2 Neptune), ainda mais dada a incapacidade do Bandeirulha provada no incidente do vôo AF-447 da Air France.

A escolha é infeliz e/ou questionável, ao meu ver, tendo em vista principalmente as possibilidades internas, dado que na década de 70 nós desenvolvemos um avião de patrulha nacional, o Bandeirulha e hoje operamos vetores nacionais com o que há de mais moderno em AEW&C e sensoriamento remoto com os R-99A e B, e indo até além, nós possuímos um vetor comercial do porte do P-8, os aviões da EMBRAER da família 170 e 190, que poderiam ser adaptados com algum esforço à tarefa e não demorariam tanto assim para estarem disponíveis, além de abrir espaço em um mercado muito interessante e sem tantas opções.
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Não vou me atrever a entrar no campo de quem teria sido o responsável por deixar essa oportunidade em nossas mãos ter escapado, se foi a FAB, o Governo ou até mesmo a própria EMBRAER, só sei que aqui eu creio que o termo “perdemos a chance” é real, total e completo.

Se estamos pensando em nos vermos livres de depência tecnológica ou em escolhas estratégicas que privilegiem o desenvolvimento da nossa indústria e capacidade produtiva, todos nós devemos ficar atentos e vigilantes à TODOS os fatos e não restritos somente ao programa F-X2 como nossa nobre mídia e pessoas/instituições influentes tem ficado recentemente.

O programa para a aquisição de um novo vetor de patrulhamento já foi feito e sua decisão pode não ter sido a mais feliz, pois comprou um aparelho usado, sem transferência alguma de tecnologia e com depência de suporte externo, além de equipamentos complementares externos.

Peculiar essa decisão dadas as “virtudes” do programa F-X2 não?
Ps..:: ressalto, novamente, à todos que a aquisição do P-3 significa sem dúvida alguma um aumento na capacidade operacional da FAB no quesito patrulhamento marítimo.

NOTA DO BLOG: Os artigos publicados na seção “O Carcará do Cerrado” não necessariamente refletem a opinião do Blog PLANO BRASIL, os textos são autoria e responsabilidades do autor e não possuem nenhum vínculo oficial ou representa as instituições militares brasileiras.
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