Defesa & Geopolítica

Aviação Naval! Marinha corta metade da verba reservada à criação do Esquadrão de Helicópteros de Belém, mas FAB pode ajudar com cessão de hangar para a unidade

Posted by

Lembrança de Belém: o Pégasus N-7102 proporcionou integração entre os militares da Marinha e da Força Aérea Brasileira

Por Roberto Lopes

 

 

Nas Forças Armadas brasileiras de hoje, para onde se olhe o que se vê é o fantasma da escassez de recursos.

A comitiva de oficiais da Diretoria de Aeronáutica e da Diretoria de Obras Civis da Marinha, que viajou a Belém, no primeiro semestre, para realizar “visita técnica” relativa à criação, nessa cidade, de um novo Esquadrão de Helicópteros Distrital, já embarcou sabendo de uma possível redução da ordem de 50% nos recursos destinados ao estabelecimento da unidade.

Agora, um relatório do setor de Material da Força vai subsidiar a avaliação, pela Alta administração da Marinha (Comandante Leal Ferreira mais Almirantado) sobre o assunto.

Com todo o planejamento aprovado, a Marinha do Brasil (MB) planeja ativar o esquadrão – o quarto desse tipo em todo o país – no âmbito “do projeto de recebimento das aeronaves UH-15 Super Cougar (EC-725)”, conforme informou à coluna INSIDER o Centro de Comunicação Social da Marinha (CCSM).

Uma das grandes contribuições à viabilização do projeto é a boa vontade já manifestada pelo Comando da Aeronáutica em transferir ao Comando do 4º Distrito Naval um dos seus hangares da Base Aérea na capital paraense.

71 horas – Diante disso, no período de 8 de fevereiro a 13 de março, a aeronave UH-15 – matrícula Pégasus N-7102 –, do 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral, sediado em São Pedro da Aldeia (RJ), operou a partir da Base Aérea de Belém.

Objetivo: levantar dados operacionais para a futura criação do esquadrão distrital.

Durante a missão, o destacamento aéreo da MB realizou uma série de adestramentos e operações, além de acompanhar a rotina de manutenção e operações do 1º Esquadrão do 8º Grupo de Aviação (1º/8º GAV) – Esquadrão Falcão –, da Força Aérea Brasileira (FAB).

Equipado com as aeronaves Eurocopter EC-725 Super Cougar (na FAB H-225M, de grande semelhança com os UH-15 da Marinha), o Falcão é, hoje, o mais antigo esquadrão da FAB a voar helicópteros na Região Amazônica.

Sua tarefa: manter o preparo técnico profissional necessário ao cumprimento das missões de busca e salvamento, busca e salvamento de combate, transporte aéreo logístico e evacuação médica no segmento da sustentação ao combate.

No período de 6 de fevereiro a 15 de março, a aeronave do 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-2) realizou operações não apenas na área de Belém, mas em outras, como a Ilha do Marajó (PA) e a cidade de São Luís (MA).

Durante esse período, o Pégasus N-7102 executou os seguintes tipos de missão: voo por instrumentos, rapel, Fast Rope, Pick-up, VERTREP, transporte de pessoal, reconhecimento, inspeções em faróis no litoral de São Luís-MA e Alerta SAR, contabilizando aproximadamente 71 horas de voo.

A missão também contribuiu para a obtenção do CVI (cartão de voo por instrumentos) de quatro pilotos do EsqdHU-2, e a troca de experiência com o pessoal do 1º/8º GAV.

Infiltração – No dia 15 de fevereiro, um “refresco”: os aviadores da Marinha receberam cerca de 40 alunos da Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental “Tenente Rego Barros” que não esconderam seu entusiasmo ao conhecer o UH-15.  A escola, dirigida pela Força Aérea Brasileira (FAB), atende a filhos de militares e civis das proximidades do bairro de Val-de-Cães, na capital paraense.

A criançada da escola “Tenente Rego Barros” foi à Base Aérea de Belém conhecer o Super Cougar da Força Aeronaval

Entre os dias 22 e 23 de fevereiro, o navio auxiliar Pará (U-15) e o rebocador de alto mar Almirante Guilhem (R-24), do Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Norte (ComGptPatNavN), participaram pela primeira vez de exercícios com a aeronave Super Cougar da Força Aeronaval, no rio Pará, para manter a qualificação das equipes de manobra dos navios na realização de operações aéreas.

UH-15 N-7102 operando com o rebocador “Almirante Guilhem”

Em seguida, no período de 24 de fevereiro a 3 de março, o 2º Batalhão de Operações Ribeirinhas realizou o Adestramento para Mestre de Lançamento, com o emprego da aeronave, o que permitiu a realização de ações específicas de infiltração em regiões de mata densa – que impedem o pouso e a aproximação do solo.

Nesse exercício foram colocadas em prática as técnicas de rapel (foto), fast rope e helocasting. O adestramento contou, ainda, com a participação de mergulhadores do ComGptPatNavN e da cadela “Hidra”, que pertence ao canil militar do Batalhão.

Já no período de 6 a 8 de março, a aeronave apoiou o Centro de Levantamentos e Sinalização Náutica da Amazônia Oriental, conduzindo equipes de inspeção ao Farol da Ilha do Medo e ao canal de acesso à Ponta da Espera, em São Luís (MA).

“Tucano”, “Gavião” e “Albatroz” – A Marinha já opera três outros Esquadrões Distritais, a saber:

– 3º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-3) – Esquadrão “Tucano” –, criado pela Portaria Ministerial nº 0054 de 31 de janeiro de 1994 e ativado no dia 14 de abril do mesmo ano, tendo suas origens no Destacamento Aéreo Embarcado da Flotilha do Amazonas (DAE-FlotAM), criado em 1979, na cidade de Manaus, Amazonas.

No início de suas atividades, o Tucano utilizava helicópteros Bell Jet Ranger II (UH-6) de fabricação americana; atualmente utiliza o Helibrás  Esquilo (UH-12).

O Esquadrão Tucano apóia prioritariamente os navios da Flotilha do Amazonas, participando de operações ribeirinhas e patrulhas fluviais, realizando missões de busca e salvamento (SAR), esclarecimento visual, transporte de tropa, evacuação aeromédica (EVAM), ligação e observação, apoio logístico, apoio às operações especiais, reconhecimento armado e ataque aéreo.

Seu lema é “Sobre rio, selva e mar … Tucano!”

– Esquadrão HU-4 – Esquadrão “Gavião Pantaneiro” – criado pela Portaria Ministerial nº 0292 de 16 de maio de 1995, tendo suas origens no 1º Destacamento Aéreo Embarcado (DAE) criado na Base Fluvial de Ladário, às margens do Rio Paraguai, no Mato Grosso do Sul, jurisdição do 6º Distrito Naval.

Seus helicópteros Esquilo monoturbina (UH-12) operam, prioritariamente, com os navios da Flotilha de Mato Grosso e frações do Grupamento de Fuzileiros Navais de Ladário (GptFNLa), participando de operações ribeirinhas e patrulhas fluviais, realizando missões de busca e salvamento (SAR), esclarecimento visual, transporte de tropa, evacuação aeromédica (EVAM), ligação e observação, apoio logístico, apoio às operações especiais, reconhecimento armado e ataque aéreo.

Seu lema é “Gavião, as asas da Marinha no Pantanal”

– Esquadrão HU-5 – Esquadrão “Albatroz” – ativado no dia 25 de junho de 1998, nas antigas instalações da Base de Aviação Naval do Rio Grande, na Ilha do Terrapleno de Leste na Lagoa dos Patos, Rio Grande do Sul.

O Esquadrão Albatroz utiliza os helicópteros Helibras UH-12 Esquilo, realizando operações ribeirinhas e patrulhas fluviais, realizando missões de busca e salvamento (SAR), esclarecimento visual, transporte de tropa, evacuação aeromédica (EVAM), ligação e observação, apoio logístico, apoio às operações especiais, reconhecimento armado e ataque aéreo.

Seu lema é: “Albatroz, as asas da Marinha no Sul”

Aviação de Asa Fixa – A Marinha também informou, por meio do CCSM, que “existem dois oficiais nos EUA concluindo os estágios Intermediário e Avançado da Habilitação em Asa Fixa do Curso de Aperfeiçoamento em Aviação para Oficiais, na aeronave T-45C” (vista abaixo).

A qualificação desses aviadores brasileiros se encerrou no mês passado.

O prosseguimento do envio de pilotos para realizar a fase avançada de sua formação na Marinha estadunidense dependerá “dos estudos que definirão o total de aeronaves, assim como as competências essenciais a serem mantidas pela aviação naval de asa fixa, até a obtenção do próximo navio aeródromo”.

Ao receber o editor desta coluna em seu gabinete, terça-feira passada (01.08), o Comandante da Marinha, almirante Eduardo Leal Ferreira, falou “em três ou quatro [jatos] monopostos e três bipostos”, o que totalizaria de seis a sete aeronaves no Esquadrão VF-1 Falcão, da Força Aeronaval.

A nota da Comunicação Social da Marinha acrescenta:

“Considerando que uma daquelas competências essenciais é o pouso e decolagem a partir de porta-aviões, continuará a ser necessário o envio de pilotos para realizar a fase avançada de sua formação em marinhas que disponham desse tipo de navio.

A escolha preferencial continuará a ser a Marinha dos EUA, de modo a manter a padronização de procedimentos em relação aos pilotos que já passaram por aquele treinamento”.

8 Comments

  1. A MB não deveria criar mais estruturas, as quais não poderá manter e operar, o HU 5 em Rio Grande tem “meio” Esquilo disponível e olhe lá, ou seja, não conseguem manter o que teme vão cria novas estruturas par aumentar ainda mais a miséria a ser distribuída.
    Existem necessidade de uma esquadrão de helis para apoias as ações do distrito naval de Belém, Ok, transfira o HU 3 de Manaus para Belém e reequipe ele com EC 725( que eu não sei como a MB vai manter esta anv fora da Banespa, pois requer manutenção pontual e extensiva), pois lá em Manaus existem unidades aérea de helicópteros e os navios da marinha podem operar com UAv de asa rotativa.

    G abraço

    G abraço

    • Roberto Lopes says:

      Bom dia Juarez.
      Algumas considerações ao seu comentário:
      1- Acredito que a criação do Esquadrão de Belém por meio do emprego de aeronaves Super Cougar é uma evolução, em relação às outras unidades aéreas distritais que usam o valente mas limitado Esquilo; e
      2 – O Super Cougar da Força Aeronaval está indo para Belém, precisamente, pela comunalidade de procedimentos de manutenção que isso irá proporcionar, já que a FAB, na Base Aérea da capital paraense, usa uma aeronave praticamente igual à da Marinha.
      Boa semana.

  2. Furia Nordestina says:

    Nas Forças Armadas Brasileira de hoje pra onde se olhe se se vê o fantasma de escassez de recursos ai eu pergunto qual a novidade não foi pra isso de deram um golpe de estados para colocar Bandidos e lesa-pátrias no poder hoje estamos vendo o total desmantelamento dos projetos estratégico das três forças não vai demorar muito para estarmos na mesma situação da Venezuela ou pior com Michel Temer Aécio Neves Sergio Moro Gilmar Mendes e cia o Brasil vai para o fundo do abismo econômico e social Vamos regredir 500 anos no passado voltaremos novamente a condição de colônia de exploração so que dessa vez seremos colônia dos EUA.

  3. Roberto, e compreensível a atitude, mas não é momento de se criar novas e novas despesas sem receitas e num quadro financeiro ruim.
    Como eu disse, transfiram o pessoal do HU 3 para Belém e reequipem com a Kombi, mas não cri estruturas novas.

    G abraco

  4. Alex Barreto Cypriano says:

    apenas um pêlo em ovo:
    escolha preferencial pela usn e seus 11 cvns catobar? qual seria a outra opção, mesmo? a frança e seu solitário pan?

  5. …………..o que antes era regra virou exceção…antes a MB tinha VERBA…..agora tem verba ocasional…daqui a pouco não terá nada…..continuamos a não ser um país sério…………………

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

shared on wplocker.com