Defesa & Geopolítica

Alta do petróleo paga nova corrida armamentista no Oriente Médio

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Somente a Arábia Saudita está investindo US$ 130 bilhões em programas militares e o Brasil leva um pedaço do bolo

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

Sugetsão:Vitor Martins

24 Junho 2018 | 05h00

A nova área de tensão do mundo é uma velha, muito velha, zona de risco. Os países ricos do Oriente Médio voltaram a crescer em ritmo acelerado desde 2015, sustentados por um novo ciclo de elevação dos preços internacionais do petróleo e do gás, associado à crescente atividade financeira dos bancos regionais.

Iêmen Avibras
Forças sauditas disparam contra rebeldes houthis no Iêmen; sistema Astros-II, da Avibras, será modernizado  Foto: REUTERS/Stringer

O fenômeno permite que os governos locais se empenhem em uma ampla corrida às armas. Caso emblemático, só a Arábia Saudita está investindo US$ 130 bilhões em programas militares – US$ 110 bilhões dos quais dirigidos apenas aos acordos comerciais firmados com os EUA, com execução prevista para durar dez anos. Algumas das encomendas envolvem produtos cujas tecnologias ainda estão em desenvolvimento.

Israel também está gastando um total de US$ 3 bilhões apenas no recebimento de 20 caças F-35 Lightning. A França está mandando supersônicos Rafale-C3 para o Egito. Outras transações, do Reino Unido, Alemanha e Itália, são tratadas sob segredo.

O negócio é tão grande que em 2017 levou o presidente americano, Donald Trump, à capital saudita, Riad, para assinar os termos do entendimento bilateral com o rei Abdullah bin Abdul Aziz al-Saud. O processo envolve também fornecedores da Europa.

O Brasil leva um pedaço significativo do bolo por meio do grupo Avibras Aeroespacial. A operação prevê a modernização de um lote estimado em 60 veículos do sistema Astros-II, lançador de foguetes de saturação, criado e produzido na empresa.

As forças sauditas operam a arma há cerca de 30 anos, usadas em combate nas guerras do Golfo, do Iraque e do Iêmen. Na nova configuração, as baterias vão ganhar capacidades digitais avançadas para permitir o emprego de munições mais modernas, como o míssil de cruzeiro MTC-300, de 300 quilômetros de alcance. A Avibras estaria negociando um lote adicional da versão mais recente do conjunto, o Astros 2020. Tamanho e valor são mantidos em sigilo. A diretoria da Avibras não comentou a informação.

Na aviação da Arábia ainda há outra oportunidade de médio prazo para a indústria brasileira de equipamentos de defesa. O plano reserva cerca de US$ 2 bilhões para a compra de uma frota de aviões de ataque leve e apoio à tropa em terra. A aviação saudita estaria propensa a esperar a escolha da Força Aérea americana que analisa aeronaves para seu uso nesse mesmo tipo de missão. O A-29 Super Tucano, da Embraer, participa da avaliação nos EUA e é considerado favorito: já foi selecionado pelo Pentágono para atuar contra o Taleban e o Estado Islâmico no Afeganistão

Arsenal saudita

A lista de compras da Arábia Saudita no mercado de equipamentos militares dos Estados Unidos envolve contratos no valor de US$ 110 bilhões. Partes do acordo são mantidas em sigilo.

Origem da crise

O crescimento da influência dos grupos radicais xiitas nos governos árabes, com apoio dos aiatolás do Irã, “está além da linha vermelha na escala de preocupações”, sustenta o analista iraniano Hosein Hussein. Refugiado “em um país europeu” desde 2010, ele considera “um desastre diplomático” a saída dos EUA do acordo de controle nuclear com o governo do presidente iraniano, Hassan Rohani.

“Os radicais e a Guarda Revolucionária sob controle do líder religioso Ali Khamenei não precisam de muito mais para iniciar uma campanha anti-Ocidente e anti-Israel”, afirma. Hussein destaca como indicador da mudança na política externa do Irã a inauguração, em duas semanas, do complexo industrial de onde sairão as ultracentrífugas para a planta de enriquecimento de urânio em Natanz. O projeto estava sendo acompanhado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A organização foi afastada do projeto.

Nos termos do tratado de 2015, do qual Trump se retirou, o beneficiamento seria mantido em 3,5%, índice adequado ao uso civil – na geração de energia, por exemplo – podendo chegar a 20% para aplicações medicinais e científicas. Para alimentar armas atômicas o patamar é de 90%.

Para entender

As Forças Armadas americanas têm dado secretamente apoio à Arábia Saudita em sua guerra contra os rebeldes houthis no vizinho Iêmen. No final do ano passado, uma equipe das Forças Especiais chegou à fronteira da Arábia Saudita com o Iêmen e está ajudando a localizar e destruir depósitos de mísseis balísticos e locais de lançamento usados pelos rebeldes para atacar Riad e outras cidades sauditas. A informação revelada pelo New York Times desmente o Pentágono, segundo o qual a ajuda se limitava ao reabastecimento de aeronaves, logística e partilha de informações gerais.

Fonte: Estadão

16 Comments

  1. Viram, pessoal? como é melhor estar ao lado de ganhadores do que de perdedores ideologizados? coitado do México; enfiou os pés pelas mãos nessas eleições; agora serão eles que irão sustentar cuba e venefavela; melhor para nós que seremos um pouco esquecidos por esses loucos e teremos tempo para nos reerguer novamente e até ganhar dinheiro com essas mudanças que ocorrem por aqui para o lado bom da força.

    • Coitado do Mexico mesmo. Como dizem os mexicano, Coitado do Mexico tan lejo de Dios tan cerca de los Estados Unidos. Porque sera que eles tem esse proverbio popular? Tem sempre que estar ao lados dos ganhadores, e eles estao ao lado de um ganhador-mor. Nao entendo.

      • Vc não entende, JOJO, porque vc não entende NADA dos dias de hoje; seu relógio parou em outubro de 1968; está parado no tempo; quanto aos xicanos, se querem ser melhor que os yankes que arrumem a própria casa para que seu povo pare de abandonar o haven latrino e parem de teimar em entrar no inferno estadunidense. rsrssrsrsrsrrssss…

  2. Essa intervenção Saudita no Iêmen provavelmente tem a função de evitar que o fogo venha para dentro de casa. Um Pais que tem perto de 30 mil presos políticos e que recentemente promoveu uma “limpeza” dentro do próprio governo (família) não deve estar em uma zona de conforto, o Exercito Saudita tem experimentado remédios bem amargos lá no Iêmen, apesar de todo material caro que tem a disposição.
    Essas derrotas expõe um paternalismo nas FA, gente indicada para ser de confiança e não necessariamente competente, isso não costuma dar coisa boa principalmente dentro do próprio exercito. Não duvidem que a Arabia Saudita se consuma por dentro apesar de toda a sua aparente força, com o Irã do Mohammad Rezā Shāh Pahlavi aconteceu exatamente assim.
    * já que falaram do México (?????) convêm lembrar que Eles ganharam um belo muro por estar ao lado dos ganhadores.

    Sds

    • Essa intervencao Saudista no Iemem tem tudo haver com com as jazidas de petroleo nao explorado que existe no Yemem. Nao ha porque e petroleo que corree abaixo da terra onde situam-se os dois paises vai obedecer leis humans e respeitar fronteira. Nao.Existe petroleo no Iemem e muito, como existiu muito petroleo na Arabia Saudista e agora esta se exaustando. E a exaustao do petroleo saudista que motiva Arabia Sudista interferir no Yemem.

      • Sr JOJO
        “Essa intervencao Saudista no Iemem tem tudo haver com com as jazidas de petroleo nao explorado que existe no Yemem”
        Com certeza as reservas de petróleo estão nessa equação. Mas a ameaça da rebelião se espalhar para dentro de território Saudita é provavelmente o maior motivo da intervenção. Convenhamos que um Pais que é uma ditadura familiar e que tem 30 mil presos políticos só pode ser estável a base de muita repressão.

        Sds

      • que me desculpe Muttley mas o senhor esta enganado. Essa historia que os rebeldes do Yemen contra o governo central que e fantoche da Arabia Saudista sao agentes do governo do Iran e propaganda.
        Essa propaganda foi inventada pelo governo central do Yemen pelos propagandistas a servico da arabia Saudista e que depois a midia do Ocidente na decada 1990, Ate entao os termo Sunis e Shias praticamente nao era usado no Yemen pela simples razao que os rebeldes,os Houthis nao sao Shias,sao Daydis, um movimento religioso que separou-se do Shia no Seculo VIII. Existe documentos produzidos pela Embaixada Norte Americana no Yemen que diz claramente que o governo central do Yemen estava inventando esse vinculo entre os Daydis Houthis e o Shia do Iran.
        O fator importante crucial que leva Arabia Saudista agredir Yemen e realmente a vasta reserva de petroleo e gaz que existe no Sul do Yemen e o fato que as reservas de petroleo da Arabia Saudista esta exaurida
        ta. apos mais de 50 anos de intensiva exploracao. O resto e propaganda, desinformacao para encobrir o motivo real atras dessa intervencao Saudista.

  3. E ainda assim levam um pau do Irã sozinho.
    Só Israel teria alguma chance contra o Irã, isso se receber muita ajuda dos EUA e Europa igual na guerra do Yom Kipur.

    • HMS TIRELESS says:

      Israel acabou com todas as infraestruturas iranianas na Síria no mês de maio e está rotineiramente bombardeando as milícias iranianas no país árabe. Se informe melhor acerca dos contínuos revezes sofridos pelo regime fascista iraniano ante às IDFs antes de ficar dando bola fora por aqui!

    • rsrrsrsrssss… cada um acredita no que quer… tem gente que acreditou até no lula. 🙂

  4. Impressionantes as cifras… E chama mais atenção aqui o número de armas guiadas; mais de 104 mil artefatos!

    O investimento bruto no sistema THAAD também é algo de cair o queixo. Sete baterias consiste em, no mínimo, 21 unidades de tiro e sistemas relacionados ( radares de vigilância, veículos de apoio, etc ), com foco provavelmente em ataques de MRBMs iranianos.

  5. Se a Arábia Saudita mostrasse o desmpenho militar a nível dos seus gastos seria uma potência quase imbatível.

    • A Máquina Troll says:

      Enquanto em nações como a arábia saudita seus xeques torram toda a riqueza do pais gerada pelo petróleo em Ferraris banhadas a ouro ou em boings 747 para dar de presente a suas filhas nos aniversários de 15 anos delas…o Irã investe no futuro…investe no desenvolvimento e na capacitação de sua nação…enquanto em nações como a arábia saudita seu rei déspota torra toda a riqueza do pais gerada pelo petróleo em armamentos de prateleira dos eua…em clientelismo, submissão, vassalagem, subserviência e entreguismo a estrangeiros…o Irã investe em ciência, tecnologia, industrialização e Know-how…investe na nacionalização de seus meios..e assim de forma gradual e gradativa vão conquistando sua independência e progresso…não é a toa que querem de todo o jeito arruinar ou destruir esta nação hoje…

      pois em nações livres e soberanas não se consegue por correia e explorar…não se consegue colonizar…no caso do Irã não é só por uma questão de ambição mas acima de tudo por uma questão de necessidade…pois o pais guarda uma das maiores jazidas de petróleo do mundo..e por conta disto é alvo continuo e persistente de rondas, sondagens, espreitas e incursões de todo tipo tanto de países vizinhos como de potencias corsárias de lugares distantes…incursões estas que vão desde ações militares a guerra econômica promovida por sanções ou bloqueios econômicos…

      as fortunas que os xeiques e os príncipes da arábia saudita ostentam com carros de luxo banhados em ouro e com palácios de centenas de quartos algum dia vai acabar…pois petróleo não cresce em arvore…é uma fonte de energia assim como uma fonte de renda não renovável…as jazidas de petróleo do pais deles algum dia secarão…e o futuro deles será voltarem a catar conchas pra viver…como faziam antes…

      existe uma grande diferença entre investir e gastar…é um fato observável…quem acompanha este blog se prestar atenção percebera como a maior parte das noticias a respeito do Irã é sobre investimentos em tecnologia, industrialização, capacitação e produção local tanto no campo civil como militar…enquanto que a maior partes das noticias sobre a arábia saudita é só sobre gastanças de prateleira…a arábia saudita é um dos países que mais gastam com defesa no mundo(56,9 bilhões de dólares)…é a quarta no ranking das nações que mais gastam com defesa…mas a maior parte de toda a fortuna torrada é apenas com compras de prateleira…diferente do Irã que se esforça mais em investir em tecnologia nacional e produção local …não investem na auto-suficiência e na tecnologia nacional como o Irã…

      a maior parte da fortuna ganha com a venda de petróleo é gasta nos eua com compras de prateleira…o que significa no fim das contas que a maior parte do dinheiro gasto pelos eua no petróleo deles volta para os cofres estadunidenses…o pais não se compromete para desenvolver e produzir tecnologia nacional como o Irão se esforça…seus investimentos nisso são pífios e sem expressão se comparados com países como o Irão, Turquia ou Paquistão…faz poucas décadas que os Iranianos se libertaram da colonização estadunidense, que se deu através do regime Mohammad Reza Pahlavi….e o pais neste tempo foi mantido no atraso/subdesenvolvimento e no clientelismo/submissão/subserviência aos eua..desta forma o pais tem um longo caminho para se recuperar…tem um longo trabalho para recuperar o tempo perdido…o que explica naturalmente seu progresso a paços engatinhados…

  6. Iêmen foi um efeito colateral da primavera árabe

  7. A monarquia teocrática saudita necessita renovar frequentemente seu estoque de armas e munições, afinal, o gasto que ela tem com suas forças armadas no Iêmen é constante…

    Fora o o fornecimento subterrâneo para os “exércitos milicianos” do ISIS; Al-Qaeda; Al-Nusra,etc..

    Esta semana os milicianos destas forças terroristas na cidade de ‘Busra Al-Sham’ (localizada junto a fronteira da Síria com a Jordânia) se renderam ao exército sírio,
    olha só o estoque de armas e munições que eles entregaram (isto só nesta pequena cidade…)

    https://www.almasdarnews.com/wp-content/uploads/2018/07/20180704-058_web_1280x720_2000.mp4

    Aja dinheiro para financiar “revoluções” e guerras civis!

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