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A recuperação de meios: Encerrados os reparos que se arrastaram por 31 meses, a Marinha devolve este mês ao serviço, na hidrovia Paraguai-Paraná, a LBAI ‘Lufada’

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A LBAI “Lufada”

Por Roberto Lopes

A recuperação de meios parece ser mesmo uma das marcas da gestão do Comandante da Marinha, almirante Eduardo Leal Ferreira.

E isso pode ser observado tanto nos casos da devolução de navios de grande porte ao setor operativo da Esquadra, quanto nos serviços que se processam sem alarde, longe da costa, de forma a garantir que as embarcações militares se mantenham atuantes nas hidrovias.

No Arsenal de Marinha e na Base Naval do Rio de Janeiro há, nesse momento, um esforço visando a prontificação e disponibilização da fragata Defensora (F-41) e das corvetas classe Inhaúma Jaceguai (V-31) – que dias atrás esteve em Santos (SP) em navegação de teste – e Júlio de Noronha (V-32) – todos navios parados há vários anos, devido a diferentes circunstâncias.

E a 1.855 km do Rio, na Base Fluvial de Ladário (MS), o Serviço de Sinalização Náutica do Oeste (SSN-6 por estar na área do 6º Distrito Naval) comemora o fim da demorada inatividade da Lancha Balizadora de Águas Interiores (LBAI) Lufada.

Ao longo de dois anos e sete meses foram feitos diversos reparos na embarcação, como (a) a instalação de dois motores principais novos, (b) a retirada, manutenção e reinstalação de dois motores auxiliares, (c) a instalação de dois reversores novos, (d) a renovação de toda a parte elétricae (e) o acabamento dos demais compartimentos.

Segundo a coluna INSIDER pôde apurar, a demora na recuperação da lancha deveu-se, em parte, à escassez de recursos, mas também à superação das dificuldades encontradas para o equacionamento dos serviços técnicos de engenharia de Modernização do Sistema de Controle e Monitoração da Propulsão e dos Motores Auxiliares da unidade.

De qualquer forma, a Marinha já montou um grupo de trabalho para examinar a aquisição de novas embarcações de balizamento de águas interiores.

No último dia 6, com o fim da manutenção, a lancha Lufada desatracou de Ladário com o objetivo de testar o seu grupo propulsor em uma situação de emprego real. Nesse sentido a unidade foi designada para realizar, durante quatro dias, diversas atividades de balizamento – e respondeu de maneira positiva às exigências do trabalho.

A experiência de máquinas foi finalizada na segunda sexta-feira de dezembro passado (09.12.2016), e neste mês de janeiro a lancha já realizará a sua primeira comissão. Sua autonomia de navegação/trabalho é de 20 dias.

Além das LBAI Lufada e Piracema, o SSN-6 dispõe do Aviso Hidroceanográfico Fluvial Caravelas (H-17) – antiga embarcação de turismo Sereia do Pantanal –, de 25,8 m de comprimento e 100,3 toneladas de deslocamento, incorporado em maio de 2014.

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O aviso hidroceanográfio fluvial “Caravelas” quando de sua incorporação, em maio de 2014

Todos barcos que não cumprem uma rotina de atividades em prol somente da Segurança da Navegação nas águas jurisdicionais brasileiras.

Paraguai e Bolívia – Em função de acordos de cooperação com a Armada Paraguaia e com a Armada Boliviana, o SSN-6 faz também a batimetria em parte da Hidrovia Paraguai-Paraná (HPP) sob jurisdição do Paraguai e no Canal Tamengo/Lagoa Cáceres, principal ligação da Bolivia com o Rio Paraguai.

O trabalho do SSN-6 contribui para a segurança da navegação, operando, mantendo, instalando ou desativando sinais de auxílio à navegação e propondo modificações em função de alterações de batimetria ou de características do tráfego fluvial.

Paralelamente, o SSN-6 realiza levantamentos hidrográficos periódicos ao longo do Rio Paraguai e seus principais afluentes, pré-processando os dados coletados e encaminhando-os ao Centro de Hidrografia da Marinha (CHM),  Rio de Janeiro, onde servirão de elemento para construção ou para atualização de cartas náuticas.

A Hidrovia Paraguai-Paraná corta a América do Sul no sentido norte-sul, em uma extensão de 3.442 quilômetros, partindo da Cidade de Cáceres, no Estado do Mato Grosso, e descendo até Nueva Palmira, no Uruguai.

A via fluvial permite a ligação direta do centro-oeste brasileiro e de países encravados da América do Sul – o Paraguai e a Bolívia – com o Oceano Atlântico.

Pela proximidade da HPP com regiões ricas em produção de minério e grãos, grandes comboios com cargas saem de terminais localizados principalmente em Corumbá (MS), com destino às capitais do Mercosul: Assunção, Buenos Aires e Montevidéu.

Assim, em alguns de seus trechos, a HPP determina a fronteira do Brasil com a Bolívia e o Paraguai.

No Rio Cuiabá, o SSN-6 atua em uma extensão de 598 km, desde a Cidade de Cuiabá (MT) até a sua foz no Rio Paraguai.

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