Defesa & Geopolítica

A faina da recuperação! MB marca a volta da ‘Noronha’ às operações para o fim do ano, e tem quase prontos os estudos que subsidiarão as decisões do Almirantado no tocante à revitalização das FCN e da CV ‘Barroso’

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Corveta “Júlio de Noronha”

Por Roberto Lopes

 

 

O esforço de recuperação de meios, uma das marcas registradas da gestão Leal Ferreira na Marinha, está perto de mostrar os seus primeiros resultados.

O Comando da Força considera que, após um período de inatividade de aproximadamente nove anos (!), a corveta Júlio de Noronha (V-32) estará “plenamente operativa até o final do segundo semestre de 2017”, conforme informou à coluna INSIDER uma nota preparada pelo Centro de Comunicação Social da Marinha (CCSM).

O barco se encontra, atualmente, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), realizando a última docagem do seu Período de Manutenção Geral/Período de Modernização de Meios (PMG/MOD).

Trata-se da realização de serviços rotineiros de um navio docado, como jateamento, soldagem e substituição de chapas, recomposição de pintura, reparos em caixas de mar, troca de anodos de proteção, inspeção do sistema de governo e dos estabilizadores.

Após a desdocagem, prosseguirão os serviços de comissionamento da propulsão.

Em outubro de 2016 a corveta desatracou do Cais Sul do AMRJ (foto) para realizar um fundeio operativo nas proximidades da Escola Naval.

Entre os dias 20 e 21 daquele mês, a “Noronha” realizou verificações de sistemas e da propulsão, além de adestramentos para o pessoal que guarnece as estações de manobra, convés, máquinas e controle de avarias.

Objetivo: uma experiência de máquinas para o comissionamento das unidades de controle local dos motores de combustão principais, prevista para o mês seguinte.

Agora os sistemas, sensores e armamento que já foram reparados estão sendo paulatinamente comissionados e testados. Após essa etapa serão incrementados os adestramentos das equipes de bordo, visando a reintegração do navio à rotina operacional da Esquadra.

Equipamentos – Nove anos atrás, uma análise da revitalização requerida pela Júlio de Noronha calculou o gasto com o serviço (incluindo a melhoria das áreas habitáveis da embarcação) em R$ 13,8 milhões.

Naquela época o que se pensava recuperar era, principalmente, a propulsão; mas também se previa a substituição de alguns outros sistemas e sensores – como o sistema tático de comando, controle e combate.

A modernização compreenderia as seguintes instalações:

Sistema SICONTA Mk.4;

Radar de busca combinada Selex Sistemi RAN-20S bidimensional;

Radar de DT Selex Sistemi RTN-30X;

Radar de navegação Furuno FR 8252;

MAGE – DEFENSOR;

Sistema de Navegação Inercial – SIGMA 40 INS (SAGEM);

Sistema de Controle e Monitoração SCM;

Jaceguai – A corveta “Jaceguai” (V-31), que já chegou a fazer uma travessia Rio-Santos para teste de motores, também cumpre extenso programa de adestramentos e de exercícios, visando a qualificação das suas equipes nos trabalhos e manobras próprias dessa classe de navio.

No que diz respeito ao material, prossegue a revisão geral do motor gerador nº 4 e o reparo de seus grupos de osmose reversa.

No agrupamento dos escoltas de maior porte, apenas três Niterói e a corveta  Barroso (V-34) serão submetidas às atualizações que os seus diferentes sistemas requerem.

Recomposição – Segundo o CCSM, os estudos que vão amparar as decisões relativas a esse serviço “estão praticamente finalizados e serão apresentados em curto espaço de tempo à decisão da Alta Administração Naval” (Comandante da Marinha mais Almirantado).

Nesses navios, o programa de revitalização pode ser dividido em duas partes: a da atualização de sensores, sistema de combate e armamentos, e uma outra, referente a períodos de manutenção das plataformas, “cujo escopo tratará, primordialmente, da parte estrutural dos navios, e dos sistemas de propulsão, geração e distribuição de energia elétrica, comunicações e ar condicionado”.

A fragata Defensora (F-41) tem seu retorno ao setor operativo da Armada previsto para o primeiro semestre do ano que vem.

Ela deixou o Dique Almirante Jardim, no AMRJ, no dia 15 de março (foto abaixo); quatro meses mais tarde – a 13 de julho – recebeu os seus dois últimos motores propulsores.

Sua tripulação procede, agora, a testes com os diferentes equipamentos que já foram e ainda vem sendo embarcados no navio – etapa prévia à realização das provas de mar.

Embarque dos dois últimos motores da fragata “Defensora”, em julho

Estão sendo experimentados os motores de combustão principal (MCP) e os de combustão auxiliares.

O pessoal do barco também trabalha no restabelecimento dos sistemas de refrigeração e de ar comprimido, além da recomposição do sistema de combate, que deve se prolongar até dezembro deste ano.

Rimpac – A recuperação dessas fragatas e corvetas servirá para aliviar a carga de comissionamentos que recai, hoje, sobre unidades que já vem sendo exigidas no rodízio de embarcações na costa do Líbano e em operações multinacionais de patrulhamento do Golfo da Guiné, na costa ocidental da África.

Mas tanto a Esquadra como o Comando de Operações Navais ainda são comedidos acerca da previsão de empenho das suas unidades em outras jornadas a longa distância.

A coluna INSIDER perguntou ao CCSM sobre a resposta que será dada à solicitação recebida da Marinha dos Estados Unidos, para que a MB se faça representar na RIMPAC 2018.

“O convite está em avaliação pelo Comando de Operações Navais e a Marinha poderá participar do exercício com o envio de navio ou apenas de pessoal nas fases de planejamento e execução, de acordo com a disponibilidade de recursos financeiros”, foi a resposta da Comunicação Social da Força.

A operação Rim of Pacific, no eixo Havaí-litoral do estado americano da Califórnia, é o maior exercício naval multinacional do mundo.

Ano passado a Força Naval brasileira cancelou sua participação, em razão da indisponibilidade de meios e das restrições financeiras.

Avisos-Rádio – Mas é certo que a MB mantém bem vivo o seu desejo de operar longe da costa, e, até mesmo, longe do Atlântico Sul.

Na entrevista concedida à coluna INSIDER, terça-feira passada (01.08) à tarde, o Comandante da Marinha, almirante Eduardo Leal Ferreira confirmou que, apesar da escassez de recursos, a Força mantém um Adido Naval em Adis Abeba, a capital etíope de 3 milhões de habitantes que sedia a União Africana.

Adis Abeba

Esse oficial chegou ao posto em 2015, época em que se pensava fosse ser possível que um navio da Esquadra compartilhasse com barcos da Agência Europeia de Defesa e da Otan (Organização para o Tratado do Atlântico Norte) o patrulhamento anti-pirataria do chamado Chifre da África – como, por sinal, já faz a Marinha da Colômbia (com a assistência da Marinha espanhola).

O Comando da Força Naval tem muitas preocupações com o tráfego dos navios mercantes de bandeira brasileira em áreas marítimas consideradas perigosas.

“Há alguns anos a Marinha do Brasil emite regularmente Avisos-Rádio Náuticos advertindo os navios mercantes de bandeira brasileira sobre os perigos da operação nas áreas do Leste da África”, esclareceu uma nota do CCSM enviada a esta coluna, “em especial na costa da Somália e Mar da Arábia, orientando-os a manter alto nível de vigilância e a incrementar as medidas de segurança a fim de evitar atos de pirataria”.

Mar da Arábia

19 Comments

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  2. Este almirante e um exemplo de como fazer muito com pouco parabéns almirante Leal o senhor e um exemplo a ser seguido.

  3. Realmente é uma ótima notícia diante da crise financeira que a MB enfrenta. Parabéns ao Cmdo da MB!!! Melhor ainda seria se a MB podesse participar com embarcações, tanto da RIMPEC quanto do patrulhamento do Chifre da África. No meu pouco conhecimento, sei que quem não exercita fica para trás.
    E parabéns pela matéria.

  4. Sempre fui e sou um dos críticos da MB, pois ao longo de duas décadas cometeu muitos erros, que não cabem ser citados neste comentário, de tantos que foram, mas na gestão do atual Almirante Leal e sua equipe da MB (merecem as patentes que possuem pois estão otimizando milagrosamente o orçamento com efetividade) merecem aplausos pelo ótimo trabalho prestado, não digo por casos individuais, mas pelo todo.
    O retorno da corveta Julio de Noronha e Jaceguaí serão um alívio para a esquadra, que anda cansada, exigindo muito de seus meios, e devido a manutenção e modernização sofridas poderão atuar durante bons anos, dando tempo para que a MB possa analisar friamente o projeto das CCT.
    Quanto ao retorno da fragata Defensora, por mais que seja uma boa notícia, é necessário um processo de busca mais aproximado das atuais forças onde estão as possibilidades de obtenção (via descomissionamento) de fragatas, pois a forma como as atuais fragatas estão sendo utilizadas (até o ultimo “suspiro”) não seria estranho que alguma(s) ter(em) que sair da operativa antes do tempo previsto, e isso seria péssimo para a MB, já que hoje nossas fragatas representam a ponta da lança em meio as escoltas.

  5. Brava zulu a Marinha do Brasil.

  6. quis dizer Bravo zulu MB.

  7. Prezado Roberto Lopes voçe pode apurar a info de que o ndcc mattoso maia
    vai dar baixa,porque na LAAD 2017 no stand da engeprom foi divulgado
    que o navio estava na fase final de revitalização com volta prevista para o fim
    de 2017.

  8. ………….. a MB pelo que já está fazendo com essa corveta,poderia tbm fazer com todos os outros vasos que ainda sejam reaproveitáveis, já que dinheiro tornou-se “avis rara” na Fôrça, … o pouco que tem quer gastar com corvetas novas quando nem se completaram os Patrulhas Macaé ou seja antes de cuidar dos primeiros projetos mais simples parte-se pra projetos mais complexos e caros o que mostra o quanto carece de racionalidade seu processo decisório….ao continuar desse modo como terminará o PROSUB, o seu principal programa??………

  9. Em minha humilde opinião tanto a Marinha quanto as demais forças deveriam ter uma grande reformulação, pois o governo federal mantem nossas forças armadas numa situação bastante peculiar quando comparadas a outros países.

    Nossas forças armadas cumprem o papel de guarda nacional, policia, guarda costeira etc, sem o devido reconhecimento.

    Por isso temos grandes efetivos e poucos meios disponíveis, como caças, fragatas etc.

    Basta comparar com países que possuem mais de 300 caças com metade dos efetivos que temos na FAB por exemplo.

    O governo federal deveria criar uma guarda nacional, guarda costeira e uma guarda aéria com recursos justificados como segurança publica.

    Ai iriamos separar os recursos para defesa externa, e essas forças poderiam continuar a fazer parte integrante de nossas forças armadas, mas com recursos devidamente justificados e até abonos salariais também justificados.

    Vamos analisar quanto o governo federal gasta em segurança publica e veremos que esta tudo errado, alem de misturar a suas responsabilidades de segurança interna e externa nas forças armadas, até o efetivo da Policia Federal é extremamente pequeno (apenas 20 mil homens para um pais com 200 milhões de habitantes) só para comparar a Policia Civil do Estado de São Paulo tem 70 mil homens para garantir a segurança de apenas um estado.

    O Governo Federal mistura e negligencia as suas responsabilidades com a segurança de nosso pais, com os recursos e efetivos mal gerenciados e justificados.

    Por isso nossas Forças Armadas estão nessa situação onde temos mais de 80 mil efetivos na MB e pouquíssimos recursos para defesa externa de nosso pais.

    Ai vai uma sugestão para os nossos governantes.

  10. deixa eu traduzir , depois de nove anos
    um exemplo fica mais fácil
    um fusca fusca ficou na garagem por nove anos , porque já tínhamos outros meios melhores e estávamos atrás de outros
    mas ai chegou a crise e aquele fusca que estava 9 anos na garagem agora ,vai começar a ser feita uma manutenção para que ,ATE O FINAL DO ANO ,ele volte a operar
    ok vamos ler o texto

    o comandante do EB já se manifestou que não tem dinheiro para nada ,e se manifestou da forma mais humilde mais simples que ele podia fazer ,o da marinha esta ai colocando na ativa navio nove anos parado

    então não vi nada para se comemorar

    uma noticia triste de ver , leem a matéria toda , e vejo que estão trocando as rodas com o carro andando

    pelo menos como o guerreiro falou fica ai o adestramento da tropa

    esse governo atual voltou com força total ao plano do Fernando Henrique que era de transformar as forças armadas em NADA e por fim chegar na sociedade aquela elite nojenta e falar assim eles dao muitos gastos

    e o que da gasto é a democracia e essa casta judicial que segura esses políticos corruptos em seus postos

    • Não da para fazer uma comparação deste tipo pois um navio tem outros valores envolvidos são R$ 13,8 milhões em uma manutenção deste tipo alem de um tempo que varia em anos para a sua execução.

      O navio quando modernizado não é obsoleto pois seu armamento é moderno e na pior das hipóteses serviria muito bem para patrulha oceânica.

      São vários fatores a serem analisados antes de modernizar um navio não é tão simples assim.

      • Munhoz primeiro que ainda ira acontecer nem aconteceu ainda se espera que ate o final do ano
        mas falando em comparações comparei com o fusca para pegar pesado mesmo

        veja o fusca vale uns cinco mil ai eu invisto uns treze mil só em um som alto falante etc e tal rs , vai ficar legal
        sim para quem gosta de ouvir musica alta ,mas se for correr ao lado de um outro carro que foi feito para corrida e já veio com um som legal e já é feito com a tecnologia de hoje em dia ,a capacidade de carga de km por litro de gasolina e por ai vai

        então continuar sendo um fusca
        mas o que disse é que não é uma noticia boa e sim apenas para como você mesmo disse patrulha e adestramento

        nem penso em guerra .

        o que percebo que no máximo seremos carne de canhao de alguma potencia ou boi de piranha para ser usado como ponta de lança contra algum desafeto de alguma potencia

        por isso não vou me iludir , e para completar isso é apenas o começo da ponta do iceberg da ingerência desse governo pois os cortes que ele assinou são para 20 anos e ele tem apenas 2 no comando então esse barco vai se for sair primeiramente ok pois nem isso aconteceu ainda ficara por décadas na ativa

        e é para achar que a noticia é boa

  11. Roberto, o CM comentou sobre modernização de armamentos da Barroso e das FCNs, se estes seriam abrangidos ?

  12. Roberto Lopes says:

    Boa tarde, Juarez.
    A nota que recebi do CCSM por escrito fala sim em modernização do armamento, mas desconfio que isso vai acontecer de forma mais significativa na “Barroso”.
    Te explico porquê:
    Durante a entrevista, o CM falou muito rapidamente assim:
    “ainda que o armamento da Niterói não possa ser usado completamente…”
    E, em outro momento:
    “O armamento que resta à Niterói permite que ela seja usada como navio-patrulha…”
    Fiquei com a impressão que o destino da “Niterói” (pelo menos) é o aproveitamento como navio-patrulha oceânico.
    De qualquer maneira seria difícil para o CM ser mais exato, já que as propostas de revitalização para as FCN e para a “Barroso” só começam a ser apreciadas na reunião do Almirantado do fim do mês.
    Bom sábado.

  13. Roberto Lopes qual o futuro das fragtatas Greenhalgh e Rademaker?

    • Roberto Lopes says:

      Segundo depreendi da conversa com o Comandante da Marinha, Fabio, elas não serão desativadas por enquanto.
      Ficarão até o fim da gestão Leal Ferreira servindo a comissões de menor alcance. A “Rademaker”, ao que sabemos, está em melhor situação do que a “Bosísio”.

  14. Renato de Mello Machado says:

    Isso é ruim porque se batesse o pé e falasse quê não dá, tem de ser novo e tal ou eles, governo autorizam a compra ou não tem MB.Foi assim com os F-5 e as outras velharias que compõe a FAB,ficaram dando jeitinho e vão ainda fazer por muito tempo,então a situação vai ser sempre assim.Manter um navio velho ou F-5,submarino,tanque entre outros não é motivo de orgulho e capacidade é vergonha!

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