Defesa & Geopolítica

O conceito de veículo Blindado 6×6 está obsoletos ?

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Imagem Armyrecognation

Por Mateus Barbosa exclusivo para o Plano Brasil

Muitas pessoas questionam o Porquê de o Exército Brasileiro seguir com o conceito de viaturas blindadas em chassi 6×6 em vez do famoso 8×8, mas, não é uma simples questão de preferência. Para o estabelecimento de requisitos sobre o desenvolvimento de uma viatura blindada muitas questões têm que ser discutidas antes, quais são as pretensões do operador para com esse meio? Quais são os desafios logísticos que o usuário terá que sanar para a operação do meio? e principalmente qual é a realidade orçamentária do usuário ? Como já é de conhecimento de todos o Orçamento de Defesa Nacional vive uma “luta” em questão de disponibilidade de verbas e perenidade de investimentos em projetos estratégicos para modernização das Forças Armadas, e quando falamos em Projeto estratégico nacional de Viaturas Blindadas o primeiro que vem à mente é o  Viatura Blindada de Transporte de Pessoal – Médio sobre Rodas (VBTP-MR) Guarani que segue o conceito do seu antecessor ( Engesa EE-11 URUTU) em chassi 6×6.

Iveco Guarani exportado para o Líbano

Quais são as pretensões do EB para com o VBTP Guarani? A Resposta é simples, modernizar a Infantaria motorizada transformando-a em Infantaria mecanizada equipando a força com um meio que atende a atual realidade operacional, e quais os desafios logísticos do EB para com o VBTP Guarani? Como ele segue o mesmo conceito de seu antecessor isso não causará um maior impacto logístico muito grande como seria um meio totalmente diferente, Então Porque o EB escolheu investir no Guarani 6×6 para depois tentar uma variante 8×8? isso também é simples, o Exército Brasileiro no início do programa Guarani especulava a demanda de 2044 viaturas do tipo e depois foi “enxugada” para 1580 viaturas, ainda sim um número relativamente grande (veículo de massa), e como é que a força conseguiria adquirir e operar essa vasta quantidade de meios? o veículo deveria ser barato tanto de adquirir quanto de operar, mas ainda assim não deixando de atender todos os requisitos operacionais que a força estabeleceu. Investir nesse tipo de viatura não é uma particularidade do Brasil e hoje veremos alguns exemplos (dentre vários) de países que também apostam em veículos blindados 6×6:

-França:

A França está investindo em 2 viaturas blindadas 6×6 sendo elas o Jaguar e o Griffon. A origem do Jaguar se dá na percepção do Exército Francês da necessidade de se substituir três tipos de veículos de combate, AMX-10RC, ERC-90 Sagaie e o veículo lança mísseis anti tanque VAB HOT por um modelo multifuncional que centrasse as capacidades destes três modelos em uma só viatura, permitindo a facilitação da cadeia de fornecimento de peças e facilitando a manutenção e, claro, levando a uma economia em custos operacionais. Além disso, o ambiente do campo de batalha é dinâmico, e a necessidade de um veículo de porte menor para operações em áreas urbanas, além de uma maior variedade de armas instalados para a flexibilizar o emprego operacional se fez necessário.

Dentro deste contexto, no final do ano 2014, três grandes empresas francesas, a Renault Trucks Defense; a Nexter Systems e a gigante Thales se uniram em um consórcio para desenvolver e fabricar dois tipos de veículos militares para o, agora chamado “programa Scorpion”. Um dos frutos deste programa foi o veículo multi-função blindado (VBMR) Griffon. O seu irmão mais “nervoso” foi o Jaguar EBRC, cujo perfil de equipamentos e armamentos instalado o coloca como um protagonista do combate bem dentro do campo de batalha.

Jaguar EBRC ao lado de um de um VBCI (Véhicule Blindé de Combat d’Infanterie) 8X8.

-Turquia:

A Turquia opera uma vasta gama de viaturas da Otokar, dentre eles veículo blindado modular sobre rodas múltiplas Arma 6×6, com altas características táticas e técnicas, oferece mobilidade superior, alta proteção contra minas e balísticos, bem como opções de integração de sistema de armas de médio e alto calibre. O ARMA também vem com uma versão anfíbia opcional para operações de manutenção da paz e ajuda humanitária nas condições mais exigentes de terreno e clima.

O ARMA 6×6 se destaca especialmente com sua alta carga de batalha e grande volume interno. O ARMA pode ser equipado com diferentes armas e torres de acordo com as necessidades. A família ARMA pode ser usada para diferentes missões como veículo blindado de transporte de pessoal, veículo de combate blindado, controle de comando, veículo de reconhecimento CBRN, enquanto diferentes sistemas de armas podem ser integrados ao veículo.

-Coreia do Sul:

A Coreia do sul com objetivo de construir forças de resposta rápida moldadas após as brigadas de combate US Stryker escolheu a família de blindados KW1 Scorpion, foi acordado que metade da família como as versões de viatura de transporte de pessoal, viatura blindada de combate, viatura caça tanques e viatura evacuação médica, seriam todas em chassi 6×6. A Doosan, mesma empresa do KW1 apresentou o veículo blindado pesado sobre rodas Tarantula 6×6 90mm para a Indonésia fazendo alusão também a possibilidade do Exército Brasileiro pode padronizar a Infantaria Mecanizada e a Cavalaria Mecanizada com a mesma plataforma(Guarani 6×6) realizando uma adaptação do atual VBTP 6X6 para um Veículo Blindado de Reconhecimento(VBR) com canhão de 90mm.

-Indonésia:

Além do contrato com a Doosan para o Tarantula 6×6 90mm a Indonésia possui sua própria viatura blindada utilizando o chassi 6×6, essa plataforma é o Anoa(nome baseado em um tipo de búfalo indígena da Indonésia). O Veículo de transporte de pessoal blindado Anoa da Indonésia foi desenvolvido pela Pindad. Seu desenvolvimento começou em 2004 com o primeiro protótipo deste veículo blindado sendo revelado em 2006. Assemelha-se ao francês VAB 6×6. A produção começou em 2008. Um total de 150 desses APCs foram planejados para serem produzidos para o Exército Indonésio. Alguns países demonstraram interesse em comprar o Anoa. Algumas fontes afirmam que Omã ordenou 200 dessas APCs. O casco blindado do Anoa fornece proteção completa contra rondas de perfurantes de 7,62 mm. O piso do casco suporta uma explosão de mina antitanque de 8kg.

Pindad APS-3 “Anoa”

Em ordem de combate, os para-brisas dianteiros são cobertos com persianas blindadas para maior proteção. O veículo de transporte de pessoal blindado da linha de base Pindad Anoa é equipado com uma cúpula blindada que monta uma metralhadora de 12,7 mm ou um lançador de granadas automático de 40 mm. Este APC tem uma tripulação de três, incluindo comandante, artilheiro e motorista. Ela acomoda até 10 soldados de infantaria totalmente equipados. Comandante e motorista entram e saem do veículo pelas portas laterais, enquanto as tropas saem pelas portas traseiras ou escotilhas do teto. Existem inúmeras portas de disparo com blocos de visão associados, fornecidas para os ocupantes. O APC Anoa 6×6 usa o motor e a transmissão da Renault, no entanto, opções nacionais estão sendo desenvolvidas como substituto. O motor está localizado na frente do casco, atrás do motorista. Veículo é alimentado por Renault MIDR 062045 turbocharged diesel, desenvolvendo 320 hp. O Anoa tem um sistema central de inflação de pneus, mas este APC não é anfíbio.

Polônia:

Atendendo ao pedido da Polônia o grupo finlandês Pátria, desenvolveu uma variante 6×6 do AMV (Armored Modular Vehicle) ou “Veículo Blindado Modular”  possui design modular o que lhe permite a incorporação de diferentes componentes como torres, armas, sensores e sistemas eletrônicos em geral, além de sistemas de comunicação em diferentes configurações.  A variante 6×6 compartilha todos os componentes com a variante 8×8. Um aspecto que chama a atenção quando tratamos do AMV 6×6 é sua resistente proteção blindada. Graças a sua elevada modularidade, a blindagem pode ser reforçada até o limite de resistir a granadas de 30 mm perfurante APFSDS no arco frontal do veículo. Sem preparação alguma, o AMV padrão suporta impactos de munição calibre 7,62X51 mm por todos os lados. Sua resistência a minas ou IEDs é considerável também, podendo resistir a explosões equivalente a 10 kg de TNT sob seu assoalho.

-Conclusão:

Hoje vimos que o investimento na aquisição em veículos blindados sobre rodas 6×6 não é uma particularidade do Brasil com vários outros países além dos citados estão investindo nesses veículos como forma mais barata para equipar suas forças facilitando a aquisição de um maior número de veículos (ao mesmo custo do que seria a aquisição de veículos 8×8) sem deixar de lado a parte da modernidade e capacidade dos meios. Então podemos dizer que veículos baseados em chassi 6×6 são obsoletos? Não, se ele atende a realidade operacional, logista e financeira do utilizador esse tipo de veículo conseguirá cumprir o mesmo papel de um veículo 8×8 a um custo de aquisição e operação inferior ao desse último. O Exército Brasileiro está modernizando suas armas adotando um veículo moderno que atende seus requisitos operacionais em detrimento de meios que não mais atende a realidade operacional da força, desse modo podemos esperar que ainda veremos veículos blindados em chassi 6×6 por muito tempo não só no Brasil como também em muitos países mundo afora.

10 Comments

  1. se 75% do orçamento não fosse para pagar pessoal ativo e inativos a realidade podia se um pouco melhor.

    • anonimo says:

      Exatamente.

    • Daniel T says:

      Poise, quase inacreditável o quanto esse pessoal consome de recursos, visto que o Brasil tem um gasto considerável com as forças armadas.

  2. PRAEFECTUS says:

    Parabéns pelo seu artigo.

    Grato

  3. Gilbert says:

    Não concordo, para mim é muito caro para proteger só conta tiros de fuzil 7,62, qualquer infantaria tem uma .50, para isso tem 4×4

    • O Artigo se refere a todos os veículos 6×6 então não existe um padrão de blindagem, trazendo para nossa realidade com o Guarani ele é modular podendo ter blindagem aumentada de acordo com a necessidade operacional.

    • Flávio Henrique says:

      A maioria das metralhadoras usadas pela infantaria é 7,62mm as .50 normalmente fica em “cima” de veículos ou em pontos de defesa no caso de veículos eles são mais difícil de esconder e no caso do veículo se dirigir contra postos defendido pelo os inimigos basta colocar blindagem adicionais.

      Obs.: Só a .50 pesa quase 40kg…

    • Anonymous says:

      Gilbert como disse o Flávio Henrique a maioria das metralhadoras usadas pela infantaria e de calibre 7.62mm, as metralhadoras pesadas de calibre 12.7mm e 14.5mm só são usadas em cima de tripés, veículos e posições defensivas com apoio pra segurar o peso de tal arma que pode ultrapassar os 40kg. E o guarani já tem proteção frontal de fábrica stanag 4569 nível 4 mas dependendo da situação pode ser adicionado um kit de blindagem que o protege nas laterais, traseira e em cima nível 4 stanag e na frente a proteção é aumentada para o nível 5 do padrão stanag, que oferece proteção contra canhões de até 25mm.

  4. KLESLEI DA SILVA JESUS says:

    muito bom Mateus otimo post, mas eu ainda acredito na versão 8×8 como superior em requisitos de maior capacidade de carça soldados armas etc, mas o Brasil esta muito bem servido com o guarani 6×6.

  5. Tomcat4.0 says:

    Ótimo texto/artigo, só comprovando o que vivo dizendo por ai, se o Urutu/Cascavel sguem vivos mundo afora até hoje sendo 6×6 porque o Guarani 6×6 ,muito mais moderno, não atenderia ao EB (se foi, ainda por cima, desenvolvido com requisitos deste). Ainda digo mais, há a versão mais moderna do canhão 90mm do Cascavel o qual tem até carregamento automático e poderia ser colocado no Guarani 6×6 e acrescido de um lançador de ATGM já nos colocaria em outro patamar.

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