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Pensamento realista na sociedade atual

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Edição Plano Brasil

A vida humana em sociedade, desde o início em pequenos grupos populacionais, passando pelos grandes impérios multiétnicos, até os Estados nacionais como conhecemos hoje, sempre foi repleta de conflitos, animosidades e atritos, tanto na esfera pessoal, quanto no choque entre as coletividades. Aceitar diferenças, conviver com a diversidade e, acima de tudo, submeter-se a ela é difícil, ainda mais quando se luta diariamente para expor e fazer valer seus interesses e pontos de vista. Por isso, criou-se, junto ao conceito de sociedade, a coletividade e a aceitação de um ideal maior que o individualismo, no intuito de se obter proteção mútua.

Thomas Hobbes (1588-1679), em seus pensamentos sobre o “estado de natureza” do homem, afirmou que, inicialmente, o ser humano é dotado de sentimentos ruins e voltado para o caos e para a guerra. Nesse meio, não há indústria, agricultura, artes, medicina ou qualquer forma de progresso. O indivíduo luta continuamente por seus interesses, não se importando com o outro. Porém, em um determinado momento, estaria disposto a depositar sua devoção em uma entidade maior, capaz de protegê-lo continuamente, no momento em que dorme, descansa: o Estado.

Ainda em Hobbes, quando se alcança a estabilidade dentro de um determinado Estado e, aceitando que outros Estados também o façam, entramos no famoso “dilema de segurança”, pois criamos um ambiente de instabilidade internacional, onde cada País deve atuar de maneira a garantir os interesses, a estabilidade, a segurança e o bem-estar de sua população, a despeito dos interesses de outras nações vizinhas.

Dentro desses ensaios narrados por um dos maiores pensadores realistas da história, contextualiza-se a sociedade atual, com seus conflitos étnicos no continente africano; as divergências religiosas no embate sangrento entre o islamismo extremista e o cristianismo; o duelo político entre as grandes potências na busca de dominação e projeção global; a disputa econômica separando países desenvolvidos de subdesenvolvidos, entre outros confrontos que, recentemente, levantam bandeiras que transcendem o conceito de Estado e figuram em pequenas minorias – grupos ativistas de liberdade sexual, de uso de drogas e de outras reivindicações.

Logo, pensar e refletir sobre Thomas Hobbes, Tucídides, Nicolau Maquiavel, Hans Morgenthau e outros filósofos da Escola Realista não seria uma prática que se encaixaria apenas na teoria, mas que auxiliaria no correto entendimento do perfil do homem que vive em uma sociedade sem fronteiras, globalizada, a qual, muitas vezes, assiste ao imperialismo das grandes potências de maneira passiva e sem perspectiva de mudança, afinal, impor uma vontade a outros grupos faz parte da política externa de um Estado nacional, pois, ao realizar tal imposição, reflete os interesses de seu povo aos demais, demonstrando força. Desse modo, na maioria das vezes, grandes potências inundam cultural e economicamente países subdesenvolvidos, fazendo deles seu “depósito de cultura de massa e mercado consumidor”.

Em síntese, pode-se afirmar, com propriedade, que várias questões delicadas que flagelam a sociedade atual encontram não só explicação prática, mas também embasamento teórico e doutrinário em antigos filósofos, os quais, mesmo não sendo contemporâneos aos avanços tecnológicos de hoje, também viveram em sociedades conflitantes, pois a humanidade, em todos os tempos, sempre foi propícia à guerra e ao enfrentamento.

Dentro dessa ótica realista, o tema “O estudo do pensamento realista na sociedade atual” traz à tona questões recentes de disputa de poder e de conflito de ideias, que permeiam o homem no século XXI, à luz de pensadores que foram e ainda são referência do pensar e agir em sociedade e que definiram em seus discursos filosóficos o comportamento dos Estados em sua política externa, tornando possível traçar vários perfis da política mundial que se apresenta nos dias de hoje, pois o homem está fadado a conviver em sociedade desde o nascimento até o fim de sua existência.

Para contextualizar, podemos traçar um paralelo com dois discursos de pensadores que se perpetuaram pela história: em seus estudos, o estrategista militar Carl Von Clausewitz (1780-1831) afirmou que, “A guerra é a continuação da política por outros meios”. Já nos pensamentos do filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.), “O homem é por natureza um animal político”.

Partindo dessas duas afirmações, conclui-se que, se o ser humano é por natureza um ser dotado de política – pois a política nada mais é do que a relação em sociedade – e se a guerra configura-se como a continuação da política por outros meios, Clausewitz e Aristóteles, separados por mais de dois mil anos de história, convergem de maneira aterradora para Thomas Hobbes, quando este diz que “A condição do homem é a condição da guerra”.

 

Fonte: EBlog

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Artigos Exclusivos do Plano Brasil Defesa EDITORIAL Sistemas Navais

O desenvolvimento do hovercraft multitarefa da Marinha Russa já começou


E.M.Pinto
Os meios de comunicação russos chamaram a atenção para o pronunciamento feito em janeiro de 2018 pelo estaleiro Rybinskoj, o qual relatou ter dado início ao trabalho de desenvolvimento e construção de um Hovercraft multipropósito para a Marinha Russa.

Segundo o KORABEL, a divisão de projeto do estaleiro iniciou os trabalhos no veículo ” Husky 10 ” uma embarcação com capacidade de carga de 10 toneladas.

A nota ressalta que o veículo terá uso civil em regiões de difícil acesso na Federação russa, as quais incluem as bacias da Sibéria, os rios orientais e os rios do volga-Kamsko  na A região do báltico. Na imagem produzida por computador, é demonstrado um hovercraft que transporta um veículo 6×6 KAMAZ padrão, o novo veiculo terá 15 metros de comprimento e 8-9 metros de largura.

O pronunciamento reforça a afirmação de que o primeiro navio de assalto russo da classe Livena (avalanche) que deve ter sua entrega em 2022 segundo previsões, realmente sairá do papel.

O “Lavina” será uma embarcação semelhante ao francês Mistrale será equipado com helicópteros de ataque Ka-52K e helicópteros Ka-32 ASW. Estima-se que entre 2 e 4 navios sejam construídos e que estes serão equipados com  um sistema antiaéreo baseado no Pantsir-S. Além disso, os navios de assalto anfíbios poderão ser equipadoscom um canhão AK-176MA de 76,2 mm, um sistema de armas que é controlado e disparado usando um sistema de orientação digital.

O navio poderá transportar  até 60 veículos blindados leves, pelo menos 20-30 carros de combate principais, ou mais de 500 fuzileiros navais. Ausente uma abordagem direta para uma área costeira, o navio entregará as tropas e de assalto a partir dos quatro veículos project 11770M ou dois embarcações de desembarque do Project 12061M.

O navio terá  165 metros de comprimento deslocará 24 mil toneladas métricas. Seu contingente de helicópteros  incluirá até uma dúzia de aeronaves.

O Centro de Pesquisa Estadual de Krylovdesenvolveu o projeto o navio o qual substituirá os navios de guerra de classe Mistral que não foram entregues pela França, disse um alto funcionário do complexo industrial militar russo.

A alternativa ao projeto Mistral 21 mil toneladas será superado pelo Lavina de 24 Mil toneladas, o novo navio de guerra será um semi-trimaran com capacidade para navegar 5.000 milhas a 18 nós sem chamadas de serviço e a uma velocidade máxima de 22 nós. O navio transportará 320 tripulantes e pode levar mais 500 soldados ou 50 veículos blindados.

Fonte: KORABEL

Sobre  o Autor:

E.M. Pinto é Físico, Mestre em Física Aplicada e Doutor em Engenharia e Ciências dos Materiais, Professor Universitário editor do site Plano Brasil e de Revistas científicas  internacionais.