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Protecionismo atual tem semelhanças com disputas que levaram a guerra mundial, diz historiador

Ilustração do mapa múndi construído sobre um canteiro de obrasDireito de imagemGETTY IMAGES

O protecionismo de medidas como a tarifa imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre importações de aço tem muitas semelhanças com o cenário de guerras comerciais que levaram, cem anos atrás, a conflitos militares como a Primeira Guerra Mundial.

A avaliação é do historiador americano Marc-William Palen, para quem essa perspectiva do passado é fundamental para entender o que pode acontecer com o mundo a partir das políticas de Trump e de outras manifestações de protecionismo no mundo, como o Brexit, a saída do Reino Unido na União Europeia.

Enquanto os impactos econômicos das disputas entre os EUA, a China, o Canadá e até o Brasil têm dominado as atenções no caso das tarifas americanas, Palen defende que não se deve deixar de lado uma análise sobre os efeitos geopolíticos desse tipo de protecionismo.

“Guerras comerciais e o protecionismo transformam amigos e vizinhos em inimigos”, afirma ele em entrevista à BBC Brasil.

Marc-William Palen
Image captionMarc-William Palen é professor de universidade britânica | Foto: Divulgação

Professor na Universidade de Exeter, na Inglaterra, o historiador passou as últimas semanas publicando artigos para criticar as tarifas anunciadas por Trump e refutar a sua declaração de que “guerras comerciais são fáceis de vencer”. “Certamente podemos ver as semelhanças com um século atrás na criação de tensões entre Estados. Tensões que não existiam antes dessas políticas protecionistas”, diz.

Segundo ele, um grande erro é ignorar o quanto as economias são conectadas no mundo atual. “Não há vencedores em guerras comerciais.”

Codiretor do Global Economics and History Forum (Fórum de Economia e História Global, em tradução literal), em Londres, Palen é especialista na intersecção entre o imperialismo do Reino Unido e dos Estados Unidos do século 19 à globalização dos dias atuais.

Ele também autor do livro “The ‘Conspiracy’ of Free Trade: The Anglo-American Struggle over Empire and Economic Globalisation, 1846-1896” (“A conspiração do livre mercado: a luta anglo-americana por império e globalização econômica, 1846-1896”), lançado em 2016 pela Cambridge University Press.

Segundo o historiador, o retorno ao protecionismo, assim como a ascensão de políticas contra imigração, são “um retorno ao status quo que havia antes da Segunda Guerra Mundial”, uma reação populista à crise financeira global, e se manifesta de forma semelhante em vários países do mundo, e que pode levar a uma desintegração sem precedentes da ordem econômica global.

Leia a entrevista abaixo.

Trabalhador da indústria do açoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionTarifa de Trump para importação de aço alimentou debate sobre protecionismo

BBC Brasil – O senhor argumenta que, cem anos atrás, o protecionismo levou a conflitos internacionais que geraram a Primeira Guerra Mundial. A situação atual é comparável ao que houve então?

Marc-William Palen – É muito difícil prever o futuro, mas há muitas semelhanças ostensivas entre os dois períodos. Um dos aspectos mais marcantes é a dimensão geopolítica do protecionismo, que acaba sendo muito deixada de lado. Tendemos a enfocar como as medidas vão afetar consumidores, que também é importante, mas não é o único ponto em questão.

Quem pensaria, dois anos atrás, que haveria animosidade entre os EUA e o Canadá, que por décadas era o maior aliado e parceiro comercial dos americanos. É impressionante que agora haja este clima de disputas sobre tarifas sobre aço, tentativas de acabar com o Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio, na sigla em inglês), o que está gerando grandes tensões entre vizinhos.

Certamente podemos ver as semelhanças com um século atrás nessa criação de tensões entre Estados. Tensões que não existiam antes dessas políticas protecionistas.

BBC Brasil – Que tipo de problemas geopolíticos o protecionismo pode gerar?

Palen – O foco principal da análise atualmente está sendo a forma como as tarifas vão afetar a economia doméstica, se vai gerar empregos, se vai afetar a Bolsa, como vai mudar os preços de carros… Tudo isso é importante, mas também é importante lembrar que essas tarifas, essas guerras fiscais, vão muito além da esfera doméstica.

Isso é algo que minha pesquisa vê claramente na virada do século 19 para o século 20, quando a ordem econômica global era muito protecionista. Meu estudo mostra que essas guerras comerciais e o protecionismo transformavam amigos e vizinhos em inimigos. Essas guerras econômicas têm a tendência de formar as bases geopolíticas para conflitos militares.

Ainda é muito cedo para saber se isso vai ser ressuscitado no futuro próximo, mas, ao olhar para as relações entre os EUA e o Canadá ao longo do último ano, vemos claramente a mudança de tom da relação amigável à animosidade.

Donald TrumpDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNa semana passada, Trump, anunciou uma taxa de 25% sobre as importações de aço

BBC Brasil – Que tipo de escalada de confrontos o protecionismo gerou no passado?

Palen – Um exemplo que analisei foi exatamente a relação entre Canadá e os EUA em meados do século 19. EUA e Canadá tinham uma relação de reciprocidade comercial. Depois da Guerra Civil, o Partido Republicano colocou uma série de barreiras comerciais nesta relação, o que gerou tensão.

O que tento fazer com minha pesquisa é mostrar que há esta tendência de ver o protecionismo como sendo uma anomalia dentro da história de defesa do livre mercado do Partido Republicano dos EUA. Mas isso realmente não existia até Ronald Reagan nos anos 1980. Na maioria da história do Partido Republicano, ele foi amplamente o partido do protecionismo.

O Canadá frequentemente era o alvo de leis protecionistas, o que levou à escalada de disputas entre os dois países, o que quase gerou confrontos militares. A escalada chegou a um ponto em que, nos anos 1920, o Canadá tinha planos de invasão dos EUA e vice-versa. Felizmente esse conflito militar nunca chegou a acontecer, mas as chances de conflito foram muito altas.

BBC Brasil – O que criou a atual onda de políticas protecionistas no mundo? Pode ser ainda reflexo da crise financeira internacional?

Palen – É difícil ver uma resposta clara para esta pergunta. O protecionismo não apareceu de repente, e fez parte consistentemente da campanha que levou Trump à Presidência, com o argumento de colocar “os Estados Unidos em primeiro lugar” (“America First”).

Trump sempre deixou claro que acha que a globalização e o livre mercado são palavrões – chegando a chamar “livre mercado” de “mercado estúpido”. O argumento dele é que é importante proteger e gerar empregos em alguns setores nos EUA. No caso atual é a indústria do aço e do alumínio. Ele está levando adiante suas promessas de campanha. Só acho que as repercussões dessas decisões não foram muito bem pensadas.

A primeira-ministra britânica, Theresa MayDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNegociar o Brexit é o principal desafio de Theresa May no Reino Unido

BBC Brasil – O Brasil acabou pressionado por essas decisões, já que é um dos principais mercados de onde os EUA importam aço.

Palen – O aspecto brasileiro dessa questão é muito problemático. O Brasil é um parceiro importante, é o segunda maior fonte de importações de aço dos EUA. E, ironicamente, o Brasil também é um grande importador de carvão americano, que é usado na indústria do aço, que é vendido aos EUA. Então o protecionismo americano, que afeta o Brasil, pode acabar tendo efeitos sobre a produção de carvão, que também é uma área de interesse e proteção de Trump.

BBC Brasil – Canadá e Brasil são os dois países mais afetados pela tarifa sobre o aço, mas a retórica de Trump em disputas comerciais sempre esteve voltada contra a China. O que houve, neste caso? Ele simplesmente errou o alvo, ou realmente queria atingir parceiros como Canadá e Brasil?

Palen – É difícil entender a justificativa dele para isso. O argumento de defesa nacional não faz sentido quando ele fala sobre a China. A forma como o governo Trump está tentando explicar a medida não está muito clara. É difícil saber o quanto ele realmente pensava na China quando decidiu tomar essa medida, mas de fato os países parceiros são os maiores afetados, não a China.

BBC Brasil – Em uma situação assim, considerando os EUA como a economia mais forte em uma disputa comercial, o que um país mais pobre como o Brasil pode fazer para reagir a tarifas em uma guerra comercial deste tipo?

Palen – É difícil saber. O governo Trump pode oferecer vantagens a países parceiros em troca de outras vantagens na relação. O Brasil sempre pode apelar à OMC (Organização Mundial do Comércio), o que pode ter algum efeito. A ironia é que os EUA foram os grandes responsáveis pelo que se tornaria a OMC, e agora vão passar a ser pressionados por ela. É difícil saber como Trump vai tratar a relação com o Brasil.

Prédio da Comissão Europeia em BruxelasDireito de imagemREUTERS
Image captionMovimentos nacionalistas – e protecionistas – são críticos à União Europeia

BBC Brasil – Trump disse que guerras comerciais são fáceis de serem vencidas. O que acha disso?

Palen – A resposta imediata que qualquer historiador e economista daria sobre isso seria que não há vencedores em guerras comerciais, apesar do que Trump falou. É provável que haja alguns setores que vão sair ganhando no curto prazo, como os produtores de aço nos EUA no caso atual, que terão mais lucro. Mas a história sugere que vai haver muito mais perdedores, especialmente entre os consumidores, no longo prazo.

Todos os países envolvidos em guerras comerciais, e mesmo os que estão fora dessas disputas, já que vivemos em uma economia integrada globalmente, vão sair perdendo. É difícil achar que isso não vai afetar a economia global como um todo. E as populações mais pobres vão acabar sendo as mais afetadas, com aumento de preços de alimentos.

BBC Brasil – O que Trump e os EUA têm a ganhar com este tipo de política protecionista?

Palen – Isso tem um apelo emocional com seus eleitores. Isso ficou claro durante sua campanha presidencial, e é um apelo emocional e populista a eleitores que se acham abandonados pela economia global. Os EUA já foram a grande nação industrial e defensora do livre mercado internacional, mas as coisas mudaram.

Não me surpreenderia se ele achasse que está fazendo isso para defender seus eleitores. O problema é que o setor produtor de aço, especificamente, é uma parcela muito pequena dos EUA, e ajudar este grupo temporariamente vai ter efeitos muito mais amplos em toda a população dos EUA.

BBC Brasil – Falamos bastante dos EUA, mas o Brexit e a eleição francesa também foram pontos de debate sobre protecionismo, com uma escalada de políticas contra a globalização. Esses fenômenos estão conectados de alguma forma?

Palen – Sim. Não se trata de um fenômeno apenas dos EUA. Precisamos ver essas questões sob uma perspectiva histórica mais ampla, e não achar que é uma anomalia populista contra o livre mercado. O sistema econômico global nos últimos 200 anos foi quase todo dominado pelo protecionismo. O movimento pelo livre mercado que se desenvolveu depois da Segunda Guerra Mundial é a exceção à regra.

Neste sentido, o retorno mundial a políticas econômicas nacionalistas e políticas anti-imigração são um retorno ao status quo que havia antes da Segunda Guerra Mundial. Vemos isso claramente no Brexit, com o Reino Unido alegando que vai defender o retorno do livre mercado internacionalmente enquanto rompe com a União Europeia. Isso enquanto está reagindo para limitar a imigração.

É uma reação populista à crise financeira global, e se manifesta de forma semelhante em vários países do mundo.

BBC Brasil – Você escreveu que estamos assistindo à desintegração da ordem econômica global. O que vem depois disso?

Palen – O problema é que não há um precedente histórico para o que está acontecendo agora.

Na forma como a ordem econômica global funcionou dos anos 1840 aos anos 1930, o Reino Unido era o país industrial mais poderoso e maior defensor do livre mercado. Enquanto isso, o resto do mundo resistia e usava políticas protecionistas. Foi somente nos anos 1930, quando todo o mundo se voltou ao nacionalismo, que o Reino Unido abandonou a defesa do livre mercado. Isso está fortemente ligado à crise internacional e à recessão. Depois disso, os EUA assumiram a hegemonia da defesa do livre mercado internacional desde a Segunda Guerra.

O que é interessante é que, no primeiro caso, o Reino Unido foi o último país a aceitar o protecionismo. Enquanto isso, agora são EUA e Reino Unido, os dois líderes e fundadores dessa ordem econômica internacional, os primeiros a se voltar contra esta ordem e abandonar o livre mercado. Isso é impressionante e sem precedentes.

Por isso não podemos saber com certeza o que pode acontecer. E é difícil achar que vai ser algo bom para o mundo.

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Potências ocidentais pedem que Rússia explique ataque com agente nervoso contra ex-espião

 Redação Reuters
 Membros dos serviços de emergência usam roupas de proteção perto do banco onde o ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha Yulia foram encontrados envenenados em Salisbury, no Reino Unido 13/03/2018 REUTERS/Henry Nicholls

LONDRES (Reuters) – Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha e França se juntaram nesta quinta-feira para pedir à Rússia que explique um ataque tóxico de grau militar a um ex-espião russo na Inglaterra que, segundo eles, ameaça a segurança ocidental.

Após o primeiro uso conhecido em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial de um agente biológico que atua sobre o sistema nervoso, o Reino Unido culpou a Rússia e deu uma semana para que 23 russos —que disse serem espiões trabalhando sob cobertura diplomática na embaixada em Londres— deixem o país.

A Rússia negou qualquer envolvimento no envenenamento. O ministro do Exterior, Sergei Lavrov, acusou Londres de comportar-se de modo “grosseiro” e sugeriu que isso se devia parcialmente aos problemas que o Reino Unido enfrenta sobre sua saída planejada da União Europeia no próximo ano.

A Rússia rejeitou as demandas do Reino Unido para explicar como o Novichok, um agente tóxico desenvolvido primeiramente pelo exército soviético, foi usado para atingir Sergei Skripal e sua filha Yulia na cidade inglesa de Salisbury, no sul do país.

“Pedimos à Rússia que responda a todas as questões relacionadas com o ataque”, afirmam o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra britânica, Theresa May, em seu comunicado conjunto.

“É um ataque à soberania do Reino Unido”, disseram os líderes. “Isso ameaça a segurança de todos nós.”

Embora o comunicado indique uma resposta mais coordenada dos aliados mais próximos do Reino Unido, ele não contém qualquer detalhe sobre medidas específicas que o Ocidente tomaria se a Rússia não atender às demandas.

Os líderes ocidentais disseram que o uso da toxina Novichok é uma violação clara da Convenção sobre Armas Químicas e do direito internacional.

Eles exortaram a Rússia a fornecer as informações completas do programa Novichok à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) em Haia.

A Rússia diz que não sabe nada sobre o envenenamento e repetidamente pediu ao Reino Unido que forneça uma amostra do agente nervoso que foi usado contra Skripal.

Fonte: Reuters

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Ano recorde para IAI em conversões de aeronave: Empresa é responsável por 75% de todos os Boeing 767-300 convertidos no mundo em 2017

Ano recorde para IAI em conversões de aeronave:

Empresa é responsável por 75% de todos os Boeing 767-300 convertidos no mundo em 2017

O 100o B767-300 convertido é entregue

O último ano tem sido recorde para a Divisão Bedek da IAI no que se refere à conversão de aeronaves de passageiros para configurações de carga. A Bedek fechou 2017 com a entrega de 22 aeronaves convertidas a seus clientes. No mundo inteiro, 28 aeronaves de fuselagem larga foram convertidas em 2017, e dentre elas 20 foram convertidas pela IAI. No segmento do Boeing 767, a IAI converteu 18 das 24 aeronaves convertidas no mundo em 2017.

A conversão de aeronaves de passageiros para uma configuração de carga é uma tarefa complexa que envolve desenvolvimento de engenharia, incluindo análises e provas de conceito para obter a licença requerida pelas autoridades de aviação. A Bedek da IAI é considerada líder global e tem convertido diversos modelos de aeronave por muitos anos. A maioria das aeronaves convertidas esse ano foram entregues a clientes norte-americanos.

A IAI foi a primeira em 2017 a receber o certificado STC de autoridade nacional de aviação para converter a primeira geração de B737-700, tendo convertido duas aeronaves desse modelo. O trabalho de conversão incluiu a colocação de uma porta larga para carregamento no lado esquerdo da aeronave, a adaptação do ar-condicionado na área central de carga e a instalação de um sistema de detecção de fumaça.

Outras aeronaves convertidas esse ano incluem 18 Boeing 767-300, dois Boeing 747-400 e dois Boeing 737-700 com autorização de conversão FAA. Em 2017, a Bedek ultrapassou a marca de cem B767 convertidos, com mais aeronaves desse modelo aguardando conversão em 2018, o que representa um grande feito em escala global.

In 2017, a Bedek também inaugurou um centro de conversão de Boeing 767-300 na Cidade do México, operado pela Mexicana MRO Services. Mais dois centros de conversão serão inaugurados em 2018 na China. A joint venture com empresas chinesas enfoca a expansão de serviços de manutenção para aeronaves civis e a conversão em cargueiros, lançando as bases para futuras joint ventures. Os primeiros projetos de conversão devem se iniciar em meados de 2018.

Yossi Melamed, vice-presidente e diretor da Divisão Bedek, declarou: “A Bedek registra um ano recorde em projetos de conversão e é hoje líder global em serviços completos no segmento de passageiros e carga. Temos orgulho em oferecer um dos maiores centros de conversão do mundo com capacidade para converter grande variedade de aeronaves. Prestamos serviços a empresas de leasing, fabricantes de aeronaves e empresas de transporte aéreo. As modernas instalações da Bedek oferecem um amplo leque de serviços de manutenção e revisão para diversos tipos de aeronave”.

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Isolada da Europa e dos EUA,  Tereza e Grâ Bretanha não tem poder para ameaçar Putin

A expulsão dos diplomatas russos após o envenenamento de um agente duplo é sem precedentes desde a Guerra Fria, mas causará poucos danos à Rússia. E por que Benjamin Netanyahu está em silêncio?

 

Theresa May, U.K. prime minister, during a meeting Luxembourg's prime minister in London, U.K. on March 14, 2018.
 Bloomberg
 

Anshel PfefferAnshel Pfeffer

O anúncio da primeiro-ministra britânica, Theresa May, na quarta-feira , que referia-se como “altamente provável” que a Rússia estivesse por trás da tentativa de assassinato de um ex-agente duplo e sua filha já era esperado.

A expulsão de 23 diplomatas russos acusados ​​de atividade de inteligência secreta na Grã-Bretanha – as sanções anunciadas em maio em resposta ao agente nervoso “militar” usado em Sergei Skripal e sua filha Yulia na cidade inglesa de Salisbury há uma semana e meia – é sem precedentes desde a Guerra Fria, mas não é um golpe importante para o Kremlin.

Moscou anunciará em breve uma expulsão recíproca de diplomatas britânicos e seus interesses não serão prejudicados pela cessação de contatos de alto nível com o governo britânico.

May não anunciou o confisco de ativos dos cidadãos russos em bancos britânicos ou um boicote à final da Copa do Mundo da FIFA na Rússia neste verão. Ela apenas observou que nenhum membro da família real estaria assistindo os jogos. Pelo menos, “pelo menos”, a Rússia não vai ter que pagar pela ação descarada de tentativa de assassinato matar em plena luz do dia – e expor centenas de civis britânicos, policiais e pessoal médico a uma substância mortal.

Como resultado do processo de separação da Europa com o Brexit, a Grã Bretanha só não está tão isolada quanto esteve nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. As esperanças de sua “relação especial” histórica através do Atlântico que encheu o vácuo, foram precipitadas pela indiferença do presidente Donald Trump , cujo porta-voz nem mencionou a Rússia na declaração inicial da Casa Branca na segunda-feira. O secretário de Estado Rex Tillerson emitiu uma condenação muito mais feroz da Rússia, mas foi demitido algumas horas depois.

Sem uma resposta contundente dos EUA, a Grã-Bretanha não terá muito mais do que palavras da OTAN. Os líderes da aliança de defesa criticaram fortemente o ataque do agente nervoso ao solo soberano de um membro da OTAN, mas é improvável que haja qualquer ação além disso. Havia um coro de apoio dos líderes da União Européia, mas a Grã-Bretanha está desajeitadamente deixando a UE e não pode esperar que ela ponha-se em risco pelos interesses do Reino Unido agora.

E o presidente russo Vladimir Putin? se fosse ele o responsável pelo assassinato, ele saberia que não poderia ter escolhido um momento mais vulnerável para a Grã-Bretanha. Os Britânicos no entanto são relutantes em atacar Putin, onde realmente dói: os bilhões que os oligarcas russos têm guardados nos bancos britânicos, imóveis e outros bens de prestígio, como clubes de futebol e jornais.Tais medidas colocariam o status de Londres como um centro financeiro mundial em um momento em que a economia já está sofrendo com o Brexit.

Existe uma bala de prata para May. Sua posição vigorosa contra a Rússia concentrou a atenção indesejada em seu oponente do outro lado da caixa de despacho no Parlamento. O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, vem vencendo a maioria dos argumentos contra May  desde sua impressionante e forte exibição nas eleições gerais do ano passado, o que forçou os rebeldes deputados de seu partido a cerra fileira logo atrás dele.

Mas a política externa anti-americana de Corbyn ainda é profundamente impopular e ele achou difícil reunir qualquer entusiasmo pelas declarações de May no Parlamento. Como ex-convidado regular no canal da Rússia Hoje do Kremlin, ele mal tentou ocultar seu ceticismo sobre a culpabilidade da Rússia. Corbyn pode ser da extrema esquerda, mas suas posições no Kremlin são muito mais reminiscentes à Trump. Após a aguda resposta de Corbyn à Primeira-ministra, vários antigos membros da bancada dos Trabalhistas levantaram-se para elogiar os sentimentos de Mayno que era uma acusação condenatória de seu próprio líder. A Primeira-Ministro talvez não possa confiar nos aliados estrangeiros da Grã-Bretanha para se juntar a ela e  enfrentar a Rússia, mas pelo menos Putin ajudou a dividir de novo o Partido Trabalhista de Corbyn.

Enquanto isso, outro aliado britânico está desaparecido. Um líder proeminente que, no passado, alertou rapidamente sobre as armas de destruição em massa nas mãos de estados mal-intencionados e que no início da carreira marcou o envolvimento da Rússia no patrocínio de grupos terroristas, ficou notavelmente silencioso desde a envenenamentos de Salisbury. Sim, é o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu, que não disse uma palavra de apoio para a Grã-Bretanha ou uma condenação à Rússia em todo esse tempo.

O silêncio de Netanyahu sobre a Rússia não é novo. Ele nunca criticou publicamente Putin, com quem ele se dá tão bem. O mesmo padrão ocorreu exatamente quatro anos atrás, quando todo o mundo ocidental e todas as democracias condenaram ferozmente a ocupação e anexação da Rússia da Crimeia da Ucrânia. Mesmo quando a administração de Obama implorou que Israel fizesse uma declaração, o que surgiu foi uma exortação geral “para ambos os lados” para resolver suas diferenças de forma pacífica. Israel, que se orgulha sempre de apoiar os EUA nas Nações Unidas, estava ausente do voto de condenação na Assembléia Geral.

Nenhum político em nenhum país tem sido mais eloquente do que Netanyahu nos perigos das armas nucleares, biológicas e químicas nas mãos de atores estatais e organizações terroristas. O fato de que ele não pode reunir uma declaração simbólica sobre a tentativa de assassinato em Salisbury e a situação da aliada de Israel, a Grã-Bretanha mostra exatamente o quanto ele agora está sujeito a Putin, a força dominante no Oriente Médio. É também uma acusação condenatória de quão mal tanto Obama como Trump derrubaram seus aliados.

Fonte: Haretz

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Verde Oliva Entrevista – Ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna.

 

 

https://youtu.be/8E7Terfmps8

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Turquia assina memorando para o fornecimento de blindados ao Qatar

Durante a DIMDEX 2018, Exposição e Conferência Internacional de Defesa Marítima no Qatar, a empresa turca Nurol Makina assinou um memorando de entendimento com o governo local visando o fornecimento do veículo blindado NMS 4×4 as forças especiais do Qatar.

A viatura possui requisitos de blindagem e sobrevivência para os tripulantes, em nível excepcional dada a disseminação do emprego de IEDs (Artefatos Explosivos Improvisados) nos cenários de combate atuais. 

No ano passado, a Nurol Makina vendeu diversos veículos blindados para o governo de Doha. O Emirado do Qatar está em processo de modernização de sua forças terrestre, que compreende cerca de 8.500 soldados. 

https://www.youtube.com/watch?v=-pOdrmFdoP4

Com informações de Nurol Makina