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Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da PMESP realiza treinamento conjunto de antiterror com grupo de intervenção da Polícia Federal

Um dia frio, sob chuva fina e constante. O cenário foi uma das pistas abertas de treinamento operacional do Centro de Treinamento Tático situado nas instalações da Companhia Brasileira de Cartucho – CBC, em Ribeirão Pires, a uma hora de carro do centro de São Paulo.

Para os 12 operacionais do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), e do Grupo de Pronta Intervenção (GPI), da Polícia Federal, o foco era apenas um: fazer um dia de treinamento conjunto sobre técnicas e táticas para o combate ao terrorismo moderno.

O GATE não foi apenas o anfitrião, mas efetivamente repassou para o GPI conhecimentos absorvidos com a vida de dois grupos de operações especiais da Espanha.

Em 2017 o grupo de elite da PMESP, que neste ano completa 30 anos de existência, recebeu em duas ocasiões distintas a presença de quatro integrantes do Grupo de Acción Rápida (GAR), da Polícia Civil da Espanha, e quatro membros do Grupo Especial de Operaciones (GEO), da Polícia Nacional da Espanha. Cada grupo passou aproximadamente 15 dias ministrando cursos com enfoque na luta contra o terrorismo em ambiente aberto. Os aprendizados foram estudados e adaptados para a realidade e a rotina do GATE atendendo às possíveis demandas de um Estado como São Paulo.

Essa também foi uma oportunidade em que o GATE retribuiu um curso que recebeu do pessoal do GPI, depois que esses fizeram um intercâmbio com a unidade antiterror e de operações especiais da Polícia Nacional da França, o RAID. Por fim, foi possível treinar uma atuação conjunta caso seja necessário numa ocasião real.

O treinamento incluiu técnicas para ação em ambientes abertos e com grande concentração de pessoas como estações de metrô, shoppings centers, feiras, etc. Os policiais treinaram técnicas para evadir-se de emboscadas a viaturas e também tiros alternando com dois tipos de armamentos – fuzil e pistola – e posições de disparo em pé e agachado. Também foram usadas granadas flashbang.

O GATE empregou o fuzil IMBEL IA-2 de calibre 5.56mm e a pistola Taurus .40, enquanto o GPI o fuzil HK 416 5.56mm e a pistola Glock G17 9mm. Alguns acessórios dos fuzis e pistolas do GPI incluem lanterna tática, mira holográfica e luneta. Cada policial consumiu, em média, 122 munições de fuzil e 60 munições de pistola.

 

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Embraer e SkyTech assinam carta de intenção para até seis aeronaves KC-390 da fabricante brasileira

A Embraer Defesa & Segurança anunciou hoje, durante o Singapore Airshow, a assinatura de uma Carta de Intenção com a empresa de serviços de aviação SkyTech para aquisição de até seis aeronaves de transporte multimissão KC-390.

As aeronaves estão destinadas a diversos projetos de defesa e ambas as empresas também concordaram em avaliar uma potencial colaboração estratégica com o objetivo de explorar conjuntamente novas oportunidades de negócios nas áreas de treinamento e serviços.

A SkyTech é o resultado de uma parceria entre duas empresas com larga experiência no campo dos serviços de defesa: a HiFly, de Portugal, que provê aeronaves, tripulações completas, manutenção e seguros (ACMI), e a australiana Adagold Aviation, especializada em serviços de aviação e voos charter.

“Acompanhamos o programa KC-390 desde a sua criação e acreditamos que ele estabelecerá novos padrões na categoria dos aviões de transporte de médio porte, assim como será uma plataforma multimissão”, disse Paulo Mirpuri, presidente da SkyTech. A empresa também afirmou que esta é a primeira de uma grande variedade de plataformas que terão vários empregos específicos e de outros projetos que a SkyTech está realizando no mundo todo.

“A Embraer está entusiasmada em ter a SkyTech como parceira estratégica para alguns dos nossos projetos, pois estamos certos de que eles adicionam valor e ganhos, fornecendo diversas soluções contínuas para nossa própria base de clientes de defesa”, disse Jackson Schneider, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

O KC-390 é um avião de transporte tático desenvolvido para estabelecer novos padrões em sua categoria, apresentando o menor custo do ciclo de vida do mercado. É capaz de executar diversas missões, como transporte de carga, lançamento de tropas ou de paraquedistas, reabastecimento aéreo, busca e salvamento, evacuação aeromédica e combate a incêndios, além de apoio a missões humanitárias. A aeronave pode transportar até 26 toneladas de carga a uma velocidade máxima de 470 nós (870 km/h), além de operar em ambientes hostis, inclusive a partir de pistas não preparadas ou danificadas.

 

Fonte: revistapubliracing.com.br

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EUA e Argentina se unem contra Maduro e estudam sanções ao petróleo

Argentina e Estados Unidos querem forçar Nicolás Maduro a restabelecer a ordem institucional na Venezuela. Como medida de pressão, os dois países estão considerando impor sanções econômicas, especialmente ao petróleo venezuelano, conforme discutido pelo secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, e seu homólogo argentino, Jorge Faurie, durante uma reunião realizada no domingo em Buenos Aires. O representante da Casa Branca também considerou outras opções, como proibir a venda de produtos venezuelanos em seu país.

Rex Tillerson (esq.) e Jorge Faurie em coletiva de imprensa em Buenos Aires. – AP

MAR CENTENERA

“Vemos a Argentina e o Governo Macri como defensores da democracia na região, e é por isso que analisamos mecanismos conjuntos para exigir que a Venezuela cumpra a Carta Democrática da OEA, uma vez que os venezuelanos merecem outro governo que respeite as liberdades individuais”, disse Tillerson durante conferência de imprensa realizada após a reunião. Para Tillerson, ficar de braços cruzados é “deixar que o povo venezuelano continue sofrendo”, por isso “sancionar o petróleo ou proibir a venda nos EUA de produtos que venham da Venezuela é algo que continuamos considerando”.

A possibilidade de que os Estados Unidos aprovem sanções contra o petróleo venezuelano por enquanto parece distante, e Tillerson destacou que qualquer medida para pressionar Maduro não deve afetar o povo venezuelano.

Há alguns dias, o presidente argentino Macri, um dos líderes latino-americanos mais críticos contra Maduro, avisou que a Argentina não reconhecerá o resultado das eleições gerais convocadas pelo líder venezuelano, programadas para ocorrer antes de 1º de maio. Faurie foi na mesma linha: “Não reconhecemos o processo político e o rumo autoritário tomado pela Venezuela”. Faurie lamentou que a situação da Venezuela “tenha resultado em uma emergência de saúde e humanitária de proporções realmente extraordinárias” e propôs maneiras de “evitar o financiamento direto ou indireto do Governo da Venezuela” como medida de pressão.

Os dois ministros concordaram que o Peru é quem deve decidir se a Venezuela deve ou não ser excluída da próxima Cúpula das Américas a ser realizada em Lima. Tanto o Governo dos EUA quanto o da Argentina respeitarão a decisão do anfitrião e não tentarão condicioná-lo, disseram.

Preocupação com as barreiras ao biodiesel argentino

Washington considera a Argentina como um de seus principais aliados da região. A guinada dada por Macri em direção à política externa dos EUA resultou em uma aproximação do Governo norte-americano após anos de relações tensas durante a Administração Kirchner. Assim como Barack Obama, o Governo de Donald Trump também aplaudiu as reformas econômicas promovidas pelo presidente argentino. No entanto, a boa relação diplomática contrasta com o vínculo comercial, enfraquecido nos últimos meses pelas barreiras dos EUA à entrada do biodiesel argentino. Quando questionado, Faurie destacou que há negociações abertas, mas expressou a “preocupação da Argentina para resolver o assunto”.

O enviado dos EUA também busca frear a crescente influência da China e da Rússia na América Latina, mas negou que este tenha sido um tema durante a reunião que teve com Faurie.

Tillerson chegou à Argentina no sábado, com uma primeira escala em Bariloche, a porta de entrada para a Patagônia argentina. Esteve reunido com cientistas e desfrutou de uma cavalgada pelo parque Nahuel Huapi antes de seguir para Buenos Aires. Após o encontro com o ministro das Relações Exteriores argentino, Tillerson reuniu-se com embaixadores norte-americanos da região e, nesta segunda-feira, tem reunião com Macri. A viagem de Tillerson pela América Latina começou no dia 1o de fevereiro no México. Depois de Buenos Aires, o secretário de Estado dos EUA segue para o Peru e Colômbia.

MADURO AFIRMA QUE ESTÁ PREPARADO DIANTE DA “AMEAÇA” DE UM “EMBARGO PETROLÍFERO”

EFE

Opresidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou no domingo que seu país está preparado para a “ameaça” de um “embargo petrolífero”, depois que Estados Unidos e Argentina disseram que estão estudando sanções ao petróleo do país caribenho.

“Rex Tillerson em sua visita à Argentina acaba de nos ameaçar com um embargo petrolífero. Estamos preparados, Venezuela, trabalhadores da indústria petroleira: o imperialismo nos ameaça; estamos preparados para ser livres e nada nem ninguém vai nos impedir”, disse em uma transmissão no Facebook.

Fonte: El País

 

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E se os EUA ultrapassarem a Arábia Saudita como produtor de petróleo?

Os Estados Unidos estão se aproximando da liderança na corrida pelo domínio do mercado mundial de petróleo.

Guillermo D. Olmo

De acordo com as últimas previsões da Agência Internacional de Energia, a produção americana atingirá neste ano a marca recorde de 10 milhões de barris de petróleo bruto por dia.

Assim, calcula-se que o país desbancará a Arábia Saudita neste ano da posição de liderança que ostenta, com 13,5% da produção mundial.

Seu impulso, promovido pelo apoio do governo de Donald Trump às exportações, é um problema para a Rússia, a terceira colocada nessa disputa.

O avanço dos EUA terá efeitos no mercado do petróleo, bem como reflexos geopolíticos e econômicos em diferentes países.

A BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, listou cinco possíveis consequências caso os Estados Unidos realmente se tornem o maior produtor de petróleo do mundo:

1. O fim da guerra dos preços da Arábia Saudita e Opep

Para a grande petromonarquia do Golfo Pérsico, ver-se superada pelo aliado – mas também concorrente – implica na constatação dos danos colaterais da sua política tradicional de controle de preços.

Ator principal na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o país tradicionalmente a usou para controlar os preços no mercado, aumentando ou reduzindo o fornecimento conforme sua conveniência.

Nos últimos anos, porém, o surgimento de técnicas como o fraturamento hidráulico de rocha (fracking) o aumento exponencial da produção americana reduziram a eficácia dessa estratégia.

Antonio de la Cruz, presidente do Centro de Análises de Tendências Interamericanas de Washington, disse à BBC que “a decisão dos Estados Unidos de aumentar a produção nas regiões de fracking na verdade foi tomada pela Opep quando esta apostou em manter os preços, em vez de produzir mais”.

O reino saudita tentou em 2014 sufocar os produtores do fracking nos EUA, inundando o mercado de Brent (petróleo encontrado no Mar do Norte).

 GETTY IMAGES – Arábia Saudita tentou acabar com o setor de fracking americano

A ideia era que os preços caíssem até que as empresas instaladas nos Estados Unidos não fossem lucrativas o suficiente para continuar explorando os campos de petróleo e gás de xisto (aquele obtido através do fracking).

Mas o setor do fracking resistiu: conseguiu reduzir seus custos e economizar suas margens de lucro. Embora o barril de Brent tenha caído até o raro valor de US$ 30, dois anos depois a Arábia Saudita cedeu e convenceu seus parceiros da Opep, pouco a pouco, a voltar subir o preço do óleo.

Agora, a situação e inverteu, e é a enorme produção dos EUA que determina preços e estabiliza o mercado.

Nesse contexto, a nova elite governante no país persa adotou uma nova estratégia que consiste em iniciativas sem precedentes, como a privatização parcial da Saudi Aramco, a empresa estatal de energia.

Isso faz parte das mudanças promovidas pelo príncipe Mohamed Bin Salman, homem forte do governo determinado a reformar a economia do país.

Mas embora os Estados Unidos superem a Arábia Saudita no volume de produção, alguns analistas enfatizam que essa batalha não é medida apenas pelo número de barris diários.

Samantha Gross, especialista em segurança energética da Brookings Institution em Washington, diz que, mesmo que produza menos do que seu concorrente, a Arábia Saudita manterá sua posição de liderança no mercado energético global.

GETTY IMAGES – Mudança pode afetar diretamente mercados da América do Sul e Europa

“O petróleo saudita é produzido por uma única entidade, a Saudi Aramco, de propriedade e administrada pelo Estado, e por isso não é governada unicamente por critérios de benefício econômico. A indústria de energia dos Estados Unidos nunca atuará de forma coordenada, seguindo as diretrizes do Estado”, diz Gross.

Diferenças como essa levam a especialista a concluir que o predomínio saudita, embora questionado, ainda é válido.

2. Venezuela ainda mais castigada

Os efeitos do potencial novo panorama também seriam sentidos na América Latina.

O grande gigante regional do petróleo, a Venezuela, verá sua já maltratada economia ainda mais castigada.

AFP – Falta de investimentos prejudicou o setor petrolífero venezuelano

O analista De la Cruz acredita que a ineficiência e as deficiências estruturais do setor petrolífero venezuelano o tornarão totalmente incapaz de competir com os produtores americanos.

Enquanto a produção dos EUA sobe desde a presidência de Richard Nixon (1969-1974), a venezuelana perdeu 600 mil barris diários.

Nas circunstâncias atuais, desencadeada por uma hiperinflação imparável, “a Venezuela não tem capacidade para produzir ou importar. As possibilidades de ser atualmente um ator no mundo do petróleo foram cortadas”, diz De la Cruz.

O petróleo venezuelano também é muito pesado, então é preciso importar naftas (matéria-prima do petróleo) mais leves de outros países, entre eles os Estados Unidos, para obter uma mistura comercializável. Mas a falta de liquidez do país afetou seriamente sua capacidade de adquirir essas matérias-primas do exterior.

AFP – Especialistas concordam que a Venezuela precisa importar petróleo leve para obter uma mistura mais comercializável

“O petróleo fornece à Venezuela 96% da moeda estrangeira de que ela precisa desesperadamente, então o governo de Nicolás Maduro dará prioridade às exportações para obtê-las. Por isso, o mercado doméstico é que será mais e mais esgotado”, diz De la Cruz.

O que isso significa para o venezuelano comum? “Mais filas em postos de gasolina”, ele responde.

Os problemas do setor petrolífero venezuelano também terão efeitos no quadro regional.

“O socialismo do século 21 usou a ferramenta da geopolítica do petróleo, com o fornecimento de petróleo subsidiado para os países do Petrocaribe e os da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América)”, diz o especialista.

De acordo com sua visão, muitos desses países podem estar tentados a ouvir propostas potenciais de fornecedores alternativos.

3. Possíveis ameaças ao meio ambiente

Grupos ambientalistas alertaram que a política de fracking seguida pelo governo Donald Trump representa uma ameaça para o meio ambiente.

O fim das restrições à exportação e a autorização para construir áreas de exploração em áreas protegidas, como o Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Alasca, provocaram preocupação entre os ambientalistas.

Eles também temem que o novo panorama prolongue a vida dos combustíveis fósseis, como o petróleo, e desencoraje o investimento em energias mais limpas.

Grupos de ambientalistas temem que os danos ao meio ambiente ocorram com decisão dos EUA

Lisa Viscidi, especialista em energia e meio ambiente no centro de análise The Dialogue, de Washington, argumenta que “pode ​​haver algum impacto se a produção aumentar, mas isso depende mais dos preços globais do que de outros fatores”.

A analista afirma que, por se tratar de um mercado global, “um único país não faz a diferença”.

A experiência vivida pelos EUA em 2014 indica que em contextos de grande oferta e preços baixos a demanda aumenta, mas isso não implica necessariamente em um aumento das emissões de poluentes.

“Tudo depende das políticas que os países e as empresas seguem, se são eficientes”, diz Viscidi.

4. Mais independência para os EUA no Oriente Médio

Agora que têm seu abastecimento de petróleo garantido, os Estados Unidos podem se libertar de sua dependência tradicional de abastecimento dos focos exportadores do Oriente Médio.

Cenários como a Crise do Petróleo de 1973 ou a Guerra do Golfo de 1990, quando a turbulência na região levou ao aumento do preço do petróleo, são impensáveis ​​hoje.

AFP – Anúncio de Donald Trump sobre a embaixada em Jerusalém provocou protestos em países islâmicos

“Embora os EUA continuem importando 7 milhões de barris por dia, não têm mais medo de um embargo de petróleo”, explica De la Cruz.

“Tornam-se menos vulneráveis à chantagem, como a da Opep.”

Assim, o país “ganha independência para gerenciar sua própria política na região”, sem temer que isso possa afetar criticamente sua economia, como ocorria no passado. “Ele já não é mais dependente dos países árabes”, diz o especialista.

Para ele, isso ajuda a explicar por que Donald Trump se atreve a tomar decisões sem precedentes, como anunciar a transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém – mesmo sob protestos de todo o mundo islâmico.

5. Mais força para os países europeus contra a Rússia

O passo à frente do gigante americano também afeta a Europa, uma das áreas tradicionalmente mais dependentes da energia produzida pela Rússia.

GETTY IMAGES – Guerra do Golfo fez o preço do petróleo disparar

No passado, Moscou usou a fonte de energia como uma ferramenta de pressão. Em várias ocasiões, interrompeu o fornecimento de gás para a Ucrânia e outros países do Leste Europeu a poucas semanas do início do inverno.

De la Cruz explica que a Europa “estará agora em melhor posição de negociação com fornecedores russos, como a empresa de gás Gazprom, uma vez que poderá exercer a vantagem de outro potencial fornecedor”.

Em todo caso, a Rússia ainda possui uma vantagem decisiva nesta área. Pode fazer esses recursos chegarem por meio de gasodutos e tubulações, enquanto os barris dos EUA só podem chegar pelo mar, a um custo maior.

AFP – Agora a Europa poderá ter uma alternativa na negociação com a Rússia

É uma desvantagem competitiva que ainda pesa e fará com que “a Rússia mantenha sua influência”.

Mas De la Cruz não descarta que em alguns anos essa situação também seja revertida.

“O gás natural líquido pode ser o combustível do futuro e substituir o petróleo. Desenvolver isso é um dos projetos fortes nos quais a gestão Trump poderia apostar nos próximos cinco anos.”

Fonte: BBC Brasil.com

Edição: Plano Brasil

 

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5 de fevereiro de 2018: 28 anos, 2 meses e 26 dias da queda do Muro de Berlim

Em 5 de fevereiro de 2018, fim da separação física da cidade completa mesmo tempo que sua existência. Berlim reunificada ainda guarda resquícios do Muro, mas divisão está quase completamente superada.

Alemães dos dois lados ocupam o Muro de Berlim em 11 de novembro de 1989

Berlim comemora nesta segunda-feira (05/02) uma data histórica: 28 anos, 2 meses e 26 dias da queda do Muro. Você deve estar se perguntando por que esse aniversário quebrado é tão importante? É que a data coincide exatamente com o período que o Muro dividiu a capital alemã: 28 anos, 2 meses e 26 dias.

Ou seja, nesta segunda-feira, o fim da divisão física da cidade completa o mesmo tempo que a sua existência. Por isso, esta data coincidente está sendo chamada de Dia do Círculo (Zirkeltag) pela imprensa local. Palestras e uma exposição fotográfica no Memorial do Muro de Berlim marcam esse aniversário um pouco diferente de um dos episódios mais emblemáticas da história berlinense.

Erguido em 13 de agosto de 1961, o Muro impedia a fuga de cidadãos da República Democrática Alemã (RDA) para a Alemanha Ocidental. Até esta data, a RDA já havia perdido um sexto de sua população. Embora a segurança na fronteira entre as duas Alemanhas estivesse “resolvida” pelo regime comunista, em Berlim ainda era possível, sem muito esforço, fazer a travessia para o lado capitalista. Afinal, a cidade era dividida entre dois Estados e não tinha uma clara fronteira física.

Assim, para acabar com a evasão, do dia para a noite uma cerca de arame farpado restringiu a movimentação dos moradores. Aos poucos, o arame foi sendo trocado por blocos de concreto e abrindo espaço para a “faixa da morte”, como essa região composta por diversas barreiras de muros, cercas e torres de observação na fronteira entre a parte ocidental e oriental era conhecida na Alemanha Ocidental. Nessa faixa era proibida a circulação de pessoas e nem é preciso dizer por que ela ganhou esse apelido.

Nos 28 anos, 2 meses e 26 dias em que dividiu a cidade, o Muro foi constantemente aperfeiçoado e mesmo assim não evitou completamente a fuga de cidadãos da RDA. Mais de 70 túneis foram construídos ao longo da fronteira. As tentativas de fuga também custaram vidas. Pelo menos 140 pessoas foram mortas tentando atravessar para o outro lado.

O Muro determinou ainda o desenvolvimento da cidade, pois cada lado tomou um rumo diferente até 9 de novembro de 1989, quando a divisão física veio abaixo. Pouco tempo depois, as Alemanhas e as Berlins voltaram a ser uma só.

Hoje, 28 anos, 2 meses e 26 dias após a queda do Muro, poucas coisas ainda lembram essa divisão. Resquícios do Muro restam em pouquíssimos pontos da cidade. A sua área mais extensa, a East Side Gallerie, com 1,3 quilômetro de extensão, perdeu alguns metros nos últimos anos devido à construção de empreendimentos imobiliários e continua ameaçada por investidores que desejam construir na faixa de terra localizada entre o rio Spree e essa lembrança da Guerra Fria.

O tempo foi ainda unindo a cidade arquitetonicamente. Edifícios em péssimo estado de conservação, localizados no antigo lado oriental, foram restaurados. Prédios modernos foram construídos em ambas as Berlins, o bonde que só passa na RDA avançou para o lado ocidental, e a “faixa da morte” mais larga dentro da cidade, a Potsdamer Platz, transformou-se num grande centro comercial povoado de arranha-céus.

Poucas marcas desta divisão permanecem, como as típicas construções habitacionais da União Soviética, conhecidas como Plattenbau, nos bairros Marzahn ou Lichtenberg, a imponente avenida Karl Marx Allee e a tradicional rua de compras Kurfürstendamm, apelidada de Ku’damm pra facilitar a pronúncia. Ou ainda os pares de instituições e atrações, localizadas uma em cada lado da antiga cidade: os dois zoológicos, as duas bibliotecas estaduais, as duas óperas.

Quase três décadas após sua queda, o Muro foi substituído por uma marcação no chão para evitar seu esquecimento e deu origem a uma ciclovia de 160 quilômetros. E para aqueles que acham que não há nada novo para se descobrir nesta história, o Muro continua surpreendendo. Recentemente foi anunciada a descoberta de uma parte esquecida durante a demolição e de um antigo túnel de fuga.

  • Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às segundas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

 

Fonte: DW

 

Muro de Berlim se foi há tanto tempo quanto existiu

Barreira dividiu a cidade por 28 anos, 2 meses e 26 dias, mesmo tempo que sua queda completa neste 5 de fevereiro. Berlinense que lutou contra o Muro relembra sua história.

Construção do Muro de Berlim, em agosto de 1961

O Muro de Berlim dividiu a cidade entre leste e oeste por exatamente 28 anos, dois meses e 26 dias. E esta segunda-feira (05/02) marca um ponto de virada: o Muro não existe mais pelo mesmo tempo em que esteve de pé.

A construção, iniciada em 1961, foi projetada para impedir a fuga de alemães orientais para o oeste, o que forçou os fugitivos a criar métodos mais criativos para conseguir chegar à Alemanha Ocidental. Alguns conseguiram a ajuda de prestativos berlinenses ocidentais para tentar atravessar por onde ninguém conseguiria vê-los: pelo subsolo.

Holzapfel: “Sempre haverá pessoas que irão lutar contra a injustiça”

Estima-se que cerca de 70 túneis foram escavados por baixo do Muro de Berlim. Recentemente, um arqueólogo encontrou a entrada de um desses túneis próximo ao parque Mauerpark. A redescoberta desenterrou a história de um homem cuja oposição ao Muro começou com o seu empenho em abrir uma passagem subterrânea em direção ao leste.

“Você não podia simplesmente escavar neste tipo de solo. Você tinha que realmente ‘abrir’ o caminho”, afirmou o então berlinense ocidental Carl-Wolfgang Holzapfel. “Isso foi o que tornou tudo tão difícil e frustrante. Às vezes, eu tinha a sensação de que não estava chegando a lugar algum.”

Em 1963, Holzapfel, juntamente com amigos, começou a escavar sob um armazém desativado no bairro de Wedding. O objetivo do grupo era chegar a um porão a 80 metros de distância localizado no lado oriental do Muro para que Gerhard Weinstein, um conhecido de Holzapfel, pudesse escapar para a Alemanha Ocidental e se reencontrar com a filha.

Holzapfel começou a protestar contra o muro aos 17 anos de idade

Após quatro meses de trabalho árduo, as notícias do esforço do grupo chegaram à Stasi, o serviço secreto da antiga Alemanha Oriental. Weinstein e outras 20 pessoas que planejavam usar o túnel para fugir foram detidas. Holzapfel nunca mais ouviu falar delas.

Holzapfel, hoje com 73 anos, teve uma amarga decepção ao receber a notícia, mas insiste que os esforços de seu grupo não foram totalmente em vão. “Foi um lembrete de que sempre haverá pessoas que irão lutar contra a injustiça e que encontrarão maneiras de miná-la”, afirma.

Para Holzapfel, o túnel marcou o início de uma luta que duraria quase três décadas. “Aos 17 anos, eu disse para mim mesmo: você lutará contra esse Muro – porque ele é injusto – até vê-lo cair ou até fim da sua vida”, lembra.

Em 1965, ele foi preso durante uma manifestação pacífica no posto de fronteira conhecido como Checkpoint Charlie e passou nove meses na terrível prisão da Stasi no bairro de Hohenschönhausen. Após ser liberado, Holzapfel continuou protestando e permaneceu convicto de que veria a Alemanha reunificada.

No 28º aniversário da construção, em 1989, Holzapfel se envolveu na bandeira alemã e se deitou sobre a linha divisória

No 28º aniversário da construção do Muro, em 1989, Holzapfel fez talvez o seu mais simbólico ato de protesto. “Eu pensei: agora, eu preciso fazer algo para mostrar claramente a loucura de se dividir uma cidade”, diz.

Ele se envolveu na bandeira alemã e deitou no chão do Checkpoint Charlie – com o coração e a cabeça no leste e os pés no oeste – e a linha branca que marca a fronteira parecia correr sobre seu corpo. “Assim como eu sou obviamente um corpo, Berlim é um todo, e a Alemanha é um todo”, argumentou.

Menos de três meses depois, em 9 de novembro de 1989, o Muro de Berlim caiu. No dia seguinte, Holzapfel se encontrava no ponto da praça Postdamer Platz onde leste e oeste se encontravam. “Eu estava chorando. Não havia nada melhor – e nada pode superar esse sentimento.”

Há planos para que o túnel de Holzapfel seja preservado e integrado ao Memorial do Muro de Berlim. Para ele, retornar à entrada do túnel é sempre uma experiência emocionante. “Mas não é apenas a minha história. É um pedaço da história de Berlim”, diz.

Fonte: DW

Opinião: O Muro de Berlim ainda existe

Neste mês de fevereiro igualam-se o período de existência da barreira entre as duas Alemanhas e o transcorrido desde sua queda. Mas as velhas fronteiras entre Leste e Oeste perduram, opina o jornalista Marcel Fürstenau.

Berlim: exatamente o mesmo tempo com e sem o Muro

Eu cresci com a presença do Muro de Berlim, ele ficava a só umas centenas de metros do meu playground. Na adolescência – nesse meio tempo, nós tínhamos nos mudado –, eu olhava pela janela da cozinha para o outro lado, para o leste de Berlim.

Eu estava cercado, mas me sentia livre. E não era só autossugestão, pois podia viajar para toda parte, a qualquer momento. Até mesmo para a Alemanha Oriental (RDA), onde viviam nossos compatriotas que não podiam vir até nós. A não ser que fossem aposentados.

Quando, em 13 de agosto de 1961, foi construída aquela monstruosidade, com seus 160 quilômetros de extensão, eu ainda não existia, só vim ao mundo um ano e pouco mais tarde. Portanto o Muro era mais velho, mas eu sobrevivi a ele.

Agora eu já existo há quase o dobro do tempo que a “muralha antifascista” – assim os governantes da Alemanha comunista denominavam sua misantrópica, mortal construção, que corajosos cidadãos do Leste fizeram após insuportavelmente longos 28 anos, dois meses e 26 dias. E neste 5 de fevereiro completa-se exatamente esse mesmo tempo que o Muro de Berlim é história.

Portanto ele não existe mais, exceto alguns restos que foram preservados. E que são também necessários para dar à posteridade ao menos uma ideia das consequências que muros podem ter sobre os seres humanos, consequências que costumam perdurar ainda por muito tempo.

O elemento desagregador do passado se torna presente quando eu converso com antigos cidadãos da RDA sobre a vida deles na Alemanha unificada; quando, por exemplo, eles reclamam, geralmente com razão, de suas aposentadorias mais baixas. É vergonhoso elas ainda não terem sido integralmente equiparadas, passados mais de 28 anos da queda do Muro.

Não me espanto nem um pouco que muitos alemães-orientais continuem se sentindo como cidadãos de segunda classe. Nunca entendi por que das elites da RDA foram substituídas, em sua maioria, por gente do Oeste.

No caso de funcionários especialmente contaminados pela ideologia política, percebo a motivação, óbvio. Mas a purgação em empresas, universidades, ciência e cultura foi, para o meu gosto, muito mais além da medida absolutamente indispensável. Em pleno 2018, a presença alemã-oriental nos postos de liderança de todos os setores da sociedade está muito abaixo da média.

Devo considerar um consolo o fato de há 13 anos a minha chefe de governo ser Angela Merkel, socializada na Alemanha Oriental, porém nascida em Hamburgo? Não estou sendo tão sarcástico quanto pareça: pelo contrário, tenho plena convicção que teríamos avançado muito mais em termos de reunificação interna se houvesse mais gente do tipo de Merkel nas funções mais altas. Esse foi um dos motivos por que lamentei Joachim Gauck não ter se candidatado para um segundo mandato presidencial, em 2017.

No que se refere a um outro campo da política, há muito parei de querer entender: refiro-me à consequente marginalização do partido A Esquerda, originário da RDA. Até hoje os conservadores cristãos da CDU/CSU no governo se recusam a apresentar propostas em conjunto com os esquerdistas – o caso mais recente foi o debate sobre o antissemitismo, em meados de janeiro.

Esse é um tema em que todas as bancadas – excetuada a da Alternativa para a Alemanha, de tendência ultradireitista – estão de acordo: o antissemitismo deve ser incondicionalmente repudiado. Ainda assim, democrata-cristãos e social-cristãos se recusaram a unir forças com A Esquerda. Nesse momento, o mais tardar, eu teria desejado uma intervenção decidida de Angela Merkel, enquanto chanceler federal e líder da União Democrata Cristã (CDU)!

Para mim não há dúvida: quem até os dias atuais rejeita toda uma ala política em razão de suas raízes históricas, carece de maturidade democrática. É assim que se cimentam muros mentais num país em que o Muro de concreto caiu em 9 de novembro de 1989 – portanto 28 anos, dois meses e 27 dias atrás.

A atual data, em que essa barreira completa exatamente o mesmo tempo de não existência do que de pé, seria o momento ideal para também demolir os últimos muros nas cabeças. Os jovens nos mostram como isso é possível: para a grande maioria deles, Leste e Oeste não passam de pontos de orientação geográfica.

Recentemente celebrei na minha família o primeiro casamento alemão-alemão – como se diria antigamente. Ambos nasceram poucos anos antes da queda do Muro de Berlim, ele, no estado de Baden-Württemberg, ela, na Saxônia. Hoje o casal vive em Leipzig, a cidade dois heróis, cujos cidadãos contribuíram decisivamente para a revolução pacífica da RDA, com seus legendários “protestos de segunda-feira”.

Felizmente histórias como essa são normais entre a geração de meus parentes mais jovens, à qual também pertencem os meus filhos. Muitos dos mais velhos poderiam tomá-los como exemplo, embora isso seja difícil para grande parte deles, por motivos em parte compreensíveis.

Marcel Fürstenau

No que se refere aos responsáveis na política, desejo que também os últimos “guerreiros frios” finalmente reconheçam os sinais do tempo e façam jus à própria responsabilidade. Só aí os últimos muros também poderão cair.

  • Marcel Fürstenau é jornalista da DW

Fonte: DW