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Embraer e Boeing negociam criação de uma terceira empresa

Embraer e Boeing estão negociando a criação de uma terceira empresa na tentativa de contornarem as condições do governo federal em torno de uma eventual aquisição da companhia brasileira, afirmou hoje (2) uma fonte do governo.

Uma segunda fonte com conhecimento das negociações disse que uma nova proposta da empresa norte-americana foi apresentada ontem (1) e não inclui a área de defesa da Embraer, que desenvolveu o cargueiro militar KC-390. “A Boeing apresentou ontem uma nova proposta. Ela será estudada e analisada pelo comitê monitora as discussões”, disse hoje a segunda fonte.

As empresas tornaram público em dezembro que estavam discutindo uma aliança depois que as rivais Airbus, da Europa, e Bombardier, do Canadá, acertaram uma parceria em torno dos jatos regionais CSeries, do grupo canadense.

O governo brasileiro detém uma golden share na Embraer, mecanismo que dá poder de veto em decisões estratégicas da fabricante brasileira, como uma eventual aquisição da companhia. “O acordo caminha na direção da criação de uma terceira empresa”, disse a primeira fonte.

As ações da Embraer lideravam as altas no Ibovespa nesta sexta-feira, exibindo às 14h31 valorização de 4,6%. Mais cedo, o papel chegou a subir cerca de 9% com publicação de notícia no blog da jornalista Miriam Leitão, do grupo “Globo”, que afirmou que a Embraer teria aceitado a segunda proposta da Boeing.

Procurada, a Embraer não comentou o assunto até a publicação desta reportagem. A Boeing afirmou no Brasil que estrutura uma possível aliança com a Embraer e que o assunto ainda está sendo estudado.

A área de defesa da Embraer, apesar de representar apenas 20% da empresa brasileira, é a que desde a década de 1970 tem impulsionado os avanços tecnológicos da companhia e atualmente desenvolve uma série de projetos com forte apelo para a soberania nacional.

Em meados do mês passado, uma outra fonte com conhecimento das discussões tinha afirmado à Reuters que os modelos de parceria entre as empresas poderiam ser um “market agreement”, uma joint venture ou um acerto sobre desenvolvimento conjunto de tecnologias.

Na ocasião, a fonte comentou que as autoridades brasileiras estudaram a fundo outros casos de parceria e também a situação comercial da Boeing. A avaliação obtida foi que parcerias como as que a companhia norte-americana firmou com empresas australianas e britânicas do setor não interessariam serem copiadas pela Embraer por envolveram, em grande parte, prestação de serviços, segundo a fonte.

Redação, com Reuters

Fonte: Forbes

 

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Líderes internacionais condenam “revisão nuclear” dos EUA

Alemanha reforça o coro de condenação às intenções de Trump de expandir o arsenal nuclear nacional. Antes, os anúncios de Washington haviam sido criticados pela China e Rússia. Irã aponta hipocrisia e violação do TNP.

Ministro do Exterior da Alemanha, Sigmar Gabriel, apela para que Europa lidere iniciativa pelo desarmamento

O ministro alemão do Exterior, Sigmar Gabriel, uniu-se ao coro crítico contra a decisão recentemente anunciada pelos Estados Unidos de renovar e expandir seu arsenal nuclear. Segundo Gabriel, agora é hora de a Europa tomar a dianteira na iniciativa pelo desarmamento nuclear global.

“Como nos tempos da Guerra Fria, nós, na Europa, estamos especialmente ameaçados por uma nova corrida armamentista nuclear”, declarou neste domingo (04/02). “Precisamente por isso, devemos lançar novas iniciativas para controle de armas e desarmamento.”

O comentário do chefe da diplomacia da Alemanha veio em reação à assim chamada Revisão da Postura Nuclear, divulgada na sexta-feira, em que a administração Donald Trump delineia sua nova estratégia militar e nuclear. Além disso, o Pentágono classificou Rússia e China como as principais ameaças aos EUA.

Gabriel admitiu que a anexação da península ucraniana da Crimeia pelo governo de Vladimir Putin provocou uma “dramática perda de confiança na Rússia”, tanto nos EUA quanto na Europa. “Os sinais de que a Rússia está se rearmando, não só convencionalmente, mas com armas nucleares, são óbvios.”

No entanto, ao invés de desenvolver novas armas, Berlim se empenhará “junto a seus aliados e parceiros” pela continuação do desarmamento global e para que “os tratados de controle de armas existentes sejam mantidos incondicionalmente”, prometeu.

Pressão internacional contra Trump

Os comentários do social-democrata Sigmar Gabriel vieram na esteira de uma série de críticas por diversos países, inclusive aqueles mencionados especificamente no relatório do Pentágono.

Segundo chanceler iraniano, Donald Trump (foto) estaria violando Tratado de Não Proliferação de 1970

O Ministério da Defesa da China declarou-se “em firme oposição” à estratégia nuclear proposta pela administração Trump, descartando-a como baseada em pura especulação quanto às prioridades militares de Pequim.

“Esperamos que os EUA abandonem sua mentalidade de Guerra Fria, assumam responsabilidade pelo desarmamento nuclear e avaliem de forma justa os desdobramentos da China em assuntos de defesa e militares”, instou o órgão.

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, igualmente condenou neste domingo as estratégias propostas pelo Pentágono, acusando Trump de hipocrisia ao se opor ao programa nuclear iraniano. “Como alguém pode falar de paz mundial, quando ao mesmo tempo fala de novas armas nucleares e ameaça seus principais inimigos?”, comentou.

Na véspera, o ministro do Exterior do país, Mohammad Javad Zarif, advertira no Twitter que a política nuclear de Washington colocaria a humanidade “mais próxima da aniquilação”, acrescentando que ela viola o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), assinado em 1970 por quase todos os países, inclusive os EUA.

Declarando-se “profundamente decepcionado”, o governo da Rússia igualmente criticou no sábado a proposta americana, por seu caráter “belicoso e antirrusso”, assegurando que responderá à altura para garantir a própria segurança.

Fonte: DW

China acusa EUA de terem “mentalidade da Guerra Fria” por sua política nuclear

A China está de novo no alvo da Administração de Donald Trump. Semanas após o relatório de segurança nacional norte-americano ter catalogado o país asiático e a Rússia como “poderes revisionistas”, Pequim foi apontado – ao lado de Moscou – como pretexto para modernizar a capacidade nuclear de Washington.

Militares chineses, na base de Zhurihe, em junho de 2017 – REUTERS

XAVIER FONTDEGLÒRIA

As autoridades chinesas negam o rearmamento, dizem que os Estados Unidos interpretam equivocadamente o desenvolvimento militar de seu país e atribuem esse erro a “uma mentalidade própria da Guerra Fria” por parte do atual ocupante da Casa Branca.

O Ministério da Defesa do país asiático rejeitou neste domingo, de forma contundente, as acusações feitas por Washington. “Esperamos que os EUA abandonem sua mentalidade própria da Guerra Fria (…) e vejam de maneira objetiva a defesa nacional chinesa e seu desenvolvimento militar”, afirmou a pasta, em nota, alegando que seu arsenal atômico tem um objetivo dissuasivo e que seu compromisso é não ser o primeiro a utilizar o arsenal em caso de conflito.

Além de seu desenvolvimento econômico, a China dedica cada vez mais recursos ao seu Exército (cerca de 547 bilhões de reais, segundo o último orçamento), transformando-se no segundo país do mundo com maiores gastos militares, atrás dos EUA. As forças armadas estão imersas num processo de modernização baseado sobretudo na melhoria de sua Marinha e sua Força Aérea, com ênfase especial na atualização de sua capacidade cibernética e na tecnologia de mísseis balísticos.

Devido à intenção da Administração Trump de revisar sua política nuclear, nesta semana o jornal oficial do Exército Popular de Libertação pediu que seja seguido esse mesmo caminho para que a China não fique para trás ante os avanços dos EUA e da Rússia. Até agora, nenhum alto funcionário político ou militar confirmou planos nesse sentido.

Embora a China tenha aumentado consideravelmente seu poder bélico, em número de armas atômicas continua bem atrás dos EUA e da Rússia. Segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo (Sipri), em 2017 Pequim armazenava 270 ogivas nucleares, contra 7.000 e 6.800 de Moscou e Washington, respectivamente.

“A paz e o desenvolvimento são tendências globais irreversíveis. Os EUA deveriam tomar a iniciativa e seguir essa via em vez de ir contra ela”, afirmou o Ministério da Defesa chinês, lembrando que manterá seu arsenal nuclear “nos patamares mínimos”. O relatório que o Pentágono apresentou na sexta-feira, contudo, explica que Pequim “está expandindo sua considerável força nuclear de forma pouco transparente”. O texto, que defende a criação de ogivas nucleares de menor rendimento que as atuais – embora igualmente devastadoras –, ressalta a preocupação de Washington sobre a Coreia do Norte, a China e o Irã, mas o enfoque recai sobretudo na Rússia.

Fonte: El País