Defesa & Geopolítica

Submarino: Projetado para desaparecer no mar

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Marcia Carmo

Nove dias após a última comunicação feita pelo submarino argentino ARA San Juan, a cada minuto aumenta a sensação de que nenhum dos 44 marinheiros sairá do episódio com vida.

“Encontrá-los vivos já será mais do que um milagre, por causa da reserva de oxigênio (limitada) do submarino”, disse à BBC Brasil o engenheiro naval Martín D’Elía, professor da Universidade Tecnológica Nacional (UTN), de Buenos Aires e de Mar del Plata.

Projetados para desaparecer no mar

A operação resgate do submarino ARA San Juan já envolve treze países e equipes do Canadá e da Rússia também devem chegar nas próximas horas ao país. Nos últimos dias, aviões, barcos e robôs fazem parte das buscas do submarino que foi fabricado na Alemanha. “A maior tecnologia naval do mundo está reunida nesta operação de busca”, disse o coronel argentino da reserva Rubén Palomeque, da coordenação de resgate do ARA San Juan.

No entanto, até a tarde desta sexta-feira, apesar da modernidade dos equipamentos, não havia notícia do paradeiro da embarcação dos anos 1980. O ARA San Juan, segundo a Marinha argentina, realizava uma patrulha de rotina nos mares do país contra barcos ilegais. O engenheiro Martin D’Elia disse que submarinos são “uma arma de guerra” e “construídos para não serem encontrados”. A profundidade do local onde poderia estar a embarcação também pode complicar o resgate, segundo ele.

Quando perguntado por que tantos países, com suas tecnologias de “última geração”, não podiam encontrar o submarino, ele respondeu: “Estamos vendo a magnitude do que é um submarino, ou seja de como é difícil encontrá-lo”.

Martin D’Elia afirmou que, de acordo com a última comunicação, o submarino poderia estar na fronteira entre a plataforma marítima argentina, onde a profundidade seria em torno dos 200 metros, e as águas internacionais, cuja profundidade atinge 4 mil metros. Nesse caso, mesmo os mais modernos dispositivos de busca – os veículos submergíveis americanos a controle remoto – seriam de pouca utilidade, já que suportam descer a 1,5 mil metros da superfície.

“Os submarinos podem ser usado para colocar minas flutuantes ou para ataques marinhos. E são mesmo desenhados para não serem detectados”, disse o engenheiro naval. Ex-tripulante do ARA San Juan, Horacio Tobías, disse, por sua vez, que “quando o submarino está submerso, está sozinho no mundo, ele e o oceano”.

D’Elia explicou que radares, por exemplo, não podem detectá-lo porque o submarino “tem pouca emissão de calor”.

O especialista acrescentou que o submarino irradia calor, ondas magnéticas e de som desenvolvidos “para ser o mais discreto possível”. O ARA San Juan navega com motor elétrico e também a diesel – quando está submerso funciona com o elétrico, que “é muito silencioso”, e, quando emerge da água, usa combustível fóssil.

“Sem radiação térmica e com o ínfimo barulho que produz, é muito difícil encontrá-lo. O sistema, o isolamento do som, o desenho do submarino, fazem com que a detecção magnética seja a menor possível. Outros barcos que usam sensores não o detectam e, quando o detectam, percebem-no quase como uma boia”, afirmou.

Ele recordou que, no fim dos anos 1960, no período da guerra fria, um submarino russo (submarino K129) afundou a mais de 4 mil metros de profundidade e, tempos depois, os americanos o encontraram. A embarcação foi localizada graças ao mesmo sistema de “hidrófonos” – que identificou a explosão – espalhados pelo oceano, que foram criados por prevenção bélica e registram permanentemente os ruídos no fundo do mar.

Sem caixa preta

O caso do submarino desaparecido gerou uma série de questionamentos entre os familiares dos marinheiros e em setores políticos do país sobre se algum dia se saberá exatamente o que aconteceu com a embarcação.

O perito naval e vice-presidente da Liga Naval Argentina, Fernando Morales, disse que um submarino militar não é como os aviões e não leva caixa preta, por questões de segurança. “Seria um perigo, caso ele caísse em mãos inimigas”, afirmou.

O desaparecimento do ARA San Juan provocou ainda dúvidas sobre o procedimento da Marinha argentina. O porta-voz Balbi disse que foram respeitados protocolos internacionais, esperadas as 36 horas determinadas para o início das buscas e o pedido de ajuda internacional. Segundo ele, não é esperado que um submarino se comunique constantemente com a base porque ele é feito para ter “independência” na navegação.

Surgiram ainda questionamentos sobre as condições do submarino, que tinha passado por revisão quatro anos atrás, segundo informação oficial. E sobre os recursos destinados às Forças Armadas na Argentina.

“As Forças Armadas vivem com falta de investimentos desde o início dos anos 1990. E hoje deveríamos nos perguntar como um caso como este (do submarino) não ocorreu antes”, disse o professor de defesa e de segurança internacional da Universidade de Buenos Aires (UBA), Sergio Eissa.

Segundo ele, no início da década de 1990, as Forças Armadas contavam com um orçamento de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) e no fim daqueles anos somente com 0,9% do PIB – o que foi mantido até 2013, quando houve um “aumento irrisório”.

Sergio Eissa disse o problema supera a restrição orçamentária: a Argentina possui frota marítima dos anos 1970 e 1980, defasada em relação à tecnologia atual.

Nesta sexta-feira, o presidente argentino Mauricio Macri falou à nação, no prédio das Forças Armadas, em Buenos Aires, dizendo que o caso do submarino deve ser investigado e lamentou a “dor dos familiares” dos tripulantes do ARA San Juan. Ele afirmou ainda que não é hora de “se aventurar em buscar culpados até que exista informação completa sobre o que aconteceu”.

Na TV, na véspera, a mulher de um dos marinheiros, a advogada Itatí Leguizamón, disse: “o culpado são os anos de abandono da Marinha”.

Fonte: BBC Brasil.com

Edição: Plano Brasil

 

9 Comments

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  2. “Os culpados são os anos de abandono da Marinha”…
    Perfeito.
    Por aqui nossas forças também passam por este perrengue: Orçamento reduzido e mal empregado, inchaço nos dependentes/folha de pagamentos, que sugam boa parte destes parcos recursos.
    2018 está chegando. Teremos uma boa oportunidade de tentar dar emprego para pessoas(políticos) mais compromissados com a nossa defesa.

  3. jose luiz esposito says:

    GILMAR , tens toda a Razão mas é mais fácil esperarmos sentados , as Castas Dominantes desde 1889 , não permitem nada de Interesse da Nação , somente de Interesse deles , vejam que o nosso Orçamento é todo Loteado , se o Governante quiser mudar a Disposição financeira será derrubado !!

  4. O texto descreve o San Juan como se este estivesse ativo ainda, como sendo a arma furtiva perfeita. Esqueçe que o que procuram são destroços e nada mais. O submarino pode ter virado um amontoado de pequenas seções do tamanho de um carro e isso tudo espalhado no leito profundo do oceano. O resto é retórica, resenha para ocupar a mídia. A pergunta é quando vão encerrar esta busca e dá-lo como desaparecido.

  5. sergio ribamar ferreira says:

    Concordo com os revoltados.

  6. claudio quadros says:

    para mim armada Argentina deveria se força simbólica .guarda costeira mais nada época guerra Malvinas eles abandonou exércitos a força aeria só porque afundaram um dos seus navios principais e submarino correu para portos medo guerra, Temos que enfrenta ate fim .pobres jovens soldados exercito argentinos lutaram bravamente ate fim bravo soldados ingles lutava ate fim os ingles perderam vários navio lutaram isso que armada ingles .armada argentina tem somente lanças navios resgaste só ja esta bom tamanho .

  7. claudio quadros says:

    O Brasil duas guerra marinha de guerra do Brasil perdemos vários navios assim mesmo foi para guerra não fugimos agora armada argentinos contra chile ficaram medo contra ingles também para que ? mante armada medroso poem vida jovens perigos .

  8. Cesar A. Ferreira says:

    Nada até agora, 22:02…

  9. Cesar A. Ferreira says:

    Saudações,

    Caso seja um torpedo não se perceberá nenhum rombo. Não há um furo, ou algo que indique uma penetração, mas com sorte um bordo estilhaçado devido a uma explosão, ou um rasgo, caso a detonação não seja muito próxima.

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