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Opinião: Cooperação em Defesa na UE chega mais que na hora

Conquista histórica ou mais uma tentativa fadada ao fracasso? A ideia de cooperação militar entre atuais países-membros é mais velha que a própria União Europeia. Talvez desta vez dê certo, opina Bernd Riegert.

Battlegroup europeu em operação de 2014

Os problemas das Forças Armadas da União Europeia (UE) são conhecidos há muito tempo. O novo presidente dos Estados Unidos não foi o primeiro a colocar o dedo na ferida. Em diversos Estados do bloco, os Exércitos têm financiamento insuficiente, equipamento inapropriado, são pequenos demais, ineficazes, ou, como é o caso da alemã Bundeswehr, só parcialmente mobilizáveis, por não estarem preparados para tarefas modernas e a guerra na era digital.

Isso tudo deverá melhorar com a futura cooperação para a defesa, a que nem todos os países-membros da UE serão filiados. A iniciativa chega mais que na hora, pois a UE precisou de 17 anos para um consenso quanto ao princípio básico: a decisão sobre uma política de defesa comum para o bloco data do ano 2000, na cúpula europeia em Nice.

Porém, a nova união não significa, em absoluto, um Exército europeu unificado, integrado. Tal coisa faria sentido, mas não é praticável, por diversos motivos políticos. Este primeiro passo envolve, inicialmente, uma melhor coordenação no desenvolvimento e aquisição de armas, veículos e equipamentos. Projetar um caminhão para 23 Forças Armadas é simplesmente mais eficiente e barato do que ter de inventar tudo de novo, a cada vez. Uma constatação óbvia, mas para que os Estados da UE precisaram de décadas.

É claro que interesses político-industriais desempenham aqui um papel central. Cada nação deseja preservar sua própria indústria armamentista, até para não ficar inteiramente dependente dos EUA. Para alguns países da UE, armas são um importante bem de exportação.

Cabe ver se, no próximo grande projeto armamentista, lucratividade e eficiência se imporão como critérios. Apenas a vontade política de finalmente encarar essas lacunas, em si, já tem o seu valor.

A UE quer provar que melhor cooperação pode dar resultados. Em questões como impostos ou migração, a coordenação europeia tem tropeçado. Agora cabe justamente ao setor armamentista provar que o “projeto de paz” Europa tem relevância para os cidadãos.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a França e a Alemanha estão felizes de, com a união para a defesa, ter um novo projeto com o qual, excepcionalmente, quase todos estão de acordo. Ironicamente, a coisa só foi adiante porque o maior empecilho, o Reino Unido, se exclui voluntariamente.

A Otan, que, no fim das contas, é responsável pela defesa da Europa, observa o novo projeto com bons olhos, pois no longo prazo ele promete maiores gastos com armamentos e mais aptidões militares – urgentemente necessárias – para os europeus.

Alguns cidadãos afirmam que a coordenação armamentista da UE seria uma forma de impor limites em relação aos EUA. O governo Donald Trump provavelmente não vê a questão assim, até onde se pode deduzir das confusas declarações de Washington.

Enquanto os europeus estiverem dispostos a gastar mais e, assim, aliviar a carga dos EUA, está tudo bem com o comerciante Trump, que não tem uma estratégia política ou militar. A UE faz bem em se preparar, caso os EUA – ou melhor, Trump – quiserem reduzir sua presença militar na Europa ou suas regiões vizinhas.

Bernd Riegert

Um primeiro passo foi dado em Bruxelas. Mas o caminho ainda é longo até a UE chegar a ser uma verdadeira potência militar. O bloco dispõe, por exemplo, de uma agência armamentista que em 13 anos produziu muita papelada, mas nenhum tanque conjunto.

A discussão sobre um Exército europeu é ainda mais antiga do que a própria União Europeia e suas antecessoras: em 1950 firmou-se uma resolução de cooperação militar semelhante. Ela nunca foi implementada. Talvez desta vez dê certo.

  • Bernd Riegert é jornalista da DW

Fonte: DW

 

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Conflitos Destaques Estado Islãmico Estados Unidos Geopolítica Síria Terrorismo

O acordo secreto que garantiu a fuga de centenas de homens do Estado Islâmico na Síria

Imagine dirigir um caminhão pelas cidades bombardeadas da Síria… com extremistas do autoproclamado Estado Islâmico na caçamba.

Até pouco tempo atrás considerada a capital do Estado Islâmico, a cidade de Raqqa, na Síria, foi retomada pelas Forças Democráticas Sírias no mês passado.

Mas só agora veio à tona a verdade sobre o acordo que foi feito para dar fim à batalha pela cidade.

Ele foi aceito pela coalizão das Forças Democráticas Sírias – liderada pelos curdos e integrada por soldados de dezenas de nacionalidades e religiões diferentes.

Pensava-se que apenas alguns jihadistas locais do EI tinham sido liberados, sem carregarem armas. Nenhum tipo de armamento nem extreministas vindos de outros países teriam saído da cidade.

No entanto, vídeos feitos por cinegrafistas amadores mostram um combio de caminhões carregando centenas de combatentes do EI – durante a evacuação, a presença da mídia não foi permitida e nenhuma filmagem da fuga foi autorizada.

Os motoristas foram contratados pelas Forças Democráticas Sírias. Eles ouviram que dirigiriam por algumas horas levando civis para fora da cidade.

Mas na verdade tiveram que carregar jihadistas, boa parte estrangeiros, por dias.

O eixo de um dos caminhões chegou a quebrar porque estava sobrecarregado com as armas carregadas pelos extremistas em fuga.

Trauma e medo

Um motorista diz que havia 47 caminhões, 13 ônibus e alguns veículos dos próprios combatentes.

“Nosso comboio chegava a seis ou sete quilômetros de comprimento. Levamos 4 mil pessoas, incluindo mulheres e crianças”, diz.

 

Aeronaves da coalizão de defesa da Síria sobrevoaram o comboio sem fazer nada.

Os caminhões passaram pela vila de Shanina. Lá, um comerciante diz que os extremistas deixaram a estrada principal, pegando uma trilha no deserto. Eles disseram que iriam decapitar qualquer um que os denunciasse.

“Vai demorar um pouco para nos livrarmos do trauma e do medo”, afirma uma moradora. “A gente sente que eles podem voltar para nos pegar ou mandar espiões. Ainda não temos certeza de que eles realmente se foram.”

Por que há uma guerra na Síria?

A guerra civil na Síria já dura mais de seis anos. Ela começou com a perseguição da oposição pelo governo de Bashar al-Assad durante a revolta inspirada pela chamada Primavera Árabe.

A violência rapidamente aumentou no país: grupos rebeldes se reuniram em centenas de brigadas para combater as forças oficiais e retomar o controle das cidades e vilarejos.

Em 2012, os enfrentamentos chegaram à capital, Damasco, e à segunda cidade do país, Aleppo.

O conflito já havia, então, se transformado em mais que uma batalha entre aqueles que apoiavam Assad e os que se opunham a ele – adquiriu contornos de guerra sectária entre a maioria sunita do país e xiitas alauitas, o braço do Islamismo a que pertence o presidente.

Durante a presidência de Barack Obama, os Estados Unidos culpavam Assad pela maior parte das atrocidades cometidas no conflito e exigiam que ele deixasse o poder como pré-condição para a paz.

A rebelião armada da oposição evoluiu significativamente desde suas origens.

O número de membros da oposição moderada secular foi superado pelo de radicais e jihadistas – que defendem a chamada “guerra santa” islâmica. Entre eles estão o autointitulado Estado Islâmico e a Frente Nusra, afiliada à al-Qaeda.

Os combatentes do EI – cujas táticas brutais chocaram o mundo – criaram uma “guerra dentro da guerra”, enfrentando tanto os rebeldes da oposição moderada síria quanto os jihadistas da Frente Nusra.

Hoje a principal força lutando contra o EI são as Forças Democráticas Sírias, uma aliança de milícias de sírios curdos, árabes, assírios, armênios, turcos e circassianos. Eles defendem um governo secular e democrático e são apoiados pelos Estados Unidos e por potências europeias como o Reino Unido e a Alemanha.

Fonte: BBC Brasil.com

Edição: Plano Brasil

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Rússia: EUA estão fornecendo cobertura para o Daesh (Estado Islâmico) na Síria

Ministro da Defesa da Rússia Sergei Shoigu.  FotoREUTERS / Dondi Tawatao

Os Estados Unidos estão fornecendo cobertura para unidades do Estado Islâmico na Síria e apenas fingindo combater o terrorismo no Oriente Médio, disse o Ministério de Defesa da Rússia, nesta terça-feira.

O ministério disse que a Força Aérea norte-americana tentou impedir ataques da Rússia contra militantes do Estado Islâmico nas redondezas da cidade síria de Albu Kamal.

“Esses fatos são evidências conclusivas de que os Estados Unidos, embora simulando uma luta inflexível contra o terrorismo internacional para a comunidade global, na realidade fornecem cobertura para unidades do Estado Islâmico”, disse o Ministério de Defesa.

Reportagem de Denis Pinchuk

Fonte: Reuters

Edição: Plano Brasil

EUA combaterão Estado Islâmico na Síria “enquanto eles quiserem lutar”, diz Mattis

Foto: Reuters – Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis

O Exército norte-americano irá combater o Estado Islâmico na Síria “enquanto eles quiserem lutar”, disse o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis, na segunda-feira, descrevendo um papel de longo prazo para os soldados dos EUA, previsto para muito depois que os insurgentes perderem todos os territórios que controlam.

No momento em que forças apoiadas pelos EUA e pela Rússia lutam para retomar os terrenos restantes sob controle do Estado Islâmico, Mattis disse que o objetivo de longo prazo do Exército norte-americano será impedir o retorno de um “Estado Islâmico 2.0”.

“O inimigo ainda não declarou que eles terminaram com a área, então nós continuaremos lutando enquanto eles quiserem lutar”, disse Mattis, falando com repórteres no Pentágono sobre o futuro das operações dos EUA na Síria.

O secretário também destacou a importância de esforços de paz a longo prazo, sugerindo que as forças norte-americanas visam ajudar a estabelecer condições de uma solução diplomática na Síria, que enfrenta agora seu sétimo ano de guerra civil.

Reportagem de Phil Stewart

Fonte: Reuters

 

 

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Conflitos Destaques Estados Unidos Geopolítica

Na ONU Coreia do Norte culpa EUA por “pior situação da história”

Foto US Navy – Porta-aviões USS Ronald Reagan (CVN 76), USS Theodore Roosevelt (CVN 71) e USS Nimitz (CVN 68) / Pacífico Ocidental, 12 de novembro de 2017

Por Michelle Nichols

A Coreia do Norte se queixou à Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira sobre exercícios militares conjuntos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, que descreveu como “a pior situação de todos os tempos” porque equipamentos nucleares dos EUA foram mobilizados prontos para atacar.

Em uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, vista pela Reuters, o embaixador norte-coreano, Ja Song Nam, disse que os EUA estão “enlouquecendo por exercícios de guerra introduzindo equipamentos nucleares de guerra dentro e ao redor da Península Coreana”.

Três grupos de ataque de porta-aviões norte-americanos participaram do exercício conjunto no Pacífico Ocidental, uma demonstração de força rara realizada enquanto o presidente Donald Trump visita a Ásia. A última vez em que três grupos de ataque de porta-aviões se exercitaram juntos no local havia sido em 2007.

PACÍFICO OCIDENTAL [12 de novembro de 2017] – Os porta-aviões USS Ronald Reagan (CVN 76), USS Theodore Roosevelt (CVN 71) e USS Nimitz (CVN 68) e seus grupos, conduzindo operações em águas internacionais como parte de um exercício de ataque.

Seul disse que o exercício conjunto, que deve terminar na terça-feira, foi uma resposta às provocações nucleares e de mísseis da Coreia do Norte e uma demonstração de que tais avanços de Pyongyang podem ser repelidos com “força esmagadora”.

Mas Ja disse que Washington tem culpa pela escalada nas tensões e acusou o Conselho de Segurança da ONU de ignorar “os exercícios de guerra nuclear dos Estados Unidos, que estão determinados a causar um desastre catastrófico à humanidade”.

Ja pediu a Guterres que leve à atenção do conselho de 15 membros, por meio do raramente usado Artigo 99 da Carta da ONU, “o perigo representado pelos exercícios de guerra nuclear dos EUA, que são ameaças claras à paz e à segurança internacionais”.

Fonte: Reuters

Edição: Plano Brasil

 

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Conflitos Israel

Israel se prepara para a escalada do conflito na Palestina

© AFP 2017/ JACK GUEZ

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, responsabilizará o Hamas em caso de um ataque vindo da Faixa de Gaza.

Neste domingo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, advertiu que seu país responderá “de forma muito dura” a qualquer ataque, não importa de onde venha, informou o jornal The Times of Israel.

Estas declarações podem estar relacionadas às ameaças do Movimento da Jihad Islâmica na Palestina feitas no dia 30 de outubro. Tel Aviv destruiu um túnel que essa organização teria construído entre a Faixa de Gaza e o território israelense, em um ataque aéreo, durante o qual 12 de seus membros morreram.

Durante uma reunião de seu gabinete de ministros, Netanyahu declarou que considerará “o Hamas responsável por cada ataque” que venha da Faixa de Gaza, ou que seja planejado no local.

Israel recorreu à essa retórica oficial em um momento em que as duas principais organizações palestinas, Fatah e Hamas, estão tentando celebrar um acordo que garanta a unidade política da Palestina a partir de 1 de dezembro.

Um dia antes, o ministro da Defesa israelense encarregado do relacionamento com os palestinos, o general Yoav Mordechai, transmitiu um vídeo no YouTube, no qual advertiu os líderes do movimento Jihad Islâmica Palestina que o seu país ofereceria “uma resposta dura e determinada” a qualquer ataque dessa organização.

O grupo, por outro lado, rejeitou a mensagem de Mordechai, que considerou como “uma declaração de guerra”.

Por sua vez, o coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov, expressou através do Twitter sua preocupação com a situação, comentando que “as ações e asserções imprudentes dos militantes em Gaza criam o risco de uma perigosa escalação”.

Fonte: Sputnik