Defesa & Geopolítica

Paradise Papers: offshores expõem relações entre Trump e Rússia e citam ministros de Temer

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© AFP 2017/ Odd Andersen, Jim Watson

Mais de 120 políticos e líderes mundiais estão citados no Paradise Papers, iniciativa de investigação coordenada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) e que mostra os interesses e atividades junto a empresas offshores, sediadas em paraísos fiscais – como já revelado anteriormente em outra apuração, o Panamá Papers.

Os ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Blairo Maggi (Agricultura), ambos integrantes do governo do presidente brasileiro Michel Temer (PMDB), também constam na investigação, que contou com mais de 380 jornalistas de todo o mundo, seguindo os passos de cidadãos de ao menos 67 países.

Entre as figuras conhecidas e que são mencionadas essão a rainha britânica Elizabeth II, membros do governo do presidente dos EUA, Donald Trump e o “genro” do presidente russo Vladimir Putin, e ainda o chefe de arrecadação da campanha do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.

Os arquivos denominados Paradise Papers revelam “interesses e atividades offshore de mais de 120 políticos e líderes mundiais, incluindo a rainha Elizabeth II, cuja propriedade privada indiretamente investiu em uma empresa de empréstimo de aluguel acusada de táticas predatórias”.

Treze aliados, principais doadores e membros do gabinete de Trump aparecem nos documentos, de acordo com o ICIJ. Entre estes estão os “interesses do secretário de Comércio Wilbur Ross em uma empresa de transporte marítimo que lucra milhões de uma empresa de energia, cujos proprietários incluem o genro russo Vladimir Putin e um magnata russo sancionado”, disse o ICIJ, prometendo mais histórias relacionadas nos próximos dias.

Os arquivos também incluem detalhes de planejamento tributário por quase 100 corporações multinacionais, incluindo Apple, Nike e Uber – que escapam de impostos por meio de manobras contábeis cada vez mais imaginativas.

Entre os brasileiros citados pela investigação, o ministro Henrique Meirelles criou uma fundação nas Bermudas para gerir sua herança, a Sabedoria Foundation – é o chamado trust. Criado em 2002, este fundo foi aberto com US$ 10 mil e receberá bens apenas após a morte de Meirelles, informou o ministro ao site Poder360, representante brasileiro na apuração do ICIJ. O dinheiro foi declarado à Receita Federal, mas a legislação brasileira é bem pouco clara quanto à essa modalidade, informa a mesma publicação.

Já o ministro Blairo Maggi é beneficiário de uma empresa nas Ilhas Cayman, em uma sociedade firmada em 2010 entre uma de suas empresas e a gigante holandesa Louis Dreyfus, especializada no processamento de grãos. Por meio da sua assessoria, Maggi declarou não receber dinheiro advindo da offshore, afirmando se tratar apenas de um beneficiário indireto. Tributaristas consultados pelo Poder360 disseram que, a princípio, a situação descrita pelo ministro é tida como regular perante as autoridades brasileiras.

Origem dos dados

Os dados vêm de vazamentos ligados à empresa de advocacia offshore Appleby, baseada em Bermuda ,que admitiu nas últimas semanas que tinha sido alvo de uma violação de dados. O ICIJ disse que 95 parceiros de mídia estavam envolvidos na peneiração de 13,4 milhões de arquivos vazados, de uma combinação de arquivos vazados de escritórios de advocacia offshore e registros de empresas em alguns dos países mais secretos do mundo.

Os arquivos foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung. A Appleby disse, em uma declaração em 27 de outubro, que seus dados foram roubados em um ataque cibernético no ano passado. A firma também disse que recebeu consultas do ICIJ, que surgiram de documentos que os jornalistas alegavam ter visto e estariam envolvidos em alegações contra a Appleby e os negócios conduzidos por alguns de seus clientes.

“A Appleby investigou minuciosamente e vigorosamente as alegações e estamos convencidos de que não há provas de qualquer irregularidade, tanto por parte de nós mesmos quanto de nossos clientes. Nós refutamos quaisquer alegações que possam sugerir o contrário e gostaríamos de cooperar plenamente com qualquer investigação legítima e autorizada das alegações pelas autoridades competentes e relevantes”, comentou a firma.

A empresa acrescentou que ficou desapontada com o fato de a mídia ter usado material obtido ilegalmente, o que poderia resultar na exposição de partes inocentes em violação de proteção de dados.

“Tendo investigado as alegações do ICIJ, acreditamos que elas são infundadas e com base na falta de compreensão das estruturas legítimas e legais usadas no setor offshore”, completou.

O lançamento ocorreu quase 18 meses depois que as revelações dos Panamá Papers, apuração que abalou o mundo com dados de 11,5 milhões de documentos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca. O primeiro-ministro islandês Sigmundur Gunnlaugsson foi forçado a renunciar após revelações relacionadas a contas offshore. O ICIJ diz que pelo menos 150 investigações, auditorias ou investigações foram anunciadas em 79 países ao redor do mundo na parte de trás das revelações.

Fonte: Sputnik

Paradise Papers testam limites entre legal e ilegal

Novos vazamentos lançam luz sobre as atividades fiscais de políticos e de algumas das figuras mais ricas do mundo. Mas a maior parte das questões levantadas parece ser mais de ordem ética do que jurídica.

Primeiro foram os Panama Papers, agora são os Paradise Papers. Acabam de ser revelados os segredos do exótico e nebuloso mundo da contabilidade offshore, onde empresas atendem alguns dos clientes mais ricos e poderosos do mundo em meio a martinis e iates luxuosos.

O imenso vazamento dos Paradise Papers, detalhando alguns dos métodos offshore utilizados por algumas das empresas e indivíduos mais ricos e poderosos do mundo para burlar impostos, é um eco dos Panama Papers, divulgados em abril de 2016

Como da primeira vez, a história do Paradise Papers deverá dominar a agenda de notícias por semanas e meses e trazer constrangimento e intenso escrutínio para pessoas e empresas que costumavam manter seus segredos bem longe dos holofotes.

Mas quanto do que será revelado, por mais surpreendente que seja, é ilegal? Será que as questões a surgir serão mais de ordem ética e moral do que jurídica?

Uma questão de ética

O vazamento dos Panama Papers mexeu em todos aqueles lugares que, aos olhos dos envolvidos, jamais deveriam ter sido revirados. As implicações foram generalizadas e ainda estão em curso. No entanto, como observou em tom irônico o então presidente dos EUA, Barack Obama, na ocasião: “Não há dúvida de que o problema da evasão fiscal global seja geralmente um grande problema. O problema é que muitas dessas coisas são legais, e não ilegais.”

E é aí que reside a dificuldade – muito do que foi revelado e será revelado é, aos olhos de muitos, repugnante e pouco edificante, talvez até imoral e antiético. Mas ilegal? Na maioria dos casos, não.

Tome como exemplo o que foi divulgado até agora. Sim, cerca de 10 milhões de libras do dinheiro da rainha Elizabeth foram investidas em empresas nas Ilhas Cayman e nas Bermudas, mas, até o momento, não há indícios de que a lei tenha sido violada.

Da mesma forma, a revelação de que Stephen Bronfman – conselheiro próximo do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau – ajudou a transferir milhões de dólares para contas e fundos offshore é, também, mais uma questão de ética.

Um aluno de economia aprende que a elisão de impostos é legal, ao tempo que a evasão (ou sonegação fiscal) é ilegal. Essa é a linha que empresas de serviços corporativos offshore, como a Appleby e a Mossack Fonseca – ambas no centro dos dois escândalos – aprenderam a traçar com tanta desenvoltura nas últimas décadas.

Os Paradise Papers revelam não só quem está escondendo patrimônio, mas também a miríade de formas cada vez mais complexas utilizadas para evitar impostos e esconder riqueza em paraísos fiscais offshore.

Muitos dos métodos de “investimento” usados no exterior são complexos, labirínticos. Eles foram criados a partir de métodos desenvolvidos para ajudar determinadas pessoas a evitarem desde o pagamento de impostos em um jato ou iate privado até estruturas corporativas de dimensões incalculáveis.

Mudança ainda distante

Mas por quanto tempo mais isso pode continuar de maneira legal? A tempestade que cercou o vazamento dos Panama Papers e que inevitavelmente envolverá o caso Paradise significa que os políticos serão cada vez mais pressionados a regulamentar uma área cada vez mais problemática. Mas ainda falta ação efetiva.

Existem inúmeras questões jurídicas e morais, além das preocupações fiscais estritamente literais, que surgem como resultado da prática nebulosa inerente a muitos esquemas e estruturas criadas para evitar o pagamento de impostos.

Ou como coloca o artigo principal do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos: “Enquanto ter uma entidade offshore é muitas vezes legal, o sigilo intrínseco atrai lavadores de dinheiro, traficantes de drogas, cleptocratas e outros que desejam operar na penumbra. Empresas offshore, muitas vezes meras ‘fachadas’ sem empregados ou escritórios, também são usadas em complexas estruturas de evasão fiscal que drenam bilhões de tesouros nacionais”.

Além disso, existem as questões éticas e morais acima mencionadas que surgem quando figuras poderosas – particularmente políticos ou aqueles com influência no mundo político – são vistas levando quantidades de riqueza frequentemente obscenas fora do alcance de seus próprios erários nacionais, enquanto supostamente pedem aos outros que atuem no interesse nacional.

O vazamento dos Panama Papers levou mais de 300 economistas a escrever uma carta para os líderes mundiais, pedindo uma mudança na política de tributação global. “A existência de paraísos fiscais não contribui para a riqueza ou o bem-estar global. Eles não têm nenhum propósito econômico útil”, escreveram.

Outro ponto é a incômoda proximidade que os links revelam entre empresas offshore e vários criticados regimes estrangeiros. Um dos clientes da Appleby, por exemplo, foi a Glencore, uma empresa que garantiu os direitos de mineração na extremamente corrupta República Democrática do Congo, mas que a Appleby não comentou especificamente sobre.

A realidade é que, embora grande parte do que é revelado através do vazamento de dados é comprometedor em termos éticos, morais e políticos, até agora pouco disso se revelou ilegal. Paraísos fiscais offshore são uma parte aceita da vida, e sua existência contínua há décadas é prova disso.

Os Paradise Papers, assim como os Panama Papers, poderão colocar um grande número de pessoas ricas e poderosas numa saia-justa nas semanas e meses seguintes. Resta saber se a ponto de parar nos tribunais.

Fonte: DW

 

 

 

21 Comments

  1. Pingback: Paradise Papers: offshores expõem relações entre Trump e Rússia e citam ministros de Temer | DFNS.net em Português

  2. Tinha que dar um fim nesses paraísos fiscais, isso é um incentivo para esses multi-milionários roubarem, desviarem e sonegarem recursos de seus países.

    Mas ninguém vai fazer isso pois são os ricos que controlam o mundo, então esses vazamentos na prática não servem pra nada.

    • Resquícios de uma mente outrora socialista, Alessandro ???!!!… o dinheiro é do indivíduo e uma vez recolhido os impostos, o que ele faz com ele é problema seu… quanto ao caso dos sonegadores e ladrões do erário público, tem que meter em cana e buscar ressarcimento… hoje em dia não dá mais para esconder nada… só não ressarcem os cofres públicos quando o agente estatal imbuído de buscar esses recursos escondidos é conivente ou incompetente para tal… os sistemas bancários mundiais são todos ligados e passíveis de rastreamento… o problema é que muitos usam outros recursos para esconder a grana ilícita… por exemplo, apartamentos com malas de dinheiro em espécie… ai só contando com delações e trairagens para se chegar ao dinheiro desviado/fraudulento…

      • DUVIDAS ? .. vem cá cidadão de orelha .. você … ora é lucas,ora é zé ninguém,ora é bluesyes,na ressistência ..,ora anônimo …as vezes o teu chapa SS-88 te chama de rola-bosta .. cara ! … realmente … como tu quer ser chamado ?

      • Eu sou hétero e casado, meu chapa… tente com outro…

      • Lucas me fala pra que serve na prática esses paraísos fiscais ?

        eu sei que o dinheiro é do indivíduo e ele faz oq bem entender, mas o dinheiro ganho HONESTAMENTE

        Se ninguém roubasse, esses países e ilhas não teria serventia nenhuma, então a minha critica é sobre isso, e não pq quero controlar o dinheiro dos outros.

        eu já fui esquerdista, mas não sou mais não rsrs…

  3. nao vai acontecer nada pois a turminha do temer faz tudo que os gringos mandam pode destruir vender tudo dar por fogo que a suposta justiça so vai continuar prendendo preto , e pardo pobre e alguns branquinhos tambem mas tem que ser pobre

    faz o que voce quiser temer naos nao temos comando mesmo .poem fogo nessa bagaça

  4. Meus caros,

    permita-me, lhes contar algo, mas, antes já aviso; está tudo interligado, você pode até não entender, mas, está.

    A Saudi Aramco é uma empresa de petróleo criada em 1933 como resultado de um acordo de concessão entre o governo saudita e a empresa norte-americana Standard Oil of California. O nome original é California-Arabian Standard Oil Company; Desde 1944, a empresa foi chamada Arabian American Oil Company.

    Em 1950, o rei Abdul Aziz ibn Saud ameaçou nacionalizar o petróleo no país, forçando o parceiro americano a concordar com a divisão dos lucros 50/50. A sede da empresa então foi transferida de Nova York para a Arábia Saudita (Dhahran). Em 1973, após o apoio americano a Israel durante a guerra de Yom Kippur, o governo da Arábia Saudita adquiriu uma participação de 25% na empresa, aumentando sua participação para 60% até 1974. Finalmente, em 1980, a empresa tornou-se 100 por cento detida pelo governo saudita. Em novembro de 1988, a empresa recebeu um novo nome – a Saudi Arabian Oil Company (ou Saudi Aramco). Esta é a maior empresa da Arábia Saudita, a base de toda a economia saudita e do sistema financeiro. Até recentemente, 90 por cento dos lucros da empresa foram para o orçamento do estado.

    A Saudi Aramco não é uma empresa pública, não possui ações negociadas no mercado e não publica demonstrações financeiras. Isso torna a avaliação da empresa um pouco difícil, mas ninguém duvida que a Saudi Aramco é a maior empresa de petróleo do mundo.

    Ela possui mais de 100 campos de petróleo e gás na Arábia Saudita com reservas de pelo menos 264 bilhões de barris de petróleo, que é estimado em cerca de um quarto das reservas exploradas do mundo desta matéria-prima. O volume de produção da empresa não é demonstrado claramente, há dados apenas por alguns anos. Assim, em 2013, a Saudi Aramco produziu 3,4 bilhões de barris de petróleo bruto. A produção anual de petróleo e gás em um único ano é equivalente, de acordo com alguns especialistas, é cerca de duas vezes maior que a maior empresa americana Exxon Mobil.

    Se, vocês pesquisarem, iram notar perceber que notavelmente, a Saudi Aramco nunca aparece nas classificações das maiores companhias de petróleo do mundo, uma vez que não publica indicadores financeiros como lucro, volume de negócios, ativos e capitalização de mercado. Portanto, as primeiras linhas de classificação são realizadas pela American ExxonMobil e Chevron, Chinese Sinopec e PetroChina, Anglo-Dutch, Royal Dutch, Shell, British BP e French Total.

    No entanto, todos aqueles entendem deste mercado, sabem que esses líderes do mundo do setor de petróleo são anões no contexto da Saudi Aramco.

    Pois bem, sendo assim, foi uma sensação quando no início de 2016 houve a declaração por parte da administração da Saudi Aramco sobre os planos de privatização de uma parte da empresa através do procedimento IPO (oferecendo ações para venda no mercado de ações). Vários representantes oficiais do governo da Arábia Saudita afirmaram que o produto da privatização da Saudi Aramco seria utilizado principalmente para o desenvolvimento da própria empresa. Hoje, a empresa se dedica principalmente à extração e exportação de petróleo bruto, mas é necessário transformar a Saudi Aramco em uma empresa multidisciplinar com processamento profundo de matérias-primas de hidrocarbonetos; O dinheiro atraído seria enviado para criar instalações para a produção de produtos petrolíferos e uma ampla gama de produtos petroquímicos.

    Outra versão dos motivos da privatização seria que o dinheiro da venda parcial da Saudi Aramco iria formar um fundo soberano nacional. É dito sobre os planos para torná-lo o maior fundo soberano do mundo no valor de 2 trilhões. Para financiar a partir dele um programa de grande escala para diversificar a economia saudita. O país neste caso deveria preparar-se antecipadamente para sair da “idade do petróleo”, e especializar-se em mono-produto (óleo). Na verdade, na Arábia Saudita, um intenso trabalho está em andamento para criar esse programa. Recentemente, em Riade, realizou-se trabalhos da primeira conferência “Iniciativa de Investimento do Futuro”, na qual representantes da Arábia Saudita anunciaram alguns parâmetros do futuro programa de reestruturação de sua economia.

    Posto isso, a Arábia Saudita, propos colocar ações da Saudi Aramco, equivalente a cerca de 5% do capital da empresa a venda. Para entender o quanto isso seria em termos absolutos, precisamos de uma estimativa do possível valor de mercado da empresa. Pois bem, quase no dia seguinte ao anúncio de uma possível venda de parte da empresa (era janeiro de 2016), uma avaliação sensacional do analista de petróleo independente Mohammed al-Sabban, que já havia trabalhado como consultor sênior do Ministério do Petróleo da Arábia Saudita, apareceu nos meios de comunicação mundiais. Ele estimou a empresa em 10.000.000.000.000 (dez trilhões) de dólares. Isso mesmo, 10 trilhões.

    Para comparação, observo que a capitalização da maior companhia petrolífera americana ExxonMobil em 2016 dificilmente ultrapassou US $ 350 bilhões.

    Mais tarde, no entanto, a espuma do sensacionalismo nas estimativas começou a desaparecer. Começou a ser colocado números mais razoáveis, mais frequentemente algo como 2 trilhões. Isso significava, que a Arábia Saudita seria capaz de ganhar com a venda de 5% da Companhia um montante igual a cerca de 100 bilhões.

    A partir daí, a liderança da Arábia Saudita negociou com potenciais bolsas de valores onde as ações da Saudi Aramco poderiam ser lançadas. Os contendores principais foram considerados as bolsas de valores de Nova York e Londres. Entre eles, houve até uma disputa pelo direito de realizar primeiro a operação. Riad começou a jogar habilmente o suficiente nesta competição, negociando as taxas de comissão para colocação.

    Mas, no entanto, vejam só, desde o início deste ano, as avaliações de mercado da Saudi Aramco diminuíram inesperadamente. As estimativas de capitalização da empresa, cotada em astronômicos valores, começaram a desaparecer…

    Acredite, a empresa de consultoria Wood Mackenzie estimou a Saudi Aramco em valor geral em algo como US $ 400 bilhões de dólares, o que a reduziu ao valor da ExxonMobil. Em anonimato, os consultores ocidentais falaram sobre a necessidade de se fazer um “desconto” no preço da empresa saudita, já que é estatal e nos mercados de valores mobiliários, todos os emissores governamentais devem, por definição, ser vendidos com um “desconto”…

    Este raciocinio se daria porque a Saudi Aramco hoje tem uma taxa de imposto de 50% dos lucros, mas, poderia ocorrer amanhã o governo saudita como proprietário da empresa com um golpe de caneta fazer retornar à taxa de 90%. Além disso, teme-se que os preços do petróleo nos próximos anos sejam baixos, e a Saudi Aramco não poderá fazer um grande lucro. No entanto, tudo isso não explica por que as avaliações da empresa saudita ficaram tão baixas em um ano…

    Agora, senta que lá vem a historia, os especialistas consideram que na verdade a razão de tudo isso seria por conta da pressão que Washington faz em Riad sobre o assunto, que em parte pode ser chamado de petróleo e em parte de moeda, ou seja, o petro-dolar.

    A pressão de Washington, por sua vez, é uma resposta à pressão exercida sobre Riad pela China, que procura garantir que a Saudi Aramco lhe forneça petróleo não mais por dólares, mas por yuan. Isso mesmo, YUAN.

    A China hoje tornou-se o maior importador mundial de petróleo, empurrando os Estados Unidos para o segundo lugar. Ao mesmo tempo, a China é o principal comprador do petróleo da Arábia Saudita, e eles não querem pagar mais pelo ouro preto com a moeda americana. Um número de exportadores de petróleo para a China já fez uma transição parcial ou total para os cálculos no RMB. Vai vendo, estes são, em primeiro lugar, a Nigéria e o Irã. Recentemente, a Rússia também começou a fornecer petróleo para a China por yuan (embora, no entanto, sua participação seja insignificante).

    A Arábia Saudita, no entanto, dependente dos Estados Unidos como ela é, até agora recusou os cálculos em yuan. É verdade que essa recusa é dispendiosa: a China a substitui gradualmente por outros fornecedores. Até recentemente, os sauditas ocuparam o primeiro lugar no fornecimento de petróleo para a China, agora foram pressionados para o segundo lugar pela Rússia. Se a coisa continuar assim, a saudita Aramco pode perder completamente o mercado chinês.

    Riad está entre o martelo e a bigorna. Literalmente, e vocês vão entender já já isso….

    É difícil imaginar que tipo de retaliações podem atingir a Arábia Saudita vindas do lado do Oceano Atlântico se vender pelo menos um barril de petróleo na moeda chinesa.

    Isso será um desafio direto ao petrodólar, que nasceu na Arábia Saudita na década de 1970 após as negociações entre Henry Kissinger e o Rei Faisal. Washington adverte estritamente a Riad que se abstenha de um passo mal considerado para substituir o dólar pelo yuan no comércio com a China.

    Este será um exemplo para outros participantes no mercado do petróleo (o comércio de petróleo pode começar a ser efetuado em rublos, rupias, rials, etc.). E, amanhã, a epidemia de transição para moedas nacionais pode se espalhar para outros mercados de commodities(olha o Brasil aí). Por sinal, Pequim, este ano, começa a negociar suas trocas de commodities da mesma forma como quer negociar petróleo, ou seja, em YUAN, e eles afirmam que este é apenas o primeiro passo…

    Segundo informações, já haveria agentes próximos do presidente dos EUA, pressionando para bloquear a colocação das ações da Saudi Aramco na Bolsa de Valores de Nova York. Há sinais de um jogo de downgrade organizado contra a companhia petrolífera saudita. Nessas condições, Riad relatou o adiamento da colocação de ações por tempo indeterminado.

    No entanto, é fato, a situação ainda não está resolvida, a Arábia Saudita ainda terá que escolher entre o dólar e o yuan.

    Vejam como o jogo aqui é pesado, ao aumentar a pressão sobre Riad, Pequim ofereceu simultaneamente aos sauditas para comprar diretamente 5% por cento da Saudi Aramco sem usar o ritual usual de colocar ações nos mercados de ações ocidentais. O recado foi; eu estou pronto para pagar por isso um preço “justo” (cerca de US $ 100 bilhões). As autoridades chinesas já anunciaram que estão formando um consórcio de empresas de energia e financeiras, bem como o Sovereign Fund of China, para comprar uma “parte” da empresa saudita. Este consórcio, conforme relatado pela mídia chinesa, está pronto para se tornar um investidor âncora da Saudi Aramco.

    Desta forma, o trunfo de Pequim no jogo de xadrez com Washington neutralizaria a ameaça dos EUA para interromper a venda da Saudi Aramco e, ao mesmo tempo, dá um empurrão em Riad na decisão de vender o petróleo saudita não mais em dólar, mais por yuan.

    Mas, a coisa não para por aí, porque eis que surge neste intrincado triângulo Pequim – Riade – Washington uma outra importante peça….a Rússia de Putin.

    A natureza deste jogo é séria, tanto é, que, uma guerra pode substituir o jogo. E, é por isso que o rei saudita visitou Moscou no início de outubro…

    Grato

    • Comentário 👍. O verdadeiro pilar da economia americana é dolar. O dólar caindo, desmorona um Castelo de cartas. Imagina o estado americano tendo que pagar juros reais de uma dívida de 19 trilhões+ ? É muito até para eles. Os EUA não acabariam, perderiam o poder de patrulhar o mundo, ainda seriam grandes, más ficariam muito mais próximos ao que hoje é a Rússia do que o status quo de agora. E com uma dívida alucinante para corroer o Estado. Muito similar a nossa realidade (porem ainda mais dramática) no qual temos que alienar quase 1/2 do PIB pagar juros (http://mobile.valor.com.br/brasil/5022724/bc-divida-bruta-do-setor-publico-alcanca-o-recorde-de-725-do-pib). O que sobra é para todo o resto.

    • Ótimo comentário, obrigado.
      Se formos observar que Gaddafi foi “executado” por querer mudar o Dólar como moeda para pagamento da exportação de petróleo pelo Dinar de Ouro é fato que qualquer tentativa de mudança no cenário comercial/financeiro mundial irá implicar em uma ferrenha batalha de bastidores. Os países pequenos podem ter seus líderes destituídos por golpes, invasões ou situações montadas mas os grandes, que podem impactar o cenário geopolítico mundial já demandam outros meios, como chantagem mesmo.
      Não é a toa então o que está acontecendo na Arábia Saudita com um monte de príncipes e autoridades sendo investigados e afastados.
      Pária usual dos EUA ao querer se aproximar de China e Rússia .. não vai ter afago do Tio Sam, bobeia inventam uma situação para inclusive bloquear os bens da família real (geralmente investidos aonde? .. nos EUA!). Por isso já sabemos, só é de fato independente no cenário global quem tem poder dissuasório “nuclear”. O resto, segue o baile de marionetes conforme os maestros.

    • cara quando baixaram o valor da empresa saudita pensei assim eles devem ter um serra psdb ou temer nessa familia real rsrs saudita , é bom se livrar desses entulhos mesmos
      ou senao tiitio sam compra ali pagando um cacho de bananas

    • Interessantíssimo. Dá uma luz em alguns acontecimentos. Onde tem mais informação? Obrigado pela postagem.

    • Mariano S Silva says:

      Ótimo Praefectus! Foi bastante esclarecedor você ter trazido estes fatos com tantos detalhes. Eu, por exemplo, nada sabia da “muvuca” com as ações da Aranco. Agora deu para entender a ponte construida até Moscou…Também deu para entender porque nossas FAs estão caladinhas…As garras do dragão foram cravadas na América Latina. Entretanto, se os EUA necessitarão tanto das Américas para empurrar suas verdinhas quase falsas e produzir suas mercadorias, deverão também entender que sua salvação irá depender da educação e do desenvolvimento econômico de toda a América. Ninguém empresta dinheiro, produz algo relevante, ou confia em mão de obra desqualificada de um favelão. Ou as Américas entram todas juntas num grande processo de crescimento equilibrado, ou iremos todos para a mesma vala!

  5. O mundo é muito mais parecido que nos supomos. A diferença é poder que alguns possuem para subjugar os outros. Más da corrupção não escapa ninguém.

  6. Os “nossos” sonegadores continuaram com sempre estiveram(principalmente depois que colocaram nas cabecas dos teleretardados, que mexer com eles e puro comunismo) roubando e sonegando muito, em especial os fabricantes de opinioes da nossa midia.

  7. Gozado que o Paradise Papers também citou os Mega-especuladores George Soros e o Jorge Paulo Lemann, mas nenhum jornalista fala deles, por que será?

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