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Conflitos

Arábia Saudita intercepta míssil de rebeldes houthis

Projétil tinha por alvo aeroporto de Riad e é interceptado nas proximidades da capital do país, sem causar danos. Ação produz forte explosão, seguida de tremor.

Imagem meramente ilustrativa

Membros da milícia rebelde houthi, do Iêmen, lançaram neste sábado (04/11) um míssil balístico contra Riad que, segundo fontes oficiais da Arábia Saudita, foi interceptado perto da capital do país pelas Forças Armadas, sem provocar danos.

O míssil foi interceptado a nordeste de Riad, nas proximidades do aeroporto internacional Rei Khaled. Os destroços caíram numa região desértica, de acordo com a emissora oficial saudita.

A ação gerou uma forte explosão, que foi seguida de um tremor. Segundo a emissora oficial, o míssil também não provocou interferências no funcionamento do aeroporto.

A agência iemenita Saba, controlada pelos rebeldes houthis, afirmou que o aeroporto era o alvo do míssil e que o projétil foi lançado com um lança-foguetes russo modificado.

Os houthis, de maioria xiita e apoiados pelo Irã, disparam com frequência projéteis contra regiões da Arábia Saudita próximas ao Iêmen. Em algumas ocasiões, os rebeldes usaram mísseis de maior alcance para tentar atingir Riad, capital do país vizinho.

A Arábia Saudita lidera a coalizão de países sunitas que interveio no conflito iemenita em março de 2015, apoiando o presidente deposto do país, Abd Rabbuh Mansur al-Hadi.

Fonte: DW

Edição: Plano Brasil

 

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Espaço Tecnologia

O remoto lugar na Terra para onde os satélites são enviados para ‘morrer’

A estação Tiangong-1 voltará à Terra em 2018, mas ainda não se sabe exatamente onde irá cair | Foto: Engenharia espacial chinesa

David Whitehouse

A estação espacial chinesa Tiangong-1 está, atualmente, fora de controle. Espera-se que ela caia na Terra em algum momento do ano que vem, mas não exatamente no local onde outros módulos espaciais terminam seus dias.

Exploradores e aventureiros, em geral, gostam de procurar novos lugares para conquistar, já que os picos mais altos já foram escalados, os polos foram alcançados e os vastos oceanos e desertos já foram atravessados.

Alguns desses lugares são chamados polos de inacessibilidade.

Dois deles são especialmente interessantes. Um é o polo continental de inacessibilidade – o local na Terra mais longe do oceano. Existe uma discussão sobre sua posição exata, mas para muitos ele fica próximo ao chamado Passo de Alataw – uma passagem montanhosa na fronteira entre a China e o Cazaquistão.

O ponto equivalente no oceano – aquele que fica mais afastado de qualquer território em terra – fica no sul do Pacífico, cerca de 2.700 km ao sul das Ilhas Pitcairn – em algum lugar na “terra de ninguém” entre a Austrália, a Nova Zelândia e a América do Sul.

Este polo de inacessibilidade oceânico não atrai apenas o interesse de exploradores – operadores de satélite também se interessam por ele.

Com o fim da vida útil de satélites e espaçonaves atualmente em órbita ao redor da Terra, a grande maioria destes artefatos irão voltar em algum momento. Mas, onde cairão?

Satélites menores geralmente se incendeiam ao entrar na atmosfera terrestre, porém alguns pedaços dos maiores conseguem sobreviver ao atrito e se chocam com o solo. Para evitar que caiam em áreas populosas, eles costumam ser conduzidos para a área em torno do ponto de inacessibilidade oceânica.

Uma área que se estende por aproximadamente 1.500 km² no leito oceânico está, aos poucos, sendo transformada num verdadeiro cemitério de espaçonaves construídas pelo homem. Na última contagem havia mais de 260 delas, a maioria russas.

Os destroços da estação espacial Mir, por exemplo, estão lá. Ela foi lançada ao espaço em 1986 e recebeu diversos cosmonautas russos e visitantes de várias nacionalidades.

Com uma massa de 120 toneladas, a estação não conseguiria queimar completamente na atmosfera. Por isso, ela foi direcionada à região em 2001, e chegou a ser vista por alguns pescadores locais como uma bola de destroços brilhantes se desintegrando enquanto percorria o céu.

Quando reentrou na atmosfera terrestre, em 2001, a estação espacial russa Mir se desintegrou quase completamente, mas alguns pedaços foram para o polo oceânico | Foto: Getty Images

Controle

Ao retornar à Terra, o módulo que leva suprimentos para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) entra em combustão nessa região, incinerando também o lixo que traz da Estação.

Esta desintegração controlada de satélites e módulos espaciais em nossa atmosfera não causa perigo para ninguém.

A região desse polo de inacessibilidade também não costuma ser frequentada por pescadores, porque as correntes oceânicas não passam pela área e, portanto, não levam nutrientes para lá, o que torna escassa a vida marinha no local.

Uma das futuras habitantes deste ponto isolado será a própria Estação Espacial Internacional.

Os planos atuais são de que ela seja desativada na próxima década e seja conduzida para o polo oceânico de inacessibilidade. Com uma massa de 450 toneladas – quatro vezes maior do que a da estação russa Mir – sua volta à Terra provavelmente será um acontecimento espetacular.

No entanto, nem sempre é possível conduzir um satélite ou estação espacial para o sul do oceano Pacífico, pois os controladores podem perder contato com ele.

A Terra é circundada por milhares de pedaços de lixo espacial, como satélites e módulos desativados | Foto: NASA

Foi exatamente isso o que aconteceu com a estação espacial Salyut 7, em 1991, que caiu na América do Sul, e também com a Skylab, primeira estação espacial americana, que atingiu a Austrália em 1979. Ninguém foi ferido e, até onde se sabe, ninguém jamais foi atingido por algum pedaço de um módulo espacial desativado.

No ano que vem, este problema se repetirá. Entre os meses de janeiro e abril, a estação chinesa Tiangong-1 voltará à Terra, em sua última viagem. Ela foi lançada em 2011, como a primeira estação espacial da China. No ano seguinte, recebeu a visita da primeira mulher astronauta chinesa, Liu Yang.

A órbita da Tiangong-1 vem declinando à medida que ela se aproxima do ponto de reentrada na atmosfera terrestre. Mas, os engenheiros chineses perderam o controle de sua trajetória e não estão conseguindo ligar seus propulsores para guiá-la até o Pacífico Sul.

Com isso, calculam que a estação cairá na Terra em algum local entre as latitudes do norte da Espanha e o sul da Austrália. Não será possível ter uma localização mais precisa de sua queda até poucas horas antes da Tiangong-1 entrar em combustão.

Mas o mais provável é que ela não se junte a suas companheiras no “cemitério de satélites”.

  • David Whitehouse foi correspondente de ciência da BBC de 1988 até 2006, editor de ciência do site da BBC News

Fonte: BBC Brasil.com

 

 

 

 

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Destaques Economia Geopolítica Negócios e serviços

“Neom”: Megacidade futurista que a Arábia Saudita quer construir

Projeto faz parte de plano mais amplo para abertura econômica com o objetivo de tornar o país menos dependente do petróleo.

Neom se estenderia pelo território da Arábia Saudita, Egito e Jordânia – Foto: GETTY IMAGES

A Arábia Saudita tem um plano para construir uma cidade futurista, onde não haverá dinheiro e o número de robôs será maior que o de seres humanos. O projeto é chamado de Neom e, pelo menos no papel, sugere a ideia de um paraíso para milionários viverem em uma bolha futurista.

Em Neom, a energia viria de painéis solares, não haveria sujeira nas ruas, tampouco tiroteios. Também não existiria trânsito, nem carros movidos a gasolina – muito menos mendigos morando na rua.

“É uma terra para pessoas livres e sem estresse. Uma startup do tamanho de um país. A nova era do progresso humano”, afirma o vídeo promocional, que mostra belas paisagens da costa do Mar Vermelho, enquanto uma melodia suave serve de pano de fundo para imagens de crianças correndo e desenvolvedores fazendo protótipos.

É esse o projeto que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, está tentando vender aos investidores.

Mais do que uma cidade, ele considera o megaempreendimento como a primeira zona econômica independente do mundo.

O plano é criar um polo comercial de 26 mil quilômetros quadrados, que se estenderia pelo território da Arábia Saudita, Egito e Jordânia, exigindo um investimento inicial de pelo menos US$ 500 bilhões.

Príncipe da Arábia Saudita – Foto: GETTY IMAGES

Os defensores da iniciativa argumentam que a megacidade será um centro global de negócios, localizado em uma das artérias econômicas mais importantes do mundo, por onde passa quase um décimo do comércio mundial.

Eles garantem que, quando a ideia sair do papel e a operação começar, todos os serviços e processos serão automatizados e, portanto, todas as transações serão realizadas por meios eletrônicos.

Um slogan que deixa clara a ambição dos sauditas afirma que Neom teria “o crescimento econômico per capita mais alto do mundo”.

Mas quem financiaria esse mundo paralelo? O Fundo de Investimentos Públicos da Arábia Saudita, presidido pelo próprio príncipe herdeiro saudita, e formado por outros investidores locais e estrangeiros.

Prédios na Arábia Saudita – Foto: GETTY IMAGES

Novo mercado global do petróleo

O projeto faz parte da série de iniciativas que busca reduzir a dependência do país em relação ao petróleo. Ao lado da megacidade, o governo saudita anunciou há alguns meses que transformará 50 ilhas do Mar Vermelho em balneários de luxo.

O objetivo é que o país deixe de ser um “petro-Estado” e passe a ter uma economia mais aberta, capaz de crescer quando os preços do petróleo estão em baixa, em um contexto em que o mundo vai se tornando cada vez mais digital e 70% da população tem menos de 30 anos.

Estima-se que a Arábia Saudita tenha um quinto das reservas mundiais de petróleo, das quais depende sua economia – 75% das exportações do país são de petróleo.

O problema é que o preço do petróleo caiu pela metade, se compararmos com seu valor há apenas três anos. E, se olharmos a longo prazo, o debate sobre as mudanças climáticas está ganhando cada vez mais força, o que poderia ter como consequência a diminuição da demanda petrolífera.

Sendo assim, o governo quer mudar a imagem do país – de um reino profundamente conservador para uma nação que está abrindo as portas ao capital estrangeiro.

O plano estratégico, que tem fundamento econômico, faz parte de um plano mais ambicioso chamado “Vision 2030” – um planejamento que prevê vender até ações da Saudi Aramco, petroleira estatal do país.

Há alguns anos, esse tipo de reforma era impensável, assim como outras mudanças recentemente aprovadas no país, como permitir que as mulheres dirijam automóveis.

Falsas promessas?

Os projetos anunciados pelos sauditas buscam gerar uma abertura econômica, visando possíveis benefícios para as próximas décadas.

Mas as megacidades e megainfraestruturas ainda precisam provar para os investidores, na prática, que não se tratam de meras promessas.

Bolsa de valores na Arábia Saudita – Foto: GETTY IMAGES

“Isso não vai acontecer em um ou dois anos. Mas, se preparar para o que parece ser um mercado global de energia muito diferente, é algo que precisa de planejamento, exige tempo e dinheiro”, afirma Andrew Walker, correspondente de economia da BBC.

Se o capital estrangeiro não abraçar o projeto, dificilmente o empreendimento conseguirá ser concretizado da forma como está sendo vendido atualmente.

“A economia da Arábia Saudita precisa se modernizar e se diversificar”, pontua Walker. Para viabilizar o caminho da abertura econômica, é provável que o governo tenha que enfrentar ainda vários obstáculos. Entre eles, a própria cultura local que não está acostumada a empreender iniciativas individuais e correr riscos no mundo privado e impõe severas restições às mulheres.

Por isso, especialistas falam de uma mudança cultural e econômica que pode demandar muito tempo ainda antes de se tornar realidade.

Fonte: BBC BRASIL.com 

 

 

 

 

 

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Defesa Equipamentos Estados Unidos Meios Navais Navios Opinião Rússia Sistemas de Armas Sistemas Navais Tecnologia

Submarinos russos podem ganhar batalha contra rivais norte-americanos?

© Foto: Oleg Kuleshov

A força submarina da Marinha dos Estados Unidos emergiu da Guerra Fria como mestres incontestáveis do reino submarino. Mas hoje há ameaças crescentes à supremacia dos EUA neste domínio por parte da Rússia, informa o The National Interest.

A classe de submarinos russos Yasen foi concebida no início dos anos noventa pelo Gabinete de Projetos Malakhit – um dos 3 principais gabinetes soviéticos que desenvolviam submarinos. A construção do primeiro submarino desta classe, o Severodvinsk, foi iniciada em 1993 na Rússia mas, devido à falta de financiamento, o submarino foi completado só uma década depois e lançado à água em 2010.

Os submarinos da classe Yasen têm 118 metros de comprimento e um deslocamento de 13,8 mil toneladas. Estes navios podem acelerar a uma velocidade de até 16 nós na posição emersa e 31 nós debaixo da água, informa o relatório da Combat Fleets of the World.

O conjunto de sensores dos submarinos consiste  do sistema de sonar Irtysh-Amfora, com o conjunto sonar esférico especial, o radar especial MRK-50 Albatross e o dispositivo de suporte elétrico Rim Hat.

O armamento do submarino é composto por 4 lança-torpedos de 5.333 mm e 4 de 650 mm. Para além dos torpedos, estes podem ser dotados dos mísseis antinavio e antissubmarino 3M54 Klub. Além disso, os submarinos da Classe Yasen são equipados com 24 lança-mísseis verticais que utilizam os mísseis antinavio P-800.

Os submarinos da classe Virginia, com cerca de 119 metros de comprimento, se tornam gradualmente o principal esteio da força submarina da Marinha norte-americana, afirma o The National Interest.

Estes submarinos possuem só lança-torpedos de 533 mm, capazes de lançar torpedos Mk.48 Advanced Capability (ADCAP) e mísseis antinavio UGM-84 Sub-Harpoon. As primeiras versões possuíam 12 mísseis Tomahawk nos lança-mísseis verticais.

Quem afinal ganharia em uma confrontação direta entre estes dois navios? Ambos os submarinos são os pináculos da tecnologia submarina e parecem ter chances iguais, informa o The National Interest. O submarino Virginia é mais rápido e, de acordo com a Combat Ships of the World, pode ter vantagem na deteção devido ao seu sistema de sonar mais avançado Large Aperture Bow.

Em termos de armamento, os submarinos parecem possuir capacidades iguais, mas o Severodvinsk utiliza uma versão antissubmarino do míssil Klub que permite atingir os submarinos inimigos mais rapidamente com torpedos ligeiros.

O submarino da classe Virginia é mais silencioso e possui melhor equipamento sonar. O The National Interest afirma que esta é uma combinação imbatível que dá vantagem ao submarino norte-americano. A rivalidade entre os 2 navios inclui a utilização de veículos submarinos não tripulados e a utilização de outras tecnologias avançadas. De acordo com o autor do artigo, Kyle Mizokami, os submarinos norte-americanos têm superioridade neste campo.

Fonte: Sputnik

 

 

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Conflitos Destaques Estado Islãmico Síria Terrorismo

Exército sírio expulsa o Daesh (Estado Islâmico) de seu último grande bastião

Deir Ezzor, capital de uma província rica em petróleo, é a porta de entrada da fronteira iraquiana

Uma coluna de fumaça se eleva sobre a cidade de Deir Ezzor durante uma operação do regime contra posições do EI. AFP

JUAN CARLOS SANZ

As milícias do Estado Islâmico ficaram encurraladas em um reduto na fronteira entre Síria e Iraque do vale do Eufrates. O exército governamental sírio concluiu na sexta-feira, dia 3 de novembro, a reconquista de Deir Ezzor, capital de uma província rica em jazidas de petróleo e que é a porta de entrada da fronteira iraquiana águas abaixo do maior rio do país. A agência estatal de notícias SANA confirmou a expulsão das milícias do EI da cidade, que tinha sido antecipada de madrugada pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos, ONG com observadores na região.

As tropas leais ao presidente Bashar al-Assad, apoiadas por forças xiitas do Líbano, Irã e Iraque, derrubaram a frente do noroeste em setembro passado ao romper o cerco que os jihadistas mantinham há três anos sobre vários distritos de Deir Ezzor, que continuavam nas mãos do regime. Um colaborador da France Presse que conseguiu ter acesso ao último bastião do EI no local descrevia um cenário de destruição completa depois de dois meses de bombardeios aéreos russos e de ataques da artilharia síria. Unidades de sapadores e artilheiros tentavam desativar entre os escombros as bombas armadilha que os jihadistas deixam sempre depois de abandonar um de seus feudos.

O Estado Islâmico acumula cinco meses de derrotas consecutivas depois da perda de Mosul, no norte do Iraque, onde seu líder, Abubaker al Bagdadi, proclamou o califado em junho de 2014. A simbólica queda de Raqa, que foi sua capital no noroeste da Síria, marcou há duas semanas a agonia do final do califado.

O EI mantém apenas uma presença residual no Iraque, onde as tropas de Bagdá lançaram no dia 3 uma ofensiva geral contra Al Qasim, sua única base forte restante na fronteira do vale do Eufrates, segundo informa a agência EFE. Em um avanço rápido dominaram a principal rodovia para o país vizinho para cortar a linha de abastecimento das milícias jihadistas.

Na Síria, o EI controlava em maio passado 40% da superfície do país. Agora viu reduzida sua presença ao reduto fronteiriço do deserto atravessado pelo rio. Seus combatentes se reagruparam em torno de Abu Kamal, no que já parece ser o último feudo do jihadismo no país árabe.

A operação do Exército sírio, apoiado pela Rússia, contra Deir Ezzor coincidiu com o avanço na mesma província das Forças Democráticas Sírias (FDS), aliança de oposição dirigida pelas milícias curdas da Síria e sustentada pela coalizão antijihadista encabeçada pelos Estados Unidos que se apoderou de Raqa em 17 de outubro passado. A manobra, que aparentemente não era coordenada com as FDS, forçou a debandada do EI águas abaixo do Eufrates. Na corrida para ver quem expulsa primeiro os jihadistas da Síria está em jogo o controle da estratégica via de comunicações do vale em direção ao Iraque, onde as tropas de Bagdá já estão fechando as fronteiras.

Fonte El País 

 

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Conflitos Geopolítica História Israel Terrorismo

4 de novembro de 1995: Assassinato de Itzak Rabin

O premiê Itzak Rabin foi assassinado por um radical de direita em Israel no dia 4 de novembro de 1995. Minutos antes, ele havia participado de uma grande manifestação pela paz.

Rabin, Clinton e Arafat selaram o primeiro Acordo de Oslo em 1993 – Foto: Reuters

Era sábado à noite e cerca de 100 mil manifestantes ouviam discursos políticos e cantavam pela paz com os palestinos. Dois anos antes, Israel assinara com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) o acordo de Oslo, que previa, em primeiro lugar, o reconhecimento mútuo. Tinha como base o conceito de terra por paz: durante a fase intermediária de negociações, Israel entregaria à administração palestina territórios da faixa de Gaza e da Cisjordânia.

A execução do acordo, porém, era freada pela oposição nacionalista, liderada pelo ex-premiê Benjamin Netanyahu, então líder do Likud. Rabin era acusado pelos adversários de trair a pátria. Era considerado taciturno, reservado e arrogante, mas o reconhecimento mundial obtido por seu papel no processo de paz parecia liberar suas emoções.

Rabin estava convicto de haver dado o passo certo em Oslo e satisfeito com o apoio recebido da população. A caminho do carro oficial, que o esperava atrás do palco, foi atingido por dois tiros. Foi levado às pressas para o hospital, mas não resistiu. O assassino, Igal Amir, um estudante de Direito de 25 anos, foi preso no local do crime e, mais tarde, condenado à prisão perpétua.

Afirmação de compromisso pela paz

Apesar de estar sofrendo ameaças, Rabin recusara-se a usar colete à prova de bala. O primeiro a manifestar suas condolências foi o líder palestino Iasser Arafat, num gesto que na “intifada” de 1987 ainda era impensável.

Os dois arqui-inimigos haviam partilhado o Prêmio Nobel da Paz de 1994 pelo aperto de mão histórico, ao selarem o acordo de Oslo, em Washington. A morte de Rabin só foi festejada por alguns grupos radicais no Líbano. O ex-presidente Bill Clinton lamentou a morte, enfatizando ter perdido “um parceiro e amigo”.

Shimon Peres assumiu o governo israelense a 5 de novembro de 1995, reafirmando o compromisso com a paz. Eleito em 1996, seu sucessor Benjamin Netanyahu fez a mesma promessa, mas congelou o processo de paz em março de 1997, quando aprovou a construção de novos assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental.

Na eleição seguinte, foi eleito o líder trabalhista Ehud Barak, que no princípio comprometeu-se a continuar a política de Rabin. Mas o terrorismo de extremistas judeus e muçulmanos seguiu dinamitando o diálogo.

Rabin teve a contraditória biografia de um grande general que virou arquiteto da paz. “A assinatura da declaração de princípios israelense-palestino não é fácil para mim, como um soldado de Israel”, disse em setembro de 1994 nos jardins da Casa Branca, ao lado de Iasser Arafat, da Autoridade Palestina.

Herói na Guerra dos Seis Dias

Rabin virou um “mártir da paz”, mas dos 13 aos 66 anos dedicou-se à guerra. Nascido a 1º de março de 1922 em Jerusalém, lutou contra o Eixo na Segunda Guerra Mundial, contra os ingleses em 1946 e contra os árabes em 1948.

Em 1964, tornou-se chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel. Foi o grande herói nacional na Guerra dos Seis Dias, em 1967, na vitória militar contra Egito, Jordânia e Síria, em que Israel anexou os territórios da Cisjordânia e Gaza.

De 1968 a 1973, Rabin foi embaixador em Washington. De volta a Israel, começou a carreira política no Partido Trabalhista. Sucedeu a primeira-ministra Golda Meir, mas foi obrigado a renunciar em 1977, porque mantivera uma conta bancária nos EUA depois do retorno a Israel.

Em 1984, foi nomeado ministro da Defesa num governo de coalizão com o Likud. Na Intifada, a insurreição palestina nos territórios ocupados, mandou quebrar os ossos das mãos de palestinos condenados por atirarem pedras contra soldados israelenses – política que lhe rendeu veementes críticas internacionais.

De volta ao poder em 1992, apoiou o projeto de paz do ministro do Exterior, Shimon Peres, por razões pragmáticas. Israel não tinha mais condições políticas de manter 1,7 milhão de palestinos como subcidadãos em territórios sob seu controle. Uma vez engajado no processo de pacificação, Rabin se mostrou tão obstinado pela sua conclusão quanto na busca de vitórias militares para seu país.

Fonte: DW