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Quando a Venezuela quase comprou o MiG-29M Fulcrum E

MiG-29M2 possuía um maior alcance, capacidade de reabastecimento em vôo , sistema Fly by Wire, e uma maior capacidade de carga para armas.

Os primeiros rumores envolvendo a compra de aeronaves de combate russas pela Venezuela surgiram poucos anos após a chegada de Hugo Chávez ao poder no país em 1998. Em meados de 2000 uma  uma equipe de militares da FAV esteve na Rússia onde cumpriram uma missão de treinamento em aeronaves Fulcrum .No final de 2001, tais rumores se intensificaram com a visita de um MiG-29M2 e de um MiG-29UB ao país.

MiG-29UB (Product 9.51) Fulcrum B na base aérea Base Aérea Libertador (BAEL)

As aeronaves chegaram à Venezuela a bordo de um Antonov An-124-200 Condor e foram submetidas a diversos ensaios de vôo para avaliação da aeronave pelo pessoal da Fuerza Aérea Venezolana onde os mesmos foram voados por tripulações Russas e Venezuela e em alguns voos com tripulação mista. Os dois aviões participaram do desfile aéreo em alusão ao aniversario da força Aérea Venezuelana (10 de dezembro). Dentre os itens analisados pela Venezuela , estavam a performance em voo, questões logísticas e operacionais como sistemas de armas e aviônicos.

Embarque dos MiG-29 em um cargueiro Antonov AN-124 Ruslan

Entre os destaques positivos apontados, estavam a maneabilidade e a robustez da aeronave. O modelo  MiG-29M Fulcrum-E recebeu elogios dos pilotos da FAV onde destacaram  os sistemas de controle de voo como pontos importantes da aeronave. A aviônica, também foi elogiada pois apresentava capacidade integrada,  com  vários sensores que apresentam todas as informações ao piloto de maneira fácil. Críticas foram feitas em relação à variante MiG-29UB (Produto 9.51) “Fulcrum-B” devido a ausência de radar e aos aviônicos antigos e também ao motor Klimov RD-33.

A eventual aquisição do “Fulcrum” (que contemplavam números de 18 à 50 aeronaves a serem adquiridas) fazia parte de um amplo acordo na área aeroespacial entre os dois países, envolvendo outros produtos.

Modelo MiG-29M2 MRCA (Multi-Role Combat Aircraft) estacionado no patio da Base Aérea Libertador (BAEL).

 Apesar de não deixarem de existir completamente, as notícias relativas ao tal negócio perderam força ao longo dos anos seguintes tanto devido a constantes afirmações por parte de oficiais de alta patente da FAV negando um real interesse na aquisição desses aviões, quanto pelas negociações que essa força conduzia com Israel para a modernização de seus caças F-16.

O MiG-29M2 participou de diversas avaliações durante sua passagem pela Venezuela inclusiva participando de exercícios simulados contra aviões F-16 da FAV.

Em fevereiro de 2005, os rumores envolvendo a aquisição do Fulcrum pelo governo de Caracas voltaram a ganhar destaque na mídia após declarações feitas pelo presidente do país em que acusava os Estados Unidos de atrasar a entrega de peças de reposição para a frota de F-16 Fighting Falcons. Em maio do mesmo ano, foram publicadas notícias que davam conta que a Fuerza Aérea Venezolana começava a demonstrar interesse na aquisição de aeronaves da família Flanker.

MiG-29UB (Product 9.51) Fulcrum B. O mesmo recebeu criticas dos pilotos venezuelanos devido a ausência de radar e aos aviônicos antigos.

O interesse pelo Flanker começou a surgir devido a desconfiança do governo venezuelano em relação ao desenvolvimento final do MiG-29M onde o mesmo encontrava-se em fase de protótipo sem perspectivas de ser adotado pela força aérea da Rússia. Em contra partida foi oferecido o modelo MiG-29 SMT (Product 9.17) equipado com radar Phazotron Zhuk-ME e aviônicas mais avançadas. Por outro lado a Família Flanker alavancava vendas ao mercado externo como China e Índia.

Durante sua passagem pela Venezuela os Fulcrum foram voados por tripulações Russas e Venezuelanas e em determinadas missões com tripulação mista.

Tal fato representou um importante acontecimento nas negociações que viriam a seguir ao sugerir o Su-30MK como potencial escolha para a FAV, pois, até tal momento, era vislumbrada apenas a venda de caças SU-27SK de geração anterior.

MiG-29UB (Product 9.51) taxiando na pista da Base Aérea Libertador reparem no fundo os hangares do tipo HAS (hardened aircraft shelters).

Em junho de 2006, a Venezuela assinou a compra de um lote de 24 Sukhoi Su-30MK2 oque colocou um fim na novela do MiG-29 na Força Aérea Venezuelana.

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Com Informações de FAV-Club e ALIDE

Edição Plano brasil

Algumas imagens são meramente ilustrativas

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FOpEsp: Quem São e o Que Fazem os Caçadores de Operações Especiais do Exército Brasileiro? (Parte 2)

Fotografia 4: Caçador de Operações Especiais realizando sobrevoo na Aeronave HA-1 (Esquilo) da Aviação do Exército Brasileiro. (Fonte: Acervo COpEsp).

Texto elaborado pelo Capitão HB(pseudônimo).

O momento atual em que o Brasil é escolhido para sediar diversos eventos de vulto internacional, particularmente desde 2007, sediando os Jogos Pan-Americanos, pelos V Jogos Mundiais Militares, Rio+20, Copa das Confederações 2013, Jornada Mundial da Juventude, Copa do Mundo da FIFA 2014 e Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, exige um intenso e detalhado preparo das Forças de Operações Especiais para se anteverem às ameaças terroristas contemporâneas. Outrossim o recrudescimento da violência urbana no Brasil, fazendo da sociedade refém de organizações criminosas muito bem estruturadas, dotadas de eficiente comando e controle e que com ações de violência extremista nos grandes centros do país, constitui um chamamento à comunidade brasileira de Operações Especiais para o desenvolvimento de ações efetivas e enérgicas, pautadas pela eficiência, eficácia, legalidade e acima de tudo legitimidade por parte do povo brasileiro.

O Comando de Operações Especiais (COpEsp) do Exército Brasileiro (EB) tem sido amplamente empregado pela Força Terrestre, atuando de maneira proativa e reativa em diversos cenários do território nacional, seja nas ações de contraterrorismo, seja nas ações de reconhecimento especial atuando de maneira intensiva nas fronteiras inóspitas do país, seja nas ações de apoio aos órgãos governamentais para debelar os altos índices de violência em locais especificamente conflagrados. Em todos os casos citados o emprego das Equipes de Caçadores de Operações Especiais (EqpCçdOpEsp) se torna relevante e preponderante para o sucesso e para obtenção da superioridade relativa, tão necessária para as ações das Forças de Operações Especiais.

Dentro desse contexto, o Destacamento de Reconhecimento e Caçadores (DRC) e o 5º DOFEsp utilizam as mais diversas táticas, técnicas e procedimentos de Caçadores de Operações Especiais para consecução dos objetivos do Comando de Operações Especiais. Para tanto, o adestramento, similar e por vezes realizado de maneira conjunta entre os dois destacamentos, é composto de uma vasta gama de conhecimentos, passando pelas operações de reconhecimento especial até peculiaridades do estudo da meteorologia e balística aérea. Por se tratar de uma tropa especialmente adestrada para dupla capacidade (produção de informação e tiro seletivo), as frações de Caçadores de Operações Especiais do COpEsp se preparam anualmente por meio de um plano de capacitação específico. A célula de operações do batalhão juntamente com a célula de inteligência e assessoradas pelos comandantes de Destacamento, conduzem esse planejamento baseando-se nas atualizações do cenário mundial, nas possíveis e prováveis hipóteses de emprego e das análises das ameaças.

Fotografia 5: Equipe de Caçadores de Operações Especiais do 5º DOFEsp realizando Ação Direta Seletiva em apoio à Força-Tarefa de Operações Especiais durante Operação no Complexo da Maré. (Fonte: Disponível em: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/08/policiamento-e-reforcado-e-acesso-de-favela-e-bloqueado-na-mare.html Acesso em: 12 jan. 2017).

O adestramento desses dois destacamentos muito peculiares tem sido atualizado e revisado constantemente de acordo com as exigências e mutações dos cenários de crise, sendo cada dia mais aparente a utilidade das EqpCçdOpEsp e a importância da necessidade de flexibilidade no seu emprego. As lições aprendidas não se encontram somente nos relatórios pós-ação de adestramentos, elas se originam principalmente dos relatórios pós-ação do pessoal ativamente envolvido. Não raro os Caçadores de Operações Especiais constituem maciçamente esse efetivo, pois são empregados a partir da preparação da Área de Operações, realizando desde o monitoramento de alvos estratégicos até o adestramento das Forças de Segurança Pública local. De maneira geral, a capacitação se divide em Emprego do Caçador e Operações de Reconhecimento Especial. No tocante ao tiro de precisão, diversas Táticas, Técnicas e Procedimentos (TTP) são praticadas, e ainda assim, algumas são desenvolvidas para a realidade vivida no cenário nacional. Conhecimentos de balística de diversos armamentos e munições e balística terminal, recarga de munição, tiro em posições alternativas, tiro em movimento e em alvos móveis, tiro embarcado em aeronaves de asa rotativa, capacidade multicalibre das Equipes, capacidade de engajamento de alvos em distâncias superiores a 1500 m, tiro através buraco, tiro noturno empregando diferentes meios optrônicos e condições de iluminação, tiro antimaterial, técnicas de tiro rápido e de compensação de pontaria, tiro através vidro, fotografia profissional, técnicas de observação, memorização e descrição de alvos, uso diferenciado da força, aspectos legais ao emprego do caçador, entre outros proficiências já consagradas mundo afora, conferem ao DRC possibilidades ímpares que o caracterizam como uma tropa essencial antes, durante e depois do emprego dos elementos operativos da Força Terrestre.

Continua…

O capitão HB é oficial do Exército Brasileiro, possui Curso de Caçador de Operações Especiais e de diversos outros cursos e estágios na habilitação do tiro de precisão de longa distância. Foi instrutor do Curso de Caçador de Operações Especiais e integrante do DRC durante a metade  da sua vida profissional após sua formação acadêmica. Executou todas as funções possíveis para um oficial Comandos e Forças Especiais com habilitação de Caçador de Operações Especiais. Teve oportunidade participar de diversas missões de vulto no Brasil e no Haiti, todas elas integrando EqpCçdOpEsp.

Fonte: FOpEsp (Forças de Operações Especiais)