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Raytheon abandona programa bilionário da USAF

A norte-americana Raytheon decidiu romper a parceria com o conglomerado italiano Leonardo e sair da competição bilionária para o fornecimento de pelo menos 350 jatos de treinamento avançado para a USAF – o programa T-X.

Em comunicado, a Raytheon disse confiante que o T-100 – variante do M-346 Master, é a melhor opção para o T-X, mas que as empresas não chegaram a um acordo comercial que atenda aos interesses da USAF.

As empresas firmaram uma parceria em fevereiro do ano passado para concorrer ao programa que deve atingir pelo menos US$ 16,3 bilhões. Pelas leis norte-americanas uma empresa estrangeira deve se associar a uma norte-americana para concorrer a contratos governamentais. Neste caso a Raytheon seria a principal contratada gerando assim empregos e impostos para os EUA.

Sem essa parceria a Leonardo fica com uma decisão difícil a ser tomada. Ou se associa a outra empresa norte-americana ou abandona de vez o programa bilionário, um dos mais lucrativos depois daqueles destinados a compra de caças e bombardeiros. Entretanto, o tempo é escasso pois espera-se que o contrato seja firmado ainda neste ano.

Além da Raytheon/Leonardo, participam da concorrência a Boeing com a SAAB e o seu modelo de aeronave de projeto totalmente novo; a Northrop Grumman com o Model 400 (projeto também novo) e a Lockheed Martin/Korea Aerospace Industries com uma variante do T-50A.

Fonte: C&R Editorial 

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Conflitos Estados Unidos Geopolítica Geopolitica

Trump prepara medidas para reduzir drasticamente apoio dos EUA à ONU

O governo de Donald Trump prepara ordens executivas para reduzir de forma drástica o apoio dos Estados Unidos às Nações Unidas e outras organizações internacionais, segundo antecipou nesta quarta-feira (25) o jornal “The New York Times”.

Segundo o jornal, que cita funcionários do governo sob condição de anonimato, as medidas implicam que os EUA cortarão todo o financiamento a agências da ONU e organismos que tiverem a Palestina como membro de pleno direito ou que tenham programas que financiem abortos, entre outros critérios.

Uma das ordens pede a redução de pelo menos 40% dos recursos que o país destina a organizações internacionais, o que a priori prejudicará de fortemente as operações das Nações Unidas, que têm os EUA como principal contribuinte.

O texto, segundo a publicação, estabelece a criação de uma comissão para recomendar onde devem ser efetuadas essas reduções e pede que sejam estudados possíveis cortes no financiamento das operações de paz, do Tribunal Penal Internacional (TPI), do Fundo de População da ONU e da cooperação com países que se oponham a “políticas importantes dos Estados Unidos”.

A segunda ordem executiva pede uma revisão de todos os tratados multilaterais em vigor e pendentes dos quais o país faz parte, sempre que não estiverem “diretamente relacionados com segurança nacional, extradição ou comércio internacional”.

Em uma explicação anexa, o documento menciona dois tratados da ONU a serem revistos: a Convenção para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher e a Convenção sobre os Direitos da Criança.

Trump se caracterizou por ser muito crítico em relação às Nações Unidas e a vários tratados internacionais, como o recente Acordo de Paris sobre a mudança climática.

Em seus primeiros dias como presidente, o magnata utilizou ordens executivas para avançar em algumas promessas eleitorais em diferentes áreas.

Os Estados Unidos fornecem atualmente mais de 20% do orçamento das Nações Unidas, das quais é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.

 

Fonte: UOL

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América Latina Economia Geopolítica

Paraguai reinventa economia e vai de “primo pobre” a estrela da América Latina

Visto durante muito tempo como o “primo pobre” da América do Sul, o Paraguai apareceu em Davos, no Fórum Econômico Mundial, como a grande estrela da região. E com razão. Em menos de uma década, a economia paraguaia se reinventou, conseguiu atrair investimentos estrangeiros e crescer com o apoio do agronegócio. O resultado é um desempenho de fazer inveja aos vizinhos, que andam patinando para sair da crise.

A transformação está nos números. A economia paraguaia experimentou um crescimento de 14% em 2013 (o Brasil cresceu 2,3%) e 4,7% no ano seguinte, enquanto a América do Sul cresceu, respectivamente, apenas 3,3% e 0,7%. Mesmo desacelerando, o PIB do Paraguai fechou 2015 com alta de 3% e, segundo projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), deve crescer 3,5% em 2016. A inflação segue controlada, próxima de 5%, e a taxa de desemprego do país está em queda.

No Brasil, por outro lado, a recessão bateu forte nesse período, com a inflação e o desemprego atingindo níveis recordes. Em 2015, o PIB brasileiro encolheu 3,8% e a inflação chegou a 10,6%. Em 2016, é esperada uma retração de 3,5% no nosso PIB.

Resiliente em meio à crise, o Paraguai recebeu elogios até do FMI. Em seu último relatório sobre o país, o fundo destacou a política fiscal do Paraguai como um importante elemento de apoio à atividade econômica do país. O déficit orçamentário do governo atingiu 1,7% do PIB, levemente acima do teto de 1,5% estabelecido pela lei de responsabilidade fiscal. O Paraguai tem um dos menores índices de endividamento público do mundo, com 23% de dívida bruta sobre o PIB. O índice estimado do Brasil é de 73%, enquanto a média dos demais países do Mercosul é de 54%, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI) do Brasil.

Ambiente ideal

Com crescimento, baixa inflação e finanças públicas sólidas, o Paraguai conseguiu criar um ambiente favorável à atração de investimentos estrangeiros no qual vigoram regras estáveis, benefícios fiscais, baixa carga tributária (cerca de 10% do PIB contra 33,4% do PIB no Brasil) e custos bastante competitivos, sobretudo com energia e mão de obra. Não demorou muito para que as empresas brasileiras e de outros países vizinhos descobrissem esse oásis de benesses quase no quintal de casa, explica professor de economia do Insper, Otto Nogami.

Impulsionado pela Lei de Maquila – criada no ano de 2000 para incentivar a instalação de empresas estrangeiras no país – o movimento de migração de companhias para o Paraguai se acentuou a partir de 2013, quando a economia brasileira começou a ser deteriorar. O regime fiscal de Maquila oferece isenção de impostos às empresas estrangeiras para importação de máquinas, equipamentos e matéria-prima. Em contrapartida, a empresa precisa exportar 100% de sua produção até completar o primeiro ano no regime e paga um imposto único de 1% sobre a sua fatura de exportação. Para acessar tais benefícios, contudo, a empresa precisa manter a operação no país de origem.

Ao todo, desde 2013, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já realizou sete missões ao Paraguai envolvendo cerca de 390 empresários brasileiros de distintos setores. Desses, 60% já desenvolveram ou estão desenvolvendo algum tipo de parceria comercial ou de investimento no Paraguai. Ao todo, 120 empresas brasileiras estão instaladas lá, sendo 85 amparadas pelo regime de Maquila.

“Lá as empresas brasileiras têm mais vantagens para acessar determinados mercados. O setor têxtil consegue acessar toda a Europa com alíquota praticamente zero. No Brasil seria de 25% a 36%, dependendo do produto”, destaca Sarah Saldanha, gerente de Serviços de Internacionalização da CNI. A ideia, contudo, é que as empresas brasileiras possam aproveitar as vantagens oferecidas pelo Paraguai para impulsionar seus negócios no Brasil, num relação de complementaridade, e não migrar definitivamente para lá, ressalta Sarah.

Energia e mão de obra mais baratas atraem empresas brasileiras

A lista de companhias brasileiras que migraram parte de sua operação para o Paraguai tem nomes conhecidos como Vale, Eurofarma, Riachuelo, JBS, Bourbon e Buddemeyer, mas também empresas menos conhecidas que encontraram no vizinho guarani uma chance manter as portas abertas e prosperar. Lá, além de incentivos fiscais, as companhias brasileiras encontraram mão de obra e energia mais baratas. Para ter uma ideia, a soma dos encargos trabalhistas torna o custo unitário de mão de obra no Brasil entre 100% e 135% mais caro que no Paraguai. A energia, por sua vez, é quase 70% mais em conta do que aqui, ressalta Edson Campagnolo, presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). Só em 2016, a entidade conduziu três missões com cerca de 60 empresários paranaenses para o Paraguai.

Parceria antiga

De acordo com a CNI, a corrente de comércio entre Brasil e Paraguai cresceu quase 120% no acumulado dos últimos dez anos, totalizando US$ 3,3 bilhões em 2015. O Brasil é superavitário em quase US$ 1,6 bilhão e as vendas ao Paraguai são compostas por mais de 93% de bens manufaturados. O Paraguai é o 5º principal destino das exportações brasileiras de produtos desse tipo. O Brasil, por sua vez, ainda é a principal origem das importações do Paraguai, fornecendo 25% do total importado pelo país em 2015), mas o valor vem caindo nos últimos anos com o aumento da concorrência com a China.

Gargalos e limitações do país ameaçam onda de crescimento

Apesar da perspectiva positiva para os próximos anos, o crescimento da economia paraguaia deve encontrar barreiras. Por exemplo, a baixa qualificação da mão de obra paraguaia, destaca o professor de economia do Insper Otto Nogami.

O FMI faz o mesmo alerta em seu relatório. Até agora, segundo o fundo, os sólidos fundamentos macroeconômicos – com crescimento baixa inflação e conta públicas estváveis -, além de demografia favorável, menor custo de importação de petróleo e setor elétrico competitivo, ajudaram a sustentar o crescimento do país no curto prazo. Já no ano passado, contudo, a economia experimentou uma perda de impulso, em grande parte ligada à desaceleração do preço das commodities.

No médio prazo, as ameaças ao crescimento aumentaram, principalmente do lado externo, com o risco de um declínio mais profundo do Brasil ou um recuo ainda maior do preço das commodities agrícolas, alerta o FMI. Para Nogami, o plano de atração de investimentos, um dos motores do PIB paraguaio, tende a ficar limitado pelas deficiências estruturais e gargalos do país. Neste sentido, a recomendação do FMI ao vizinho guarani é que o país encare alguns desafios prioritários e promova um crescimento mais inclusivo, reduzindo a pobreza, fortalecendo os quadros políticos e aumentando a produtividade.

Desempenho invejável

Com inflação controlada e desemprego em queda, o PIB paraguaio cresce a taxas de fazer inveja nos vizinhos da América Latina, puxado, principalmente por boas safras de soja no campo e investimentos estrangeiros na indústria.

PIB

Em %

PIB per capita

Em milhares US$

Inflação

Em %

Taxa de desemprego

% da mão de obra total

*projeções

Fonte: Fundo Monetário Internacional. Infografia: Gazeta do Povo.